medicina e psicologia integral
Artigos com o marcador evolução
Meu encontro com Jesus
08/06/10
Eu cresci e me dei conta de mim em frente a uma igreja. Nessas raízes da minha infância lembro-me que minha, minha avó tinha pintado os vitrais lindos que contavam as passagens do calvário na mesma igreja e meu avô tinha ajudado a construí-la. A imagens dos santos também ficavam sobre as janelas, sejam quem fossem aqueles homens com roupas coloridas e sandalhas em cujos pés se debuçavam os anjos, lá estavam as primeiras representações da minha infância sobre o imaginário cristão, meus primeiros mitos, minhas primeiras imagens. A igreja da matriz era assim, acordavam meus dias com suas badaladas e ecoavam minhas noites com as ladainhas.
Havia os pedintes também, que sempre vinham perguntar por um “pão velho”, ou as viúvas que na época andavam juntas e todas com seus véus pretos. Outra lembrança boa era das pombas que meu avô pela manhã alimentava com dezenas de bolinhas de miolo de pão enquanto elas se revoavam ao seu redor.
Eu, como toda criança criada sob a tradição do oriente médio (judaico-cristã-mulçumana), tive medo de Deus. Aquela figura pendurada na cruz que sangrava eram pro imaginario de uma criança uma coisa estranha, embora as pinturas ao redor fossem belas, e o silêncio da arquitetura da igreja também. A crianças se vestiam de anjos pra sua coração e tantos outros ritos aconteciam alí, como eu não entendia nada do que os adultos iam fazer ali na casa de Deus, a igreja virou mesmo uma extensão da minha casa, ali eu bincava de pique e me escondia no confessionário, sendo que até hoje, não me cofessei. Aproveito aqui meu blog para as minhas confissões, e quem sabe com orações eu possa remir os meus pecados (de-u-sacertos).
De tempo em tempo, as carpideiras que passavam a deixar os panfletos com a cruz que chegava de tempos em tempos para anunciar a morte de um vizinho, alternavam também com as outras que vinham oferecer galinhas e doces que juro que não existem mais assim tão saborosos.
Me lembro com frequencia de uma senhorinha, muito muito gentil que fazia os mais deliciosos requeijões e doces de leite que me alegravam, eles, os doces, vinham numa cesta coberta por toalhinha bordada e foi a primeira presença santa que tive na vida.
A infância nas Minas Gerais foi assim, a igreja, em frente a casa, ao lado da casa do padre foi muito rica de boas memórias de meninice.
O nível turquesa
23/11/09

“A divindade é uma esfera cujo centro está em toda parte e a circunferência em parte alguma.”
Upanishades
Vou tentar descrever minha percepção do nível turquesa de consciência. Embore em geral eu me sinta bem amarelo e integrado em vários aspéctos da vida e claro, outros não . Como em todas as mudanças de níveis de consciência a mudança do amarelo para o turquesa são muitas e vou tentar destacar algumas tal como as percebo.
Como todos os níveis da espiral as estruturas anteriores tem que ser TRANSCENDIDAS E INCLUÍDAS, assim sendo. os principais problemas do nível amarelo que é o excesso de estruturas inclusivas no pensamento precisam ser transcendidos.
O amarelo é o último nível que vai operar com conceitos de desigualdade. Parece uma grande conquista realmente rever níveis, linhas, quadrantes e tudo mais que o pensamento integral permite, mas como toda estrutura também vai ser transcendida pelo nível turquesa para um nível transracional intuitivo.
No nível turquesa, todo o espaço se torna perpectiva, tudo se torna ponto de vista equidistante de qualquer objeto e qualquer objeto se torna sujeito de todos os demais. A fusão entre sujeito e objeto, a não dualidade agora não se percebe apenas como experiência mental mas como experiência imediata no mundo.
Redes e teias de energias-pensamentos-karma, nexos de sentimentos, ondas, qi, forças, campos, teias, redes, links entre todas as coisas começam a se tornar realidades sensíveis e um uma nova experiência para nomear essas novas realidades que emergem e se difereciam precisam ser construídas.
Novas pelavras e conceitos precisam ser construídos para que possamos falar de todos esses níveis seguintes e não temos ainda uma realidade consensual desses níveis para que possam ser assim facilmente comunicados.
Então, para as relações afetivas, para as ligações entre as pessoas essa experiência no campo sutil se torna uma percepção sensorial muito mais ampla, podemos tocar, ver e sentir esses níveis energéticos, assim chamados por falta de um nome melhor.
O mais impressionamente mesmo e por isso um nível inferior sempre resiste ao nível superior é que toda a estrutura mental que sustenta o nível amarelo tem que ruir para que o nível turquesa possa se manifestar.
Ai, ai, boa sorte pra nós. Eu apavoro de pensar em tanto tempo lendo e tentando entender tudo e ainda restam entender as questões básicas da vida. Quem somos nós? Quem nos criou, quem criou o criador (se é que existe um), quem deu início a esse grande jogo cósmico e porque? É tudo lindo demais, tudo maravilhoso demais, mas ainda estamos apenas navegando no grande oceano de sentidos celestiais e terrestres.
Viva o grande globo azul turquesa, viva as teias de luz que envolvem toda a vida na terra, viva todos os pensamentos harmoniosos, viva o amor, viva a dança e viva as crianças.
Mais sobre o nível turquesa e a dinâmica da espiral.
