reflexões sobre a arte de fluir a vida
Artigos com o marcador alimentação
Orientação da Saúde – o que os orientais nos ensinam quem os nossos avós já sabiam
15/06/10
No dia-a-dia da prática clínica, ao se deparar com desequilibrios e desarmonias ao redor somos convocados a nos harmonizar a todo o momento. Uma emoção mais forte, uma alimentação incorreta, uma postura de yoga mal feita, uma palavra mal dita, tudo nos afeta.
Somos um mistério nessa harmonia entre o céu e a terra e temos muitas dimensões a que cuidar. Cuidamos do corpo, não tomando shakes e outras coisas sem vitalidade, mas tomando sucos de sementes germinadas, tomando vitaminas e bucando comer seguindo regras básicas como manter o seu prato colorido e comer grãos no almoço e raízes no jantar.
De onde vem essas sabedorias simples? Hoje, atendi uma cliente que ao perceber um severo desequilibrio nas suas águas lhe perguintei: quanto de água você bebe? A resposta foi, “um copo por dia no máximo.”
Parace um absurdo, mas não é, é justamente essa medicina profilática, do dia-a-dia, essas noções de higiene e de cuidado de si que nos deram os 30 anos de longevidade que a saúde pública nos ofertou. Não são as pilulas cada vez mais caras e mais potentes não são nossas classificações cada vez mais restritas do que eu tenho ou deixo de ter, impressionante a capacidade das pessoas inventarem novas doenças. Haja criatividade!
Tudo no mundo tem cura, tudo no mundo tem cuidado, até morrer curado é possível, na verdade, é preciso.
O que nos orienta a tradição oriental?
Toda a medicina chinesa, na sua relação com a alquimia taoísta indagava colocava o homem em busca da longevidade. Su Si Miao, um médico que ensinou muito, viveu mais de 100 anos, isso há centenas de anos atrás.
Hoje em dia, cada vez mais, quando já temos as principais doenças infeciciosas controladas, quanto mais e mais doenças auto-imune, frutos de estresse e de estilos de vida desequilibrados aparecem, mais e mais pessoas se encontram, não doentes, mas sem saúde.
A medicina chinesa, infelizmente está sendo vista como mais uma atividade curadora e não profilática, cada vez mais é vista para combater doenças e não para ter saúde. Tem muita gente não-doente, mas eu conheço poucas pessoas que tem saúde. Eu mesmo estou buscando a cada dia, porque é isso que é a saúde, uma busca diária, ser são, ser saudável é um projeto infinito para o qual nascemos.
E de quem é a responsabilidade pela saúde? Do médico, do especialista? Absurdo!!!
A responsabilidade pela saúde é de cada um de nós. Somos dados uma terra, um pedaço de mundo pra cultivar flores. Esses dias, alguém me disse: Você é muito sedutor, fala muito bem. Eu respondi “ a boca só fala do que o coração está cheio”.
O que está no seu coração que não te traz felicidades. Os seus pensamento, seus atos e suas atitudes são as mais amorosas possíveis? É possível perceber seu corpo, suas dores e se auto-massagear, se auto-curar. É possível acompanhar seus pensamentos numa meditação, sentir sua energia numa prática de qi gong, perceber que comida não é só carboidratos, proteínas e açucares, que existe uma qualidade energética no sabor, nas cores e nos texturas.
Somos o nosso livro de estudos, vamos virando a página pra descobrir a autoria.
E a orientação que podemos buscar com os antigos, não é diferente do que nossos avós faziam é cuidar, cuidar, cuidar. Essa atitude básica que estamos condenados a experimentar como nossa principal virtude e nossa principal forma de amar. Quem ainda não percebeu que é só isso que podemos fazer, que nascemos do cuidado e cuidamos da casa, da caixa de email, dos arquivos virtutuais, das palavras e também, fundamentalmente, cuidamos de si e cuidamos do outro.
Recentemente evoquei o evangelho, uma dessas palavras esquecidas pelos profissionais da saúde, que se estendem a todos. “Médico, cura-te a ti mesmo!”
