MINHA PRÁTICA DE VIDA INTEGRAL
reflexões sobre a arte de fluir a vida
reflexões sobre a arte de fluir a vida
24/06/10
A MENTE HUMANA É CHEIA DE TRAVAS, TRAFARES E TRAFORES, PRA QUEM NÃO SABE O QUE É ISSO BASTA CONSULTAR O LEXICOM DA CONCIENCIOLOGIA.
Ainda assim, resta uma comunicação mais simples e muito mais eficiente a telepátia intatanemente entre todas as pessoas do mundo. Claro que transplantar idéias de uma lingua mãe para outra nem sempre é fácil, ser expatriado e aceitar jesus em inglês, rezar pra shiva em em portugues, comungar em frances la ostiá e cantar pra al[ém ém muito menos simples doque deveria ser falar simplesmente a relação natural do amario, a linguagem doo “amor” sim qq dictionario ou ci dien, como se diz em han yu, ou mandalinh.
Essstexto recebe o tac: em transideralizações
Assim em contas as considerações existente entre sirius e óriam, não há mais o que serdito senão o que já foi dito antes e está tudo registrado nas clínicas de drogas de sais em rio e julujuba.
Mas como falar o que não se pode compreender ainda, como dizer uma lingua que ainda não foi invetnaada, como ventinar idéias que estão por ser criadas, como influenciar uma nação sem manifestação. Apenas fazendo um papel de palhaço, apenas descobrindo o meu palhaço interior.
Assim, no curso de palhaçco que fiz certa vez, aprendi que o meu nariz quem mando sou eu. Que em falar marl ser falarmal, se fornormal, seforma o maal, que tem que ser, sem se será, sem sinerinar, na sernar idade.
Assim sendo, e isto posto, caminhar pelas ruas da cidade com calça azul tailandeza ou ser confundido com um mestre tibetando na loja da esquina não é incomum. Sõ que accontece naturalmente sem se ligar em TV ou intermediar qualquer outra coisas, além de ser ser o que poder se ser em sendo feliz, simplesmente assim. Mário.
Outrosim, é preciso dizer que em falando das linguas, já estão todos aluncinados ipnoitimenta pelas imagens 3D de avatar, pelas mensagens supliminares das músicas e das cantigas de todos os tempos.
A minha can~c”o primeira é éssa, a cantiga de nintar…
A cantinga de mininar…
Eu sei que muitas vezes eu me acho, até o forró que frequanto é o forró praraXAXAR que acontecer no forró do convérs de bêbado sem qualquer gota a não ser do sereno ou dorvalho.
Pouco inporta saber de onde eu vim, eu sei de onde vim e sei pra onde vou. Não sou sereia ou pexie de marfim, nem sou merlim ou outro personagem qualquer. Quem quiser me conhecer, basta vir me conversar. Conversar simplesmente olho a olho, cara a cara, sem pestanejar, sem se ludibriar pelo rencanto alheio.
Merma sim, vamose revisitando, estou aberto aos amigos que queiro se reuniri para encantarmento do mundo inteiro. A transformação da lzuz em amore, e glória e simplória vindaladas es trelas.
15/06/10
No dia-a-dia da prática clínica, ao se deparar com desequilibrios e desarmonias ao redor somos convocados a nos harmonizar a todo o momento. Uma emoção mais forte, uma alimentação incorreta, uma postura de yoga mal feita, uma palavra mal dita, tudo nos afeta.
Somos um mistério nessa harmonia entre o céu e a terra e temos muitas dimensões a que cuidar. Cuidamos do corpo, não tomando shakes e outras coisas sem vitalidade, mas tomando sucos de sementes germinadas, tomando vitaminas e bucando comer seguindo regras básicas como manter o seu prato colorido e comer grãos no almoço e raízes no jantar.
De onde vem essas sabedorias simples? Hoje, atendi uma cliente que ao perceber um severo desequilibrio nas suas águas lhe perguintei: quanto de água você bebe? A resposta foi, “um copo por dia no máximo.”
Parace um absurdo, mas não é, é justamente essa medicina profilática, do dia-a-dia, essas noções de higiene e de cuidado de si que nos deram os 30 anos de longevidade que a saúde pública nos ofertou. Não são as pilulas cada vez mais caras e mais potentes não são nossas classificações cada vez mais restritas do que eu tenho ou deixo de ter, impressionante a capacidade das pessoas inventarem novas doenças. Haja criatividade!