Relacionamento Integral – entre o pôr-do-sol e a onda
26/09/09
Estou há alguns dias tentando escrever algo sobre relacionamentos. De todas as linhas de desenvolvimento, as relações íntimas parecem ser as principais fontes de crise de desenvolvimento, e claro, se tornam a forma de crescimento mais acessível e talvez mais importante de todas. É assim pelo menos na minha experiência. Claro que crescimento não precisa ser apenas em tempo de crise, mas comumente é assim.
Há tantos aspectos a serem considerados, mas sendo um artigo para uma leitura breve, vou apenas citar alguns pontos tentando ser o mais abrangente num mapa que seja pelo menos útil.
Com milagre do encontro quero dizer a possibilidade do que penso e escrevo possa ser entendido por você que lê, que o que sinto possa ser transmitido e compreendido através desses fótons de idéias para teclado, para tela, para internet, para seus olhos até sua mente e mais além. Isso é um dos mistérios radicais do universo, tão misterioso é enfim o relacionamento.

Eis alguns itens que quero citar. Quem sabe um dia eu possa escrever mais sobre cada um deles, mas a idéia é uma visão geral de uma visão integral que considero importantes especificamente sobre relacionamentos interpessoais. Embora uma leitura própria as idéias básicas são retiradas do modelo integral proposto por Ken Wiber.
1- Desenvolver um amor grande.
2- Encarar o relacionamento como um espaço de prática.
3- Abrir o coração.
4- Meditação.
5- Ligação entre almas.
6- Definir o que você quer.
7- Níveis de desenvolvimento nos relacionamentos.
8- Sexo integral e tantra.
9- Lila os passatempos amorosos.
10- Estágios na Dinâmica da espiral
11- Estados
12- Linhas
13- Tipos
14- Polaridade, gênero e a relação entre o masculino e feminino.
15- A sombra do relacionamento.
16- Paradoxos existenciais
17- Sexo no toque e na cura.
18- “Re-creação” “co-criação” e “procriação”
19- Tocando a face de Deus
Desenvolver um amor grande e não um grande amor.
Em geral um grande amor se relaciona com a capacidade de transcender que o amor nos coloca. Mesmo reduzindo ao nível do objeto da condição humana, amor é no mínimo uma descarga de neurotransmissores que altera totalmente nossa percepção da realidade. Ainda assim é importante distinguir o que vou chamar de amor grande do amor apaixonado. Por amor grande é o que consegue incluir a perspectiva do outro quando avalia a realidade, consegue considerar o outro e suas necessidades, valores e expectativa.
Amor grande não diz vem, amor grande diz vai em direção ao seu destino. Amor grande sabe que ninguém é de ninguém, amor grande ilumina e reforça o lado luminoso do outro, reconhece, acolhe e fortalece seu brilho.
Quando cultivamos amor, o amor se espalha para todas a áreas da vida, cuidamos com amor, cozinhamos com amor, trabalhamos com amor, fazemos yoga com amor!
Grandes amores é o contrário, fazer do amor em si o objeto da relação. Amamos o nosso estado de enamoramento, como dependentes químicos. Amar o amor, o que nasce entre dois é importante, mas só amar o amor esquecendo-se de si e do outro é uma idolatria.
Encarar o relacionamento como um espaço de prática.
Em resumo, precisamos ser sinceros, quando dizer “eu te amo”, dizer também “eu não sei amar”. Quando danço forró eu gosto de dançar com quem já sabe dançar, claro, mas aprendi com alguém que teve paciência pra me ensinar os primeiros passos e como em tudo na vida estou sempre aprendendo novos passos, novos movimentos, cada par que se forma se harmoniza em um ritmo próprio.
Outra questão importante é que se envolver com uma pessoa mais experiente afetivamente quanto sexualmente é um ponto importante.
Abrir o coração
Às vezes o amor bate a nossa porta, mas estamos fechados. “Fechados para balanço”, isso é ótimo, mas manter o anahata chacra, manter os meridiamos em equilíbrio, principalmente os do coração e do mestre do coração (xin bao) também é importante. Às vezes precisamos de um inverno na vida afetiva, mas não deixar de perceber as flores quando a primavera chegar.
Meditação
Meditação na relação tem pelo menos 4 aspectos.
Desidentificar das paixões e das imagens que o outro nos provoca e se manter centrado observando o que emerge como manifestação do espírito.
Praticar tonglen como prática de compaixão infinita.
Perceber e ampliar a consciência dos níveis sutis da relação.
Dar uma gargalhada boa dessa tentativa de organizar um “relacionamento integral.”
Ligação entre almas
Mesmo para quem não acredita ou tem uma experiência relacionada a outras vidas e outras existências, em geral as pessoas não conseguem explicar os nexos estabelecidos entre as pessoas como apenas causais. Não temos razão para o amor. Com dizia Pascal, o amor está além da razão, mas não está contra.
Psicologicamente, por outro mistério da vida, tendemos a atrair pessoas que precisamos de alguma. Se esse sentido aparece, antes ou depois, se ele é um sentido em si ou se nós mesmos que damos o sentido. Fato é que, numa relação transformadora as coisas parecem ter um sentido, uma ligação, uma dimensão espiritual. Aliás, pra muitos, o mais próximo de espiritual que se pode chegar é na relação amorosa.