Melhor seria, ser humano, cuida do seu jardim, cuida do seu coração, cuida do seu templo, cuida dos seus pensamentos.
Assim, podemos falar de viver. Da arte de viver, da arte de sorrir, da arte de se alegrar. Nem todo mundo está preparado, nem todo mundo suporta muito amor, nem todo mundo aguenta o mundo novo que se abre ao nosso olhar a cada instante.
Mas nosso corpo, sua idade que chega, os anos que passam, os sonhos que se realizam e os que ficam guardados pra sempre, tudo, tudo nos convoca cultivar.
Por isso, na tradição oriental, o saber nunca ficou muito afastado da linguagem popular, perceber a palidez da lingua, a fraqueza do no pulso, deveria ser uma relação direta com nossa capacidade de sentir a si mesmo e ao outro.
Para resgatar essa tradição, pra resgatar esse saber, eu proponho me encontrar, abrir espaços de encontros pra falar de saúde. Porque eu adoro acupuntura e medicina chinesa, mas gosto mesmo de ver as pessoas aprendendo a se cuidar, aprendendo a se iluminar, aprendendo a seguir seu coração ao invés de uma palavra que já não tem sentido.
Como incluir na prática clínica as noções chinesas de destino e de cultivo
06/10/09

Na prática o que é saúde? Saúde é uma ausência de sintomas gerado pela ingestão de antibióticos? Saúde é o que se consegue quando se luta contra o fator patológico, mesmo que ele seja um “vento perverso” ou qualquer manifestação de “xie qi”. (qi do mal)
Na prática, acupuntura pertence a um domínio difícil de praticar por que com toda razão ele contém muitas variáveis e quero apenas considerar duas que aparecem com freqüência nos textos chineses. A questão do cultivo da saúde e do destino.
“Um médico de excelência cuida dos sintomas antes dele aparecerem”
Ou seja, um terapeuta investe na saúde, na sua e das pessoas ao redor. A medicina chinesa é vasta e seu campo de atuação está entre duas dimensões importantes, o corpo grosseiro e o sutil, eles se interpenetram, mas não são a mesma coisa.
Assim, no caso a atuação sobre o campo sutil não podemos esquecer que faz toda a diferença a atitude mental, a capacidade de concentração, o Yi ou intenção do praticante na hora de inserir as agulhas. ( eu disse TODA A DIFERENÇA)
Um encontro clínico verdadeiro tem uma dimensão sagrada, pois se um encontro acontece, todos se curam, aprendem e seguem viagens mais confiantes. Eu gosto bastante de ler, mas meus professores na arte de curar são sempre os que me curaram: remédios, alimentos, amigos, agulhas, plantas, homeopatia e florais.
Funcionam pra mim e me colocam de volta no caminho. Essa noção de que as coisas têm um sentido, de que a vida tem alegria e de que o tratamento pode te ajudar a conquistar isso não é o mesmo que tratar um sintoma. E às vezes eu tenho a sensação de que essa dimensão da prática terapêutica com agulha e moxa é negligenciada em função de uma enormidade de técnicas, pontos e procedimentos analíticos.
Como psicólogo eu sei o quanto uma palavra pode curar, como acupunturista que observa as sincronicidades ao redor eu sei o quanto tudo está ligado a tudo e que minha atitude na hora de inserir os pontos tem que ser trans-racional , para além da razão. Isso é infelizmente confundido como pré-racional, para aquém da razão, como se tudo que não é racional ou melhor, analítico, não é método confiável.
Com toda certeza criticar os reflexos Nova Era na prática da acupuntura como em todas as outras áreas é muito importante, mas não dá pra jogar fora no mesmo balde os tesouros preciosos dos grandes sábios iluminados do passado que abriram um campo de eficácia clínica muito além das possibilidades de sistematização mental da prática clínica.
Claro que consolidar uma base analítica é fundamental, é preciso estudar muito, isso é importantíssimo, bases sólidas para analisar os casos clínicos é fundamental. Mas no campo sutil, bem como no campo físico, o terreno continua sendo tudo o veneno não é nada, tratar os fatores de adoecimento sem considerar o paciente, o terreno onde o “mal” se instala é um extremo estúpido quanto achar que não existem doenças, só pessoas doentes. Doenças existem, bem como pessoas doentes.