Tudo no mundo tem cura, tudo no mundo tem cuidado, até morrer curado é possível, na verdade, é preciso.
O que nos orienta a tradição oriental?
Toda a medicina chinesa, na sua relação com a alquimia taoísta indagava colocava o homem em busca da longevidade. Su Si Miao, um médico que ensinou muito, viveu mais de 100 anos, isso há centenas de anos atrás.
Hoje em dia, cada vez mais, quando já temos as principais doenças infeciciosas controladas, quanto mais e mais doenças auto-imune, frutos de estresse e de estilos de vida desequilibrados aparecem, mais e mais pessoas se encontram, não doentes, mas sem saúde.
A medicina chinesa, infelizmente está sendo vista como mais uma atividade curadora e não profilática, cada vez mais é vista para combater doenças e não para ter saúde. Tem muita gente não-doente, mas eu conheço poucas pessoas que tem saúde. Eu mesmo estou buscando a cada dia, porque é isso que é a saúde, uma busca diária, ser são, ser saudável é um projeto infinito para o qual nascemos.
E de quem é a responsabilidade pela saúde? Do médico, do especialista? Absurdo!!!
A responsabilidade pela saúde é de cada um de nós. Somos dados uma terra, um pedaço de mundo pra cultivar flores. Esses dias, alguém me disse: Você é muito sedutor, fala muito bem. Eu respondi “ a boca só fala do que o coração está cheio”.
O que está no seu coração que não te traz felicidades. Os seus pensamento, seus atos e suas atitudes são as mais amorosas possíveis? É possível perceber seu corpo, suas dores e se auto-massagear, se auto-curar. É possível acompanhar seus pensamentos numa meditação, sentir sua energia numa prática de qi gong, perceber que comida não é só carboidratos, proteínas e açucares, que existe uma qualidade energética no sabor, nas cores e nos texturas.
Somos o nosso livro de estudos, vamos virando a página pra descobrir a autoria.
E a orientação que podemos buscar com os antigos, não é diferente do que nossos avós faziam é cuidar, cuidar, cuidar. Essa atitude básica que estamos condenados a experimentar como nossa principal virtude e nossa principal forma de amar. Quem ainda não percebeu que é só isso que podemos fazer, que nascemos do cuidado e cuidamos da casa, da caixa de email, dos arquivos virtutuais, das palavras e também, fundamentalmente, cuidamos de si e cuidamos do outro.
Recentemente evoquei o evangelho, uma dessas palavras esquecidas pelos profissionais da saúde, que se estendem a todos. “Médico, cura-te a ti mesmo!”
Melhor seria, ser humano, cuida do seu jardim, cuida do seu coração, cuida do seu templo, cuida dos seus pensamentos.
Assim, podemos falar de viver. Da arte de viver, da arte de sorrir, da arte de se alegrar. Nem todo mundo está preparado, nem todo mundo suporta muito amor, nem todo mundo aguenta o mundo novo que se abre ao nosso olhar a cada instante.
Mas nosso corpo, sua idade que chega, os anos que passam, os sonhos que se realizam e os que ficam guardados pra sempre, tudo, tudo nos convoca cultivar.
Por isso, na tradição oriental, o saber nunca ficou muito afastado da linguagem popular, perceber a palidez da lingua, a fraqueza do no pulso, deveria ser uma relação direta com nossa capacidade de sentir a si mesmo e ao outro.
Para resgatar essa tradição, pra resgatar esse saber, eu proponho me encontrar, abrir espaços de encontros pra falar de saúde. Porque eu adoro acupuntura e medicina chinesa, mas gosto mesmo de ver as pessoas aprendendo a se cuidar, aprendendo a se iluminar, aprendendo a seguir seu coração ao invés de uma palavra que já não tem sentido.
08/06/10
Eu cresci e me dei conta de mim em frente a uma igreja. Nessas raízes da minha infância lembro-me que minha, minha avó tinha pintado os vitrais lindos que contavam as passagens do calvário na mesma igreja e meu avô tinha ajudado a construí-la. A imagens dos santos também ficavam sobre as janelas, sejam quem fossem aqueles homens com roupas coloridas e sandalhas em cujos pés se debuçavam os anjos, lá estavam as primeiras representações da minha infância sobre o imaginário cristão, meus primeiros mitos, minhas primeiras imagens. A igreja da matriz era assim, acordavam meus dias com suas badaladas e ecoavam minhas noites com as ladainhas.
