reflexões sobre a arte de fluir a vida
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ACUPUNTURA E PARAGENÉTICA
30/01/12
ACUPUNTURA E PARAGENÉTICA
NADA É POR ACASO
Se considerarmos que o movimento do universo é fundamentalmente criativo. Que não existe um lugar, ou um tempo de acontecimentos que são palco desse movimento[i]. O próprio devir da vida e a emergência da variedade dos 10.000[ii] seres como se referiam os chineses. Ou seja, toda a pluralidade explosiva de viventes entre o céu e a terra traz consigo uma informação.
A essa informação de origem celestial os antigos chineses chamaram shén[iii]. Essa qualidade luminosa do espírito estabelece uma relação com a terra e sua fertilidade através da forma e da essência da forma que os antigos chineses chamaram jing.[iv]
Dessa união, entre memória na matéria ancestral que percorre todas as esferas genéticas e filogenéticas desde a formação dos prótons e elétrons e por toda a corrente de vida que se encontra e se transforma numa enorme dança criativa e evolutiva em todas as direções.[v]
A complexidade da simplicidade faz surgir a oportunidade da manifestação no mundo material do espírito criativo celeste, essa centelha de consciência que aprende, cria e recria ao mesmo tempo.
Mas como explicar a nossa condensação temporária de energia em matéria que cria, aprende e forma e novamente repete esse ciclo na luz dos planetas como viajantes do cosmos impulsionados pelo amor, compreensão e enredado nas tessituras de todo o universo.
“Cada um sabe com que linhas cose as próprias vestes.”[vi]
Jing mai em chinês refere a essa trama que não tem fim e que tecemos todos juntos.[vii] A harmonia da forma na relação com a energia e consciência é o que define a saúde, a vitalidade e a longevidade dessa manifestação.
No oriente essas redes luminosas e de vazios férteis se co-organizam umas as outras. Entre as tantas harmonias possíveis, há algumas mais curiosas. Esses 8 meridianos de reunião do qi original chamados também de maravilhosos marcam e recortam a forma humana.[viii] Desde a mórula embriológica, desde as tramas do código genético, desde as formas tetraédricas de sustentação bioquímica nos vamos atravessados de correntes e feixes de luz-informada,
Assim, nossos corpos são nossa autoria e nossa maior criação. Não recebemos um corpo geneticamente dado, interagimos na genética e paragenética o tempo todo. Dessa interação manifestamos as ressonâncias com as oitavas musicais ao nosso redor e dessas relações mais ou menos harmônicas fazem com que possamos ampliar ou diminuir a expressão do impulso criativo que repousamos juntos no fundamento da presença, assentamos.
É a partir dessa compreensão que podemos nos aproximar das reservas das nossas energias, beber do reservatório da vida para promover um realinhamento, uma afinação do nosso instrumento pelo qual sopramos a música que criamos e somamos a nossa nota única diante e perante o caminho.
Cada célula do nosso corpo traz toda essa informação, mas na composição de uma vida mais expressiva caminhamos da unicelular ao ecológicos e a grande teia da vida.
Sistemas entre sistemas, vidas, entre vidas, escolher entre as linhas de sangue *xue que percorrem de mãe para filhos ao longo de toda a experiênciia humana é uma casualidade?[ix]
Se não, o destino, ming,[x] tampouco se define de antemão, planejamos, damos forma mas principalmente testamos e experimentamos a nossa criação. Nosso corpo é enfim, nossa maior criação, escolher o momento, ter mais ou menos lucidez das condições necessárias para manifestar um veículo que cumpra as possibilidades do espírito é mais do que uma dádiva, é um impulso amoroso e radiante.
Cada doença que brota de uma desarmonia tem em si a semente da cura. Cada canto em desafino, tem em si o caminho da nota perfeita em um aperfeiçoamento constante, diário e permanente em cada pensamento, em cada energia que chega, em cada experiência que atraímos em cada evento que co-criamos.
Muito mais fácil será sermos saudáveis quando o mundo ao nosso redor estiver saudável, por isso, os que buscam em verdade a sua saúde ou a saúde do outro, não tem outra opção senão converter cada célula, cada linha, cada direção do seu corpo em uma rama que conecta o céu e a terra.
Daí ramos celestiais, daí troncos de luz, que fazem essa união de tudo que pode o espírito ver.[xi]
A luz que te habita é sua, faz dela brilho e amor em cada célula, cuida aceita e sorria, pois tudo está sendo filmado e o expectador é você.
Dedicado ao meu amigo pesquisador da paragenética Alexandre Carloni[xii] e que como as redes do universo, a nossa amizade possa seguir em frente em formais mais aprimoradas.
NOTAS:
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[i] Desde das proposições de Darwin que passamos a compreender e nos tornar auto-conscientes do processo evolutivo, fica mais e mais claro que a criação não é um “ops” um acaso, onde do nada temos tudo, mas um contínuo desenvolvimento que se dá tanto das num impulso de cima para baixo, de formas mais complexas para as menos complexas como das formas mais simples em direção as mais complexas. Wilber relaciona esse impulso do uno ao múltiplo chamando de ágape e de éros o impulso unificador in sex, ecology, spirituality – shambala, 2000. O palco do movimento se refere à dimensão de Ser e Tempo em que não há como relacionar um lugar ou um momento para o processo criativo, é no processo criativo que emergem o tempo e um lugar.
[ii] “O Tao deu origem ao Um, o Um ao Dois; o Dois produziu o Três que gerou os Dez Mil Seres” – a referência criativa na cosmologia chinesa indica o movimento criativo do uno ao mundo manifesto passando pelo tai ji, ou divisão entre yin-yang, a relação entre os dois, no três e enfim o mundo.
[iii] Shén – tem muitos sentidos na tradição oriental, para considerações gerais chamaremos de consciência . Shén tem origem celestial e tem brilho (bai) se se expressa no brilho dos olhos e da face, mas é também o mais yang, o mais luminoso dos aspectos da substâncias vitais chinesas. (jing, xue, qi, shen).
[iv] Jing é o mais yin o mais terreno e fértil aspecto das substâncias vitais, a semente potencial do impulso criativo, Se relaciona com a fertilidade, ancestralidade, longevidade e potencial de vida impresso no veículo físico de manifestação, diretamente ligado com a genética, cuja interação com o shén que o modela e aprimora ao longo da relação estabelecendo uma possibilidade paragenética. Por exemplo um dos irmãos muito diferentes em uma família que à partir daquela mesma “carga genética” operou uma manifestação muito diferente.
[v] Aqui é importante perceber que memória e matéria, ou seja a possibilidade de guardamos as memórias ou mesmo retomarmos memórias estão intimamente legados à qualidade da veículo de manifestação, no caso o soma, assim, recebemos memórias genéticas, filogenéticas e de toda a vida antes de nós em arquétipos e imagens culturais e coletivas, mas também trazemos as memórias das vidas anteriores no shén que evolui em méritos, virtudes e se aperfeiçoa em suas séries de existências.
[vi] A imagem das cordas está presente nas teorias mais modernas da física as “supercordas” ou mesmo na palavra karma que tem sua origem no ato de tecer. Na tradição chinesa jing que também se traduz como sutra, nessa referência à tessitura universal, à trama de relações, é usado para indicar os meridianos de acupuntura (jing mai). Essa trama de energias interage com todas as outras substâncias vitais, o sangue, o sopro, a essência e a consciência criativamente. Por isso o ditado que cada um sabe com que linhas cose, indica também uma atividade autoconsciente e evolutiva na atitude de tecer as tramas da vida. Quanto mais consciente desses nós, energéticos e sutis, mas escolha, liberdade e perícia adquiriram na arte de cuidar e de viver.
[vii] O que queremos chamar atenção é que não há apenas um destino, nosso destino é grupo-kármico, se relaciona com o destino de todos ao nosso redor, por isso, cuidar de si é cuidar do outro, cuidar do mundo é cuidar de si, o vínculo entre as redes de sentidos e tecidos que nos cercam são muito difíceis de compreender com nossa atual condição consciêncial, mas quanto mais evoluímos mais claro ficam esses vínculos e correlações.
[viii] Os 8 vasos maravilhosos guardam e circulam o yuan qi que é um reservatório da circulação das energias nos 12 canais, mas também formam as circulações extra-ordinárias, tanto a circulação celestial de Du e Ren mai, quanto os demais recortes que guardam vínculos com as primeiras divisões celulares e formações embriológicas. As formas dessas relações com os pontos de abertura podem ser estudados nas obras do professor Manaka.
