reflexões sobre a arte de fluir a vida
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ACUPUNTURA E PARAGENÉTICA
30/01/12
ACUPUNTURA E PARAGENÉTICA
NADA É POR ACASO
Se considerarmos que o movimento do universo é fundamentalmente criativo. Que não existe um lugar, ou um tempo de acontecimentos que são palco desse movimento[i]. O próprio devir da vida e a emergência da variedade dos 10.000[ii] seres como se referiam os chineses. Ou seja, toda a pluralidade explosiva de viventes entre o céu e a terra traz consigo uma informação.
A essa informação de origem celestial os antigos chineses chamaram shén[iii]. Essa qualidade luminosa do espírito estabelece uma relação com a terra e sua fertilidade através da forma e da essência da forma que os antigos chineses chamaram jing.[iv]
Dessa união, entre memória na matéria ancestral que percorre todas as esferas genéticas e filogenéticas desde a formação dos prótons e elétrons e por toda a corrente de vida que se encontra e se transforma numa enorme dança criativa e evolutiva em todas as direções.[v]
A complexidade da simplicidade faz surgir a oportunidade da manifestação no mundo material do espírito criativo celeste, essa centelha de consciência que aprende, cria e recria ao mesmo tempo.
Mas como explicar a nossa condensação temporária de energia em matéria que cria, aprende e forma e novamente repete esse ciclo na luz dos planetas como viajantes do cosmos impulsionados pelo amor, compreensão e enredado nas tessituras de todo o universo.
“Cada um sabe com que linhas cose as próprias vestes.”[vi]
Jing mai em chinês refere a essa trama que não tem fim e que tecemos todos juntos.[vii] A harmonia da forma na relação com a energia e consciência é o que define a saúde, a vitalidade e a longevidade dessa manifestação.
No oriente essas redes luminosas e de vazios férteis se co-organizam umas as outras. Entre as tantas harmonias possíveis, há algumas mais curiosas. Esses 8 meridianos de reunião do qi original chamados também de maravilhosos marcam e recortam a forma humana.[viii] Desde a mórula embriológica, desde as tramas do código genético, desde as formas tetraédricas de sustentação bioquímica nos vamos atravessados de correntes e feixes de luz-informada,
Assim, nossos corpos são nossa autoria e nossa maior criação. Não recebemos um corpo geneticamente dado, interagimos na genética e paragenética o tempo todo. Dessa interação manifestamos as ressonâncias com as oitavas musicais ao nosso redor e dessas relações mais ou menos harmônicas fazem com que possamos ampliar ou diminuir a expressão do impulso criativo que repousamos juntos no fundamento da presença, assentamos.
É a partir dessa compreensão que podemos nos aproximar das reservas das nossas energias, beber do reservatório da vida para promover um realinhamento, uma afinação do nosso instrumento pelo qual sopramos a música que criamos e somamos a nossa nota única diante e perante o caminho.
Cada célula do nosso corpo traz toda essa informação, mas na composição de uma vida mais expressiva caminhamos da unicelular ao ecológicos e a grande teia da vida.
Sistemas entre sistemas, vidas, entre vidas, escolher entre as linhas de sangue *xue que percorrem de mãe para filhos ao longo de toda a experiênciia humana é uma casualidade?[ix]
Se não, o destino, ming,[x] tampouco se define de antemão, planejamos, damos forma mas principalmente testamos e experimentamos a nossa criação. Nosso corpo é enfim, nossa maior criação, escolher o momento, ter mais ou menos lucidez das condições necessárias para manifestar um veículo que cumpra as possibilidades do espírito é mais do que uma dádiva, é um impulso amoroso e radiante.
Cada doença que brota de uma desarmonia tem em si a semente da cura. Cada canto em desafino, tem em si o caminho da nota perfeita em um aperfeiçoamento constante, diário e permanente em cada pensamento, em cada energia que chega, em cada experiência que atraímos em cada evento que co-criamos.
Muito mais fácil será sermos saudáveis quando o mundo ao nosso redor estiver saudável, por isso, os que buscam em verdade a sua saúde ou a saúde do outro, não tem outra opção senão converter cada célula, cada linha, cada direção do seu corpo em uma rama que conecta o céu e a terra.
Daí ramos celestiais, daí troncos de luz, que fazem essa união de tudo que pode o espírito ver.[xi]
A luz que te habita é sua, faz dela brilho e amor em cada célula, cuida aceita e sorria, pois tudo está sendo filmado e o expectador é você.
Dedicado ao meu amigo pesquisador da paragenética Alexandre Carloni[xii] e que como as redes do universo, a nossa amizade possa seguir em frente em formais mais aprimoradas.
NOTAS:
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[i] Desde das proposições de Darwin que passamos a compreender e nos tornar auto-conscientes do processo evolutivo, fica mais e mais claro que a criação não é um “ops” um acaso, onde do nada temos tudo, mas um contínuo desenvolvimento que se dá tanto das num impulso de cima para baixo, de formas mais complexas para as menos complexas como das formas mais simples em direção as mais complexas. Wilber relaciona esse impulso do uno ao múltiplo chamando de ágape e de éros o impulso unificador in sex, ecology, spirituality – shambala, 2000. O palco do movimento se refere à dimensão de Ser e Tempo em que não há como relacionar um lugar ou um momento para o processo criativo, é no processo criativo que emergem o tempo e um lugar.
[ii] “O Tao deu origem ao Um, o Um ao Dois; o Dois produziu o Três que gerou os Dez Mil Seres” – a referência criativa na cosmologia chinesa indica o movimento criativo do uno ao mundo manifesto passando pelo tai ji, ou divisão entre yin-yang, a relação entre os dois, no três e enfim o mundo.
[iii] Shén – tem muitos sentidos na tradição oriental, para considerações gerais chamaremos de consciência . Shén tem origem celestial e tem brilho (bai) se se expressa no brilho dos olhos e da face, mas é também o mais yang, o mais luminoso dos aspectos da substâncias vitais chinesas. (jing, xue, qi, shen).
[iv] Jing é o mais yin o mais terreno e fértil aspecto das substâncias vitais, a semente potencial do impulso criativo, Se relaciona com a fertilidade, ancestralidade, longevidade e potencial de vida impresso no veículo físico de manifestação, diretamente ligado com a genética, cuja interação com o shén que o modela e aprimora ao longo da relação estabelecendo uma possibilidade paragenética. Por exemplo um dos irmãos muito diferentes em uma família que à partir daquela mesma “carga genética” operou uma manifestação muito diferente.
