precisamos de acupunturistas?

O título correto deste artigo é: PORQUE NÃO PRECISAMOS DE ACUPUNTURISTAS

Há 20 anos atrás, quando comecei a praticar acupuntura eu fui super defensor da regulamentação da acupuntura. Na época, eu era um estudante de Direito que se convertia em psicólogo e acupunturista, ainda não tinha cursado farmácia ou tinha tido experiência suficiente para conhecer as maravilhas dessa arte.

Hoje, tenho a clareza que acupuntura não oferece nenhum risco ao praticante ou ao que recebe o tratamento, desde de que agulhas descartáveis sejam usadas, o risco é estatisticamente zero. E é bom estudarmos essa estatística porque ela é mundial e desenhada pela OMS.

Então, se não há risco, qual o benefício da regulamentação da acupuntura? Em níveis mais primitivos da consciência, o cérebro se movimenta por dois motivos: medo ou ganho pessoal.

acupunturista

O MEDO VEM ANTES: o principal medo do acupunturista, e era um medo justificável até o veto da Dilma ao projeto de lei que regulamentou a ação dos médicos, era se inserir agulha em alguém seria considerado um ato médico. Bom, muito mais sério para o tatuador do que para o acupunturista, mas mesmo assim, a declaração da presidenta Dilma foi bem clara durante o veto.

Mesmo assim, toda hora vemos notícias desinformando a população, mentindo para a população, dizendo que acupuntura pode ser praticada só por médicos.

Eu defendo que acupuntura não deveria ser especialidade médica porque não tem fundamentação científica, nem comprovação, nem modelo na física que a explique. Então, não sendo ciência objetivamente e estatisticamente validada, simplesmente não deveria ser especialidade médica. Se você é médico, deve concordar com isso porque sua formação foi destinada a trabalhar com doenças fundamentadas em discursos de validade científicos. Pelo menos é esse o discurso.

Além disso,  o próprio medo é o que assusta a população, achando que pelo fato do médico ser o único a diagnosticar doença, que só ele tem a prerrogativa do tratamento. Isso também caiu no ato médico, mas nem precisava, acupuntura não trata doenças (isso é trabalho dos médicos), mas sim cuida da saúde, como medicina de base vitalista, cuida de potencializar a saúde e o Qi, isso é trabalho de todo ser humano.

O GANHO PESSOAL VEM EM SEGUIDA: o segundo motivo para a regulamentação da acupuntura é poder dizer quem é o acupunturista, quem pode ser o acupunturista e aí entram os outros cursos de especilização dizendo que só pode ser acupunturista quem tiver curso de formação na área. Aí, usando o mesmo valor dos médicos, lutam por exclusividade no mercado se separando dos terapeutas em geral, dos naturopatas e tantos outros praticantes pelo país. Cain mantando Abel, briga de irmãos.

Eu tenho uma posição que considero mais honesta por vários motivos, que é:

ACUPUNTURA É UMA PRÁTICA TRADICIONAL PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE ENTÃO SIMPLESMENTE PODE SER PRATICADA POR TODOS

Esse é um argumento jurídico. Não existe nada que impeça qualquer pessoa de praticar acupuntura. Por isso é uma prática livre. Lei apenas restringe direitos, lei não oferece um direito novo. Assim, a tentativa de regulamentar acupuntura sempre será uma restrição ao praticante e à população em geral. O que afronta o entendimento da OMS.

Mas não  deveríamos ter graduações e outros incentivos à pesquisa no campo das terapias alternativas em geral? Claro que sim, mas não é preciso regulamentação, isso a medicina já sabia, por isso o ato médico levou tanto tempo para ser regulamentado. Pois agora, o médico trata doenças e quem diz o que ele pode ou não fazer em cada caso é sua especialidade. Está um verdadeiro fratricídio de especialistas, de novo, soubessem os médicos com clareza como o direito funciona, nunca teriam defendido a lei do ato médico.

Como estudei direito na UERJ, uma das melhores faculdades do país, e tive aula com grande juristas como o Ministro Luiz Roberto Barroso (STF) e Gustavo Tepedino, e tenho clareza desses aspectos mais filosóficos da lei, fica mais fácil compreender isso

A grande maioria, que não recebeu informações sobre a lei brasileira, simplesmente reage por medo, com uma mentalidade de rebanho. Veja, quando for discutir esse assunto, se suas adrenais começarem a se ativar, se a energia começar a descer, você sabe que estará agindo como um animal ameaçado e não um ser humano. É um réptil dentro de você que está falando.

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Outro argumento muito importante é:

ESTAMOS CAMINHANDO PARA UM MUNDO DE INFORMAÇÃO, ONDE CADA VEZ MAIS AS PESSOAS SE TORNAM RESPONSÁVEIS POR SUA SAÚDE. É ESSE O ENTENDIMENTO DA ATENÇÃO BÁSICA, O “DOUTOR” VOLTA A SER UM PROFESSOR DO VIVER.

Por esses motivos, você deveria se preocupar com informar-se e informar bem os seus clientes, escrever, publicar, republicar e defender a acupuntura para todos.

Se quiser se destacar, que não seja no mercado. Não faça da acupuntura um mercado, faça dela uma ferramenta de transformação de saúde, que já é um PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE perante a legislação das NAÇÕES UNIDAS. Façamos dela então um verdadeiro patrimônio que todos podemos incorporar, inclusive todos os profissionais de saúde. Mas também qualquer do povo, para que no futuro, tenhamos uma sociedade mais saudável e livre das verdadeiras doenças, não listadas no DSM, entre elas, tratadas pela medicina chinesa, o medo, a ansiedade, o egoísmo e desconexão da grande VIDA.

Que os ventos do Sopro da vida te levem em direção ao seu destino. O da acupuntura, apesar de todos os gritos de terror, raiva de todos que ficam lutando e esbravejando, será para todos pois o mundo já reconheceu assim. Basta a nós, pioneiros de uma outra medicina alternativa, que nos reserva o futuro cada vez mais próximo, nos colocarmos à serviço do destino para que como patrimônio de todos, possa servir a todos como deve ser e será.

Servir ao povo como dizia o velho axioma maoísta. Esse é o caminho do verdadeiro acupunturista.

About The Author

Mario Fialho

Mário Fialho é pai do Miguel Luz, professor na multiversidade, clínica e escola em Niterói. Vive dedicado a escrever, ensinar e a cuidar de tudo que é bom, belo e verdadeiro com simplicidade. E agradece a sua visita.

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