[ix] O processo organizacional das múltiplas vidas passa pela mistura dos “sangues” no processo de maternagem e paternidade influindo também na mistura “das linhagem”, na formação dos mestiços e hibridizações, nas condições evolutivas e adaptativas que como rios que correm na árvore da vida, genealógica, possam transportar as condições mais purificadas e testadas para uma relação consciêncial no sistema familiar. (ver mais em terapia familiar sistêmica para compreender os vínculos e para-vínculos familiares).
[x] No clássico da fitoteapia, diz que se o médico superior ajuda o paciente a encontrar o seu destino. Essa seria então a finalidade última do tratamento, coloca-lo no seu caminho (dao) coloca-lo de volta no fluir da sua energia de acordo com a relação otimizada das suas substâncias vitais com o céu e com a terra. Assim, a programação existencial e completismo existencial são os maiores sinais de saúde.
[xi] Na medicina chinesa, o tempo e a dinâmica da energia celestial são fundamentais para compreender a teoria de canais e seus respectivos tratamentos. Há correspondências tanto no céu quanto na terra, e embora pareçam apenas abstrações metafísicas. Quando efetuamos tratramentos baseados nesses ritmos do céu e da terra, percebemos o qual eficazes são. Ou mesmo quando podemos ver e sentir com nossas parapercepções essas correntes de luz que se ligam à grandes centrais de energia ordenadora da vida.
[xii] A paragenética de outros mundos mais avançados que criam seus corpos, macrossomas a partir do seu paracorpo antes de encarnar ajudado sempre por outra consciência que lhe oferece novas experiências e cuidam para que as melhores e mais proveitosas oportunidades evolutivas sejam percebidas. Também chamado de sistema de transmigração da consciência contínua ao próprio avatar.
Acupuntura e os estágios de compaixão e de sabedoria no desenvolvimento e evolução
21/01/12
Acupuntura e os estágios de compaixão e de sabedoria no desenvolvimento e evolução
‘Você troca de roupa em dois minutos; leva-se uma existência inteira para trocar de coração’ Jean Yves Leloup
Na última década, um grande avanço no campo da psicologia foi a retomada da pesquisa de níveis de desenvolvimento moral nas pesquisas universitárias, de Maslow a Beck , temos cada vez mais ferramentas a ajudar a ler a realidade e compreender os pontos de vista e posições políticas na esfera pública e como posições antagônicas podem, tal como dizia Freud, fazer amizades de conveniência contra um inimigo comum. Principalmente hoje, em que as redes sociais dão voz aos que muitas vezes não chegaram ao nível de consciência que foi necessário para desenvolver as tecnologias que hoje todos fazemos uso. A ética geral da internet é colaborativa, democrática, participativa, aberta a links e mesmo autopoiética. O simples princípio de compartilhar ideias e informações demanda uma certa posição de transbordamento e não de escasses de uma economia da gratuidade e da generosidade que apropriada por pessoas de níveis de consciência aquém dos necessários para essa tecnologia em si existir. Quero dizer com isso que a maioria das pessoas ainda não concebe um mundo livre, igualitário, democrático, participativo e mais radical, grátis
O que de melhor temos na vida é a gratuidade, ela veio pra ficar e justo com ela a qualidade que se sobrepõe aos papeis da burocracia. O mundo civilizado já reconhece tudo isso, nós aqui no Brasil ainda estamos muito distantes desse patamar, mas para compreender como esse problema se cristaliza na prática vou abordar o tema no campo da acupuntura e no desenvolvimento dos valores dos seus praticantes, mas que poderia ser qualquer outro recorte.
Assim, podemos aplicar essa reflexão para identificar em nível estamos e como podemos evoluir em nos tornando mais lúcidos e compassivos, mais generoso, amorosos e também inteligentes que é basicamente a mesma coisa.
O universo da acupuntura é usado apenas como campo temático do que na verdade se reflete em todas as áreas da nossa vida, pois essas estruturas alteram tanto a nossa cognição (o que podemos compreender) quanto nossas pretensões de ação políticas e valores que nos motivam e com isso a consequência da prática.
O primeiro grupo é o de pessoas egocêntricas e belicosas (meme vermelhor)
Reflete-se naqueles que acham que bastam a si mesmo, que podem fazer o que quiser, que desrespeitam os outros e normalmente atacam suas próprias sombras da qual são completamente inconscientes. Imaginam que a acupuntura pode ser exercida por eles da forma que quiser e pouco importa as consequências para ele ou para seu grupo, ele faz o que quer e dane-se todo mundo. Inclusive seus pacientes. Todo mundo é ruim, só ele sabe, fez é foda e todo mundo mais não sabe nada. Já viram esse tipo por aí?
Participação política – não participa a não ser pra insuflar conflitos e pode se tornar extremamente violento quando enquadrado em suas motivações infantis.
O segundo grupo conservador e legalista (meme azul)
Este grupo embora mais avançado do que o anterior, acredita na força da lei, embora ache que a lei é aquela que protege os seus interesses apenas. Costuma não ler ou estudar a legislação brasileira que como no resto do mundo já está seguindo níveis mais avançados, mas está certo que tem o Direito ao seu lado. São os que acusam o outro e cometem normalmente crimes de injúria de difamação pelos quais já deveriam estar condenados. Normalmente comete abusos e censura idéias contrárias e ainda assim acredita que está certo. Suas posições de direita e conservadoras transparecem nas suas atitudes repressoras em nome da ordem (fascismo). Há um fundamentalismo de que exista uma única acupuntura correta e que deve ser aceita por todas (leia-se a sua própria). Embora consiga se organizar em grupo, não consegue pensar além dos interesses do seu conselho profissional, por exemplo, o grupo de fisioterapeutas acupunturistas, e se consideram pessoas muito importantes, embora não consigam adesão de pessoas de níveis mais evoluídos dentro do seu próprio meio e se sentem pessoalmente ofendidos quando as lideranças da fisioterapia decidem trocar a regra do jogo para uma perspectiva mais evoluída de prova de títulos aberta a todos os fisioterapeutas, caminho natural para todos os profissionais que querem títulos de especialista. Infelizmente no Brasil ainda temos muitas pessoas assim, elas normalmente tem visões religiosas muito carolas e se sentem os portadores da “verdade”. Elas buscam o papel colado na parede e não se importam muito com a qualidade da sua formação uma vez que já dispões de um título de especialista presumem que já não há nada a saber.
Participação política – tal como grupo religiosos, se aliam pelo medo, são contra-fóbicos e extremamente reativos, só pensam algo depois que alguém faz alguma coisa original, por isso estão sempre correndo atrás. Também se arrogam lideranças que não possuem numa clara perda de perspectiva. Saca desses candidatos a vereador que nem a própria mãe do sujeito vota nele? Pois é, conhecem alguém assim, se vê em algum momento nessa posição? Se sim, vamos em frente, há esperança.
Prática – gostam de decorar e seguir protocolos e regras rígidas, algumas vezes fazem misturas religiosas com acupuntura.
Terceiro grupo racional e científico (meme laranja)
Este grupo representa um avanço, pois entende que no mundo moderno há uma disputa que se dá pela qualidade do seu produto ao invés de apenas a qualidade do seu papel. Conseguem ultrapassar os interesses coorporativos quando a conjuntura parece oferecer uma oportunidade lucrativa, jogam no time que está ganhando, desde que o cash-flow não diminua. Esse grupo, embora mais avançado, acaba suprimindo as tradições de sabedoria que vem aliadas ao contexto e pratica da acupuntura tradicional, raramente praticam meditação ou qi gong, i ching e consideram tudo isso superstição. Na sua prática, vale mais a construção do conhecimento científico que no caso da acupuntura gera uma posição muito paradoxal pela grande quantidade de evidência mas praticamente nenhuma base científica que explique seus resultados. Mesmo assim, pela base racional (neocórtex) com que operam suas ações é possível estabelecer um diálogo desde que seus interesses financeiros e comerciais sejam atendidos. A legalidade é secundária, pois o dinheiro compra tudo e todos.
Atuação política – vaselina, querem ficar bem com todo mundo para atender à sua agenda financeira e expansionista. A graduação de acupuntura é mais uma oportunidade financeira do que uma agenda política. Se estamos ganhando dinheiro, porque mudar as regras?
Prática - estão alinhados com o crescimento da acupuntura na china moderna e as bases racionais da sua prática materialista e expansionista.
