Minha Prática de Vida Integral
medicina e psicologia integral
medicina e psicologia integral
14/02/10
Outro dia eu disse num curso desses que deveria ser gravado, pois tem momentos que você fala coisas que realmente deveriam ser registradas. Há quem chame de inspiração, há quem chame de solidão.
Bem, o que eu disse nesse curso, que desde então me parece cada vez mais fazer sentido é que: SÓ HÁ CONFLITO ONDE HÁ ESCASSEZ. Tá, tudo bem, qualquer um com uma mínima noção de economia sabe disso.
Mas aí, vemos duas crianças discutindo, como eu vi ontem. Ela entrava no quarto chorando porque não deram o biscoito pra ela. Havia outras tantas caixas de biscoitos disponíveis, havia bastante, só que perceber isso, acabaria com a graça da escacess. Porque é na escassez que podemos viver a nossa dimensão especial, pois aquilo que é raro, mais raro ainda faz de nós.
Anos atrás, eu tinha um professor de pintura, ele ganhara muito dinheiro com a genialidade dos seus quadros, mas depois de se decepcionar com os seus então aliados, ele decidiu ir morar num “barraco” como ele mesmo definia. Foi ali, que depois de mais de uma década eu o reencontrei. Ele pintava os quadros mais lindos, como esse:

E também pintava as portas, pintava as paredes como se fossem mármores, e as portas como se fossem colunas de um templo dourado e celestial. Ali vinham os colibris se alimentar nos grãos despejados sobre seu chapeu.

Passei ali muitas e muitas tardes, como tinha sido aluno dele na infância e sempre partilhavamos conversas sobre as práticas espirituais, sempre me animava sua disposição pra superar as dificuldades. De transformar com a arte tudo ao seu redor.
Eu compreendia profundamente o que ele estava escolhendo passar, e via isso como um processo muito natural. Claro, num natal, não aguentei e levei lhe uma cesta de natal cheia de coisas boas, ele ficou também com minha máquina de lavar e as flores do jardim da minha casa na cinco de julho onde funcionou minha primeira clínica.
Saudades desse tempo de profunda abundância e de felicidade, minhas tintas todas se foram, pitávamos com o que tinhamos, paredes.

Ouvíamos músicas envagélicas pois eram as únicas que sintonizavam bem, bebiamos água com luzes do sol. Pois era preciso colorir as águas com a imaginação pra receber os seus sabores aparenetemente insípidos.
Esse amigo teve dois grandes impactos na minha vida. Na juventude me ensinou a brincar com luzes e sombras. Até hoje eu me lembro da minha primeira aula de pintura, na quinta série. Eu tinha que desenhar uma esfera de isopor e fazer ela parecer uma esfera espacial. E não é que eu tinha jeito para o negócio. Passei aulas e aulas praticando perspectiva, acho que foi o que mais aprendi naqueles anos que alto demais sentava no fundo das salas de aulas com 50 alunos.

Saudades desse tempo.
O que ficou, sei lá, meu gosto pelas imagens, não tenho muito tempo pra pintar pq hoje é tudo tão instantâneo, que acompanhar as semanas, as vezes meses que me levam a pintar um quadro não dá mais tempo. Vamos como podemos com photoshop mesmo.
Mas quem sabe um dia eu redescubro o prazer pelas texturas na tela e pela mistura das tintas. Das lições fundamentais sobre a luz e a sombra a profundidade e a perspetiva.
Outra lição importante que ele me ensinou recentemente é jamais vender sua arte, jamais vender seu espírito. Eu sei, nem todo artista precisa ser santo, e confesso que minha vocação ascética não é assim tão grande.
De qualquer forma, a escassez é muito melhor que a abundância, muito mais produtiva, muito mais criativa, multipla. Embora existam e as mais nobres motivações humanas são mesmo motivações de transbordamento, como o amor, a amizade e o bem-quere. O que nos move no dia-a-dia com muito mais força é mesmo a escassez. Astrologicamente é saturno, enforcando e nos deixando esperimentar nossos limites que se contrapões a força de Jupiter.
Eu e saturno somos velhos amigos, meu ascendente em capricórnio fez dele o regente do meu mapa. E sinto cada transito dele com muita força e com profundas transformações e esse é um momento assim, mesmo sendo carnaval.
O que eu queria dizer afinal é simples assim: Viva a plenitude e viva a escasses, viva o yin e viva o yang, viva o belo e o feio, viva o homem e a mulher, viva toda a manifestação e sua multiplicidade todos os tons, todas as cores, todas as nuances, todo o espéctro da alma e das emoções.
Então, se você só tem um chocolate, guarde-o, para que no momento mais precioso, você possa saber o seu verdadeiro sabor.
Assim também, se você tem um amor, guarde-o, para que num momento de bem-aventurança ele possa se abrir, como uma flor na sua alma.
Uma elegia aos transitos de saturno pela vênus e pelo meio do céu. Triste, moral e lamentoso, mas pare inspirar guerreiros na batalha a contemplar a finitude e a falta.
Hahahah, risos!
ps. que título mais psicanalítico e retrô!
E essa pintada na parede era minha companheira na época, saudades também e bençãos sempre!
06/01/10