Pasteur morreu reconhecendo que não eram as bactérias e vírus a questão central na saúde, mas o terreno. Assim como sabemos que na prática da acupuntura e da saúde pública, cada vez mais se sabe sim da importância de prevenir e cuidar e nesse caso, as variáveis são realmente muitas.
Se pudermos descobrir novos marcadores somáticos ligados às síndromes energéticas chinesas vai ser ótimo, mas considerando o campo da nutrição, por exemplo, não conseguimos descobrir nada sobre o que faz bem ou faz mal e em geral nos alimentamos sem ter consciência do que fazemos.
O mesmo se dá com a prática da acupuntura orientada para o destino, Ming, cuidar não é apenas tratar sintomas, mas permitir que o sujeito encontre uma forma de viver mais saudável com o livre fluxo de qi de yin e yang. Essa posição em busca dessa condição essencial deve sempre orientar a prática clínica, por mais simples que possa parecer, não é.
Aí, entra uma questão fundamental. Se o terapeuta não faz nenhuma prática de cultivo. Se não cuida da sua saúde, se não percebe os seus desequilíbrios se não vive esse estilo de vida, como poderá perceber as desarmonias no outro. Apenas com análise racional de sinais e sintomas? Pra isso tem excelentes programas de computador, cada vez melhores!
Precisamos convocar então uma outra inteligência, que por falta de nome melhor, vou chamar de inteligência do destino ou do Dao, ou do caminho. A inteligência de quem se coloca num caminho de prática e pode sim transmitir aquela expressão do conhecimento tradicional que está para além dos livros, além da letra.
A letra não só é morta, mas também mata.
O espírito não só vivifica, mas também cuida da vida em geral.
Dedicado a todos os amigos da comunidade de acupuntura com quem sempre aprendo muito!
Aprender acupuntura e a integração das energias sutis
06/10/09

Comecei a praticar acupuntura em 2003 e quero partilhar um pouco do que aprendi com acupuntura na prática clínica e na vida.
Na minha vida pessoal aprendi que:
Todos os sinais e sintomas do seu organismo, mesmo afetivos e emocionais guardam uma correspondência com níveis sutis de energia que circulam pelo corpo.
Então se você está dormindo demais ou de menos, se está feliz demais ou de menos, tudo pode ter uma contraparte energética.
Aprendi que alimento é remédio e que fitoterápicos tem que ser administrados com MUITO CUIDADO, porque são muito fortes.
Aprendi que puncionar o F3 Tai Chong e IG 4 He Gu, de vez em quando não faz mal a ninguém e em geral te deixa mais feliz e mais “solto”.
Aprendi a ficar olhando minha língua todos os dias quando encontro um espelho na minha frente para acompanhar minha saúde interna.
Aprendi que existem sim harmonia e possibilidade de viver uma vida com alegria serenidade.
Aprendi que as técnicas de cultivo interna, meditação não são coisas simples e que provocam fortes alterações na fisiologia energética.
Que as energias sutis são bem reais e que podemos movê-las para cuidar de si e das pessoas.
Que é importante procurar um acupunturista competente para te tratar. Agulhar a si mesmo não tem o mesmo efeito do que o agulhamento por outra pessoa.
Na minha prática clínica com acupuntura
Aprendi que agulhas devem ser sempre levadas consigo, nunca se sabe quando alguém vai ter uma distensão, um enjôo ou uma dor de cabeça.
Que diagnóstico médico contrário ao tratamento não deve e não pode te impedir de tratar com as bases da medicina chinesa, ou seja, milagres acontecem.
Existem várias acupunturas e todas as escolas estão certas em algum ponto.
Que acupuntura algumas vezes não faz sentido. Ponto X resolve doença Y e “ponto”.
Agulhas pequenas e finas não fazem mal a ninguém e deixam em geral o paciente mais “receptivo” ao tratamento.