Quarto grupo pós-modernos pluralistas igualitários (meme verde)
Depois da maturidade, depois de ler os autores do nosso tempo, depois de anos de estudo refletindo sobre as consequências do saber de a política. Depois da possibilidade de um mundo open-source de que falávamos no início. Há um grupo que entende que a verdade é aquela constituída no seu tempo e lugar. Que o enquadramento que damos para o mundo muda e a acupuntura no Brasil é única e está só nascendo. Que há um espaço social de construção do saber e que há várias medicinas chinesas, várias racionalidades médicas, várias posições possíveis para uma posição mais abrangente que coloque na ordem do dia, não apenas os interesses econômicos, mas também o futuro da constituição deste saber. Conseguem pensar não apenas no momento, mas antever os problemas sociais e políticos de um erro histórico na constituição das lutas de classes mas estão abertos a debater com todos e esse seja talvez um grande erro. Estudam e percebem que há diversas formas de conciliar esse saber e se orientam por diretrizes como a da UNESCO e da OMS. Entes jurídicos transnacionais que refletem os avanços desse tipo de mentalidade nos países mais desenvolvidos em que o saber e a prática são compartilhadas e construídas com o interesse público.
Atuação política – extremamente capazez intelectualmente e poderiam facilmente exercer a liderança desse processo, mas não se veem motivados a ter que lidar com os níveis anteriores considerados intoxicantes e ignorantes (sofrem de narcisismo). Valores como uma acupuntura para todos, formações heterodoxas e pouca ou nenhuma ênfase na necessidade de um papel, a não ser que se trate de uma graduação de acupuntura, que serviria ao interesse de todos. Muitos se envolvem com o movimento sem fins lucrativos como o ENAPEA.
Prática – se interessam pelos aspectos mais sutis da prática, há não muito tempo atrás, antes da acupuntura moderna, só essas pessoas consideradas alternativas é que se interessavam por essa medicina mais ecológica e simples e solidária. Estudam as relações mais sutis da sabedoria pela prática e ouso dizer que por conta da sua visão mais abrangente conseguem os melhores resultados clínicos embora não se interessem por comprová-los. Nutrem certo desprezo pelo nível anterior e pelo modelo cientificista materialista e desqualificam as produções científicas.
Quinto grupo integral
Entendendo toda essa dinâmica de desenvolvimento, uma visão integral concilia atuação política com qualidade do ensino atendendo aos diversos níveis e facilitando o desenvolvimento moral, cognitivo, espiritual dos níveis anteriores. Entendendo que estão todos certos dentro da sua capacidade atual de desenvolvimento e que não há razão, ou compaixão que possa fazer com que cada um siga crescendo aos níveis seguintes de crescimento, há uma contemplação ativa, uma compressão lúcida e uma atuação sincera e uma esperança generosa;
‘Você troca de roupa em dois minutos; leva-se uma existência inteira para trocar de coração’ Jean Yves Leloup
Atuação política – tenta informar os outros níveis dos seus pontos cegos e facilitar o processo de desenvolvimento sem atrapalhar sua agenda pessoal de valores éticos de gratuidade e transmissão tanto da sabedoria quanto do saber deixado pelas tradições. Ciência, arte e moral podem ser conciliados a uma prática clínica, política, pedagógica e uma vida integrada que exemplifique esses princípios.
Prática – valorizam tanto ciência quanto tradição, tanto eficiência quanto responsabilidade.
Sexto grupo holístico e emergente
Neste grupo, a relação com o universo e com as energias da consciência, tanto celestiais quanto terrestres se torna uma realidade tangível e refletida. Em estados de fluir (flow state), não desprezam nem o conhecimento antigo nem o novo, dando ênfase ao que chega em sincronicidade, entende o processo de chegada de luz nova ao mundo e é capaz de atualizar esse saber na sua prática clínica. São extremamente intuitivos e alinham em tratamentos tanto as energias do paciente as suas como as do universo. São extremamente compassivos e raramente dedicam seu tempo a ações que não tenham grande abrangência no sentido de espalhar mais consciência e luz em todas as direções e para o maior número possível de pessoas, antevendo e sabendo que poucos são os que podem compreender essa perspectiva de ação mas que o caminho evolutivo dirigido pelo espírito e anima todos os seres e põe em marcha o desenvolvimento da vida.
Atuação política – raramente dedicam tempo e energia em embates com os níveis anteriores de motivação, mas podem ser vistos raramente em ações política e em momentos que conduzem a força e a energia certa no momento certo e na hora certa, se colocando de pé para sustentar uma visão mais acolhedora.
Prática – atuação multidimensional, holística no sentido de restaurar a saúde de em si mesmo no universo ao seu redor.
Para ajudar a refletir precisamos considerar que:
Não estamos em um único nível, somos todos faixas de um espectro de consciência que está em contínua evolução. Aos que estão em níveis mais avançados e percebem a contradição do mundo e do sofrimento por toda a parte em níveis anteriores que já foram percorridos, que nossa ação como terapeutas e clínicos seja sempre e mais de cuidar e de nos inclinar diante da inteligência maior que nos atravessa a todos nos estágios de desenvolvimento pessoal e coletivo.
Vamos em frente? Não há outro caminho, só o caminhar.
Mário Fialho
Bacharel em direito UERJ – Psicólogo UFF – Professor de Acupuntura Integral na Multiversidade
Vive encantado com a possibilidade da compreensão sincera que nos prepara para uma atuação viva, verdadeira nos fluxos do sopro pela grande VIDA.
Texto dedicado ao camarada Pedro Ivo que nos ilumina sempre com seus textos de acupuntura independente.
Acupuntura, tempo e destino – Ling Gui Ba Fa – arte dos oito métodos da tartaruga encantada
09/11/11
Quando paramos para ler os clássicos da acupuntura, boa parte do que se faz difícil de compreender é a sua relação com a temporalidade. O que é o tempo afinal? Ou melhor, o que é o tempo de afinar-se perguntaria o chinês?
Bem, no curso de psicologia e acupuntura ontem tivemos uma longa conversa sobre isso e certamente um dia estará tudo num livro, mas enquanto isso, peço sua gentileza para refletir comigo por algumas linhas sobre essas intuições tão poderosas do pensamento chinês.
“Do vazio original surgiu o tempo e o espaço”
Os textos taoístas podem trazer referências que traduzimos como se fossem evidente para nós ou seu significado simplesmente dado sobre o que seja a temporalidade. Assim, nas linhas seguintes, vou fazer algumas reflexões sobre o tempo na nossa própria tradição ocidental.
Os gregos por exemplo, tinham três temporalidades diferentes: uma se chamava kronos, isso mesmo, o Deus, saturno dos romanos, esse derivou o nosso tempo do cronômero, do crônico, do pesar e do decrepitude, mas os gregos sabiam bem que o tempo que marcamos está longe de ser o único tempo que… muito bem, talvez você já tenha intuído, o tempo que experimentamos, vivemos e sentimos.
Outro tempo, muito mais importante para nossa conversa é Kairós, o tempo oportuno, o tempo do acontecimento, o momento certo, o tempo favorável, o tempo eternizado no instante, tempo de presença tão raro nos dias de hoje.
Aliás, se tempo hoje é dinheiro, penso no quanto tempo perdemos na frente dos monitores, nos facebook ao invés de nos darmos conta do tempo de viver.
Mas o que isso tem a ver com acupuntura me perguntam alguns leitores furiosos que às vezes que vem aqui no blog buscar fórmulas de tratamentos e só encontram reflexões de uma pessoa sobre a vida no tempo. Calma, calma, a quem sabe espera as pérolas da sabedoria chinesa sempre chegam, os que tem pressa, que querem logo receber seu diploma, os que buscam cursos de final de semana, esses são como as sementes boas em terra ruim, não vingam, não florescem, porque não sabem esperar o tempo.
Em sua obra prima, Ser e Tempo, Heidegger, maior filósofo do século XX, nos ensinou que com o advento do cristianismo acabamos por impulsionar o temporalidade ao inverso, ou seja, esperamos o futuro melhor, as soluções que não temos, as tecnologias, as novas descobertas e também e principalmente uma vida melhor de redenção do mundo. Desde a idéia da chegada da “nova Jerusalém” a releitura new age do “calendário maia”, vivemos essa temporalidade pervertida que não honra suas raízes e tradições, que não aprende com a terra que nos cerca, que já não sabe em quais raízes buscar a cura para seus males, enfim, que não conhece o chão que pisa.
Se na tradição oriental e mesmo nas mais modernas teorias evolutivas nós somos o que existe entre o Céu e a Terra, poeira de estrelas, nascemos desta relação fundamental de duas forças, de dois Deuses (urano-céu e gaia-terra), de duas energias (yin-yang) e isso não é pouca coisa. Pare e contemplem as ordens celestes, os ciclos da lua, do sol, das estações, do dia e da noite, das horas, do tempo da batida do seu coração, do ritmo da vida e da circulação do qi pelos seu corpo. Aliás, não “pense”, no sentido metafísico do pensamento, viva, experiência, sinta, intua, conecte-se e perceba que há um relógio onde gravamos nossas experiência, onde consumimos nossos tesouros (shen, qi, jing) e com eles consumimos a vida na Vida.
