reflexões sobre a arte de fluir a vida
Artigos com o marcador memórias e reflexões
Muito além do amor romântico
14/12/11
Quando não há mais alegria em amar sem impressionar
Quando basta a companhia e o carinho
No tempo em já não há mais projetos ou sonhos de eternidades junto
No instante em que basta um olhar pra se eternizar na vida um do outro
Quando não há mais vazios a preencher
Quando a saudade não arde mais do que a certeza de que todo amor é eterno
Quando as formas de amar são mais preciosas do que os desejos e quereres
Quando estar em companhia é se alimentar de esperança que possamos todos um dia nos encontrar nas estrelas
Quando saturno corta o céu em libra
O amor romântico morre
Morreu o amor
Nasce a vida junto
Nasce a partilha
Nasce a irmanação de todas as coisas
Nasce o novo estar junto
Nasce a liberdade de amar
Nasce a vontade de querer restar
Junto
Não até que um novo amor nos separe
Mas até que a vida nos faça encontrar
Em cada um que passa, ou fica, um pedaço descoberto de universo
Tamanho amor perfeito amor
Sereno amor
De oceano de paz
Pra crer e ser
O que é integral?
28/07/11
O primeiro fundamento para uma fala integral é não mentir. No sentido de que mentimos quando não sabemos do que estamos falando, quando o pensamento metafísico e operações conceituais se sobrepõe ao sabor próprio das coisas. Então, falar de uma perspectiva integral é começar pelo meu caminho pelo meu devir.
Integral é integração, já que não há nada integral, há o movimento de integração, a dança, a vida. Corpo-mente-espírito-inconsciente, eu-sociedade-natureza, todas partes de um mesmo todo. Integral é sustentar os paradoxos e transcende-los sem superá-los, é juntar, unir, reunir, sintetizar, amar, enlaçar, translaçar, transladar, circum-navegar, perinadar, puerperar, com-estar, comungar do gosto do sal dos oceanos que emergem agora na boca.
Integrando, mais do que integral, sendo sempre dinâmica, fractal-mandala, luz e forma, função e movimento, ação.
São as duas faces da montanha, o claro-escurecendo-claro-escurecendo-claro, clara luz dos entre mundos.
Integral é a geometria das formas, a beleza do abstrato adiante.
Integral é…..
Silêncio
Irradiando saudade de tudo, como a presença de ti no outro.
Reconhecer que todas as linguagens cantam os mesmos sabores e dar nomes novos a cada etapa do caminho sem nome.
Integrando é corpo-célula-mundo-gente na dança.
Integrando é receber tudo, viver tudo, saborear tudo e seguir saboreando o saber que se sabe que não sabe.
Integrando anjos e demônios, no fogo do coração do coração.
Atraversar paredes, há traves em versar.
…
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Ayahuasca e as desinformações do sagrado
14/05/11
“meu próprio e verdadeiro ser interior realmente existe em toda criatura viva…(e) é o fundamento dessa compaixão (Mitleid) sobre a qual repousa toda virtude autêntica, isto é, altruísta, e cuja expressão se acha em toda ação benéfica.”
Schopenhauer
Antes de mais nada é preciso definir alguns pressupostos para falar de espiritualidade. Existem muitos usos dessa palavra mas vou defini-la como a sua forma de experimentar a verdade última do universo, o sentido fundamental.
Assim, os pressupostos dessa definição implicam em ser uma vivência dessa verdade, uma experiência última, que dá sentido e orienta sua ação no mundo e os decorrentes resultados.
Não confundindo então com qualquer visão religiosa, de credo, de crença ou de qualquer panteão místico ou de santos de qualquer tradição. Radicalmente assim, somos todos espirituais, todos temos uma intuição direta sobre o mundo, mesmo que encoberta de repetições de gestos, rituais, palavras e símbolos que não correspondem a essa visão originaria.
Intenção: a minha intenção a escrever esse texto é compartilhar o desenvolvimento cognitivo e mais compassivo que tive para que possa comunicar de forma gentil e ao mesmo tempo precisa o resultado de pesquisas pessoais que começaram em 1994.
Pesquisa: a pesquisa que relato foi bebendo ayahuasca desde a juventude em mais de 7 linhas diferentes de rituais e embora eles guardem muitas diferenças, quero falar das generalidades, e que assim, possa talvez, ajudar ao maior número de pessoas da melhor forma possível.