[v] Aqui é importante perceber que memória e matéria, ou seja a possibilidade de guardamos as memórias ou mesmo retomarmos memórias estão intimamente legados à qualidade da veículo de manifestação, no caso o soma, assim, recebemos memórias genéticas, filogenéticas e de toda a vida antes de nós em arquétipos e imagens culturais e coletivas, mas também trazemos as memórias das vidas anteriores no shén que evolui em méritos, virtudes e se aperfeiçoa em suas séries de existências.
[vi] A imagem das cordas está presente nas teorias mais modernas da física as “supercordas” ou mesmo na palavra karma que tem sua origem no ato de tecer. Na tradição chinesa jing que também se traduz como sutra, nessa referência à tessitura universal, à trama de relações, é usado para indicar os meridianos de acupuntura (jing mai). Essa trama de energias interage com todas as outras substâncias vitais, o sangue, o sopro, a essência e a consciência criativamente. Por isso o ditado que cada um sabe com que linhas cose, indica também uma atividade autoconsciente e evolutiva na atitude de tecer as tramas da vida. Quanto mais consciente desses nós, energéticos e sutis, mas escolha, liberdade e perícia adquiriram na arte de cuidar e de viver.
[vii] O que queremos chamar atenção é que não há apenas um destino, nosso destino é grupo-kármico, se relaciona com o destino de todos ao nosso redor, por isso, cuidar de si é cuidar do outro, cuidar do mundo é cuidar de si, o vínculo entre as redes de sentidos e tecidos que nos cercam são muito difíceis de compreender com nossa atual condição consciêncial, mas quanto mais evoluímos mais claro ficam esses vínculos e correlações.
[viii] Os 8 vasos maravilhosos guardam e circulam o yuan qi que é um reservatório da circulação das energias nos 12 canais, mas também formam as circulações extra-ordinárias, tanto a circulação celestial de Du e Ren mai, quanto os demais recortes que guardam vínculos com as primeiras divisões celulares e formações embriológicas. As formas dessas relações com os pontos de abertura podem ser estudados nas obras do professor Manaka.
[ix] O processo organizacional das múltiplas vidas passa pela mistura dos “sangues” no processo de maternagem e paternidade influindo também na mistura “das linhagem”, na formação dos mestiços e hibridizações, nas condições evolutivas e adaptativas que como rios que correm na árvore da vida, genealógica, possam transportar as condições mais purificadas e testadas para uma relação consciêncial no sistema familiar. (ver mais em terapia familiar sistêmica para compreender os vínculos e para-vínculos familiares).
[x] No clássico da fitoteapia, diz que se o médico superior ajuda o paciente a encontrar o seu destino. Essa seria então a finalidade última do tratamento, coloca-lo no seu caminho (dao) coloca-lo de volta no fluir da sua energia de acordo com a relação otimizada das suas substâncias vitais com o céu e com a terra. Assim, a programação existencial e completismo existencial são os maiores sinais de saúde.
[xi] Na medicina chinesa, o tempo e a dinâmica da energia celestial são fundamentais para compreender a teoria de canais e seus respectivos tratamentos. Há correspondências tanto no céu quanto na terra, e embora pareçam apenas abstrações metafísicas. Quando efetuamos tratramentos baseados nesses ritmos do céu e da terra, percebemos o qual eficazes são. Ou mesmo quando podemos ver e sentir com nossas parapercepções essas correntes de luz que se ligam à grandes centrais de energia ordenadora da vida.
[xii] A paragenética de outros mundos mais avançados que criam seus corpos, macrossomas a partir do seu paracorpo antes de encarnar ajudado sempre por outra consciência que lhe oferece novas experiências e cuidam para que as melhores e mais proveitosas oportunidades evolutivas sejam percebidas. Também chamado de sistema de transmigração da consciência contínua ao próprio avatar.
Reencontrando o meme verde
17/12/11
(Me me)u, eu…
Escrever uma poesia inspirada para falar de uma reintegração de tanto de si rejeitada para se diferenciar é um respiro sufocante. Assim exercitar uma via mais integral entre prosa e poesia. Pois é desses momentos em que o coração é maior do que a couraça que o envolve, maior do que as energias que o contornam. Dar-se conta de si mesmo reprimido ao longo do caminho de evolução é a comprovação de que a dinâmica da vida é mesmo uma espiral de re-tornos e con-tornos em torno da nossa capacidade de amar e compreender mais e mais.
Aliás evoluir é exatamente isso: nossa capacidade de amar. Esse amor que acolhe as diferenças e sustenta as contradições, que fica junto das perguntas sem respostas firme esperando de coração aberto, que já não só carrega certezas, mas igualmente sustenta as incertezas em busca e perceber que é preciso outras inteligências mais e mais amorosas para compreender antes de explicar e analisar.
Mas pra isso é preciso muito, muito amor mesmo. Desse que rasga o peito e se reinventa quantas vezes forem necessárias, que morre, reorganiza, organicamente em todos os níveis, em neo-sinapses e em novas formas de estar-no-mundo, que abre espaços novos entre vértebras e músculos, entre tendões e meridianos de luz.
Ainda não é meio dia e tanta morte já me chegou, assim. Nesse ano que passou, eu rejeitei, precisava, mas rejeitei em mim tudo que era certeza, tudo que já era conhecido, coloquei centenas de “amigos-irmãos” distantes, vendo de longe as contradições que eu mesmo encarnava nas entranhas.
Somos assim, nós os verdes:
Acreditamos que todos são iguais, o mesmo Deus habita no coração de todos os seres; acreditamos que todos tem a mesma capacidade de entender ,(como eu sofri com isso) logo, todos tem o mesmo potencial divino.
Todos podemos nos entender com um diálogo franco (como isso gera diálogos intermináveis de relacionamentos), logo, se somos todos iguais podemos decidir tudo por consenso ( e claro que nunca se decide nada em tempo de agir), queremos estar próximos dos amigos e aceitamos todas as verdades como igualmente relativas (cada um tem a sua e nada defendemos mais) buscamos a harmonia com a natureza e queremos que todos sejam vegetarianos, comam só comida viva, ou vão para o inferno quando o mundo acabar em 2012. (sério!!)
Não acreditamos em céu nem inferno, mas que quem mata bicho pra comer vai arder, ah, isso vai, queremos ser “adubo orgânico” quando morrer.