Precisamos de tanto? Precisamos vender nossas horas de vida pelo dinheiro, precisamos ter mais do que precisamos, onde está o descompasso, onde estão as virtudes principais do taoísmo de compaixão, simplicidade e humildade? Eu que procuro e me pergunto, sinceramente todos os dias encontro difícil pois não somos muitos interessados em tudo isso.
Nos clássico de acupuntura, o tempo que está registrado no Nei Jing é o tempo circular, dos dias e noites, das estações e da lua. Tempo do femino e do masculino, num casamento raro de calendário solar com lunar.
Assim, o ritmo que se estabelece não é um ritmo qualquer os dias não tem nomes de generais (julho-agosto) mas refletem suas qualidades fundamentais que chegam até nós nos 6 meridianos unitários e nos 10 canais, ou 8 vasos. (12 veio depois)
E o que isso tem a ver com acupuntura? Bem, se víssemos ao lado de nossos pacientes quotidianamente e convivêssemos numa vida comunitária ia ser fácil perceber quando alguém está saído do ritmo da vida, quando está enfim adoecendo.
Tudo na acupuntura é tempo, tempo de permanência da agulha e inclusive o tempo mais “auspicioso” de agulhar. Hoje, em tempo em que ninguém mais tem tempo, não temos nenhum outro tempo senão o da nossa agenda, a do google e do celular onde ficam marcados os atendimentos e compromissos, exaustos depois de uma dia de trabalho e noites insones chegam à nossa porta em busca de reajustar o tempo. Difícil tarefa essa nossa hein? Isso senhores, sabemos, é causa de grande adoecimento.
Diz o clássico das perguntas simples
“Sedação se dá nos momentos em que a energia está em abundância, no momento em que a lua fica cheia, o momento em que o dia se torna quente, o momento em que o paciente se acalma a agulha deve ser inserida. No momento do paciente inala, se vira a agulha e quando o paciente inala uma segunda vez, a agulha é retirada lentamente no momento em que o
paciente expira.” (Su Wen)
Esses textos devem parecer estranhos, mas com o tempo percebemos os melhores tratamentos em acupuntura são paradoxais ao nossa forma causal de pensar o mundo. Aqui tratamos de relações e as correspondências e “co-emergências” e não de causas. Então fica simples ver como o extremo de um se encontra o com o outro, se transforma e converte. E que é a alquimia da acupuntura senão essa transformação de opostos.
Eu sei que essas ideias são muito simples, mas acupuntura é simples mesmo, mas demanda uma mente simples para apreciar e isso, caros amigos, é muito raro de cultivar.
Por isso tanta confusão por aí, não estranhe, a maior parte das gentes não vai mesmo aprender porque acha que já sabe, e eu só conheço bons acupunturistas quando são apaixonados por essa arte e dispõe de horas e horas e livros e livros além de uma vida dedicada a cuidar e viver em harmonia com esses princípios, por isso não há que se preocupar com a acupuntura no ritmo dos planos de saúde. Não é esse o tempo da vida, não é o tempo atento e disposto a escutar o momento oportuno. Sempre haverá boas receitas a seguir, na tradição dos mestres, e eu vou já ensinar uns truques, (para que esses não pensem que perderam seu tempo, rss, jamais) mas como toda boa arte, ela mesmo esconde seus tesouros de quem não pode entender, por isso não temo em ensinar, pois aprender não depende de mim, depende do coração aprendiz.
Apesar disso, me entristece quanta gente doente comparece querendo ganhar dinheiro com a acupuntura estética ao invés de tratar o sintoma evidente que isso representa: o medo do tempo e de uma vida mal vivida em que a essência madura não consegue colher seus frutos.
Depois do desabafo, voltemos ao Nei Jing
“Os dez troncos celestiais geram os 5 elementos,
que por sua vez geram três energias yin e três
energias yang. As três energias yin e os três
energias yang se combinam para gerar as seis energias de Céu,
seis energias da Terra, e seis energias do Homem.” (Su Wen)
Bom, não vou explicar tudo isso, vou apenas dizer que temos uma origem e uma conexão celestial, e isso na prática da acupuntura é absolutamente central (todo o sistema de meridianos deriva dessas idéias cosmológicas). Que temos ramificações no céu e nas estrelas que estamos enfim, estamos conectados com o tempo e com o movimento e do universo. Pode parecer filosofia, mas se trata de sabedoria que é outra história e toda a medicina chinesa e os modelos da vasos maravilhosos e canais unitários decorre dessa visão integradora que com o tempo foi aterrando e se modificando na história até os nossos dias, na busca dos neurotransmissores e ate de uma comprovação para os modelos tradicionais.
Quero então fazer um convite para que experimentem um tratamento baseado no tempo celeste, no tempo com o qual deveríamos todos estar conectados, no tempo em que cada um de nós deveria respirar, abrir-se e fechar, mudar, crescer e morrer com saúde.
O método da tartaruga mística, tartaruga sagrada, técnica como querem eu vou traduzir por arte dos oito métodos da tartaruga encantada, pois ela nos convida a isso, a um reencantamento do mundo, a uma visão de sincronicidade infinita com o universo e sim, como há evidências científicas para isso, e porque não? Cito também suas fontes científicas para os que acreditam que só que está no pubmed está no mundo. Já os que sabem que acupuntura científica é ficção científica, não precisam se dar ao trabalho.
O TRABALHO
Para perceber o ponto que está ativo você vai precisar só da longitude de onde mora, basta uma cidade próxima, ou se tiver um GPS.

1- Consiga a longitude (só a longitude) neste link
2- Insira a longitude e cheque a hora (por aqui estamos no horário de basília-buenos aires) neste site de calculos (tá em inglês, mas gente são os pontos de abertura dos 8 canais, se você não sabe isso, não tente fazer em casa sozinho).
3- Clique e gere um mapa de aberturas horárias (dê descontos de horário de verão)
4- Se você não sabe ou intui ou sente o que são ramos e troncos celestiais, use a sua intenção (yi) e faça o melhor possível, use em você primeiro o tratamento e abra-se para o mistério e reencantamento das energias do alto.
5- Ainda não convencido, leia o artigo do pubmed que mostra como essa técnica celestial é melhor que antidepressivos.
Os pontos da tartaruga mística ou encantada como prefiro, LingGuiBaFa estão na coluna da direita.
9 – 11 – 2011 – Pra quem está achando que vai se preparar para o novo tempo em 2012, aviso que a mudança só chega pra quem já mudou, seja a mudança que você quer ver no mundo e pare de espalhar miséria ao redor com esperanças de fim dos tempos. Os tempos terminam no instante do acontecimento, da cura e do encontro aí viveremos no agora.
Pra os que também oram ao tempo mais um presente.
curso de auriculoterapia avançado – rio de janeiro niterói
15/04/11
Curso avançado de auriculoterapia chinesa, inscrições abertas para turma que começa no dia 30 de abril, sábado, 9h na multversidade.com
pós-graduação de acupuntura não – precisamos de graduação de acupuntura
24/03/11
Sobre cursos e formação de acupuntura
A reflexão sobre cursos de acupuntura e sobre a formação é vasta porque somos herdeiros no estudo da acupuntura de milhares de anos de tradição. Só as artes plasticas talvez, encontremos uma validade para a arte rupestre em diálogo com a arte moderna, mesmo assim, fica muito difícil, para os entendedores da arte, ver os tantos caminhos de expressão artísticas dos povos ao longo da história.
Tal como um rio fecundo e vasto, a acupuntura tem muitos ramos, nasce de muitas fontes que se reunem, se separam e correm todos para o grande oceano das práticas terapeuticas, simplesmente, as formas de cuidado.
Assim, tento em mente que acupuntura deveriam ser consideradas as “acupunturas” como as diversas técnicas de agulha e moxa transmitidas ao longo da história do oriente e hoje, já falamos de uma história da acupuntura no ocidente, quiça no Brasil.
Se existem então tantas acupunturas como formar novos acupunturistas perante a vastidão de um território ainda completamente inexplorado pelas línguas ocidentais. Conderando que um número bem pequeno dos textos e registros sobre acupuntura traduzidos para linguas ocidentais. E mesmo os pouquíssimos ocidentais que se propuseram a aprender chinês, aprenderam a lingua moderna que é completamente diferente da línguagem clássica em que os textos foram escritos.
Posto isso, a vastidão de um saber que ao mesmo tempo é simples e imediato, intuitivo e prático, perante a pluralidade de escolas e epistemes que são muitas e na maioria das vezes contraditórias. Sim, acupuntura, como reflexo do pensamento chinês foi registrada em uma forma de pensar que não se preocupava com os paradoxos, com as contradições e com a generalizações. Assim, uma coisa pode ser, não ser, ser algumas vezes, depender da estação, da qualidade do praticante, da inclinação da agulha, do número de agulhas, da frequência enfim, de uma enormidade de variáveis que a vida e a dinâmica do saberes que a iluminam não fazem caber de forma simples. A base do pensamento chinês está na mutação, na transformação, na complemetariedade dos paradoxos, no fluxo do devir de cada forma que os mil seres toma no caminho.