Esse texto é dirigido à rede de amigos e pessoas ligadas ao meu “grupo-karma”, aos familiares espirituais, aos amigos evolutivos, tentando amplificar com a razão, uma compreensão espiritual e parapsíquica que aumente o discernimento, a visão global e integral.
A maior e mais profunda contradição que vejo, sendo direto, é que nos grupos ayahuasqueiros as pessoas sofrem de alguns males profundos, entre eles:
- dificuldades de lidar com o mundo, estar no mundo, ter realizações pessoais em todos os níveis: estudo, produção escrita e intelectual, trabalho, sustentabilidade emocional e financeira, falta de pé no chão.
- formação de seitas, grupos dentro de outros grupos, “panelinhas” que excluem os que pensam diferente, o que é típico de todas as seitas e presente nos grupos religiosos minoritários em geral. Verdade aqui é a verdade de estar no grupo, quem está fora está “perdido”, dizem as doutrinas.
- milenarismo, ou 2012zismo, a crença de que o mundo vai acabar, que tudo vai mal e que tendem a piorar com o tempo, uma visão narcisista de que faz com que apenas os “escolhidos” serão salvos, não muito distante da crença dos cristãos dos primeiros séculos de que o mundo acabar.
- narcisismo, se sentir superior por experimentar estados não-comuns de consciência, mas que não se dá no dia-a-dia, somente enquanto bebe a substância exógena, sem qualquer preocupação com a transformação pessoal e auto-superação.
- e por fim, a estagnação, não há transformação real, embora muitas catarses emocionais, existe pouco avanço em termos de desenvolvimento de um pensamento mais inclusivo, mais acolhedor das diferenças e da compreensão dos processos evolutivos da vida.
Mas muitos grupos religiosos tem isso mesmo em comum, o que então é o mais sério?
O mais grave é a falta de um trabalho assistencial, de esclarecimento, estudo e transformação pessoal, desenvolvimento e evolução a níveis e patamares de consciência mais elevados, ou seja, mais compassivos e inclusivos.
PONTOS POSITIVOS
Iniciação: O chá pode ter um caráter iniciático em experiências multidimensionais, mas se o sujeito já tem algum tipo de parapsiquismo, a ingestão de DMT, uma substância produzida naturalmente no cérebro em estados de meditação profunda, serve apenas como um “dopping parapsiquico” que o sujeito tem a impressão de viver uma experiência “profunda” mas ele não corresponde ao trabalho “muscular”, o esforço para chegar a ter essas experiências de forma integrada.
Esquecimento e onirismo: tal como um sonho, que acontece numa frequência de onda diferente, não são fáceis de lembrar e serem elaborados e integrados no dia-a-dia, assim, em geral há um grande descompasso entre o efeito do chá e depois que o efeito passou. Assim, tal como um sonho não registrado, é esquecido, e todo o esforço se perde.
Pesquisas: as pesquisas científicas com DMT poderão chegar a uma dose ideal, com indicadores somáticos que podem levar a um uso positivo da substância para diversos efeitos no futuro, antidepressivo e até mesmo potencializador do parapsiquismo, hoje, no seu uso religioso e místico, acaba atrapalhando mais do ajudando.
PROBLEMAS GRAVÍSSIMOS
Tráfico de Drogas: a bebida é vendida para diversos paises do mundo, diversos “turistas espirituais”, cobram e vem beber o chá no Brasil e os lucros são mais do exorbitantes.
Trabalho escravo: produtores no norte do país trabalham sob influência religiosa e o ciclo de produção o chá foi considerado por antropóloga pesquisadora como um ciclo de produção escravo. Outros tem verdadeiras produções industriais da bebida.
Brigas entre as linhas: a disputa pelo mercado religioso do chá acontece de todos os lados, com acusações graves de todos os lados, mostrando a desunião e a falta de compaixão e compreensão que as seitas geralmente guardam entre si.
Mistura com drogas: não raro, o uso de cocaína, crack e maconha dentro de alguns grupos é totalmente tolerado e até incentivado em hinos e cerimônias.
Fanatismo: o fanatismo é a cegueira opcional, é a auto-prisão, a incapacidade de olhar para os próprias ideas e perceber que são relativas, que são transitórias, que seguimos aprendendo e evoluindo infinitamente, transcendendo e incluindo o que aprendemos no nível anterior. Andam junto com o fanatismo: a gurulatria, a idolatria de lideranças e a idealização de pessoas, ignorando os aspectos negativos com perda de visão crítica e de bom senso.