Parecemos ser muito gentis mas somos extremamente certos de como o mundo deveria ser, logo nos tornamos extremamente intolerantes na afirmação da tolerância.
Queremos ser livres e inaugurar uma “nova era de amor na humanidade”, reinventamos os relacionamentos livres, (nunca vi nenhum dar certo assim) mas insistimos mesmo assim.
Achamos que os irmãos do Irã tem os mesmos direitos do que qualquer outro povo oprimido de ter bombas nucleares e somos contra todo tipo de opressão, principalmente essas de não permitir fumar maconha…
Queremos a simplicidade voluntária, mas na primeira oportunidade carregamos nossos Ipads e Iphones por aí, pois afinal não podemos ficar fora das redes. Somos eco-hippies-chiques também e só consumimos camisas e produtos orgânicos, mesmo sendo eles bem mais caros e com modos de produção nem sempre mais solidários.
Queremos ecovillas para todos como solução para alguns e em nenhum momento nos passa pela cabeça que os problemas são mais complexos do que parecem e não, simplesmente não compreendemos ou sabemos tudo, mas nos basta conectar com a sabedoria ancestral, ler os textos clássicos seja de acupuntura, seja do vedanta que lá estarão todas as respostas do viver e do morrer.
Em caso de dúvidas, perguntamos aos índios o que fazer com a o petróleo ou com a energia elétrica… e isso não é piada.
O fato é que não sabemos o que queremos e vivemos sobre uma cultura moderna que nos deu tudo, inclusive a sensação de somos os agentes dessa nova onda, desse Nova Terra.
Assim, tomamos chás e fumamos plantas pra nos conectar com a criatividade universal, mas criamos pouco, pois ficamos todos meio desconectados do mundo porque cremos que já temos as respostas e não conseguimos ver todas esses contradições internas logo o “mundo” deve estar errado, a babilônia que está aí, enfim, paramos aí de evoluir e seguir adiante porque crescer basicamente implica em perceber que somos responsáveis e não não basta cada um “fazer a sua parte”, tipo fazer uma horta em casa ou reciclar o lixo que depois vai pro mesmo depósito que cai matando centenas. (caso do morro do bumba em Niterói).
Queremos fazer um retorno pra terra, resgatar as utopias, deixamos os cabelos e barbas crescer e realmente não entendemos que nosso futuro está na inclusão da tecnologia e em novas soluções para os problemas únicos do nosso tempo, sejam eles morais, espirituais, culturais e talvez principalmente porque não enxergamos nenhum desses problemas em nós. Queremos mudar o MUNDO, saca? Tá ligado?
Não conseguimos entender que embora existem estados alterados de consciência, meditando ou respirando, eles não significa que nos tornamos, no dia-a-dia das nossas relações, mais compreensivos e mais amorosos, pelo contrário, levamos os conflitos sem solução como se já tivéssemos as soluções quando continuam todos eles lá.
Mas em geral, vivemos de recursos de nossos familiares, somos super-educados, ou somos de uma contra-cultura ou alternativa que vive dura por aí, sem grana pra passagem, ou de carona pelo mundo. Lindo isso, mas é um dos extremos do narcisismo, pois isso é solução para quem ô cara pintada?
Ah sim, tem mais, somos CONTRA quase tudo: o capital, o homem moderno, as técnicas, as tecnologias, o conhecimento científico e consideramos todos os cientistas umas pessoas muito ignorantes pois não experimentaram o saber direto da natureza do espírito. E sequer imaginamos quanto esforço pra se produzir cada vírgula desse saber testado, como se tudo viesse no mundo de inspiração. É, não gostamos muito de transpiração.
Bem, tomar consciência disso há alguns anos atrás fez com que me afastasse centenas de amigos, que cortasse relações com todos os “verdes” pois ele me lembravam do quanto ingênuo e ególatra é cada uma dessas visões que me atravessava cada célula.
Rasguei a alma e me movi ao encontro de pessoas com coragem de abrir o coração para uma visão mais integradora do mundo. Uma visão que incluísse mais do que uma visão holística com seus paradigmas quânticos e pensamento positivo, mas uma visão onde ciência, arte e moral pudessem se encontrar, onde a verdade, o belo e bom pudesse novamente coabitar numa mesma ecologia em igualdade de perspectivas.
Onde a multimensionalidade da vida espiritual pudesse se somar a um estilo de vida integrados e uma prática em que o trabalho se tornasse congruente com todos os valores mas que pudesse crescer e prosperar para acessar milhares de pessoas.
Onde eu saísse do mato para o coração da cidade acessando mais e mais pessoas, não apenas em busca do dinheiro como faz-se aos montes e é relativamente simples, mas fazer com que o universo do negócio fosse integrado a valores de amor e serviço a todos os seres em todos os mundos o que é relativamente também mais difícil.
Assim, fez-se sombra no meu lado verde, trabalhei o ano todo em busca de mais disciplina e de resultados. Foi quase bom se não tivesse deixado tanto de mim reprimido, tanto do “meme verde”, tanto de coração e certeza que tudo está certo e que há tantos mundos entre os mundos que cada um há de encontrar seu lugar na criatividade infinita do cosmos.
Assim, eu junto aqui um pouco mais minhas faces, encontro mais comigo mesmo.
Reconhecendo que embora me diferenciando, me reconheço e me conheço melhor.
Gratidão aos meus amigos também “verdes” que me fizeram como espelho, ver tanta e tanta contradição que me ajudaram com suas dores a compreender as minhas dores.
Assim, seguimos em frente a não mais nos envergonharmos das nossas contradições (diferenciações), mas em curando os padrões, nos tornamos mais abertos ao caminho diante de nós.
Luz, amor, verdade e compaixão não faz mal a ninguém, mas há que ter cuidado com a dose.
Mais sobre memes neste artigo sobre a dinâmica da espiral.
ocupação #integral
05/12/11

É bonito ver os movimentos se desenrolando, vendo a nova geração buscando os espaços os encontros e uma revolução movida por evolução.
Evolução é uma palavra que quer dizer exatamente isso, um desdobramento, um desenrolar da vida, da consciência, da cultura, das estruturas e dos saberes.
Vivemos nessa época que não há espaço para pessimismos, pois tudo é “plano” e monovisão, vivemos num mundo sem profundidade, talvez com as TVs 3ds isso mude
, mas o monitor que escrevo e percebo o mundo é plano, é de um único plano precisamos e podemos passar a modelos mais complexos, modelos holográficos e holísticos para compreender os problemas emergentes.