Havia os pedintes também, que sempre vinham perguntar por um “pão velho”, ou as viúvas que na época andavam juntas e todas com seus véus pretos. Outra lembrança boa era das pombas que meu avô pela manhã alimentava com dezenas de bolinhas de miolo de pão enquanto elas se revoavam ao seu redor.
Eu, como toda criança criada sob a tradição do oriente médio (judaico-cristã-mulçumana), tive medo de Deus. Aquela figura pendurada na cruz que sangrava eram pro imaginario de uma criança uma coisa estranha, embora as pinturas ao redor fossem belas, e o silêncio da arquitetura da igreja também. A crianças se vestiam de anjos pra sua coração e tantos outros ritos aconteciam alí, como eu não entendia nada do que os adultos iam fazer ali na casa de Deus, a igreja virou mesmo uma extensão da minha casa, ali eu bincava de pique e me escondia no confessionário, sendo que até hoje, não me cofessei. Aproveito aqui meu blog para as minhas confissões, e quem sabe com orações eu possa remir os meus pecados (de-u-sacertos).
De tempo em tempo, as carpideiras que passavam a deixar os panfletos com a cruz que chegava de tempos em tempos para anunciar a morte de um vizinho, alternavam também com as outras que vinham oferecer galinhas e doces que juro que não existem mais assim tão saborosos.
Me lembro com frequencia de uma senhorinha, muito muito gentil que fazia os mais deliciosos requeijões e doces de leite que me alegravam, eles, os doces, vinham numa cesta coberta por toalhinha bordada e foi a primeira presença santa que tive na vida.
A infância nas Minas Gerais foi assim, a igreja, em frente a casa, ao lado da casa do padre foi muito rica de boas memórias de meninice.
23/05/10
A primeira coisa que quero dizer é que o título desse artigo não faz o menor sentido. A melhor coisa ao tentar responder uma pergunta é entender o contexto, fazer uma análise de onde ele provém.
Nas últimas décadas, com os avanços cada vez maiores da ciência médica, a tentativa e muitas e muitas vezes ao conseguir encontrar procedimentos cada vez mais específicos para tratar sintomas, às vezes até doenças gerou uma prática médica que é simplesmente fruto de um pensamento linear.
Affe, parágrafo longo demais , que linear-mente resume-se em “para toda doença, existe uma causa”, conhecendo e eliminando a causa, acabamos com com o sintoma. Isso é medicina hoje em dia.
Matematicamente temos se x então y. (if statement). Ótimo, que seriam dos nossos bancos de dados e toda a programação se não fesse esse pensamento claro, direto, objetivo, materialista e mecanicista.
Aí então, como isso é a corrente principal, começaram a resurgir as chamadas alternativas. Tudo que não cabia e ainda não cabe dentro das práticas que obedecem a esse racioncinio linear, ficavam de fora. Entre elas, as que eu uso estão: psicoterapia, massagens, homeopatia, florais, acupuntura e fitoterpia chinesa.
O que aconteceu em seguida é que essas alternativas, como representavam uma boa fatia do mercado foram sendo incorporadas por profissionais que estariam, em tese, ligados às práticas futos de pensamentos lineares, ou seja, que procedimentos médicos fossem, testados, duplo-cegados, comparados, estatisticamente validados e tal e qual. Não passando por esse crivo, deveriam ser descartados, sem comprovação ou evidência não há ciência logo, não há medicina. Parece correto?
Mas as alternativas continuaram aí, apesar de toda a FALTA DE EVIDÊNCIA. Todos os dias pessoas de todas as culturas entrem em contato com práticas de saúde sem evidência científica e comprovam suas curas fenomenologicamente, na sua experiência.
Bem, o que eu quero dizer é muito simples.
O que difere uma medicina ortodoxa de uma medicina alternativa. Uma prática convencional de uma complementar/alternativa não é exatamente o procedimento. Mas a perspetiva.
Assim, podemos ter um acupunturista que simplesmente descartou exames de lingua e pulso porque considera que isso é muito difícil e que basta saber a doença pra saber que pontos usar. Ou seja, o racioncinio causal permanece, para doença x usa-se pontos y.
O que então diferencial uma perspectiva da outra?
A diferença é que as práticas alternativas normalmente não fazem esse racioncinio. Para uma doença tal vamos indagar sua história pessoal, seus aspéctos emocional, sua relação com a doença e a relação dos sintomas com tudo isso. Não é x causa y, mas x está em RELAÇÃO COM Y. E tratamento, neste caso é colocar as relações em harmonia.