Se alguém que bebe e freqüenta as religiões ayahuasqueiras discorda ou tem algo a acrescentar a essa reflexão, se conseguir de maneira a contribuir com o esclarecimento, autonomia, discernimento, lucidez, prática pessoal e vivência espiritual legítima (autogênica), sem “dopping “, por favor, deixe um comentário.
Em geral muita gente jovem, sensível e em busca de desenvolvimento pessoal, perde tempo e energia em busca de uma ilusão. Ilusão por não ser uma conquista dos próprios esforços de desenvolver compaixão e contribuir para uma visão mais acolhedora de todas as verdades parciais de si e do mundo.
Note que acredito que as pesquisas podem um dia permitir a utilização positiva da DMT, até agora, o que vemos são “viagens”, uma visão alienante de um estado de consciência que não é sustentável, por não facilitar subir degrau por degrau os caminhos do desenvolvimento cognitivo, parapsíquico, espiritual e emocional e interpessoal das nossas múltiplas inteligências.
Por fim, a síntese é a distinção importante entre o estado alterado de consciência, que o chá, a respiração, o jejum, ou outras práticas permitem, mas que não corresponde a um estágio mais elevado de consciência, ou seja, uma conquista permanente que enfrente a questão da assistência ao maior número de pessoas com o maior grau de lucidez e consciência.
Bibliografia:
Wilber, Ken – o espectro da consciência
Strassmen, Rick – DMT: The Spirit Molecule: A Doctor’s Revolutionary Research into the Biology of Near-Death and Mystical Experiences
Walsh, Roger – Higher Wisdom: Eminent Elders Explore the Continuing Impact of Psychedelics
OM SAI RAM – JAI!!!
24/04/11
Fiquei sabendo hoje, domingo de páscoa que morreu Sai Baba. Estou chorando muito, quis tantas vezes ir a Índia visitá-lo foi o primeiro pensamento, mas não precisei, ele visitou meu coração tantas vezes e quero agradecer profundamente.
Conheci Sai Baba e seus ensinamento na minha juventude e quero deixar esse testemunho, pra mim mesmo, esses rastros de uma vida em busca de integralidade de um ser humano mais pleno de uma possibilidade de saúde e plenitude pra toda a humanidade.
Tive uma criação na cultura ocidental e não sei bem como fiquei conhecendo Sai Baba, minhas primeiras lembranças são de um programa de TV e depois chegava ao centro sathya sai baba de Niterói. Me lembro da cerimônia com câfora e dos devotos todos cantando aquela lingua estranha aos pés do guru com girlandas de flores.
Ali fiz muitos amigos, ganhei livros sobre tantos santos do oriente, lia os livros da organização sai que se formava. Era o ano de 1995 e frequentei ativamente por alguns anos, meu último contato foi na fundação da fundação de educação em valores humanos em São Paulo.
Cantavamos canções em sanscrito, mas também cantos de todas as religiões. Ali ouvi as primeiras menções pra Krishna, apredi mais sobre o Budismo, Sikhis, Mulçumanos na mensagem simples e profunda de que “há apenas um Deus que é o Deus do amor e uma só linguagem a linguagem do coração.”
Todos os anos muitos amigos viajavam pra índia trazendo relatos e experiências incríveis, objetos materializados e tantas outras manifestações extraordinárias. Enviei certa vez uma carta ao avatar, aquele que desceu dos céus para nos libertar. Cantar pra shiva, ganesha, krishna, lakshimi e tantas deidades do panteão hindu ao lado dos cantos pra jesus, buda, allah.
Essa unidade das crenças e das religiões, essa tolerância fundamental por todos os nomes de Deus esse saber profundo de que o que nos une é muito maior e fundamental do que o que nos separa, tudo isso aprendi dos textos, discursos e ensinamentos de sai baba.
Os primeiros glossários com termos em sanscrito como karma, dharma, dharshana e prashadas também.
Faziamos cerimônias dos coquinhos nos dias de ganesha e também cantavamos 24 horas sem parar mantras e cânticos devocionais de todas as culturas.
Na tradição oriental, o papel da devoção Bakti é muito importante e eu considero esses anos talvez os mais transformadores de todas as vivências espirituais que tive, o amor, a devoção de todos na casa que tinha uma privilegiada visão do por-do-sol na baia de guanabara foram muito marcantes. Aprendi a tocar as primeiras combinações na tabla e participei também na escolinha de valores humanos sai.