Isso demanda uma nova inteligência-intuição-compreensão-compaixão. Uma nova capacidade de tecer, trançar, enredar em redes vivas de sentidos capazes de despertar a paixão, o sonho, o movimento e a evolução a um só tempo, mesmo que claro, seja mesmo tudo temporarário, pois a evolução sempre nos leva além, mais e mais integrado, e talvez essa intuição que não há um ideal a chegar, não existe um modelo perfeito que faça com que esses movimentos não tenham uma “política clara” ou uma “pauta de reivindicações”.
Fico assistindo os movimentos os esforços desencontrados, caóticos e bonitos com que temos gritado pelo mundo afora nas praças.
Mas é muito importante perceber que há nas praças, pessoas muito diferentes, embora uma minoria ocupe os espaços realmente refletindo e encarnando as contradições do modelo econômico-jurídico-político-social que está aí. Boa parte está apenas está em busca de um voluntarismo pessoal, no sentido que ainda não compreendeu se tratar de uma crise planetária e complexa uma crise de sentidos-princípios e desenvolvimento também no campo espiritual e principalmente ético.
Assim, a grande maioria dos que ocupam as praças não sabem bem porque estão lá, mas sentem e encarnam a contradição, boa parte é verdade também apenas querem poder fumar maconha livremente, dizer não à polícia nos campi universitários, e não querem passar da infância mimada das gerações X e Y que tem tudo à mão e não aprenderam a se frustrar. Mas ainda assim, incorporam as crises da sua geração embora acreditem que são os atores da “revolução” e não compreendem a dimensão coletiva que nos atravessa. Por isso, é bom observarmos de perto, participar, ir até as praças, porque embora não exista uma agenda um projeto uma proposta, “não sabem o que queremos, sabem o que não querem” já é importante. Embora esse movimento pós-moderno ainda seja extremamente reativo: são contra o “sistema” são contra o “eles” esse “outro sempre responsável”, mas é um fato de que quando a potência evolutiva e criativa fizer entender que SOMOS, cada um de nós a revolução, ou melhor SOMOS UMA EVOLUÇÃO POSSÍVEL e assumirmos a NOSSA RESPONSABILIDADE por toda a miséria e sofrimento que vemos no mundo entenderemos a responsabilidade que temos perante o universo e fazer nascer daí uma COSMOÉTICA.
Essa ética que emerge dos que realmente mergulharam dentro de si, do mundo, da ciência, da política e sentem a angustia de que um mundo melhor não é só possível, mas necessário e urgente.
Esses que fizeram a experiência de compaixão, de estar com o sofrimento do outro e com seu próprio e partilhar e estar-com, de ver que seu sofrimento é sofrimento-no-mundo, de uma geração, e realmente se perguntam por um caminho adiante, esses que ainda não tem os modelos, não tem os exemplos, as ideologias ou os teóricos da revolução, mas querem mudanças, mas querem distribuição de renda a renda que existe para todos mais do que suficientes, mas que permanece concentradas e ameaçam a sustentabilidade de toda a vida humana.
Assim, palmas para os revolucionários que são a mudança e das praças, para os que não sabem o caminho, mas estão se reunindo para aprender fora das telas dos computadores, para os que não tem certezas, mas partem do princípio que somos iguais e que o outro seja quem for tem a nos ensinar. Para os jovens que começam a sair das redes sociais para ocupar os espaços das praças independente dos movimentos sociais tradicionais de trabalhadores, de partidos políticos, além das posturas de esquerda e direita, além do que está aí.
Assim, a frase é sempre a mesma que tenho repetido como um mantra para mim mesmo: seja a mudança que você quer ver no mundo. E vamos juntos, encarnando, transcendendo e incluindo todas as nossas contradições, mantendo-nos abertos, compassivos para o novo.
Aos meus amigos desta geração, 10 anos mais novos, que brilham e sofrem muito com o mundo que lhe é apresentado, tão frio, distante, virtual e sem sentido, que possam sim serem atores da sua revolução, uma revolução verde, de igualitarismo, pluralismo e relativismo, mas também de compaixão e moral incorruptíveis e seguimos em frente, em busca de uma visão mais integradora, mas por hora, é o que vemos emergir e saudamos e reconhecemos.
Esse texto é dedicado ao Filipi, que editou o vídeo abaixo, primo do meu primo e penso no quanto nossas raízes da infância no interior deixaram as sementes que nos convoca a um mundo mais compassivo e amoroso.
E a Ken Wilber, que embora tenha me levado a compreender muito mais do que consigo encarnar, me reafirmou a certeza que estamos todos certos e no inexorável processo de evolução que testemunhamos todos os dias sob as forças do espírito de éros e de ágape.
O que é integral?
28/07/11
O primeiro fundamento para uma fala integral é não mentir. No sentido de que mentimos quando não sabemos do que estamos falando, quando o pensamento metafísico e operações conceituais se sobrepõe ao sabor próprio das coisas. Então, falar de uma perspectiva integral é começar pelo meu caminho pelo meu devir.
Integral é integração, já que não há nada integral, há o movimento de integração, a dança, a vida. Corpo-mente-espírito-inconsciente, eu-sociedade-natureza, todas partes de um mesmo todo. Integral é sustentar os paradoxos e transcende-los sem superá-los, é juntar, unir, reunir, sintetizar, amar, enlaçar, translaçar, transladar, circum-navegar, perinadar, puerperar, com-estar, comungar do gosto do sal dos oceanos que emergem agora na boca.
Integrando, mais do que integral, sendo sempre dinâmica, fractal-mandala, luz e forma, função e movimento, ação.
São as duas faces da montanha, o claro-escurecendo-claro-escurecendo-claro, clara luz dos entre mundos.
Integral é a geometria das formas, a beleza do abstrato adiante.
Integral é…..
Silêncio
Irradiando saudade de tudo, como a presença de ti no outro.
Reconhecer que todas as linguagens cantam os mesmos sabores e dar nomes novos a cada etapa do caminho sem nome.
Integrando é corpo-célula-mundo-gente na dança.
Integrando é receber tudo, viver tudo, saborear tudo e seguir saboreando o saber que se sabe que não sabe.
Integrando anjos e demônios, no fogo do coração do coração.
Atraversar paredes, há traves em versar.