Claro que podemos fazer um quadro comparativo de um lado colocar um médico de formação ocidental com pensamento linear, tratamentos unifomimente validados estatisticamente e materialista “contra” um médico oriental com processo de mecânica quâtica, tratamento individualizados e vitalista.
Isso sim, caro visitante, é que é a grande BURRICE.
Primeiro que não existe uma categoria oriente ocidente que se sustente, nem holístico e quantico contra mecanicista causalista. Essas categorias não servem nem ao terapeuta, nem ao cliente, nem a ninguém. Criando falsas diferenças pois conheço vários homeopatas, cuja prática tem por princípio modelos vitalistas que medica como se estivesse recomendando um remédio qualquer. Trata os sintomas e a doença sem incluir o sujeito como um todo.
Não a acupuntura, homeopatia, florais ou o que for que é em si a garantia de que vamos encontrar uma abordagem, uma perspectiva mais inclusiva.
Como tem gente que quer somente a fórmula pra tratar, o “doril” o alívio rápido pra sua dor ou do seu cliente. Sem ter o tempo, a calma de entender o sentido daquele que chega até sua clínica.
Qual a diferença entre medicina oriental e ocidental?
Nenhuma, precisamos saber as duas se quisermos ser terapeutas mais integrados e não é o instrumento certo que faz a ação correta, mas o instrumento certo nas mãos corretas que determinam uma ação correta. Acupuntura pode ser reduzida uma ciência, pra outros é uma arte, para nós deveria ser sempre uma ciencia-arte de nos colocar em harmonia com tudo e tratar nossas dores.
Assim, na hora de escolher um terapeuta e ele começar a falar mal do outro. Contra os alternativos, contra “eles” os médicos. Contra os remédios, contra isso e aquilo. Siga adiante na sua procura…
Precisamos de terapeutas que tenham consciliados seus hemisférios cerebrais, que fiquem em paz com a lógica de nossa programação existencial e com a arte do instante que nunca mais voltará.
Como esse…
Um texto assim, em busca de equilíbrio distante.
21/05/10
Jung já apontava pra uma dimensão linda da da vida. O mundo, a alma do mundo, a anima mundi é reflexo do nosso interior. O mundo que vemos, os atores que escolhemos, o sol, a lua as estrelas, o estranho que nos fala o amigo que começa a falar sem saber o porque e por fim. as sincronicidades, os sonhos. Todas as imagens são imagens de nós mesmos.
Ontem eu caminhava com uma amiga que me trouxe um grande presente, o passado presente. Explico. Nos conhecemos há 15 anos atrás. Ela falava enquanto caminhávamos que queria gravar aquela lembrança, a bela imagem na praia e levar sempre consigo. Eu lhe disse, que esse lugar é que a via passar, quem está de passagem somos nós, que passamos pela vida dos outros, como dizia Exupery: “deixado um pouco de nós e levando o outro consigo”. Embora sejamos também um pouco raposas e um pouco pequenos principes com suas rosas em redomas de vidro.
Assim também, a paisagem, eu falava, é que deveria nos ver crescer e alcançar, pouco a pouco a maturidade de nós mesmos.
E as borboletas?
Bem, borboletas no estômago…
Será mesmo nescessário borboletas no estômago?
O artista na infância, pinta, dança, canta pra atender aos pais, nossa plateia por excelência. Na adolescencia, se faz objeto para o outro, se torna artista, ou mesmo diretores teatrais para que outros incorporem seus sonhos e suas dores, talvez por excesso de sensibilidade, talvez por covardia mesmo, talvez os dois.
Na maturidade, creio eu, o artista é criativo porque isso lhe é o viver. É assim, canto porque o pássaro canta. Se faço uma pintura é porque sonho, se traço uma mandala é porque o mundo ao meu redor precisa de ordem, como a ordem interna.
Assim é com narciso. Você conhece a história, não é?
Se não, vou resumir como me aprece (apraise), vou só recontar como me encanta.
- Narciso era muito bonito e todos o invejavam-amavam.
- Um dia ele caminhava por um bosque e encontrou uma ninfa, chamada Eco.
- Eco não suportou que narciso não a quisesse e lhe atraiu para um lago.
- Lá, narciso olhou sua imagem se apaixonou. E alí morreu.