Reuniamos as crianças para contar histórias, cantar, meditar e falar de valores humanos. Hoje eu tenho noção do privilégio que foi ter vivenciado tudo isso tão novo. Me lembro da alegria e da energia positiva que ficava na sala que vinha com cheiro de nag champa. Ontem nas minhas anotações estava – comprar nag champa. Anos que não uso insenso na minha fase mais seca do trabalho espiritual. Mas fico feliz do perfume e da devoção que sai baba e seus devotos deixaram comigo.
Quero ainda, no futuro breve, montar uma escola sob a orientação da educação de valores humanos inspirada nos ensinamentos de Sai Baba.
Amar a todos, servir a todos… virou lema do Hard Rock café, mas é a sintese mais profunda dos ensinamentos de swami.
Agradeço também ao querido professor Hermógenes pelas palestras, pelos livros e pela sublime presença na minha juventude. Agradeço e sinto o privilégio que foi toda essa vivência entre os devotos de Sai Baba.
Om namah shivaia, o namoh namah shivaia, om.
Om sai ram
Swamiji
“Somos todos uma grade famiília, um só Deus, um só coração, e o amor é a nossa religião.”
Nas margens da consciência, um mergulho, um silêncio, um caminho
13/01/11
De tempos em tempos a gente agarra, como uma agulha num disco de vinil, pra usar uma expressão que já caducou. Tem momentos que gente sabe mas não sabe, sente, mas não explica, faz e não entende, fala e não quer, quer e não faz, faz e não sente, sente e não sente bem, diz e não faz, faz e não quer continuar repetido.
Quando isso acontece pode ser que estejamos neuróticos, ou simplesmente estamos vivendo um conflito. O conflito pode ser de ego, superego, id, pode ser do desejo, da vontade do sonho e das possibilidades, do mundo e dos limites, da falta de limites e da liberdade e do insuportável de assumir nossas próprias escolhas e blá, blá, blá… (onomatopeia que indica mentiras, ou fala sem conteúdo).
Bem, o que justamente quero dizer é que terapia não é blá, blá, blá.. Aliás, você sabe de onde vem essa expressão, vem da mesma raiz dos bárbaros que eram os povos do norte que falavam uma língua que não conheciam os romanos e bárbaros somos nós mesmos que não nos entendemos, não habitamos os sentidos de nossa fala, de nosso discurso e blá, blá, blá.
É verdade que muito da psicologia, ou melhor, das metapsicologias, dos conceitos, estruturas e outros aparatos linguísticos são as vezes inúteis e desnecessário.
O que seria então, o essencial da experiência clínica? O que acontece que é tão legal, surpreendente e encantado na terapia? Bem, o mais precioso, mais original, mais próprio da terapia é que podemos nos ouvir falando do nosso desejo. Não das desculpas que damos, das explicações de livros, das motivações socialmente justificadas ou mais ainda, do que esperam de nós. Podemos realmente descobrir por onde queremos andar se deixarmos andar nosso pensamento e fala numa direção sem direção, mas num caminho pleno de sentidos que se descobre justamente por não se saber onde se quer chegar ao certo, mas saber que é preciso de se por em marcha.
Aliás, eu defendo que terapia não deveria acontecer num divã, sentado de costas, mas caminhando, como os sábios faziam. Acho que essa relação com o corpo é sempre melhor, uma caminhada pra acompanhar um caminho ainda sem rumo pra se descobrir.
Tal como numa viagem que percorremos caminhos novos e nos lembramos das possibilidades da vida em outras culturas, em outros idiomas, em outras palavras. Também a terapia é a busca por uma palavra própria, que nos habite totalmente, que nos convoque a pensar, fazer, sentir e ser numa congruência, numa calma e serena movimentação no mundo, radicalmente, perceber que somos no mundo, e para as coisas do mundo somos atraídos a cuidar, a encantar e a falar.
Mas por mais que essa minha conversa esteja a tentar falar da experiência mágica da terapia, sem os conceitos e saberes da psicologia, mesmo quando me aproximo da filosofia ou da poesia, vejo-me em percursos alheios e em palavras emprestadas.
Ainda assim, sigo escrevendo, porque senti algo que precisava ser dito, e esse algo, esse isso, esse próximo eu que quero encontrar e te abrir o sentido.