…
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Ayahuasca e as desinformações do sagrado
14/05/11
“meu próprio e verdadeiro ser interior realmente existe em toda criatura viva…(e) é o fundamento dessa compaixão (Mitleid) sobre a qual repousa toda virtude autêntica, isto é, altruísta, e cuja expressão se acha em toda ação benéfica.”
Schopenhauer
Antes de mais nada é preciso definir alguns pressupostos para falar de espiritualidade. Existem muitos usos dessa palavra mas vou defini-la como a sua forma de experimentar a verdade última do universo, o sentido fundamental.
Assim, os pressupostos dessa definição implicam em ser uma vivência dessa verdade, uma experiência última, que dá sentido e orienta sua ação no mundo e os decorrentes resultados.
Não confundindo então com qualquer visão religiosa, de credo, de crença ou de qualquer panteão místico ou de santos de qualquer tradição. Radicalmente assim, somos todos espirituais, todos temos uma intuição direta sobre o mundo, mesmo que encoberta de repetições de gestos, rituais, palavras e símbolos que não correspondem a essa visão originaria.
Intenção: a minha intenção a escrever esse texto é compartilhar o desenvolvimento cognitivo e mais compassivo que tive para que possa comunicar de forma gentil e ao mesmo tempo precisa o resultado de pesquisas pessoais que começaram em 1994.
Pesquisa: a pesquisa que relato foi bebendo ayahuasca desde a juventude em mais de 7 linhas diferentes de rituais e embora eles guardem muitas diferenças, quero falar das generalidades, e que assim, possa talvez, ajudar ao maior número de pessoas da melhor forma possível.
Esse texto é dirigido à rede de amigos e pessoas ligadas ao meu “grupo-karma”, aos familiares espirituais, aos amigos evolutivos, tentando amplificar com a razão, uma compreensão espiritual e parapsíquica que aumente o discernimento, a visão global e integral.
A maior e mais profunda contradição que vejo, sendo direto, é que nos grupos ayahuasqueiros as pessoas sofrem de alguns males profundos, entre eles:
- dificuldades de lidar com o mundo, estar no mundo, ter realizações pessoais em todos os níveis: estudo, produção escrita e intelectual, trabalho, sustentabilidade emocional e financeira, falta de pé no chão.
- formação de seitas, grupos dentro de outros grupos, “panelinhas” que excluem os que pensam diferente, o que é típico de todas as seitas e presente nos grupos religiosos minoritários em geral. Verdade aqui é a verdade de estar no grupo, quem está fora está “perdido”, dizem as doutrinas.
- milenarismo, ou 2012zismo, a crença de que o mundo vai acabar, que tudo vai mal e que tendem a piorar com o tempo, uma visão narcisista de que faz com que apenas os “escolhidos” serão salvos, não muito distante da crença dos cristãos dos primeiros séculos de que o mundo acabar.
- narcisismo, se sentir superior por experimentar estados não-comuns de consciência, mas que não se dá no dia-a-dia, somente enquanto bebe a substância exógena, sem qualquer preocupação com a transformação pessoal e auto-superação.
- e por fim, a estagnação, não há transformação real, embora muitas catarses emocionais, existe pouco avanço em termos de desenvolvimento de um pensamento mais inclusivo, mais acolhedor das diferenças e da compreensão dos processos evolutivos da vida.
Mas muitos grupos religiosos tem isso mesmo em comum, o que então é o mais sério?
O mais grave é a falta de um trabalho assistencial, de esclarecimento, estudo e transformação pessoal, desenvolvimento e evolução a níveis e patamares de consciência mais elevados, ou seja, mais compassivos e inclusivos.
PONTOS POSITIVOS
Iniciação: O chá pode ter um caráter iniciático em experiências multidimensionais, mas se o sujeito já tem algum tipo de parapsiquismo, a ingestão de DMT, uma substância produzida naturalmente no cérebro em estados de meditação profunda, serve apenas como um “dopping parapsiquico” que o sujeito tem a impressão de viver uma experiência “profunda” mas ele não corresponde ao trabalho “muscular”, o esforço para chegar a ter essas experiências de forma integrada.
Esquecimento e onirismo: tal como um sonho, que acontece numa frequência de onda diferente, não são fáceis de lembrar e serem elaborados e integrados no dia-a-dia, assim, em geral há um grande descompasso entre o efeito do chá e depois que o efeito passou. Assim, tal como um sonho não registrado, é esquecido, e todo o esforço se perde.
Pesquisas: as pesquisas científicas com DMT poderão chegar a uma dose ideal, com indicadores somáticos que podem levar a um uso positivo da substância para diversos efeitos no futuro, antidepressivo e até mesmo potencializador do parapsiquismo, hoje, no seu uso religioso e místico, acaba atrapalhando mais do ajudando.
PROBLEMAS GRAVÍSSIMOS
Tráfico de Drogas: a bebida é vendida para diversos paises do mundo, diversos “turistas espirituais”, cobram e vem beber o chá no Brasil e os lucros são mais do exorbitantes.
Trabalho escravo: produtores no norte do país trabalham sob influência religiosa e o ciclo de produção o chá foi considerado por antropóloga pesquisadora como um ciclo de produção escravo. Outros tem verdadeiras produções industriais da bebida.
Brigas entre as linhas: a disputa pelo mercado religioso do chá acontece de todos os lados, com acusações graves de todos os lados, mostrando a desunião e a falta de compaixão e compreensão que as seitas geralmente guardam entre si.
Mistura com drogas: não raro, o uso de cocaína, crack e maconha dentro de alguns grupos é totalmente tolerado e até incentivado em hinos e cerimônias.
Fanatismo: o fanatismo é a cegueira opcional, é a auto-prisão, a incapacidade de olhar para os próprias ideas e perceber que são relativas, que são transitórias, que seguimos aprendendo e evoluindo infinitamente, transcendendo e incluindo o que aprendemos no nível anterior. Andam junto com o fanatismo: a gurulatria, a idolatria de lideranças e a idealização de pessoas, ignorando os aspectos negativos com perda de visão crítica e de bom senso.
Se alguém que bebe e freqüenta as religiões ayahuasqueiras discorda ou tem algo a acrescentar a essa reflexão, se conseguir de maneira a contribuir com o esclarecimento, autonomia, discernimento, lucidez, prática pessoal e vivência espiritual legítima (autogênica), sem “dopping “, por favor, deixe um comentário.