Definir o que você quer
Uma das coisas mais difíceis numa relação é estabelecer limites para as projeções. Definir as coisas. Mesmo quando percebemos que está “rolando alguma coisa”, se não definimos os limites e as possibilidades da relação isso em geral dá problemas. A frase clássica de qualquer novela é “você não pode me dar o que eu quero ou o que você me dá é muito pouco”. Em geral isso tem muito pouco a ver com o outro e fala mais de nós mesmos. Embora os pluralistas relativistas achem que esse tipo de definição e regras são convencionais e que uma relação não é um contrato, que basta amar que tudo vai dar certo. Da perspectiva integral é importante deixar isso claro, mesmo que o limite, as definições e as expectativas mudem, elas precisam ser compactuadas, normalmente quebras de contrato acarretam sanções.
Níveis de desenvolvimento
Segundo Kohlberg , muito citado por Wilber em Sexo Ecologia e Espiritualidade, nós nos movemos entre três níveis de desenvolvimentos morais básicos: pré-convencional, convencional e pós-convencional.
No primeiro nível, (pré-convencional) os relacionamentos são marcados pelo desejo sexual perverso com múltiplos parceiros e um jogo de poder com fetiches e sado-masoquismo, valorizando a não-monogamia, principalmente com dominação masculina sobre o feminino.
O segundo nível (convencional) o relacionamento sexual é caracterizado pelo desejo de relação com um parceiro principal, normalmente um casamento convencional e convivência doméstica. Monogamia é considerada uma virtude e não-monogamia e outras relação consideradas adultério e traição.
O terceiro nível (pós-convencional) o relacionamento traduz um desejo de intimidade profunda e sexualidade bem vivenciada que pode ser encontrada com um ou mais parceiros em casamentos convencionais ou não convencionais. Monogamia e não-monogamia são consideradas e tem um papel importante no desenvolvimento sexual.
Sexo integral e tantra
Você pode ler mais sobre o que escrevi sobre tantra e arte do encontro e alquimia com o outro.
Em resumo, sexualidade envolve todo um movimento de energias ascendentes e descendentes pelo corpo físico e sutil, ascendendo pelos nadis e merididanos e despertando estados de consciência expandidos.
Lila o passatempo amoroso
O amor divino. Diferente do panteão grego em que os deuses são extremamente ciumentos e cheios de tramas e desafetos. A relação amorosa entre Krishna e Radha implica numa prática devocional e profundamente amorosa. Tanto homens como mulheres ao se colocarem nessa relação devocional com o divino podem trazer isso para sua vida, no contato com essas grandes imagens perceber que os jogos e brincadeiras do amor, tanto no relacionamento como no relacionamento com a vida, com o espírito é tudo uma grande Lila, uma grande brincadeira do viver.
Achar, perder, buscar, encontrar, perder novamente faz parte dessa dimensão lúdica do amor.
O amor é não só uma prática, mas também uma brincadeira na grande brincadeira ou passatempo da vida.
Dinâmica da espiral
Considerando os níveis na dinâmica da espiral, níveis de desenvolvimento de valores e cognitivo vertical.
Púrpura: valoriza o clã, a família, os ancestrais, casamentos arranjados, baseado na tradição da tribo, nos tabus.
Vermelhos: o macho busca satisfação enquanto a fêmea busca o status de acordo com o macho que escolheu. Egocêntrico, permite quebra de tabus e outras ordens familiares, atende apenas às suas necessidades.
Azul: permite o surgimento do amor, a relação se dá em nome de uma causa maior, “crescer a frutificar”, casamentos convencionais com regras de conduta bem estabelecidas. Reaparecem os tabus sexuais, sexo tem a função de procriação e a responsabilidade e o dever perante a família emergem.
Laranja: o individuo rompe com a tradição em busca do que faz com que se sinta bem. Certo e errado agora estão dentro de si e não mais impostos pela lei e ordem da religião ou do grupo. Relacionamentos nesse nível valorizam a expressão pessoal, o relacionamento dura e se atende às necessidades dos indivíduos. Relacionamentos homosexuais, grupais, fetiches e fantasias são aceitos como algo que possa estimular a relação.
Verde: Homens e mulheres e outras formas de parceria tem ênfase no igualitarismo e na sensibilidade para com os afetos e necessidades. Necessidade de uma conexão profunda entre os parceiros. O relacionamento tem ênfase no compartilhar de papéis, nas trocas entre masculino e feminino. Reprodução, satisfação sexual e status não são suficientes. Criatividade, espiritualidade, compartilhar emoções e construir a relação são partes centrais da vida.
Amarelo: Percebe e integra toda a espiral entendendo os vários níveis de desenvolvimento e incluindo o relacionamento em todos os seus aspectos. Grande capacidade de lidar com os paradoxos dos relacionamentos e também capacidade de se distanciar deles conectando com a dimensão observadora e contemplativa. A percepção das energias sutis e jogos de puxar e empurrar de agarrar e soltar e manipulações mesmo através das energias sutis também passam a ser harmonizadas. Impulsos de kundalini passam a ser uma experiência mais e mais freqüente e precisam também ser harmonizados em si e ao redor.
Turquesa: Sexo, amor, desejo, libido se expandem para todos os seres, consciência cósmica de que todas as relações são emanações do espírito. Relacionamento a partir de todos os chacras e corpos físico, sutil e causal. Sensível, aberto a todos os fluxos de energia interno e externo, sem identificação mais com os jogos verbais do ego. Se orienta pela posição no fluxo de energia do momento.