Pra isso pergunto quais os ingredientes da abertura do encontro com nossos desejos? O mais raro, o mais importante, o mais surpreendente é uma escuta. Simples, não? Não. Não é simples, uma escuta silenciosa e atenta, uma escuta generosa e ampla, uma escuta acolhedora e verdadeira é talvez uma das coisas mais raras do mundo. Principalmente hoje em dia, que somos treinados a não escutar o outro, mas para afirmar nosso desejo sobre tudo que nos projetam na TV, na hipermídia da venda. Compramos idéias, valores, produtos de toda sorte sem nos darmos conta disso.
Mas uma escuta, ela não tem preço. Ela abre um espaço no mundo para que você possa finalmente falar de si, e se ouvir falando o que você ainda não sabia que já sabia até o momento que você enuncia, em voz alta, para o outro ouvir, mas fundamentalmente, para você mesmo ouvir.
Por isso, serve um bom amigo, se ele tem essas qualidades, ou um terapeuta, se esse também tem essas qualidades da escuta, que sei bem, quão difíceis e raras são de cultivar e de encontrar.
Então, se você anda seguindo passos que não são teus, saia dos trilhos e abra novas trilhas. Se tuas palavras só fazem repetir velhos chavões, se teus lugares são lugares comuns, se teus planos são os planos de todos, e se teu desejo ainda não te satisfaz. Vá procurar um terapeuta, que não seja mais um a te dizer para segui-lo e fazer como ele faz. Mas para te acompanhar, numa caminhada, numa margem de rio, ou na beira do oceano, quem sabe, um dia, você descobre as margens da sua consciência, e decide mergulhar no oceano.
Dedicado a minha amiga Roberta e nossas caminhadas.
Autenticidade e a humilde capacidade de reconhecer os passos diante dos próprios pés
26/12/10
Caminhei por todos os cantos
Por todas as luzes
Por todos os cheiros de altares e templos
Pela fumaça do tempo
Pelos guetos lamacentos dos mendigos febris
Me joguei nos mares nos hospitais, asilos e hospícios
Li todos os tratados, ouvi de todos os profetas
Cantei todos os hinos, repeti todos os mantras, terços em orações
Beijei mais bocas do que consigo me lembrar
E segui mais pensamentos do que sentei pra meditar
Ainda assim, meu deus, seu mistério só me leva ao coração
De todas as práticas, de todas as técnicas, de todos os métodos e caminhos
Só o sopro da verdade nos meus sonhos, nos meus olhos e no meu corpo se inscrevem com teu nome
Sou do tamanho do universo e o universo é do tamanho dos meus braços, a medida do mundo é minha polegada e a medida do meu amor é o próprio mundo.
Se canto uma canção nova não é para assustar os espíritos, mas pra alegrar-me com os passarinhos.
Se um beija-flor vem me visitar é porque ele quis e não eu pedi.
Se um anjo me anucia o novo dia é porque desisti de tudo, de todo pensamento, de toda idéia.
Só desarrazoadamente posso ser quem sou
Só no coração-mente-coração-cabeça numa só palavra… (sorriso)
Tentar entender o mundo com o que nos convidam outros é não nascer pro mundo
Nascer pro mundo é não pensar
Nascer pro mundo é voltar a escutar longe…
Muito além do pensamento
Há tempos que nasci pro mundo, mas morri tantas vezes que chego a pensar que vivo morto.
Mas, ainda assim, a cada natal, um anjo vem me beijar e dizer:
- Vá, os passos do caminho estão aí, diante de ti, nada se perdeu, a morte é não viver.
mutações – ou a abertura ao aberto
21/11/10

A impermanência é uma das lições mais importantes presente tanto na tradição grega, onde Heráclito nos ensina que nunca entramos no mesmo rio duas vezes, bem como no oriente, quanto tanto shiva, mantém o universo em permanente dança e transformações ou no budismo a fonte do sofrimento é o apego ao impermanente que permeia tudo. Os taoístas, por sua vez, também sequer percebem algo que não seja constante mutação, eis o grande tratado do yi jing, o livro das mutações, tudo é processo, devir e transformação de um estado ao outro, do yin ao yang.
Espirais, evolução darwiniana, cognitiva, histórica, dialética, ser e tempo, então o nome mais comum seja mesmo VIDA.