Que a intenção na hora do agulhamento é tão importante quanto a localização dos pontos.
Acupuntura não é tão difícil, mas como toda arte, demanda prática, estudo e dedicação, por mais talentoso que você seja.
Quanto melhor a sua saúde e qualidade energética, melhor a sua capacidade terapêutica.
Antes de aprender centenas de pontos é preciso realmente aprender os básicos de verdade, localização, agulhamento e deqi (perceber o qi).
Acupuntura chinesa” dói” muito mais que a japonesa, mas eu ainda acho que tratamentos de “choque” são mais eficazes.
Que a teoria dos cinco elementos não é tão importante, mas ao mesmo tempo pode ser o que te salva numa hora de sufoco. Estudar os clássicos é importante, mas mais importante é um bom estudo de cada paciente.
Que basta uma agulha no ponto certo para harmonizar todo um quadro clínico, mas que outras vezes 10 agulhas é pouco.
Ter uma prática de meditação, tai qi chuan e qi gong são fundamentais.
Alimentação Viva – Germinando Vida
25/09/09
A primeira vez que ouvi falar da alimentação viva foi com uma das pessoas hoje facilitadoras do processo lá do Terrapia, já são aproximadamente 10 anos, ela é uma das pioneiras e eu na época era vegetariano. No tempo que convivi com o pessoal do Sitio do Bicho Solto, um projeto de agroecologia em Teresópolis onde bebia suco verde todos os dias. Uma delícia!

Hoje em dia, em busca de uma alimentação integral, incluo vitaminas e suplementos protéicos na minha dieta, mas percebo os grandes benefícios de todos os dias, beber um suco verde em jejum pela manha, brotos e outros germinados também são maravilhosos. Em geral, o dia começa muito melhor!
Pela medicina chinesa, comer raízes e grãos é fundamental. Eu mesmo voltei a consumir carne anos atrás por perceber que só me alimentando de alimentos crus e “vivos” acabava acentuando meu vazio no meridiano do baço que na medicina chinesa tem a função de distribuir o qi (energia) dos alimentos pelo corpo. Mas apesar disso, nas pessoas que seguem a alimentação viva eu não percebo qualquer sinal de humidade ou de deficiência de baço, isso me impressiona muito.
Mesmo assim tanto a medicina chinesa como hoje em dia a maior parte das pessoas orientadas para alimentação percebem que consumir derivados de leite pode ser tornar um problema, bem como o consumo de açúcar, farinha branca e tantos outros elementos que certamente não nos fazem bem.
Mas, começando devagar, quero propor aos que lêem meu blog que experimentem fazer um suco verde. Vejam por exemplo uma matéria sobre alimentação que mostra as oficinas do Terrapia na Fiocruz aqui no Rio.
Para fazer o suco verde, é muito simples:
Lave duas ou três maçãs por pessoa, pique e bata no liquidificador com casca mas sem as sementes.
Você pode bater aos poucos e usar um pepino para ajudar a empurrar os pedaços de maçã.
Depois num voal você côa o suco de maçã separando o bagaço.
O suco de maçã é então batido com folhas de todo gênero: couve, rúcula, hortelã, salsinha, folha de brócolis e outros.
Bata em seguida com um punhado de grãos germinados que podem ser: trigo, lentilha, girassol , e outros.
A idéia de germinar é simples, deixe na água 24h e depois lave algumas vezes até aparecer um “nariz” branco na semente.
O suco é uma delícia e dá onda! Beber suco verde todos os dias muda a sua vida, sua relação com o alimento e causa uma enorme alegria intestinal. Limpa e fortalece o sangue e libera os desequilíbrios do fígado.
Eu tenho feito o suco verde, aliás, vou fazer um agora mesmo. Se você é de Niterói, entre em contato, pois indico uma nutricionista que pode te ajudar a incluir pratos da alimentação viva na sua dieta.
O suco pra quem entende, feito assim tem toda a combinação certa para enquilibrar seu intestino deixando as bactérias boas em ótimo estado e ajudando a trazer saúde e plenitude pra sua vida!
VIVA A ALIMENTAÇÃO VIVA!

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