Estados
Podemos dizer que o amor é em si um estado alterado de consciência. E com certeza pode impulsionar o nosso crescimento, aprendemos muito mais fácil e nos abrimos muito mais quando experimentamos amor.
Aqui, vale lembrar a distinção básica de Eros e Ágape, um amor que sobe e nos eleva e outro que nos faz baixar e nos aproxima da diversidade. São expressões amorosas complementares e correspondem a estados de consciência também complementares.
Linhas
10 anos atrás quando surgiu o termo inteligência emocional, ficou claro que por mais inteligente e brilhante cognitivamente que alguém pudesse ser, não necessariamente, ele seria moralmente ou emocionalmente desenvolvido.
A idéia de uma linha de desenvolvimento no relacionamento é que de fato, relacionar-se é algo que se aprende e como tudo que se aprende fica melhor se existir um ambiente que facilite o aprendizado ou bons professores.
Assim, capacidades interpessoais também precisam ser desenvolvidas que incluem capacidades de empatia, comunicação, escuta, diálogo, flexibilidade, tolerância, tudo que se aprender para facilitar o contato, capacidades de consciência corporal, corporais, sensoriais também podem ser incluídas aqui.
Goleman destaca alguns aspectos importantes da inteligência emocional
1- Habilidade de identificar seus próprios estados emocionais e entender a ligação entre emoções, pensamentos e ações.
2- Capacidade de administrar os próprios estados emocionais – controlar emoções ou mudar estados de emoções destrutivas para estados mais adequados.
3- Habilidade de ativar estados emocionais à vontade associados com o desejo e a capacidade de realização, ou seja, usar as emoções a seu favor.
4- Capacidade de perceber e ser sensível à influência das emoções dos outros.
5- Capacidade de entrar e sustentar relacionamentos interpessoais.
Tipos
Os tipos básicos são o masculino e feminino e entender essa dinâmica é fundamental num relacionamento. Leia o meu artigo sobre yin-yang masculino-femino.
Além disso, existem tipologias mais complexas com o eneagrama. Basicamente, temos estilos ou personalidades, independente do estado ou estágio que estivermos de desenvolvimento. Essa personalidade ou esse caráter pode estar mais ou menos encaixado na sua relação, mais ou menos fixado.
Uma boa forma de estudar tipos também são símbolos astrológicos.
De qualquer forma, tipologia é um estudo horizontal importante que afeta as relações.
Polaridade, gênero, masculino e feminino
Cada nível ou corpo, do grosseiro ao mais sutil, pode apresentar polaridades diferentes, assim a fluidez entre identificações masculino e feminino também. Em níveis mais profundos, podemos realizar um casamento interior descrito nas tradições alquímicas de todo o mundo. Essa hiero gamos, essa união de opostos psíquica aparece também na leitura de Jung relacionada aos estados transpessoais de consciência.
Sombra e relacionamento
Relacionamento é espaço privilegiado para emergência de conteúdo reprimido e sombrio. Quase sempre culpamos o outro por nossas misérias e a tarefa básica da terapia de qualquer tipo é o lembrar que só você é responsável por seu estado psíquico.
Mesmo assim, relacionamentos anteriores, outras relações simultâneas, relações familiares e os diversos papéis desenvolvidos numa relação podem ser expressão de conteúdos reprimidos.
O trabalho sobre a sombra, seja em auto-análise bem como com um terapeuta, é fundamental.
Paradoxos existenciais
Vida e morte
- sexo e relacionamentos aumentam minha alegria e vitalidade num corpo que vai inevitavelmente envelhecer e morrer
- assim no meu coração eu digo silenciosamente sim para a morte
- enquanto eu afirmo com alegria a vida com todo meu ser
Dedicação ao outro
- radicalmente não existe “outro”
- não existe ser separado do espírito que eu possa servir ou libertar
- assim eu me dedico a libertar e servir todos os seres
Compromisso e desapego
- eu me comprometo profundamente com o outro na relação e na prática
- eu me desapego profundamente de todos os resultados e expectativas
Sexo no toque e na cura.
Sexo, geralmente, faz bem à saúde!
Mais que isso, o espaço de intimidade absoluta é normalmente um espaço de cura tremenda, de confissões totais, de abertura infinita. Reich nos lembrou dessa integração da vida que pulsa em nós e da atividade sexual. Corpo, mente e espírito se curam numa aliança amorosa profunda, não há muito mais o que dizer.
“Re-creação” “co-criação” e “procriação”
Acho que essas palavras falam por si só.
Tocando a face de Deus.
Recentemente na tradição cristã, Maria Madalena foi trazida a cena. Felizmente! Embora ainda vivamos essa dicotomia entre religiões pagãs que celebram a vida e religiões transcendentais que celebram o espírito, eu confio no “enlaçador de mundos”, no pontífice, naquela que consegue fazer uma ponte entre o céu e a terra, nessa condição humana de desfrutar de todo o espectro da consciência. De estar ao mesmo tempo na terra e no céu. De ser invejado pelos anjos, de poder se libertar. Só num corpo humano nós temos todas essas possibilidades. E ser completamente humano é mergulhar nas profundidades e nas altitudes e todo o espectro da vida em todas as cores da espiral e todo o arco-íris dos chacras em todos os vasos maravilhosos.