“Em busca da infinita fonte da transformação” estamos todos no caminho. Lindo que tanto na tradição cristã como no taoísmo é no caminho, no processo, na viagem dos homens sobre a terra e das estrelas ao redor do sol que caminham em luminares arrebatando os passos das almas sobre a terra.
escrevo sem saber aonde chegar ao fim…
escrevo sem saber ao certo o que registrar…se tivesse um papel seriam uns riscos, o risco de dizer uma palavra inacabada…
assim, registro o caminho do pensamento, que é sempre assim, nunca principia nem acaba...
… o pensamento já vem, e segue sem fim, ao infinito devir que as vezes chamamos-te tempo…
O Tao, em chinês, traz uma cabeça e um caminho, traduzindo por sentido, por caminho, mas fundamentalmente pelo que não pode ser traduzido, que não pode ser dito, que não pode ser escrito, pois segue sempre adiante, um passo atrás, suspenso, per-seguimos…
“A paisagem não espera” na viagem que colhemos, amigos, amores, memórias, sonhos, reflexões, pensamentos nossos e alheios, do além ou do aquém.
“Tic, tic, tac, piuí….” o trem da vida nos leva de vida em vida, de presença em presença na eterna dança dos en-c´ontros.
Por isso eu gosto do forró, porque até dançarmos com todos os átomos do universo não cessará o movimento perfeito de todo desejo.
E a memória de tanto sofrimento, será dolorido a morte de uma estrela, ou será uma super-nova um nome justo para a morte de um sol?
Sol, Mercúrio, Júpiter, Plutão, Vênus, Saturno… “sou eu quem fiz este universo acontecer”
“E nasce e leve de-vagar em uma canção de ninar, que nos acolhe pra dizer… o amor jamais deixou você.”
Texto pra registrar esse amanecer na clareira luminosa e emanescente do meu pensamento, cheio de boa nova, cheio de menos de mim e mais de luz, amor, paz.
Quem habita em mim é o mundo, o Ser, o mundo que se colhe em cada olhar e se rec-olhe em cada piscar.
*as citações são do maravilhoso album da Flávia Wenseslaw – Quase primavera – que me atravessou enquanto escrevia o texto, foi com ela que compus estes versos.
Êxtase a arte de se surpreender consigo mesmo
28/09/10
Hoje acordei bem, feliz e sorrindo com facilidade. Não foi um acordar muito especial apesar da noite povoada de sonhos. Mas ao chegar na clínica, aqui na multiversidade, eu comecei a experimentar uma sensação de alegria e felicidade.
Fui colocar alguns DVDs no correio e saí na rua rindo, de mim mesmo, das memórias que me visitavam e em algums momento vertia lágrimas raras, lágrimas de felicidades. Andando pela rua com sorriso estampado é divertido ver como todos notam um sorriso aparentemente sem motivo. Aliás, essa falta de motivo que me fez querer escrever sobre o tema da alegria, da felicidade e do estase.
Há uma década atrás eu li um livro incrível chamado xamanismo e a arte do êxtase de Mircea Eliade. Mircea é um dos grandes estudiosos das religiões comparadas e de tantos outros temas de mitologia, psicologia e antropologia. No livro, encontravam-se descrições de culturas do mundo inteiro que buscavam o estase em suas práticas, definindo ele mesmo o xamanismo como essencialmente essa arte transcendente do êxtase.
Hahaha, sou neste instante, quando evoco a lembrança da alegria tomado novamente por essa vontade de rir, não de tudo, pois seria isso o desespero, como canta a canção, mas de mim mesmo, ou melhor dos meus pensamentos ou da minha descrença na realidade.
Psicólogos de algumas linhas consideram um consenso de que conteúdos reprimidos, inconscientes, podem nos roubar energia e se tornarem o que Jung chamou de sombra. A sombra ao ser integrada libera uma grande quantidade de energia na psicodinâmica o que nos faz mais criativos, mais vivos e mais alegres. Eu acredito que isso é possível, mas que em momentos simplesmente a felicidade nos visita. Pode ser o clima, o vento, as estrelas, um sorriso que te foi sorrido sem que percebesse, o que nos faz feliz?
Na minha experiência
Essa alegria é porém cordial, fruto de uma inteligência para além da inteligência, de uma ignorância para além do saber, de um estar-no-mundo e além. A experiência de participação na realidade, de se perceber sendo tudo que emerge e o próprio espaço na consciência onde tudo emerge.