Em geral muita gente jovem, sensível e em busca de desenvolvimento pessoal, perde tempo e energia em busca de uma ilusão. Ilusão por não ser uma conquista dos próprios esforços de desenvolver compaixão e contribuir para uma visão mais acolhedora de todas as verdades parciais de si e do mundo.
Note que acredito que as pesquisas podem um dia permitir a utilização positiva da DMT, até agora, o que vemos são “viagens”, uma visão alienante de um estado de consciência que não é sustentável, por não facilitar subir degrau por degrau os caminhos do desenvolvimento cognitivo, parapsíquico, espiritual e emocional e interpessoal das nossas múltiplas inteligências.
Por fim, a síntese é a distinção importante entre o estado alterado de consciência, que o chá, a respiração, o jejum, ou outras práticas permitem, mas que não corresponde a um estágio mais elevado de consciência, ou seja, uma conquista permanente que enfrente a questão da assistência ao maior número de pessoas com o maior grau de lucidez e consciência.
Bibliografia:
Wilber, Ken – o espectro da consciência
Strassmen, Rick – DMT: The Spirit Molecule: A Doctor’s Revolutionary Research into the Biology of Near-Death and Mystical Experiences
Walsh, Roger – Higher Wisdom: Eminent Elders Explore the Continuing Impact of Psychedelics
O que é acupuntura integral?
15/02/11
O que é acupuntura integral?
Acupuntura Integral é uma prática de acupuntura segundo uma visão integral. Por isso, precisamos apresentar o que é uma visão integral.
Visão integral é uma orientação que pode ser sintetizada em uma frase: “Está todo mundo certo.”. Só que as pessoas estão certas nos seus níveis de consciência e na sua capacidade de, em alcançando níveis de consciência mais elevados, assumir uma postura mais inclusiva na sua visão.
O que são níveis de consciência mais elevados?
Desde Piaget, sabemos bem que as crianças e adultos tem níveis de maturação do seu aparato psíquicos e cognitivo. Uma grande transformação de sua inteligência ocorre quando num determinado momento ela consegue ver a “perspectiva do outro”. Ou seja, apresentamos a ela um papel de um lado azul e do outro rosa, e ao perguntar que cor ela está vendo, ela, percebendo o azul, responde azul, e ao perguntar que cor está do outro lado – sendo vista apenas pelo entrevistador – ela responde rosa. Ou seja, ela conseguiu responder não sobre a cor que ela via, mas conseguiu incluir uma nova perspectiva. Essa capacidade de perceber novos pontos de vista, que se manifesta normalmente aos 4 anos de idade.
E como esse teste de Piaget nos ajuda a compreender a acupuntura integral?
Quando percebemos que todos os entendimentos parciais da acupuntura, seja a acupuntura médica ou científica, a acupuntura chinesa moderna MTC, a acupuntura taoísta, a acupuntura japonesa não são melhores ou piores que a outra. Na verdade cada uma privilegia uma forma de se aproximar do tema. Aliás, para compreender a acupuntura, precisamos de pronto, vê-la muito além de uma simples técnica de aplicação de agulhas em pontos.
Esse olhar que compreende a visão objetiva da ciência, a visão sociológica da acupuntura entre as racionalidades médicas, a acupuntura comunitária, os temas de ordem pública e legais no entendimento cooperativo das práticas e saberes, as visões fenomenológicas das práticas clínicas em geral, as leituras antropológicas e etnobotânicas, entender além que como tema de milhares de anos de história, a acupuntura sempre foi influenciada por budistas, taoístas e confuncionistas; curandeiros, médiuns e sacerdotes e hoje podemos dizer, com uma leitura cristã de como traduzimos a acupuntura moderna. Tudo isso, e muito mais, precisa ser considerado para uma visão mais ampla capaz de nos tornar menos duros nas nossas certezas e menos convictos dos nossos saberes reduzidos pela ciência.
Assim, a visão integral e uma acupuntura integral não é exatamente uma técnica mas uma atitude clínica de humildade e inclusão de todas as visõesm de todos os paradoxos. Uma visão integral nos faz ser capazes de reler os clássicos de acupuntura e sem os reducionismos que encontramos na literatura que busca comprovações empíricas e ceifa a acupuntura dos seus horizontes de sentido que lhes deram terreno fértil para crescer e se diversificar por dezenas de nações e centenas de diferentes e tantos e tantos mestres e suas linhagens.
A visão integral nos convoca a conciliar os paradoxos e com isso nos torna mais inteligentes por um lado, mas também mais compassivos na nossa capacidade incluir mais e mais entendimentos. Em chinês dizemos vem, vem, vem, acrescente! Lai, lai, lai!
Nesse campo, não há disputas por espaços entre especialismos, mas uma capacidade sistêmica de incluir todos os saberes parciais dos especialismos numa legítima visão integrada que o terreno fértil da tradição terapêutica que herdamos da dinastia Han onde a astronomia, a fitoterapia, o governo, a religião, as artes e a medicina compartilharam uma visão unificadora. Assim, muitos dos conceitos de uma área de saber eram transportados para outra numa busca de integração política e cultural.
Mas uma acupuntura integral depende fundamentalmente de um acupunturista com essa visão, que é um estado de desenvolvimento da consciência. De evolução, assim, as práticas integrativas de saúde que emergem da intuição desses indivíduos com essa visão integral são difíceis de serem entendidas por quem ainda pensa com um pensamento moderno e padece, como quase todos, de um olhar cartesiano e metafísico, tanto na compreensão como na linguagem. Apesar disso, precisamos estender nossas pontes de sentidos, abrir nossa mente para a compreensão mais do que a explicação.
E qual a expressão dessa compreensão? A partir de uma visão mais integrada, começamos a perceber que nossa filosofia, nossas teorias, nossas ideias precisam se converter não apenas em palavras mas em práticas congruentes. Que o que pensamos se torna o que fazemos e o que fazemos o que somos-no-mundo.
Assim, como diziam os antigos, os que sabem apenas a arte da medicina, não sabem medicina.
Uma acupuntura integral te convida e entrar no coração do “caminho”. A cultivar e a pratica qi gong, não para “curar” melhor seu paciente, mas para se “tornar a cura” para nossos pacientes, relembrando a célebre frase, “torne-se mudança que você quer ver no mundo” . Assim, nós transmitimos aos pacientes e lhes lembramos que não precisamos estar doentes, que não precisamos de um acupunturista pra sempre, que podem eles também, encontrar um espaço amplo de saúde sentando e meditando. (e não se preocupem, a tarefa é grande, não vão ficar sem pacientes os mais incautos
Por fim, uma acupuntura integral considera o homem nos seus aspecto biopsicossocial, mas também somático psíquico e noético, porque se os gregos nos deram tanto a dividir e classificar e catalogar e filosofar, os orientais nos lembram que tudo é um, tai yi, que os céus e as estrelas se refletem em pontos de luz nos corpos, que vales e rios correm em nossas veias, que as estrelas brilham em cantos do corpo e que tudo ressoa em busca de harmonia e evolução.