Somos um nó de relações, somos o cuidado em forma humana, somos nascidos do outro para o completamente outro. O mundo já estava aqui quando eu me percebi aos dois ou três anos de idade, mas eu talvez estivesse antes do mundo existir e continuarei além dele. Somos assim, puro espírito, mergulhados nesse caldo de sensações bioquímicas, energéticas, espirituais.
Somos o mistério profundo e tremendo de nós mesmos. Quem sou Eu? Quem sou Eu? Quem sou Eu?
Assim, vemos em parte, mas um dia veremos face a face.
Que seja cada um que chega ao seu caminho, uma face do divino. E cada sorriso ou lágrima uma brincadeira de Deus.
No mais, boa viagem! Você chegou aqui sozinho e vai sair sozinho, mas pode aproveitar a caminhada em boas companhias.
ps. Em tempo, eu sei que fiquei devendo aprofundar esses tópicos, mas é só um blog, quero mesmo ouvir as opinões de vocês sobre o tema.
Tantra e a Arte do Encontro e da Alquimia com ou Outro
22/09/09
Sexo é uma dos aspectos da vida mais mostrados na TV, bancas de jornais, internet. A prioridade humana com relação ao sexo é enorme mas poucos conseguem ter prazer com isso, ou pelo menos fazer dessa relação íntima à dois, ou três, ou seja lá com quantos, se dê de forma saudável e se converta em alegria, saúde e energia em todos os outros aspectos da vida.

Freud foi realmente genial ao colocar a libido ou a pulsão que é normalmente sexual no centro da vida psíquica e na constituição do sujeito. Os símbolos, como Jung os descreve, sendo aglutinações de energias psíquicas que tratam do sexo, também são muito presentes em sonhos e nas religiões do mundo. De fato, dificilmente vamos além das nossas fixações eróticas originais e é bem conhecido todos os tipos de doenças e distúrbios psíquicos que podem surgir deste movimento da energia ou da libido pelo corpo em desenvolvimento. Nesse sentido, a psicanálise e, por exemplo, a terapia reichiana tem uma contribuição importantíssima para nos oferecer.
Ainda no ocidente, eu poderia lembrar que no cristianismo, por exemplo, o sexo está cheio de tabus e que os papeis arquetípicos da mulher na bíblia é em geral de mães “virgens” ou prostitutas. Não há um papel central para a mulher no movimento das energias sutis e sexuais como na tradição tântrica, tanto taoísta, budista ou védica. Mas ainda há um longo caminho para que tanto homem quanto mulheres encontrem uma relação harmoniosa e verdadeiramente saudável.
Em geral, sexo desgasta energia e desorienta a vida, é um fato. Na medicina chinesa e na alquimia em geral sexo pode causar doenças se praticado em excesso e os níveis de doenças associadas ao sexo também são muitas.
Ao buscar uma vida integral e integrada, a sexualidade e essa relação radicalmente intima entre duas pessoas precisa também ser considerara, mas como resgatar as tradições orientais que desenvolveram essas artes de amar sem que isso se torne mais um fetiche?

Textos como o Kama Sutra ou Rig Veda ou até mesmo o Yoga Sutra de Patanjali trazem descrições dessa arte de intimidade radical não apenas como algo muito positivo que nos “descarrega” tensões, mas fundamentalmente algo que pode nos conduzir ao êxtase, à transformação do fogo em luz da consciência, à evolução.
Na alquimia taoísta os canais de energia envolvidos na relação sexual, nos órgãos sexuais, Lingam e Yoni como chamam os tantristas é fundamental, claro que vez ou outra todos praticamos tantra. Tantra no sentido de que todos temos uma relação cuidadosa e total, em que o tempo de contato de trocas de energias de palavras de carícias é tão importante como o ato em si e o prazer da relação dos olhares da energia que circula entre hormônios e músculos entre suor, cheior e sabores, tudo isso, pode ser uma forma de cultivo integral, quero dizer tanto do corpo físico , sutil ou causal. Sim é possível amar em todos esses níveis e nem sempre os papeis masculinos e femininos estão harmonizados em todos esses níveis.

Energeticamente, temos no ocidente principalmente, uma busca de religiosidade e filosófica vertical e ascendente. Para ter uma idéia, o próprio Freud parou de ter relações sexuais aos 35 anos para se dedicar a escrever. Seu sintoma compulssivo que o fazia escrever mais de 30 laudas diariamente e “Cada orgasmo era um livro que se perdia” .
Ou seja, a busca o uno, o pai, o criador o divino acima de nós, ou mesmo os pensamentos mais abstratos se opõe a tudo que é mundano, tudo que faz descer a energia que passa a ser considerado negativo. O movimento ascendente se traduz, no corpo sutil, pela subida da energia pela coluna, pelos chacras e pelos diversos níveis de consciência. Em alquimia taoísta e ayurveda essas práticas também são enfatizadas como modos de realização espiritual.
O que nos falta é mesmo aprender a ascender e descender essa energia. No caminho para a baixo ao invés do uno se encontra a pluralidade de todas as manifestações sensações, emoções e pensamentos é o caminho em direção à Terra, ao alimento ao corpo com saúde e alegria. Talvez encontremos no caminho uma sexualidade polimórfica, uma capacidade de sentir prazer em todos os poros do corpo, alegria, êxtase em cada toque seja possível e não apenas pelo prazer em si mas porque implica numa vitalidade que se transmite para todas as outras áreas de vida, enfim, sexualidade e vida integral.