Onde narciso morreu nasceu uma flor, que conhecemos. O que poucos sabem é que de narciso, narké, vem também a palavra narcótico. Tudo que vicia em nós mesmos, sejam nossas imagens, nossas fotos, nossos perfis virtuais, nosso estilo de vida. Tudo que não morre, mata.
Assim, cada flor que morre, é a lembrança da nossa finitude beleza, da nossa imagem que não se suporta, da nossa fragilidade infinita.
Tenho convivido com tantos artistas iluminados. De verdade, gente que brilha ao se reparar, ao se olhar atentamente. E de tanto brilho pra fora, tanta, tanta escuridão pra dentro.
Não parece óbvio isso, na vida das pessoas imagem, das “personalidades”, alguém de verdade queira uma vida como a do outro ao invés da sua própria, seu prórprio gosto, seu próprio sal, seu próprio saber, seu próprio sabor.
Imagem e semelhança. Ator e plateia, imagem e objeto, sujeito e por fim o mundo, não dual.
Me lembrei de Alice através do espelho. Quando vamos atravessar o espelho de nós mesmos, perceber que estamos num grande salão de espelhos e ver além da matrix?
Qual o custo disso, de atravessar o espelho? Saber que agora e sempre, você vai querer mais do que qualquer outra coisa, ajudar tantos e tantos outros a atraversar seus espelhos.
O narcisimos do outro se torna um narcismo de si que é o narcismo do outro que o reflexo que é a morte que é a imortalidade florescente!
Sem torpor, sem temor, sem espetáculo, se expectativa, sem espera, não um, não dois.
“Um lindo jardim…
Para deus em nós vir pousar…
Para deus conosco brincar.”
Game is over.
12/05/10
Quando o cuidar é uma arte e o amor um arte-fício
Uma das coisas mais complexas na vida do terapeuta é conseguir separar as funções terapeuticas da outras funções do viver. Considerando, claro que a vida tem funções bem estabelecidas e que podemos discernir ou mesmo atuar, no palco na nossa existência nesses papeis. Mas tudo indica que sim.
E o papel de um terapeuta, ou melhor de um psicoterapeuta é refletir junto ao paciente a ciência de si. Do self. Nem que pra isso o amor ser apenas um arte-fício.
Hoje eu acordei às três da manhã sentindo as usuais correntes de energia pelo meu corpo depois de muito elaborar sentimentos e sofrimentos meus e os que estão ao “aredor” e registro aqui pra fazer uma sintese desse tema tão raro.
Porque o pepel de psicoterapeuta é raro. Porque o terapeuta é um anti-papel. Ele é o papel que reflete o ator, que o escuta, o escuta atentamento para além de todas as máscaras, de todas a aparências, é alguém que vê profundamente o outro. Quando isso não acontece e escutamos com uma escuta, contaminada de preconceitos, de opiniões de si, não podemos encontrar espaço suficiente, abrir espaço suficente para o outro poder se rever.
Assim, carregar o título de um psicólogo é realmente uma tarefa árdua. O psicólogo não é filho, não é pai, não é amigo, não é médico, não é amante, não é irmão, não é…, não é… não é… pra poder ser no teatro da vida, todas essas coisas para o sujeito da terapia, o cliente.
Mas, cuidando do mundo, e já sabemos que nascemos e somos essencialmente seres de cuidado, como não cuidar de quem amamos e queremos bem? Impossível.
Assim, preservar a posição da transferência é muito importante, é talvez a mais difícil e a mais necessária posição que precisamos, os terapeutas, aprender a cultivar porque á mais necessária posição no mundo, exatamente porque é tão difícil e tão rara.
Eu nunca fiquei com uma paciente minha, mas já fiquei com uma terapeuta certa vez. Claro que a terapia que ia muito bem acabou. E embora eu ache que na prática de acupunra isso é perfeitamente normal, cultivar a amizade, afetos e ainda assim ajudar o qi a circular livemte, na prática de psicoterapia isso não acontece.
Como eu disso, terapeuta não é amigo e não tem que ser. Se você imagina isso, ou se isso acontece, pronto, não temos mais terapia, temos conversa com amigo que também é muito bom, mas não tem o potencial a nos ajudar tanto.
Assim, escrevo pra marcar algumas coisas importante na prática clínica.
Se alguém precisa de terapia, não lhe ofereça amizade, mesmo que isso seja o que você quer.
Se um amigo precisa de terapia, lhe indique sempre alguém que você confia, se é que você conhece uma dessas pessoas raras capaz de ajudar os outros
Encaminhar um paciente pra outra pessoa é tão ou mais responsabilidade do que cuidar da pessoa em si. Eu já errei nesse caminho e não quero errar mais.