Essa abertura radical de sentido, esse meta-empirismo, essa subjetividade cósmica essa alegria sem nome, esse êxtase presenteado, esse sorriso e essa lágrima.
Hahahaha…
Existe no meu coração uma suavidade em juntar
Há em meu corpo o torpor por se viver
Há em meus olhos um possível rever
Há em teu perfume um gosto de amar
Vida-mundo-sou-to-por-aí
Em êxtase, sorrindo, crê sendo…
E você, o que te faz feliz?
O COLETIVO É TRANSPESSOAL
08/09/10
No último trabalho ayuahsqueiro que fiz essa afirmação me veio a mente como sintese que levaria meses pra entender em intensas iniciações pessoais.
“O COLETIVO É TRANSPESSOAL”
Vamos seguir a ordem escrita, sabendo de antemão que podeíamos também afirmar que o transpessoal é o coletivo.
Em primeiro lugar, vamos entender o que é o coletivo:
- No campo psi, campo que envolve os saberes psicológicos e psiquiátricos em geral, temos uma instância delineada na obra de Jung e de outros autores transpessoais que se refere ao conjunto de imagens, lendas, mitos, estruturas sociais, saberes coletivos que consitui uma camada do inconsciente profundo.
E transpessoal, o que quer dizer.
- Campo da psicologia transpessoal é um enredo de muitos nomes, pois existe utilização de conceitos como EGO em muitas e muitas formas diferentes. Assim, transpessoal é uma possibilidade da psique humana de alcançar instâncias para “além do EGO”.
A grande confusão que acontece. E acontece mesmo, não é uma simples noção conceitual que é confusa, elas se confundem nas nossas sinapses, se confundem nos nossos caminhos espirituais e nas, para não usar nossas, minhas experiências.
Ken Wilber
Ken trouxe uma grande luz a esse campo, pois sendo ele mesmo um praticante de meditação por décadas e tendo estudado todos os autores desses campos acima, no início de sua obra ele tinha uma forte influência tranpessoal. Numa segunda etapa de sua obra, hoje divida em 5 etapas, ele diferencia o transpessoal do coletivo.
Falécia Pré-trans.
A genial distinção de Wilber é justamente denunciar que há uma falácia quando se confunde elementos do inconsciente coletivo com elementos transpessoais.
Para que o texto se torne prático aos que buscam vivências nesse campo, vou elecar algumas das confusões denunciadas por Wilber e vivenciadas por mim.
Em Freud, o conteúdo inconsciente é um conteúdo reprimido, ele é “totem e tabu”, gera um “mal-estar na civilização”, não tem como se tornar civilizado e neurótico por sua vez sem reprimir os conteúdos e impulsos animais, sem a proibição do incesto, sem a ordem do pai. Para Freud, então, todos os contúdos chamados transpessoais são regressivos, eles nos levam a experiências de nascimento de morte que são sempre elementos regressivos e pré-verbais.
Em Jung, que estudou pacientes considerados psicóticos, não os neuróticos, as imagens que emergem nos sonhos, nos delírios, nos arquétipos, nos mitos, nas deidades de todas as culturas são elementos confundidos com elementos transpessoais também. Pois são consideradas além do ego, ou trans, quando na verdade, seriam, segundo Wilber, elementos também regressivos. Em Wilber, temos que o coletivo não é transpessoal, é também um elemento de regressão.
Na minha experiência:
O contato com anjos, arcanjos, espíritos, imaginário coletivo, questões e agustias ecológicas, mitos coletivos, filmes, sonhos, linhas de umbanda, linhas orientais, as diversas “linhas” de trabalhos espirituais seriam então, nada mais que ilusões coletivas.
Na minha experiência, talvez por ser uma experiência tão rica no Brasil, como diz uma amiga minha Bahiana que é evangélica e mora no Rio, não tem como nascer no Brasil e entrar em contato com os mitos afro-brasileiros e com elementos da umbanda.
No meu caso eu conheci bastante, frequentei e tenho “amigos” em todas essas linhas.
Qual o problema então? O problema é que embora considere a diferenciação wilberiana genial, como muito de sua obra, não acredito que todo coletivo seja pré-egóico, seja pré-pessoal. Ao contrário, acho que existe uma sintes, ainda díficil de delinar, ainda complexa demais pois precisamos dar nomes e diferenciar linhas que ainda não temos como fazer e nos faltam terapeutas capazes de escutar cada uma dessas sutis diferenciações.