Outra relação vertical importante que se estabelece são as imagens arquetípicas de Grande Pai, Shiva e de Grande Mãe, Shakti, de Céu e Terra, de Urano e Gaia que divide o pensamento e as práticas espirituais em geral. Mas podemos também estabelecer relações horizontais entre essas polaridades, e até mesmo internamente como já escrevi aqui no artigo sobre Yin e Yang, e também na relação intima amorosa e sexual.

Como psicólogo, o que mais escuto na prática clínica são queixas sobre problemas na relação. As pessoas se dizem capturadas e não mais “cativadas”, se sentem prisioneiras e claro, níveis muito sutis de justificar e buscar uma causa pra essa situação, todo tipo de “encaixe” neurótico se estabelecem.
Basicamente, neurose se estabelece quando você para de falar a verdade para você mesmo sobre você mesmo, quando você mente pra si sem saber que está mentido. O sintoma que convoca a escuta é perceber a consequencias numa vida que perde a alegria e a graça de viver. Assim, o sentido mais simples da terapia seria encontrar o caminho da sua verdade ou como queiram, do seu desejo. Numa para a relação, encontrar como podemos fazer com o outro uma dança, uma dança que fica mais e mais bonita quando um sabe perceber a maestria com que homens e mulheres desempenhando papeis diferentes podem se harmonizar.
O mesmo se dá com relação ao sexo e aos relacionamentos, podemos ser muito desenvolvidos na nossa relação conosco mesmo, na nossa relação com nosso próprio ego, podemos ser até muito bons na relação com o divino transcendental, mas conseguir desenvolver maestria no campo dos relacionamentos íntimos parece ser uma dificuldade generalizada. Não temos ainda uma forma saudável e aceitável de viver a maravilha que é uma relação que inclua todas as outras dimensões na intimidade do amor e do sexo.
Assim, confio que é possível, se você já tem uma relação amorosa, inclua essa dimensão alquímica e transformadora e poderosa das práticas Tântricas. Faça sexo com o corpo, mas também com todos os outros corpos, com as emoções, com os pensamentos, com suas energias e até mesmo com a dimensão causal ou não-dual, ou seja um enamoramento radical da subjetividade com o objetividade e vice-versa.
Na relação somos assim: sujeito-objeto/objeto-sujeito/ sujeito-sujeito/ objeto-objeto/ Sujeito (8) subjetividade infinita……..~
Quem ama quando dois seres humanos se encontram senão a natureza que se encontra, o divino que se enamora. Tão comum é relacionarmos as imagens de Deus como uma relação amorosa, mas não conseguimos fazer o inverso, trazer o divino para a relação amorosa.

Certa vez perguntei a uma amante: como é ser vista como uma Deusa? Ela respondeu que era muito bom enquanto eu ria e chorava de êxtase. Ela me perguntou se eu sentia dor e lhe expliquei que era amor demais, mais do que eu conseguia suportar.
Se há amor demais, mais do que consegue suportar, distribua, sorria, cuide, faça comida, escreva textos, cuide da casa do corpo da mente e do espírito e esteja engajado tanto no céu quanto na terra, tanto com o sol como com a lua, tanto com yin quanto com o yang.
Tantra radicalmente quer dizer engajar-se com o mundo, perceber que Samsara é Nirvana e que Nirvana é Samsara que o uno e a diversidade são o mesmo.
Mas como tudo na vida demanda prática, então boa prática!
Antigos e Novos Mitos – Como o Passado Impede o Presente
19/08/09

Muitas influências que recebi nos últimos anos tinham como fonte o conhecimento tradicional mítico que afirmava que antes, na era de ouro é que sabíamos como viver, hoje em dia estamos todos degradados e não sabemos mais como viver em harmonia.
1- O livro do imperador amarelo afirma que vivíamos pouco porque perdemos o Dao e que na alta antiguidade os homens viviam 120 anos.
2- A bíblia afirma que o homem vivia no paraíso e as interpretações desse símbolo indicam uma queda do paraíso como conseqüência de um pecado original.
3- Os vedas falam da Kali Yuga, a era de trevas em que os Avatares e a virtude não habita mais entre os homens.
4- As culturas ameríndias viviam em um estado paradisíaco e de harmonia com a natureza que precisamos aprender com eles como viver nessa harmonia.
5- A homeopatia fala de um estado original perdido que é reconquistado ao se encontrar o similium e assim restaurar a saúde, o mesmo com os florais, cuja origem mítica vai até a Grécia antiga.
6- Conhecimentos esotéricos nos falam de civilizações anteriores muito mais desenvolvida espiritualmente e culturalmente.
7- Os maias por exemplo teriam sido um exemplo de uma grande cultura desenvolvida e que chegou a prever o fim do mundo!!!!
Não desconsidero o mérito de alguns indivíduos nessas culturas terem alcançado níveis altíssimos de entendimento espiritual e verdadeiros insights que ainda, na média da nossa cultura global atual, não conseguimos assimilar. Mas não podemos com isso achar que toads as pessoas na índia são iluminados, ou que cada chinês é um mestre de Tai Chi Chuan.