Por fim, meu último mandamento aos terapeutas.
O maior e mais verdadeira forma de amar é sempre a que se orienta ao outro e a maior forma de se orientar com o outro é na terapia. Então, amar verdadeiramente não é se encantar pelas paixões de eros, amar é não=estar lá para amizade, não estar lá para o amor, não estar lá….
Para que o outro possa vir ver verdadeiradamente a vida.
Hoje eu escutei assim:
E eu?
Dessas pessoas que amam e cuidam demais que não precisa de mais um amigo, precisa de terapeuta que infelizmente estava lá quando não precisava.
Escrito pra mim,
que te
amaria.
05/05/10
Recentemente entrei uma pessoa que tem me chamado muita atenção, do ponto de vista do ponto de vista. Explico: Ela tem me feito pensar de maneira absolutamente original sobre temas que já considerava bem assentados entre meus valores.
A idéia mais radical é a da simplicidade. No taoísmo a simplicidade é um conceito central, pu é a simplicidade que no ideograma é representado por uma madeira que não foi talhada, por um olhar sem preconceito sem julgamento.
Bem, dito isso, já explicado de onde vem essa retomada de simplicidade na minha vida sempre cheia de idéias complexas. Pra ilustrar estou escrevendo nada menos do que uma eciclopédia de medicina chinesa.
Ok, mas o que a simplicidade tem a nos explicar, falando aos leitores interessados na prática clínica.
No campo da psicologia, um olha sem julgamento é fundamental. Escutar atentamente o que emerge no mundo, sem projetar nossos próprios fantasmas é fundamental. Importante também tem quem possa nos escutar em todas as nossas dimensões. Acolher tudo de luminoso e de sombrio com a mesa aceitação e mesma consideração.
Na prática da medicina chinesa a coisa se torna ainda mais complexa. Pra ilustrar exemplos re pacientes que acolhi recentemente.
Paciente com sindrome de renaut, lupus, sem um rim, sem o útero, com glicose alterada, dores no braço, dor severa na coluna e queixa princial é, imagine, ela quer perder 5 quilos em um mês.
A complexidade é tanta, que pelo sistema de diferenciação de sindromes não dá nem pra começar a anotar os sintomas. Digo, os sintomas, porque isso foram apenas as queixas relatadas que não incluem gosto amargo na boca, insônia, instabilidade emocional e tantos outros.
O que fazer? Pedir ajuda aos céus e perguntar por onde começo? Sim, sempre, mas podemos também nos servir das estratégias da acupuntura japonesa. Especialmente a desenvolvida pelo mestre nagano.
Em casos complexos, mais e mais eu tenho me orientado pelos exames propostos pela sua aluna Kiko Matsumoto e conseguido surpreendentes resultados clínicos.
O mais interessante é o resgate da simplicidades, os métodos chineses atuais, afastados da orientação simples da medicina chinesa de origem taoísta, tem deixado de lado a simplicidade dos tratamentos numa busca de valorizar a complexidade da ciencia da acupuntura.
Assim, perdemos todos – pacientes, terapeutas, alunos e professores.
Há que se fazer com simplicidade todas as coisas.
Um profundo agradecimento a quem tem me mostrado o valor da simplicidade que me orienta no meio de tantas informações, de tanto caos e tanto sofrimento.
MISSÃO: A MULTIVERSIDADE É UM ESPAÇO DE VIDA E FORMAÇÃO INTEGRAL ONDE CUIDAMOS E ENSINAMOS A CUIDAR COM SIMPLICIDADE DE TUDO QUE É BOM, BELO E VERDADEIRO.
14/02/10
Outro dia eu disse num curso desses que deveria ser gravado, pois tem momentos que você fala coisas que realmente deveriam ser registradas. Há quem chame de inspiração, há quem chame de solidão.
Bem, o que eu disse nesse curso, que desde então me parece cada vez mais fazer sentido é que: SÓ HÁ CONFLITO ONDE HÁ ESCASSEZ. Tá, tudo bem, qualquer um com uma mínima noção de economia sabe disso.
Mas aí, vemos duas crianças discutindo, como eu vi ontem. Ela entrava no quarto chorando porque não deram o biscoito pra ela. Havia outras tantas caixas de biscoitos disponíveis, havia bastante, só que perceber isso, acabaria com a graça da escacess. Porque é na escassez que podemos viver a nossa dimensão especial, pois aquilo que é raro, mais raro ainda faz de nós.