Então para indagar sobre os cursos devemos indagar como ensinar acupuntura?
Essa resposta tem milhares de anos e parece muito simples. Torne-se discipulo de um mestre. A transmissão da medicina chinesa é feita a milhares de anos de forma familiar e extremamente fechada, principalmente na china. O conhecimento sempre foi elemento de poder e visava a sobrevivência da família. Tal como os artesãos medievais e suas guildas, os artesãos das artes de curar também degladiavam-se pelas técnicas mais acuradas e escondiam apenas para os mais fieis os seus segredos. Infelismente é assim, em parte, até hoje, faz parte da chamada “inveja” chinesa, esconder pra si o conhecimento. Por isso, encontrar um mestre não é sorte de todos.
Felizmente essa não é a única forma de aprender acupuntura, desde a abertura ao ocidente a padronização da MTC Medicina Tradicional Chinesa, muitos cursos receberam alunos ocidentais que seguem atualizando o conhecimento e o modo de produção científico dos saberes fez com a acupuntura se tornasse extremamente popular em praticamente todas as grandes cidades do mundo. Assim, podemos aprender essa acupuntura “padrão”, só que como todo padrão ele serve como forma do mínimo, e quem escolhe o que entrou ou o que ficou de fora desse “padrão”. Infelismente foram os burocratas do “capitalismo de estado chinês” (comunismo). Assim, em textos publicados na china lemos coisas como “yin e yang são reflexos do pensamento dialético primitivo”. Essa busca de “modernizar” a acupuntura fez com que sua visão moderna excluísse propositalmente todo o sentido espiritual e ético que acompanhavam a prática de milhares de anos.
Assim, a acupuntura que recebemos no brasil vem de traduções de terceira mão. Do chinês clássico para o chinês moderno materialista-histórico, dessa forma ao inglês e do inglês para o português. Não preciso dizer que traduzir noções do pensamento oriental ao ocidental é uma terafa de especilistas cinólogos, infelizmente nem as traduções do inglês aos português podemos confiar. A situação é grave.
Então se mestres não estão disponíveis, se a tradução que nos chega é mais do que uma traição é uma leitura totalmente ideologicamente comprometida. Como podemos ensinar e antes aprender acupuntura?
Será em cursos de de um ano, em cursos de dois anos, em cursos de três anos?
Não, como arte acupuntura nasce de uma práxis, um saber-fazer, um fazer-saber, uma relação direta entre o a prática clínica, o paciente e o terapeuta em diálogo com as práticas ancestrais.
E o que é preciso aos alunos, basta inteligência?
É verdade que acupuntura demanda memória, é muita informação que precisa ser levada em consideração, mas além da capacidade de abstrair tratamentos, padrões, fórmulas e aplicá-la ao “caso concreto”. Precisamos de tantas outras inteligências, como inteligência cinestésica, capaz de ter sinsibilidade para perceber os pontos, os pulsos na ponta dos dedos, de manipular as agulhas de forma adequada, de perceber as sutilezas dos pontos, dos canais. Pouco importa o conhecimento de anatomia, o corpo energético que a acupuntura trata é um corpo vivo, sempre interagindo e reagindo imediatamente ao tratamento, não é um corpo morto (redundância) a ser dissecado.
Além da sensibildiade nas “mãos” é preciso empatia, capacidade de compaixão pelos seres vivos e os nossos descaminhos. Fazer retornar ao caminho, retificar o qi, retificar o espírito com a verdade são todas tarefas que precisamos de uma intuição muito própria. Uma intuição e uma capacidade de “ver” que está presente ao longo de toda a tradição, não são mitos, mas são experiências que os mais dedicados conseguem perceber. Basta lembrar que grandes mestres de acupuntura foram e são cegos. O que ilustra o quanto precisamos aprender a desenvolver outros sentidos para resgatar os sentidos da saúde e da cura.
Assim, as virtudes do caminho são tantas e todas necessárias para uma prática, ou melhor para um cultivo.
Então, como aprender acupuntura?
As minhas recomendações depois de uma década estudando são simples. Primeiro manter o coração sempre pronto a aprender, nunca achar que o que aprendeu com seu professor é a verdade absoluta, isso nem sequer faz parte do pensamento chinês. Para o oriental, tudo “Ke yi” pode ser, pode ser por aqui, por alí, por lá, todos são caminhos abertos nas raízes e nos ramos das tradições.
Segundo, manter, a abertura para enteder que o pensamento ocidental embora padecendo da cegueira da monovisão científica tem tantas outras opções de diálogo de ensino e aprendizagem que não passam por essa forma de “produção de verdades”
Terceiro, praticar o que aprendeu antes de acumular mais técnicas do que você consegue digerir. Tantos e tantos mestres usam um, dois, ou três pontos nos seus tratamentos, praticar qi gong, tai chi chuan pode certamente ser um melhor investimento que fazer novos cursos como “novas técnicas”.
Quarto: Cuidado com os que dizem “vem por aqui” os religiosos dos seus saberes, segue o seu caminho buscando com coração aberto e generosidade, seus pacientes serão sempre os seus melhores professores.
E os cursos?
Procure os cursos não como cursos fechados, mas como cursos-caminhos, como um curso do rio, escolha um vasto suficiente para te levar a encontrar com tantos outros, para que não corra o risco de ficar isolado em solilóquio, falando pra si mesmo enquanto o mundo segue e novos e velhos caminhos se encontram.
E os cetificados?
Acupuntura hoje é livre, não demanda certifiado para ser praticada, preocupe-se com isso na hora certa, a sua segurança vai vir da confiança que advem da prática e dos seus pacientes. Se e quando a acupuntura for regulamentada, procure vários e estude pela vida inteira. Acupuntura é uma arte, tal como aprender um instrumento musical, dominar uma língua a ponto de escrever poesias e entender suas metáforas ou pintar um quadro.
Cada ponto, uma pincelada.
Sem retoques.
Mário Fialho
Acupunturista e professor de acupuntura no Instituto Multiversidade.com
Formado em Direito na UERJ, Psicologia na UFF
Formação Holística Integral – UNIPAZ
Acupuntura em risco e o risco da acupuntura!
01/03/11
Mário Fialho é acupunturista, professor do instituto multiversidade.com, psicólogo – universidade federal fluminense (uff) e bacharel em direito – universidade do estado do rio de janeiro (uerj)
Acupuntura recentemente foi reconhecida como patrimônio da humanidade. O que isso quer dizer? Na minha intuição, isso aponta para a importância que ela tem para todos os seres humanos, a humanidade, uma riqueza, um patrimônio de todos, pertencente portanto a todos, é internacionalmente reconhecida como um DIREITO DE TODOS.
A acupuntura se baseia em princípios simples e intuitivos partilhados por muitos povos antigos e presentes em todas as artes médicas, a uma noção fundamentalmente e sustentável dos recursos da vida, a capacidade da viva de regenerar. São os próprios recursos do corpo que convocados a encontrar “os caminhos” da cura pelos pontos de acupuntura resgatam sua informação “original” de saúde.
Na medicina ocidental esta ideia está presente no seu mito de fundação. As filhas de Esculápio, Panaceia e Higeia cada uma trazia uma cura diferente, uma nos afirmava que o remédio é a cura (panaceia), e a outra de que o próprio corpo tem os recursos de regenerar (higiene). A história da medicina no ocidente sempre foi uma relação dialética entre essas duas visões.
Mas por que acupuntura está em risco se ela é preventiva e quando trata usa os próprios recursos do corpo?
Acupuntura é tão simples e barata, utiliza apenas agulhas de metal (aço reciclável) e moxa (artemísia) que você pode até plantar, recursos plenamente renováveis como a própria energia humana.
Mas temos um problema sério, a verdadeira patologia, o capitalismo. Sim é preciso lembrar que vivemos num sistema de exclusão que classes hegemônicas se apropriam até dos saberes considerados patrimônio da humanidade!
Quando a saúde se torna cara, com procedimentos que não investem na promoção da saúde mas no tratamento de doenças, que se baseia em meios e produtos fruto de recursos finitos, que não podem ser garantidos para as próximas gerações; quando cada vez mais vamos na direção de uma saúde-consumo, educação-consumo, quando lógica da saúde virou uma ilógica estatística de seguro. Teremos um futuro para a simplicidade e a facilidade de acesso da acupuntura para todos?
Assim, a acupuntura está em risco porque um dos procedimentos mais seguros e amplos de saúde que já surgiu neste planeta mas que começa a ser apontado como perigoso.