O Nei Jing, o Tao Te King, os Vedas, os místicos de todas as tradições não podem ser romanticamente confundidos com a médica cultural dos seus povos. Há 3000 anos na china a expectativa de vida, como na índia ou na América pré Colombiana não passava dos 35 anos.
Essa percepção equivocada dos mitos nos aponta para uma regressão tremenda e de equívocos que acompanhei e repeti muitas vezes e percebo muito comum nos romantismos pós-modernos.
Veja algumas das conclusões que decorrem dessas idéias:
Na china antiga é que se sabia realmente como praticar acupuntura.
Que o conhecimento espiritual antigo era muito mais autêntico do que o nosso.
Que os índios têm muito a nos ensinar sobre como organizar a sociedade e mais, como enfrentar os problemas ecológicos atuais.
Existem conhecimentos secretos perdidos para sempre e formulas mágicas de longevidade que só os mestres detêm.
Com o devido cuidado, pois de certa forma algumas considerações a esse respeito podem ser aproveitadas, o fato é que esses mitos nos impedem de viver o nosso tempo. Único e o mais valioso não só na história evolutiva da humanidade até hoje, como o único, como ensinam os mestres Zen, em que podemos viver e participar.
Se existe um grande momento na história, um ponto ômega para onde as consciências e os saberes se encontram, não estão no passado, mas no futuro.
Assim, por mais importante que seja se alimentar dessa cultura tradicional, ainda mais importante é trazer ao nosso tempo. E quando falo de nosso tempo não me refiro ao modelo hegemônico de cultura racionalista e de ciência monológica. Estou me apoiando no modelo integral, que considera ciência e hermenêutica, sujeito e objeto, eu, você e nós como instâncias a serem integradas de saberes e práticas. Também chamada de abordagem holística.
Psicologicamente, o mito da criança interior e tantos outros mitos regressivos são na cultura romântica um grande impasse para o crescimento. E aqui, todas as criticas não são re reprimir ou negar a existência desse movimento, mas de integrá-los para permitir que abram espaço para novas formas trans-racionais e não limitadas pelos mitos regressivos. Em suma, cultural e mítico não implica em transpessoal e espiritual.
* Esse texto ainda não passou por revisão.
Relacionamentos e evolução
17/08/09

ImagoDei – óleo sobre tela Mário Fialho
Relacionamentos, encontros foram na minha experiência sempre extremamente transformadores. Um analista junguiano certe vez, ao relatar a força de uma relação e a postura de uma parceira em terapia me afirmou: Que anima poderosa.
Ele se referia a função psíquica que Jung atribui como uma força integradora e transformadora em direação ao self no psiquismo feminino.
Realmente eu tive muitas experiências de amor a primeira vista, alguns duraram mais outros menos. Não quero entrar na discussão do que seria de fato esse amor a primeira vista. Se projeção da anima ou qualquer outro modelo neuroquímico que explique o amor.
O fato é que relacionamentos podem nos levar a suportar conteúdos inconscientes e transcendentes que não podemos ou não temos a coragem de suportar sozinho. E nesse sentido, a melhor coisa que pode nos acontecer é chegar ao fim de uma relação. E o motivo de celebrar o fim de uma relação ou um ciclo de crescimento é mesmo ter que lidar com o impacto dessa amplificação de consciência que uma relação nos deixa.
Claro, não são todas as relações que nos provocam isso, e falo principalmente da minha experiência, embora a própria vida de Jung seja um testemunho dessa questão.
Quando uma relação se desfaz, principalmente as que nos levam além de nós mesmos. Somos convocados a percorrer e integrar todos aqueles aspectos (projetado ou não) na relação que passou.
E muito comum hoje com tantos discursos feministas e machistas de um lado e de outro, encontrarmos uma possibilidade integral num relacionamento. Como em tantas outras áreas da vida estamos acelerando demais nosso crescimento e formas de contato para estabilizar algo por muito tempo.
Quando jovem estudante de direito, eu me imaginava correndo, estudando, passando num concurso e me estabilizando aos 30. Mas que desgraça é achar que a vida cresce para chegar a um platô aos 30 anos e fico feliz de ter vivido tantas intensidades afetivas que me movem sempre adiante e não me deixa parar. Que alegria poder reconhecer isso com a lucidez que me assalta agora.
Eu me sinto hoje em dia mais feliz e integrado do que em qualquer outro momento na minha vida e sou muito grato a todos os encontros e desencontros que tive, principalmente as despedidas abruptas que me convocaram ao encontro comigo mesmo ainda mais radical.
Claro, que como em qualquer crise podemos ter duas atitudes básicas: Ou nos tornarmos amargos e ressentidos, culpando narcisisticamente outros por tudo, ou podemos nos responsabilizar por todas as nossas escolhas. Eu prefiro a segunda opção, mas percebo que nem sempre se consegue.
Então, como um relacionamento evolutivo, o encontro clínico é assim também. Uma possibilidade de ir além de nós mesmos com ênfase, no caso da clínica que pratico, de assumir responsabilidade radical pela nossa existência.
Gaia e Evolução – Arrumando a Cama
14/08/09
Quando jovem, uma querida amiga, hoje, doutorada em história me disse a seguinte frase: Aquele que não arruma a própria cama não consegue arrumar o mundo. Essa frase foi como um dos estrondos pra os primeiros anos da adolescência. Primeiro porque a admirava muito na época, possivelmente quinta ou sexta série e até hoje é uma amiga muito querida. Segundo porque também não arrumava a minha cama, mas tinha um profundo sentido de que o mundo precisava de alguma arrumação. Eram nos dados temas de redação, desde que me entendo por alguém que escreve para “resolver os problemas do mundo”.