Anos atrás, eu tinha um professor de pintura, ele ganhara muito dinheiro com a genialidade dos seus quadros, mas depois de se decepcionar com os seus então aliados, ele decidiu ir morar num “barraco” como ele mesmo definia. Foi ali, que depois de mais de uma década eu o reencontrei. Ele pintava os quadros mais lindos, como esse:

E também pintava as portas, pintava as paredes como se fossem mármores, e as portas como se fossem colunas de um templo dourado e celestial. Ali vinham os colibris se alimentar nos grãos despejados sobre seu chapeu.

Passei ali muitas e muitas tardes, como tinha sido aluno dele na infância e sempre partilhavamos conversas sobre as práticas espirituais, sempre me animava sua disposição pra superar as dificuldades. De transformar com a arte tudo ao seu redor.
Eu compreendia profundamente o que ele estava escolhendo passar, e via isso como um processo muito natural. Claro, num natal, não aguentei e levei lhe uma cesta de natal cheia de coisas boas, ele ficou também com minha máquina de lavar e as flores do jardim da minha casa na cinco de julho onde funcionou minha primeira clínica.
Saudades desse tempo de profunda abundância e de felicidade, minhas tintas todas se foram, pitávamos com o que tinhamos, paredes.

Ouvíamos músicas envagélicas pois eram as únicas que sintonizavam bem, bebiamos água com luzes do sol. Pois era preciso colorir as águas com a imaginação pra receber os seus sabores aparenetemente insípidos.
Esse amigo teve dois grandes impactos na minha vida. Na juventude me ensinou a brincar com luzes e sombras. Até hoje eu me lembro da minha primeira aula de pintura, na quinta série. Eu tinha que desenhar uma esfera de isopor e fazer ela parecer uma esfera espacial. E não é que eu tinha jeito para o negócio. Passei aulas e aulas praticando perspectiva, acho que foi o que mais aprendi naqueles anos que alto demais sentava no fundo das salas de aulas com 50 alunos.

Saudades desse tempo.
O que ficou, sei lá, meu gosto pelas imagens, não tenho muito tempo pra pintar pq hoje é tudo tão instantâneo, que acompanhar as semanas, as vezes meses que me levam a pintar um quadro não dá mais tempo. Vamos como podemos com photoshop mesmo.
Mas quem sabe um dia eu redescubro o prazer pelas texturas na tela e pela mistura das tintas. Das lições fundamentais sobre a luz e a sombra a profundidade e a perspetiva.
Outra lição importante que ele me ensinou recentemente é jamais vender sua arte, jamais vender seu espírito. Eu sei, nem todo artista precisa ser santo, e confesso que minha vocação ascética não é assim tão grande.
De qualquer forma, a escassez é muito melhor que a abundância, muito mais produtiva, muito mais criativa, multipla. Embora existam e as mais nobres motivações humanas são mesmo motivações de transbordamento, como o amor, a amizade e o bem-quere. O que nos move no dia-a-dia com muito mais força é mesmo a escassez. Astrologicamente é saturno, enforcando e nos deixando esperimentar nossos limites que se contrapões a força de Jupiter.
Eu e saturno somos velhos amigos, meu ascendente em capricórnio fez dele o regente do meu mapa. E sinto cada transito dele com muita força e com profundas transformações e esse é um momento assim, mesmo sendo carnaval.
O que eu queria dizer afinal é simples assim: Viva a plenitude e viva a escasses, viva o yin e viva o yang, viva o belo e o feio, viva o homem e a mulher, viva toda a manifestação e sua multiplicidade todos os tons, todas as cores, todas as nuances, todo o espéctro da alma e das emoções.
Então, se você só tem um chocolate, guarde-o, para que no momento mais precioso, você possa saber o seu verdadeiro sabor.
Assim também, se você tem um amor, guarde-o, para que num momento de bem-aventurança ele possa se abrir, como uma flor na sua alma.
Uma elegia aos transitos de saturno pela vênus e pelo meio do céu. Triste, moral e lamentoso, mas pare inspirar guerreiros na batalha a contemplar a finitude e a falta.
Hahahah, risos!
ps. que título mais psicanalítico e retrô!
E essa pintada na parede era minha companheira na época, saudades também e bençãos sempre!
06/01/10

A multiversidade.com lançou um DVD duplo com um curso de astrologia do professor Marcelo Caminha.