Wu wei, uma não-ação é a melhor ação, o bom combate e desviar-se e abrir-se para o claro e o escuro, para integração da luz e da sombra, do fogo e da água, céu e da terra.
Tudo muito antigo, tudo muito novo, assim é a acupuntura integral, que fundamentalmente informa uma prática integral de vida, uma atitude compassiva por todos os saberes parciais e principalmente por valorizar as perguntas e as incertezas mais do que as respostas que já temos.
Pra compartilhar e lembrar-me de tudo isso e muito mais que nascerá do encontro é que eu ofereço mais um curso em 2011 de acupuntura integral começando em 12 de março na multiversidade.
Maiores informações no site de em cursos de acupuntura da multiversidade
Diz o poeta em síntese
A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.Fernando Pessoa
Meu voto 2010
22/09/10
Voto é ideológico. (ponto) E evolutivo: (dois pontos)
O que isso quer dizer hoje em dia? Vivendo na pós-modernidade, o que fazer na hora de escolher em quem votar? Voto é obrigatório e preciso buscar meu título de eleitor, mas na era hiper-midia, vou justificar e declarar meu voto de forma pública, para, quem sabe, fomentar alguma reflexão ou pelo menos deixar um registro.
Uma memória do meu primeiro ato nas eleições que quero compartilhar: Eu devia ter 13 anos, e fui fiscal do PT nas eleições municipais em Niterói. Na época, os votos eram “cantados”, tal como num bingo, por leitores em mesas, eram os votos em papel marcados com canetas. Em horas sentado atrás da pessoa que lia os votos eu o vi “lendo” várias vezes o nome errado no papel. Eu fiscalizava os votos pra o PT e as pessoas simplesmente falavam outros nomes a fraude era descarada.
Política era fácil, não era uma questão econômica . Hoje, os juros e a contráditória política de atração de investimentos que pareciam impossíveis de ser a tônica de um governo do PT. Antes, existiam as pessoas da esquerda que queriam um mundo socialista com distribuição de terra, de renda e de oportunidades e as pessoas de direita, a elite ruralista, dos votos comprados e das eleições fraudadas que não queriam perder seu poder e privilégios. Tinhamos acabado de saír da ditadura, os direitos civis recém reconquistados ainda não estavam em moda, como ainda não estão em boa parte do Rio hoje cada vez mais dominado pelas milícias.
Com as eleições 1989, a televisão, pela primeira vez, derrubou Lula e elegeu o caçador de marajás no último debate, numa história sobre sua ex-mulher veiculada pela então toda poderosa organização globo que editou o debate, o sinônimo de tudo que era desinformação e manipulação das massas eram as empresas de Roberto Marinho.
Hoje, no século XXI, a televisão continua sendo um grande ator nas eleições mas ao mesmo tempo, facebook e emails se tornam ferramentas interessantes de saber dos canditados sem spam, estamos caminhado. Os jornalismo virou internacional, a instantaneidade das notíticas, os factóides eleitorais continuam. A revista veja continua sendo a revista da direita paulista, a caros amigos a revista mais à esquerda e a carta capital, pessoalmente, o que fico feliz de ler.
Fui da juventude do PT, puxei a passeata do forra collor saindo do salesianos onde fui presidente do grêmio. Literalmente, fui o primeiro a pegar o microfone que o sindicado dos bancários emprestava aos estudantes (haha, saudades). Na minha época ainda exisitia reminscentes do MR8 e as diversas linhas dentro do PT começavam a se formar. Aliás, é impressionante como isso não seja um dado que chegue à população, entender que no partido dos trabalhadores existem correntes de pensamento em disputa, enteder que quando se vota no PT, não se vota numa ideologia hegemônica, se vota em um partido que vem se construindo entre disputas, que ao meu ver, fazendo concessões demais.
Com o escândalo do mensalão, a aliança com Sarney e Renan, surgiu o PSOL, muitos amigos migraram, ajudaram a fundar, eu mesmo cheguei a assinar pelo pedido de formação do novo partido. Mas, infelizmente, considero uma grande perda, muitos, talvez os melhores quadros do PT terem ido para o PSOL, sempre achei que a “luta se faz por dentro”.
Uma pena que a discussão socilista tenha saído do plano da política no momento, mas as crises econômicas estão aí e o mundo muda mais rápido do que os historiadores podem acompanhar e principalmente fico feliz de saber que mesmo longe das mídias, muitos movimentos sociais continuam com conquistas importantes.
O meu voto:
Meu voto inicial, quando soube da candidatura Verde seria na Marina, mas amadureci a reflexão considerando valores evolutivos que tento explicar porque acredito que o governo Dilma seja o melhor para o atual momento brasileiro.
Simbólico
Ela é mulher, uma mudança fundamental na recente emancipação da mulher e das conquistas ainda muito frágeis dos movimentos feministas que são, ainda, muito imaturos na minha leitura, mas com avanços incríveis e conquistas como a lei maria da penha no Brasil.
Dilme é uma ex-guerrilheira, fico impressionado de num momento como esse, uma jovem estudante tenha pegado nas armas pra defender o socialismo. Era um outro momento, a revolução socilista mundial estava no horizonte, hoje, espero dela mais luta à esquerda e menos lucro para os banqueiros.
Modernidade
O Brasil ainda não vive a modernidade, nossa população só agora atinge níveis de crescimento que o primeiro mundo, pra usar essa classificação que só vejo em telejornais americanos, só agora vamos poder investir em educação, cultura, segurança e seguridade social. As conquistas básicas da maturidade econômica como a inflação controlada e o acesso ao crédito.
Desenvolvimentismo
Considero que hoje o desenvolvimentismo de Dilma seja a melhor opção atual para o país. Ainda não temos conquistas básicas como moradia, energia, transporte e outras estruturas para pode seguir discutindo defesa do meio ambiente tal como os verdes fazem.