É preciso nos perguntar:
Por que um procedimento tão simples e eficaz não é disseminado como uma prática popular?
Por que chegam aos consultórios de acupuntura apenas a mesma elite que sempre teve acesso aos melhores recursos médicos e informação?
Por que insistimos em modelos de especialização e técnico-ciência nas áreas da saúde quando sabemos que o que elevou em 30 anos a expectativa de vida das pessoas foram as práticas sanitárias e preventivas de higiene?
E porque o procedimento de saúde que está entre os mais seguros entre todas as práticas é apontado como perigoso?
Efeitos colaterais da acupuntura:
Na “bula” da acupuntura diz assim, em 00,2% de chance de ocorrer qualquer incidentes.
Esses incidentes, ou efeitos colaterais são: agulha difícil de tirar, pequenos hematomas, tonteira, alteração da pressão e por fim, o mais grave, um pneumotórax.
Fica fácil assim, quando comparado com outros procedimentos, ver que são estatisticamente nulos os riscos da acupuntura e na equação risco x benefício, fica fácil entender porque tanta gente, cada vez mais, em todos os países do mundo tem buscado acupuntura.
O verdadeiro perigo:
Cuidado então com os verdadeiros riscos da má informação, dos interesses econômicos por trás desses falsos alertas, daqueles que dizem que acupuntura praticada por leigos é perigosa, que acupuntura só deve ser praticada por médicos ou por profissionais de saúde. Do ponto de vista da informação, há milhares de anos que acupuntura é praticada por leigos, pois mesmo, o mais sábio da antiguidade não se compara com o nível de informação que um estudante de ensino médio recebe sobre saúde. E no que tange ao conhecimento da medicina tradicional oriental, somos todos leigos, sejamos médicos, psicólogos ou fisioterapeutas.
Roubo
Não seria novidade, mas é preciso denunciar, que isso seria mais um ROUBO do patrimônio que pertence a todos.
Visão
Por isso repetimos que precisamos de uma acupuntura popular, comunitária, acessível a todos e que todos possam aprender.
Algumas referências e dados:
O Instituto Nacional de Consenso sobre Saúde e Acupuntura (EUA).
Em 1997, o Instituto Nacional de Saúde emitiu uma declaração de consenso sobre a acupuntura, que disse, entre outras coisas:
“Uma das vantagens da acupuntura é que a incidência de efeitos adversos é substancialmente menor do que a de muitas drogas ou outros procedimentos médicos aceitos utilizados para as mesmas condições.”
“Essas condições dolorosas são frequentemente tratados com, entre outras coisas, os medicamentos anti-inflamatórios (aspirina, ibuprofeno, etc) ou com injeções de esteróides. Ambas as intervenções médicas têm um potencial para efeitos colaterais deletérios, mas ainda são largamente utilizados e são considerados aceitáveis tratamentos . As evidências que apóiam essas terapias não é melhor do que para a acupuntura.
99,8% da acupuntura é realizada sem significativos efeitos adversos; “Durante esses cinco anos, um total de 76 acupunturistas participaram do estudo, o número total de 55.291 tratamentos de acupuntura foi 64. O evento adverso mais freqüente foi a dificuldade em remover as agulhas após o tratamento, todos sem sequelas. O segundo evento adverso mais comum foi o desconforto, tontura, ou. transpiração, provavelmente devido à hipotensão transitória (diminuição da pressão arterial) associados com o tratamento de acupuntura.
Quando utilizando agulhas descartáveis e praticado por alunos que tiveram aulas sobre esses cuidados. Os resultados são de zero casos em 55.291.
Acupuntura livre – como aprender acupuntura?
21/02/11
Acupuntura livre – como aprender acupuntura?
O tema da acupuntura no Brasil tem três instâncias importantes a serem compreendidas. Uma primeira de ordem legal, que é a mais simples, mas ao mesmo tempo problemática no que tange a formação da opinião pública e a forma autocrática como os médicos, atuando em benefício próprio, mentem e enganam a população. A segunda é a natureza da prática da acupuntura no contexto do saber científico e dos dilemas da sua prática e saberes enquanto arte e saber tradicional. O terceiro tema são as formações e sua tarefa árdua.
I- Da ordem jurídica
Natureza da acupuntura: Sociologicamente podemos compreender a acupuntura como uma prática de promoção da saúde, prevenção e terapêutica, cuja prática não oferece, em termos estatísticos da organização mundial de saúde, riscos à saúde.
Juridicamente: A acupuntura é considerada no brasil uma ocupação, a importância de ter esse reconhecimento como ocupação é apenas de ordem tributária, para o recolhimento de imposto devido da atividade.
Princípio da legalidade: O artigo 5º,II da CF explicita o princípio, “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Isso quer dizer que enquanto não houver uma regulamentação que poderá restringir quem pode ou não fazer acupuntura no Brasil, todos os brasileiros e brasileiras podem praticar acupuntura livremente.
Especialidade: Especilidade é um reconhecimento de cada conselho de classe que pode ou não dar aos seus membros esse título, é uma regulamentação interna corporis e nada diz respeito ao cidadão comum, mas esses profissionais de saúde, que deveriam ser fiscalizados pelos seus conselhos, no exercício da sua atividade profissional regulamentada. Não são todos os conselhos que reconhecem o título de especialista, o de psicologia simplesmente autoriza a prática pelos seus profissionais no exercício das sua atividade como prática complementar.
Conselhos que reconhecem a prática dos seus membros: COFFITO (Fisioterapia e Terapia Ocupacional); CFM (medicina); COFEN (enfermagem); CFFa (fonoaudiologia); CFF (farmácia); CFP (psicologia); e CFBM (biomedicina). Isso não quer dizer que esses profissionais tenham, qualquer um deles, uma prevalência sobre os leigos, técnicos e outros que pratiquem acupuntura, simplesmente quer dizer que no exercício da sua profissão, podem fazê-lo.
Em resumo, quem pode fazer acupuntura no Brasil? Todos que se sintam capazes para tal, não é o estado ou sua instituição de ensino que lhe dá esse direito, no momento é um DIREITO DE TODOS.
Interesse público: É de interesse público a regulamentação da acupuntura? Pois é o interesse público que deve orientar o legislador na sua atividade. Não me parece que seja de interesse público por dois motivos: não há risco da prática, segundo a OMS, se a regulamentação viesse deveria visar assegurar a qualidade da formação, no sentido de garantir uma formação básica aos praticantes através de um exame de qualidicação.
Exame de qualificação: Embora advogados tenham que fazer prova para atuar no campo jurídico, ou seja protegendo o patrimônio da população a maior parte das vezes, ainda não ficou claro para a população a importância dos profissionais de saúde terem um mínimo exigido na sua formação. Faculdades particulares tem simplesmente vendido diplomas para todas as áreas da saúde como políticas claras de não reprovação de alunos-clientes.
II- Da questão epistemológica
Natureza do saber: A questão do conhecimento é ainda mais complexa, mas em linhas gerais, precisamos lembrar que o saber que orienta as práticas humanas em geral não fazem parte da formação da biomedicina, tratando de categorias e intuições que embora orientem a prática clínica, não podem ser cientificamente comprovadas. Ex. (qi, jing, shen).
Método científico: 99% dos saberes que orientam a prática da acupuntura tem raízes milenares, anteriores ao surgimento do método científico ou do pensamento cartesiano. Isso não quer dizer que esse saber não seja válido ou que haja evidências dos seus resultados, mas não sabemos “como funciona”. E as hipóteses atuais estão longe de explicar a abrangência da atuação da acupuntura.
Ciência médica: Medicina já foi considerada uma arte, hoje em dia o conhecimento reproduzível e testável laboratorialmente são hegemônicos e quase sempre os únicos reconhecidos. Assim sendo, sob orientação estrita da biomedicina na sua formação, deveriam médicos e outros profissionais da saúde trabalhar com acupuntura?
III – A formação em acupuntura
Aprendizagem tradicional: Muitas escolas de acupuntura, japonesa, coreana, chinesa e tantas ramificações são praticadas de forma familiar e ensinadas dentro de pequenos grupos. Essa forma, milenarmente testadas e legitimada é muitas vezes a melhor forma de aprender, mas infelizmente, raros são os que tem a sorte de uma formação dessa natureza.
Autodidatismo: Embora a prática da acupuntura tenha um componente arte, que se transmite com cuidado na ajuda de um profissional mais experiente, nada impede que você possa aprender e se auto-aducar em acupuntura. Até uma década atrás, existiam pouquíssimo livros em português e muitos aprenderam em livros por tentativa e erro e hoje são grandes profissionais.
Cursos livres: como o exercício da acupuntura é livre, existem cursos livres de formação, como o que ofereço.