Marcelo é matemático e programador, tem uma mente brilhante e uma visão da astrologia muito clara e bem estruturada.
Seu DVD é uma excelente oportunidade pra quem quer conhecer os fundamentos da astrologia e obter insights originais sobre a o sentido da vida “con-siderando” nossa relação com os planetas.
O DVD discute ciência e tradição, de teoria da relatividade e as leis de kepler ao futuro dos sentidos do viver nas eras astrológicas e nos ciclos da vida, transitos e mapa natal.
O DVD dá uma boa base para você compreender seu próprio mapa, cheio de belas imagens e conteúdos raros.
Além disso, você pode conhecer um programa desenvolvido pelo Marcelo no site www.luzinforma.com calculando seu mapa e solicitando dicas e interpretações pessoais.
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04/01/10

Uma amiga e aluna do curso de acupuntura, ontem me pediu pra escrever uma página sobre amor. Eu lhe disse que já havia escrito demais sobre o tema nos últimos tempos, mesmo assim, ela insistiu, e como ela fica me ouvindo falar 4 horas sobre medicina chinesa aos finals de semana eu decidi acolher o pedido.
Quero começar dizendo o que amor não é: Não é ciúmes, não é apego, não é falta, não é saudade, não é desejo, não é êxtase, não é admiração, não é estética, não é luxuria, não é tesão, não é um, não é dois.
Dito isso, e superado tudo isso acima, podemos começar a sentir amor. Embora amor não seja propriamente um sentimento. E seja mais como uma experiência, um verbo intransitivo como bem definiu o poeta, quem ama, ama. Não ama objeto-outro, nem ama a si mesmo.
Já se disse que é uma dádiva, talvez seja. Seja o que for é bom demais!
Na tradição cristã tem uma frase lapidar que diz “amar ao próximo como a si mesmo.” Veja que no caso o objeto indireto, próximo, o que quer dizer?
Num nível mais bobo, da economia libidinal, amar o próximo como a si mesmo quer dizer não ame demais, não dê mais do que receba, ou, a regra é mais fácil, primeiro ame a si mesmo depois ame o outro como você ama a si mesmo.
Quando os budistas falam que amar a si mesmo e falta de amor a si mesmo é um absurdo, eu acho que eles estão completamente certos. Quem sofre de falta de estima na verdade se estima demais, quem se suicida, chega ao clímax dessa loucura. Eu não precisaria, né leitor, mas vou repetir, que nada disso também é o amor.
Haha, estou rindo do meu tom de quem vai dizer finalmente o que é o amor. Perdoem esse pobre mortal, mas os gregos talvez soubessem algo do amor e vou seguir um pouco suas teorias pra finalmente falarmos do que eu acho que seja o amor, hahaha, termino a frase com a mesma gargalhada.
Para os gregos tem 4 tipos de amor, pornéia – amor do desejo de consumir o outro, filia – amor da amizade, eros – amor que nos eleva e nos tira o chão, do impulso criativo e agape – o amor engajado no cuidado do outro e do mundo, dos pais pelos filhos e de cada um por toda a diversidade do mundo.
Ok, existe polêmica nos sentidos originais desses termos. Muitas tentativas de traduzi-los, por isso vou abandoná-los. Eu gosto de pensar que Eros é a energia criativa que sobe em direção ao uno e Agape é o a energia-consciência-amor que desce em direção a pluralidade de todas as coisas que abraça toda a manifestação, tudo que emerge. Que te parece?
Eu prometi escrever o que é o amor em uma única página e ela já está acabando.
Amor é. Amor é abertura sem tempo sem espaço sem objeto sem forma onde todo o universo se encontra.
Amor é o quando eu e tu, nós nos (dis-sol-vemos) quando os pensamentos já não alcançam e quando a energia flui livremente, amor é liberdade em todas as direções, através do outro.
Amor é ser um com todas as coisas que são todas um mesmo, no início e no fim de todas as coisas. Haha!
Acabou a página, mas como o amor sempre diz, diz e dirá a última palavra. Eu acrescento algo mais, uma linha, um risco pra que se saiba que o amor nunc(a cabe) e sempre vai além.
Não dá pra ver, mas saiba que ao final-agora, só resta um sorriso e lágrimas, nesse encontro está o amor.
3 de janeiro de 2010
Dedicado a uma certa “noiva em fuga” que como tudo na vida faz o que é certo pra equilibrar os ciclos de nascimentos em mortes em sansara.
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