Até hoje vejo as crianças falando sobre aquecimento global e crise ambiental. Eu também era assim, escrevia sobre a paz e sobre como resolver os problemas do mundo. Que pena que não me ensinaram na juventude a sentar e meditar.
Eu segui na juventude envolvido com movimentos políticos e sociais, me formei em direito na UERJ e fiz parte de vários movimentos ecológicos, ONGs de toda a sorte. Estudei direito ambiental e fui filiado ao partido verde e ao partido dos trabalhadores. Era herdeiro da geração que trouxe para a política o palco da vida e acompanhava o final da história, muros, luta de classes, tudo aquilo que hoje não faz mais sentido na economia mundial e por isso se chamou o fim da história. Pelo menos essa história que tinha por “motiv” esse dialética.
Hoje, conversei com um amigo, desses que, como eu, esteve em cuba, militou nos movimentos estudantis e que continua militando na justiça do trabalho. Um outro amigo que acabou de ingressar na carreira de embaixador e com quem dividi muitas ótimas conversas nos bares ao redor da faculdade. Falavamos de Marcuse, Deleuse e Guatarri, Foulcaut, Habermas, todos os pós-estruturalistas sentavam-se no bar com Leonardo Boff e Francisco de Assis. Me lembro como num clarão dele me relatando que a vida estava mesmo pra ele clara entre o caminho da espiritualidade e o caminho do engajamento político. Isso o definia pra mim como irmão.
Mas embora minhas memórias, sonhos e reflexões não sejam bem o tema que quero tratar. Mas sim de ecologia, uso esses exemplos pra falar da dicotomia, da dissociação que vivemos entre Eros e Agape entre o engajamento ao múltiplo e ao uno, a não superação dos paradoxos da falta de entendimento mutuo no campo da noosfera que é o problema central, inclusive no que repercute na crise ecológica.
Recentemente assisti e fiz cópias d o filme Home, cujo torrent pode se baixado aqui e que está atualmente nos cinemas.
http://thepiratebay.org/torrent/4937894/HOME_-_O_Mundo_e_a_Nossa_Casa_TVRIP.XDROP
É um belíssimo filme que apena para a visão global que precisamos desenvolver. E nos dá vários dados sobre a crise ecológica.
Chegamos ao tema que foram o que me fizeram sair do direito para a psicologia clínica e para dar aulas como uma postura ética e livre que reforço aqui.
Os principais problemas que ameaçam Gaia não é a poluição, industrialização, cultivo excessivo, perda de qualidade do solo, superpopulação, buraco na camada de ozônio o maior problema é a incapacidade de nos entender. E isso não parece ser qualquer coisa simples de se resolver.
O problema não é como demonstrar em termos monologicos e com comprovações científicas que Gaia está em apuros. (radicalmente nós estamos). O problema não é a verdade ou que ela seja inconvenitente, mas ninguém parece perguntar o que faz com que seja inconveniente.
Enfim, o problema não é passar a arrumar a cama. Não é um problema exterior o problema real. Mas um problema interior. O problema nos termos apontados por Ken Wilber nos passos de desenvolvimento que passarmos de uma visão egocêntrica para sociocêntrica para uma consciência “mundocêntrica” a única forma para livremente nos engajarmos em soluções globais.
Mais uma vez, como fazer isso? Essa é a coisa mais difícil de todas, novamente o tema da evolução e de níveis de desenvolvimento, bem piagetianos em termos cognitivos ou mesmo axiológicos como na dinâmica da espiral. Como conseguir ver além de si, como ver o outro, como ver a coletividade, como ver a humanidade, como ver a vida em sua perspectiva.
Por mais que se ensine ecologia no ensino médio e nos falem que vivemos numa grande teia da vida com vários níveis de sucessões ecológicas. Por mais que o Green Peace nos tragam placas dizendo salve as baleias ou salve gaia. Essa visão exterior das coisas esse mundo de pesquisas não contribui em praticamente nada. Precisamos entender como internamente isso se processa nas complexas transformações psicológicas necessárias, o que não é uma coisa nada simples.
Assim como bem cedo na faculdade de direito percebi que não são as leis escritas que podem nos ajudar, mas compreender os sonhos, os desejos, o sentido e o desenvolvimento da vida que nos ultrapassa.
Outro dia caminhando na praia com uma outra amiga, conversávamos sobre algum desses dados, como uma crise de abastecimento de água nos próximos 10 anos e ela respondeu que nem pensa nisso. Claro que não, porque não saímos no nosso umbigo e isso não é uma questão qualquer, como fazer essa transição cognitiva?
Eu sigo então conspirando por níveis mais integrais de consciência a cada dia no consultório o nas salas de aula. Tenho ainda dificuldades de arrumar a cama como alertou a minha amiga. Mas aos poucos, sentando em silêncio e me dedicando a arte de escutar na clínica em psicologia vou percebendo a necessidade de permitir níveis mais amplos, generosos de manifestação do espírito-vida que nos atravessa.
Esse não foi um texto típico de um blog, uma mistura de impressões, confuso como anda nossa noosfera, mas deixo aí rastros para um leitor fazer o percurso em seu interior.




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