Eu por exemplo, lido com egrégoras como da grande fraternidade branca, em sonhos, imagens e transmissões, sou devoto de são miguel arcanjo, trabalhei e me desenvolvi medinuicamente em centros universalistas, que trabalham com ramatis, andré luiz e omulú, visitei todas as linhas ayuasqueiras, aprendi muito com sai baba, aurobindo sou profundamente ligado ao taoísmo pelo meu trabalho com acupuntura. So fruto dessa salada dos ultimos anos que se considera movimento nova era, tento me diferenciar ardentemente desse pensamento mágico que envolve filmes como o segredo e “lei de atração” reconhecendo que trazem em si relações muito mais profundas.
O que fazer com todo o caos e paradoxos?
União.
Por isso afirmo que o COLETIVO É TRANPESSOAL.
É uma nova síntese depois de feita uma distinção.
É o resgate dos valores coletivos e das grandes imagens uma vez que elas tenham sido diferenciadas. Porque nada nos dá mais força do que seguir nossos próprios caminhos, o caminho do herói, o caminho de morte e renascimento, vivendo os grandes mitos, e também alimentando-nos do silêncio sem forma, do Tao, do nirvana.
Bom saber que ainda há muito mais para diferenciar, pra reunir, pra purificar na busca da nossa pedra filosofal, muito além da imortalidade das estrelas.
É PRECISO SER COMPETENTE PARA SUOLRTAR
24/06/10
A MENTE HUMANA É CHEIA DE TRAVAS, TRAFARES E TRAFORES, PRA QUEM NÃO SABE O QUE É ISSO BASTA CONSULTAR O LEXICOM DA CONCIENCIOLOGIA.
Ainda assim, resta uma comunicação mais simples e muito mais eficiente a telepátia intatanemente entre todas as pessoas do mundo. Claro que transplantar idéias de uma lingua mãe para outra nem sempre é fácil, ser expatriado e aceitar jesus em inglês, rezar pra shiva em em portugues, comungar em frances la ostiá e cantar pra al[ém ém muito menos simples doque deveria ser falar simplesmente a relação natural do amario, a linguagem doo “amor” sim qq dictionario ou ci dien, como se diz em han yu, ou mandalinh.
Essstexto recebe o tac: em transideralizações
Assim em contas as considerações existente entre sirius e óriam, não há mais o que serdito senão o que já foi dito antes e está tudo registrado nas clínicas de drogas de sais em rio e julujuba.
Mas como falar o que não se pode compreender ainda, como dizer uma lingua que ainda não foi invetnaada, como ventinar idéias que estão por ser criadas, como influenciar uma nação sem manifestação. Apenas fazendo um papel de palhaço, apenas descobrindo o meu palhaço interior.
Assim, no curso de palhaçco que fiz certa vez, aprendi que o meu nariz quem mando sou eu. Que em falar marl ser falarmal, se fornormal, seforma o maal, que tem que ser, sem se será, sem sinerinar, na sernar idade.
Assim sendo, e isto posto, caminhar pelas ruas da cidade com calça azul tailandeza ou ser confundido com um mestre tibetando na loja da esquina não é incomum. Sõ que accontece naturalmente sem se ligar em TV ou intermediar qualquer outra coisas, além de ser ser o que poder se ser em sendo feliz, simplesmente assim. Mário.
Outrosim, é preciso dizer que em falando das linguas, já estão todos aluncinados ipnoitimenta pelas imagens 3D de avatar, pelas mensagens supliminares das músicas e das cantigas de todos os tempos.
A minha can~c”o primeira é éssa, a cantiga de nintar…
A cantinga de mininar…
Eu sei que muitas vezes eu me acho, até o forró que frequanto é o forró praraXAXAR que acontecer no forró do convérs de bêbado sem qualquer gota a não ser do sereno ou dorvalho.
Pouco inporta saber de onde eu vim, eu sei de onde vim e sei pra onde vou. Não sou sereia ou pexie de marfim, nem sou merlim ou outro personagem qualquer. Quem quiser me conhecer, basta vir me conversar. Conversar simplesmente olho a olho, cara a cara, sem pestanejar, sem se ludibriar pelo rencanto alheio.
Merma sim, vamose revisitando, estou aberto aos amigos que queiro se reuniri para encantarmento do mundo inteiro. A transformação da lzuz em amore, e glória e simplória vindaladas es trelas.






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