Cursos de especialização lato sensu: A especialização não faz parte do Sistema Regular de Ensino no Brasil, não sendo avaliada pelos sistemas Capes e CNPq, mas pode, no caso do reconhecimento profissional do graduado, conceder-lhe o título de especialista.
Mestrados e doudorados: mesmo não tendo uma graduação em acupuntura ou medicina chinesa, existem diversas pessoas que seguem estudando o tema da acupuntura em nível de mestrado e doutorado.
Graduação: Apesar de ser a orientação da organização mundial de saúde, não temos ainda uma graduação de acupuntura ou medicina tradicional oriental no Brasil. Esse, entendemos é o caminho fértil para o aprofundamento e a pesquisa no futuro.
Atualmente: Temos formações boas e ruins de toda sorte, por isso o aluno deve buscar estudar sempre e buscar referências de profissionais que realmente sejam praticantes e qual foi a sua formação. Muita propaganda e muitos alunos não quer dizer que formação é boa por si só. Vivemos na era do marketing e embora não tenha abordado os aspectos comerciais da prática da acupuntura, para muitos ela se tornou a venda de certificados e de garantias, fomentando a insegurança e ignorância da população e até dos praticantes.
As questões que permanecem são:
Precisamos de uma regulamentação? Em que termos? Uma que limite a prática aos de nível superior? Aos médicos? Ou uma que oriente a população a assumir esses saberes tradicionais nos seus cuidados básicos da saúde e promoção social, como agentes de saúde, ”médicos de pés descalços”, terapeutas, técnicos, leigos, profissionais de todos os níveis incorporando a acupuntura como uma medicina do futuro, simples, barata, livre e PARA TODOS que queiram praticar e receber seus benefícios.
O que é acupuntura integral?
15/02/11
O que é acupuntura integral?
Acupuntura Integral é uma prática de acupuntura segundo uma visão integral. Por isso, precisamos apresentar o que é uma visão integral.
Visão integral é uma orientação que pode ser sintetizada em uma frase: “Está todo mundo certo.”. Só que as pessoas estão certas nos seus níveis de consciência e na sua capacidade de, em alcançando níveis de consciência mais elevados, assumir uma postura mais inclusiva na sua visão.
O que são níveis de consciência mais elevados?
Desde Piaget, sabemos bem que as crianças e adultos tem níveis de maturação do seu aparato psíquicos e cognitivo. Uma grande transformação de sua inteligência ocorre quando num determinado momento ela consegue ver a “perspectiva do outro”. Ou seja, apresentamos a ela um papel de um lado azul e do outro rosa, e ao perguntar que cor ela está vendo, ela, percebendo o azul, responde azul, e ao perguntar que cor está do outro lado – sendo vista apenas pelo entrevistador – ela responde rosa. Ou seja, ela conseguiu responder não sobre a cor que ela via, mas conseguiu incluir uma nova perspectiva. Essa capacidade de perceber novos pontos de vista, que se manifesta normalmente aos 4 anos de idade.
E como esse teste de Piaget nos ajuda a compreender a acupuntura integral?
Quando percebemos que todos os entendimentos parciais da acupuntura, seja a acupuntura médica ou científica, a acupuntura chinesa moderna MTC, a acupuntura taoísta, a acupuntura japonesa não são melhores ou piores que a outra. Na verdade cada uma privilegia uma forma de se aproximar do tema. Aliás, para compreender a acupuntura, precisamos de pronto, vê-la muito além de uma simples técnica de aplicação de agulhas em pontos.
Esse olhar que compreende a visão objetiva da ciência, a visão sociológica da acupuntura entre as racionalidades médicas, a acupuntura comunitária, os temas de ordem pública e legais no entendimento cooperativo das práticas e saberes, as visões fenomenológicas das práticas clínicas em geral, as leituras antropológicas e etnobotânicas, entender além que como tema de milhares de anos de história, a acupuntura sempre foi influenciada por budistas, taoístas e confuncionistas; curandeiros, médiuns e sacerdotes e hoje podemos dizer, com uma leitura cristã de como traduzimos a acupuntura moderna. Tudo isso, e muito mais, precisa ser considerado para uma visão mais ampla capaz de nos tornar menos duros nas nossas certezas e menos convictos dos nossos saberes reduzidos pela ciência.
Assim, a visão integral e uma acupuntura integral não é exatamente uma técnica mas uma atitude clínica de humildade e inclusão de todas as visõesm de todos os paradoxos. Uma visão integral nos faz ser capazes de reler os clássicos de acupuntura e sem os reducionismos que encontramos na literatura que busca comprovações empíricas e ceifa a acupuntura dos seus horizontes de sentido que lhes deram terreno fértil para crescer e se diversificar por dezenas de nações e centenas de diferentes e tantos e tantos mestres e suas linhagens.
A visão integral nos convoca a conciliar os paradoxos e com isso nos torna mais inteligentes por um lado, mas também mais compassivos na nossa capacidade incluir mais e mais entendimentos. Em chinês dizemos vem, vem, vem, acrescente! Lai, lai, lai!
Nesse campo, não há disputas por espaços entre especialismos, mas uma capacidade sistêmica de incluir todos os saberes parciais dos especialismos numa legítima visão integrada que o terreno fértil da tradição terapêutica que herdamos da dinastia Han onde a astronomia, a fitoterapia, o governo, a religião, as artes e a medicina compartilharam uma visão unificadora. Assim, muitos dos conceitos de uma área de saber eram transportados para outra numa busca de integração política e cultural.
Mas uma acupuntura integral depende fundamentalmente de um acupunturista com essa visão, que é um estado de desenvolvimento da consciência. De evolução, assim, as práticas integrativas de saúde que emergem da intuição desses indivíduos com essa visão integral são difíceis de serem entendidas por quem ainda pensa com um pensamento moderno e padece, como quase todos, de um olhar cartesiano e metafísico, tanto na compreensão como na linguagem. Apesar disso, precisamos estender nossas pontes de sentidos, abrir nossa mente para a compreensão mais do que a explicação.
E qual a expressão dessa compreensão? A partir de uma visão mais integrada, começamos a perceber que nossa filosofia, nossas teorias, nossas ideias precisam se converter não apenas em palavras mas em práticas congruentes. Que o que pensamos se torna o que fazemos e o que fazemos o que somos-no-mundo.
Assim, como diziam os antigos, os que sabem apenas a arte da medicina, não sabem medicina.
Uma acupuntura integral te convida e entrar no coração do “caminho”. A cultivar e a pratica qi gong, não para “curar” melhor seu paciente, mas para se “tornar a cura” para nossos pacientes, relembrando a célebre frase, “torne-se mudança que você quer ver no mundo” . Assim, nós transmitimos aos pacientes e lhes lembramos que não precisamos estar doentes, que não precisamos de um acupunturista pra sempre, que podem eles também, encontrar um espaço amplo de saúde sentando e meditando. (e não se preocupem, a tarefa é grande, não vão ficar sem pacientes os mais incautos
Por fim, uma acupuntura integral considera o homem nos seus aspecto biopsicossocial, mas também somático psíquico e noético, porque se os gregos nos deram tanto a dividir e classificar e catalogar e filosofar, os orientais nos lembram que tudo é um, tai yi, que os céus e as estrelas se refletem em pontos de luz nos corpos, que vales e rios correm em nossas veias, que as estrelas brilham em cantos do corpo e que tudo ressoa em busca de harmonia e evolução.
Wu wei, uma não-ação é a melhor ação, o bom combate e desviar-se e abrir-se para o claro e o escuro, para integração da luz e da sombra, do fogo e da água, céu e da terra.
Tudo muito antigo, tudo muito novo, assim é a acupuntura integral, que fundamentalmente informa uma prática integral de vida, uma atitude compassiva por todos os saberes parciais e principalmente por valorizar as perguntas e as incertezas mais do que as respostas que já temos.
Pra compartilhar e lembrar-me de tudo isso e muito mais que nascerá do encontro é que eu ofereço mais um curso em 2011 de acupuntura integral começando em 12 de março na multiversidade.
Maiores informações no site de em cursos de acupuntura da multiversidade
Diz o poeta em síntese
A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.Fernando Pessoa
Tratamento dor de cabeça pela MTC Medicina Tradicional Chinesa Acupuntura
12/02/11
Tratamento Dor de cabeça de acordo com a Medicina Tradicional Chinesa com Acupuntura
Padrões de desarmonia / Diagnóstico:
1. Vento Exterior / ataque frio
a) Manifestações Clínicas
- recentes, de curta duração.
- geralmente com cefaléia com rigidez occipital e na nuca.
- dor aguda lateral poderia indicar o Fogo do Fígado,
- dor aguda na frontal poderia indicar calor no estômago.