Verdes no poder
Os verdes no poder no mundo ocidental estão com 15 % do poder e avançando, mas não estamos em condição de abrir mão das conquistas do desenvolvimento básico do país por um discurso ambiental simplemente.
Meu voto, por isso, não vai para Marina.
Voto
Dilma – para consolidar o bom momento de crescimento e desenvolvimento do país.
senadores
Milton Temer – PSOL – para manter uma oposição pela esquernda.
Lindberg – PT – é o menos pior dos candidatos.
Chico Alencar – PSOL – manter uma oposição lúcida pela esquerda ao governo do PT.
Marcelo Freixo – PSOL – tem se tornado um herói na luta contra as milícias e precisamos de heróis num país que tem na corrupção-violência-impunidade uma triade que virou lugar comum.
É isso, não carrego mais bandeiras nas costas e faço campanha pelas ruas, não sou mais um militante, gostaria de estar entretanto, próximo de um movimento social mas não estou.
E a ideologia? A ideologia socialista ainda é uma esperança no horizonte, assim como um governo verde ainda nesta década.
É PRECISO SER COMPETENTE PARA SUOLRTAR
24/06/10
A MENTE HUMANA É CHEIA DE TRAVAS, TRAFARES E TRAFORES, PRA QUEM NÃO SABE O QUE É ISSO BASTA CONSULTAR O LEXICOM DA CONCIENCIOLOGIA.
Ainda assim, resta uma comunicação mais simples e muito mais eficiente a telepátia intatanemente entre todas as pessoas do mundo. Claro que transplantar idéias de uma lingua mãe para outra nem sempre é fácil, ser expatriado e aceitar jesus em inglês, rezar pra shiva em em portugues, comungar em frances la ostiá e cantar pra al[ém ém muito menos simples doque deveria ser falar simplesmente a relação natural do amario, a linguagem doo “amor” sim qq dictionario ou ci dien, como se diz em han yu, ou mandalinh.
Essstexto recebe o tac: em transideralizações
Assim em contas as considerações existente entre sirius e óriam, não há mais o que serdito senão o que já foi dito antes e está tudo registrado nas clínicas de drogas de sais em rio e julujuba.
Mas como falar o que não se pode compreender ainda, como dizer uma lingua que ainda não foi invetnaada, como ventinar idéias que estão por ser criadas, como influenciar uma nação sem manifestação. Apenas fazendo um papel de palhaço, apenas descobrindo o meu palhaço interior.
Assim, no curso de palhaçco que fiz certa vez, aprendi que o meu nariz quem mando sou eu. Que em falar marl ser falarmal, se fornormal, seforma o maal, que tem que ser, sem se será, sem sinerinar, na sernar idade.
Assim sendo, e isto posto, caminhar pelas ruas da cidade com calça azul tailandeza ou ser confundido com um mestre tibetando na loja da esquina não é incomum. Sõ que accontece naturalmente sem se ligar em TV ou intermediar qualquer outra coisas, além de ser ser o que poder se ser em sendo feliz, simplesmente assim. Mário.
Outrosim, é preciso dizer que em falando das linguas, já estão todos aluncinados ipnoitimenta pelas imagens 3D de avatar, pelas mensagens supliminares das músicas e das cantigas de todos os tempos.
A minha can~c”o primeira é éssa, a cantiga de nintar…
A cantinga de mininar…
Eu sei que muitas vezes eu me acho, até o forró que frequanto é o forró praraXAXAR que acontecer no forró do convérs de bêbado sem qualquer gota a não ser do sereno ou dorvalho.
Pouco inporta saber de onde eu vim, eu sei de onde vim e sei pra onde vou. Não sou sereia ou pexie de marfim, nem sou merlim ou outro personagem qualquer. Quem quiser me conhecer, basta vir me conversar. Conversar simplesmente olho a olho, cara a cara, sem pestanejar, sem se ludibriar pelo rencanto alheio.
Merma sim, vamose revisitando, estou aberto aos amigos que queiro se reuniri para encantarmento do mundo inteiro. A transformação da lzuz em amore, e glória e simplória vindaladas es trelas.
Meu encontro com Jesus
08/06/10
Eu cresci e me dei conta de mim em frente a uma igreja. Nessas raízes da minha infância lembro-me que minha, minha avó tinha pintado os vitrais lindos que contavam as passagens do calvário na mesma igreja e meu avô tinha ajudado a construí-la. A imagens dos santos também ficavam sobre as janelas, sejam quem fossem aqueles homens com roupas coloridas e sandalhas em cujos pés se debuçavam os anjos, lá estavam as primeiras representações da minha infância sobre o imaginário cristão, meus primeiros mitos, minhas primeiras imagens. A igreja da matriz era assim, acordavam meus dias com suas badaladas e ecoavam minhas noites com as ladainhas.
Havia os pedintes também, que sempre vinham perguntar por um “pão velho”, ou as viúvas que na época andavam juntas e todas com seus véus pretos. Outra lembrança boa era das pombas que meu avô pela manhã alimentava com dezenas de bolinhas de miolo de pão enquanto elas se revoavam ao seu redor.
Eu, como toda criança criada sob a tradição do oriente médio (judaico-cristã-mulçumana), tive medo de Deus. Aquela figura pendurada na cruz que sangrava eram pro imaginario de uma criança uma coisa estranha, embora as pinturas ao redor fossem belas, e o silêncio da arquitetura da igreja também. A crianças se vestiam de anjos pra sua coração e tantos outros ritos aconteciam alí, como eu não entendia nada do que os adultos iam fazer ali na casa de Deus, a igreja virou mesmo uma extensão da minha casa, ali eu bincava de pique e me escondia no confessionário, sendo que até hoje, não me cofessei. Aproveito aqui meu blog para as minhas confissões, e quem sabe com orações eu possa remir os meus pecados (de-u-sacertos).
De tempo em tempo, as carpideiras que passavam a deixar os panfletos com a cruz que chegava de tempos em tempos para anunciar a morte de um vizinho, alternavam também com as outras que vinham oferecer galinhas e doces que juro que não existem mais assim tão saborosos.
Me lembro com frequencia de uma senhorinha, muito muito gentil que fazia os mais deliciosos requeijões e doces de leite que me alegravam, eles, os doces, vinham numa cesta coberta por toalhinha bordada e foi a primeira presença santa que tive na vida.
A infância nas Minas Gerais foi assim, a igreja, em frente a casa, ao lado da casa do padre foi muito rica de boas memórias de meninice.











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