- umidade dor de cabeça fraca na testa com sensação de cabeça pesada.
- sal em excesso pode levar a dor de cabeça em toda a cabeça ou occipital.
- alimentos azedo pode afetar o fígado.
b. Pulso: flutuante e apertado (em corda) ou lento
Língua: desviada
c. Princípios de tratamento: Liberar o Exterior
d. Plano de Tratamento
- Principais pontos: P7, IG4, VG20, DU16, B10/13
- Apoio: DU20, ID3/B62, B60, 66/67 e DU8
Recomendações aos pacientes:
- Atenção ao que agrava o sintoma e gatilhos da dor.
2. Qi ou deficiência de Yang
a. Manifestações Clínicas
- Pior com a atividade e tempo frio.
- Geralmente pior durante o dia dor mais amena.
- Dores de cabeça crônicas frequentemente são devido à deficiência de Yang Qi ou umidade.
- Se dor de cabeça melhora com a alimentação, isso indica deficiência de Qi ou de sangue.
b. Pulse: Yang Deficiência: lento, fraco, vazio
Língua: pálida, inchada, cobertura molhada e grande
Pulso: Qi Deficiência: vazio, fraco
Língua: fino e / ou estreitos, flácida ou mole
c. Princípios de tratamento: tonificar o Qi e o Yang
d. Plano de Tratamento
Pontos de tratamento para Deficiência de Yang: VC4, DU4 (moxa), DU20, E12, DU14, R7
Pontos de tratamento para Deficiência de Qi : BP6, E36, CV6, 12, B20, 23, CV17, Pontos Fonte
3. Yin ou deficiência de sangue
a. Manifestações Clínicas:
- Pior ao anoitecer ou de madrugada
- Geralmente uma dor mais branda
- Pode piorar com a atividade e melhorar com o repouso, se for deficiencia de sangue
- Se melhora com a alimentação, isso indica deficiência de Qi ou deficiência de sangue.
- Se piora no final da menstruação pode indicar deficiência de sangue
- Pressão no local da dor é agradável
b. Pulse: Deficiência de sangue: fraco, fino, irregular
Língua: pálida seca, camada fina, flácida ou mole
Pulso: Deficiência de Yin: vazio, rápido
Língua: rachaduras horizontais ou geográfica, seca, fina, estreita
c. Princípios de tratamento: tonificar sangue e nutrir o yin
d. Plano de Tratamento
- tonificar o sangue: BP4, 6,10, E36, R6, VC4, F8
- Deficiência de Yin: BP6, R6, VC3 ou 4, Pontos Shu
4. Deficiência de Qi e do Sangue
a. A manifestação clínica
- Dor de cabeça duradoura
- Tonturas
- Visão embaçada
- Lassitude
- Rosto sem brilho
- Dor aliviada pelo calor e agravada pelo frio
- Piora com excesso de esforço
- Melhor com descanso
b. pulso: fraco
Língua: pálida, camada branca fina
c. Princípios de tratamento: tonificar o Qi e nutrir o sangue, fazer com que o qi puro ascenda
d. Plano de Tratamento: DU20, VC6, B18, 20, 23, E36
5. Estagnação do sangue
a. Manifestações Clínicas
- Dor aguda como em facada e fixa.
- Dor piora durante a menstruação
b. Pulso: áspero, duro
Língua: azulada ou roxa manchas roxas
c. Princípios de tratamento: Revigorar o sangue / resolver a estase
d. Plano de Tratamento: BP6/10, IG4, B17, R3, E36
6. Umidade ou Fleuma obstruindo a cabeça
a. Manifestações Clínicas
-Peso na cabeça
- Piora em tempo úmido
- Dificuldade em se concentrar e pensar especialmente no período da manhã
- Piora ainda quando deitado
- A umidade pode levar a dores de cabeça crônicas.
b. Pulso: deslizante
Língua: deslizante e com cobertura gordurosa
c. Princípio de Tratamento: Transformar, dissolver ou expelir a fleuma
d. Plano de Tratamento: BP9, E28, 40, B20, 21, 39, VC3, 6, 9, 12
7. Retenção de Fleuma e Umidade
a. Manifestações Clínicas
- Dor de cabeça com tontura ou sensação de peso e de “névoa” na cabeça.
- Sensação sufocante no peito
- Distensão epigástrica
- Falta de apetite
- Náuseas
- Vômito de catarro e saliva
- Fezes soltas
b. Pulso: deslizante
Língua: branca, oleosa, camada espessa
c. Tratamento Princípio: dissolver o catarro (fleuma), descer o Qi turva e aliviar a dor
d. Plano de Tratamento: VC12, E36, E40, IG4, DU20, Yintang
8. Ascenção do Yang do Fígado ou Fogo do Fígado
a. Manifestações Clínicas
- Dor de cabeça
- Visão turva
- Dor severa nas laterais ou de um lado da cabeça
- Rubor facial
- Início recorrentes
- Resulta frequentemente em alteração emocional
- Irritabilidade ou agitação
- Gosto amargo na boca
- zumbido, insônia = deficiência de Yin
- Dor de cabeça crônica com rigidez no pescoço e ombros
- Pode ser pior à noite (devido à deficiência de yin subjacente)
- Piora ainda com o calor e pode melhorar (temporariamente) com bolsa de gelo
- Piora com a raiva e também quando, relaxamento ou excitação súbidos
- Se melhorar com a atividade sexual, isso indica fogo do fígado
- Se a dor de cabeça apresenta no início da menstruação, é geralmente do Yang do Fígado Rising
- Se dor piora durante o período pode ser o Fogo do Fígado.
b. Pulso: cheio, em corda, rápido
Língua: vermelha, especialmente nos lados, cobertura amarela
Princípios de Tratamento: acalmar o fígado, controlar o yang
d. Plano de Tratamento: F2, 3, IG4, VB20, F14
Combinações de pontos:
Dor de cabeça Occipital (Tai Yang) : VB20, B60, ID3, B10,
Dor de cabeça Frontal (Yang Ming) : E8, Yintang, DU23, IG4, E44, VB14
Dor de cabeça Temporal (Shao Yang) : Taiyang, VB8, TA5, VB41
Dor de cabeça Parietal (TAI / Jue Yin Yang) : DU20, ID3, B67, F3
Fontes:
1. Os Fundamentos da Medicina Chinesa, Giovanni Maciocia
2. A Prática da Medicina Chinesa, Giovanni Maciocia
Tratamentos com acupuntura 2010
07/12/10
Sei que o ano ainda não acabou, mas estou com vontade de deixar aqui o registro dos tratamentos com acupuntura mais interessantes que acompanhei este ano. O critério de seleção é simplesmente a singularidade e complexidade dos casos, maior número de sintomas.
01-Paciente A
Mulher com sobrepeso, consumindo muitos doces, insônia, fumante, dor nas articulações do ombro e do quadril. Tratamento, entre outros, restaurar o qi do estômago.
Resultado: resolveu todas as dores, insônia e emagreceu 10kg em 10 sessões. (não se enganem, eu também me surpreendi, a paciente só fez acupuntura não fez atividade física).
02-Paciente H
Homem com dor e dormência no braço com radiografias e sugestão de cirurgia em razão de um pinçamento na cervical.
Resultado: 3 sessões e não sentiu mais qualquer dor, voltou outras vezes porque a dormência nos dedos retornou, mais duas sessões e resolveu.
03-Paciente L
Mulher com pólipo intestinal e profundas dores na região abdominal.
Resultado: dores e pólipo desapareceram.
04-Paciente T
Mulher, hipertensão, insônia, dor nos olhos, no ombro, nas costas, pouco desejo sexual, angustia, dor no peito, prisão de ventre, TPM entre outros sintomas e estresse.
Resultado: Em 10 sessõe resolveu todas as dores e angústia resolvendo inclusive a falta de desejo sexual.
05-Paciente M
Homem, paciente com histórico de câncer, enorme tensão nas costas e comportamento violento.
Resultado: Teve um profunda mudança de vida nos aspectos emocionais e afetivos, melhorou das dores e resgatou a alegria de viver.
06-Paciente V
Dor nos olhos, dor nos ombros, irritado, range os dentes, angústia, mal-estar, vista embaçada, aftas, dores abdominais, rinite alérgica, insônia.
Resultado: melhorou de todos os sintomas e se sente uma “pessoa Zen”.
Fico feliz de deixar esse registro de alguns casos clínicos deste ano, a lógica dos tratamentos muitas vezes são complexas demais para explicar aqui, mas fica a alegria de compartilhar este estar junto dos pacientes que é uma arte infinita, transmitida há milhares de geração, que eu reverencio toda vez pego uma agulha para colocar o universo em ordem para aquele paciente.









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