A multiversidade.com lançou um DVD duplo com um curso de astrologia do professor Marcelo Caminha.
Marcelo é matemático e programador, tem uma mente brilhante e uma visão da astrologia muito clara e bem estruturada.
Seu DVD é uma excelente oportunidade pra quem quer conhecer os fundamentos da astrologia e obter insights originais sobre a o sentido da vida “con-siderando” nossa relação com os planetas.
O DVD discute ciência e tradição, de teoria da relatividade e as leis de kepler ao futuro dos sentidos do viver nas eras astrológicas e nos ciclos da vida, transitos e mapa natal.
O DVD dá uma boa base para você compreender seu próprio mapa pois são mais de 6 horas de vídeo cheios de conteúdo e belas imagens.
Além disso, você pode conhecer um programa desenvolvido pelo Marcelo no site www.luzinforma.com calculando seu mapa e solicitando dicas e interpretações pessoais.
clique no botão abaixo para comprar com boleto ou cartão o seu DVD
04/01/10

Uma amiga e aluna do curso de acupuntura, ontem me pediu pra escrever uma página sobre amor. Eu lhe disse que já havia escrito demais sobre o tema nos últimos tempos, mesmo assim, ela insistiu, e como ela fica me ouvindo falar 4 horas sobre medicina chinesa aos finals de semana eu decidi acolher o pedido.
Quero começar dizendo o que amor não é: Não é ciúmes, não é apego, não é falta, não é saudade, não é desejo, não é êxtase, não é admiração, não é estética, não é luxuria, não é tesão, não é um, não é dois.
Dito isso, e superado tudo isso acima, podemos começar a sentir amor. Embora amor não seja propriamente um sentimento. E seja mais como uma experiência, um verbo intransitivo como bem definiu o poeta, quem ama, ama. Não ama objeto-outro, nem ama a si mesmo.
Já se disse que é uma dádiva, talvez seja. Seja o que for é bom demais!
Na tradição cristã tem uma frase lapidar que diz “amar ao próximo como a si mesmo.” Veja que no caso o objeto indireto, próximo, o que quer dizer?
Num nível mais bobo, da economia libidinal, amar o próximo como a si mesmo quer dizer não ame demais, não dê mais do que receba, ou, a regra é mais fácil, primeiro ame a si mesmo depois ame o outro como você ama a si mesmo.
Quando os budistas falam que amar a si mesmo e falta de amor a si mesmo é um absurdo, eu acho que eles estão completamente certos. Quem sofre de falta de estima na verdade se estima demais, quem se suicida, chega ao clímax dessa loucura. Eu não precisaria, né leitor, mas vou repetir, que nada disso também é o amor.
Haha, estou rindo do meu tom de quem vai dizer finalmente o que é o amor. Perdoem esse pobre mortal, mas os gregos talvez soubessem algo do amor e vou seguir um pouco suas teorias pra finalmente falarmos do que eu acho que seja o amor, hahaha, termino a frase com a mesma gargalhada.
Para os gregos tem 4 tipos de amor, pornéia – amor do desejo de consumir o outro, filia – amor da amizade, eros – amor que nos eleva e nos tira o chão, do impulso criativo e agape – o amor engajado no cuidado do outro e do mundo, dos pais pelos filhos e de cada um por toda a diversidade do mundo.
Ok, existe polêmica nos sentidos originais desses termos. Muitas tentativas de traduzi-los, por isso vou abandoná-los. Eu gosto de pensar que Eros é a energia criativa que sobe em direção ao uno e Agape é o a energia-consciência-amor que desce em direção a pluralidade de todas as coisas que abraça toda a manifestação, tudo que emerge. Que te parece?
Eu prometi escrever o que é o amor em uma única página e ela já está acabando.
Amor é. Amor é abertura sem tempo sem espaço sem objeto sem forma onde todo o universo se encontra.
Amor é o quando eu e tu, nós nos (dis-sol-vemos) quando os pensamentos já não alcançam e quando a energia flui livremente, amor é liberdade em todas as direções, através do outro.
Amor é ser um com todas as coisas que são todas um mesmo, no início e no fim de todas as coisas. Haha!
Acabou a página, mas como o amor sempre diz, diz e dirá a última palavra. Eu acrescento algo mais, uma linha, um risco pra que se saiba que o amor nunc(a cabe) e sempre vai além.
Não dá pra ver, mas saiba que ao final-agora, só resta um sorriso e lágrimas, nesse encontro está o amor.
3 de janeiro de 2010
Dedicado a uma certa “noiva em fuga” que como tudo na vida faz o que é certo pra equilibrar os ciclos de nascimentos em mortes em sansara.
27/12/09
O que te faz tremer? Perguntava Campbell, o autor do herói de mil faces. O que te faz tremer? Recentemente, depois de alguns meses de profunda meditação vivi e sigo vivendo um relacionamento incrível. Talvez seja saturno passando e e “revoando” pela minha vênus, uma consideração astrológica.
Não foi algo público, foi secreto, como um acontecimento interno, como algo que não se partilhe e mesmo que vê de fora não entende. Isso Freud nunca conseguiu entender entender, porque o ego em busca de estrutura não suporta a arte, não suporta os extremos da alma humana e não percebe que a menos que seja você um ator se na sua vida afetiva não tiver arte, não tiver expressão e fluxo de vida, rompantes de extremos que te fazem querer largar tudo, que te colocam de joelhos como indicam os chineses.
Vou fazer uma pausa, pra explicar 爱 o ideograma chinês de amor. Ele tem um teto de um templo, sobre um 心 coração e um homem de joelhos. Assim, o amor é uma força que desce sobre o templo do coração e coloca os homens de joelhos. Poético não? Sintese dessa dimensão artística da relação amorosa, seja com o divino, seja com o outro que no fundo são a mesma coisa, luz.
A história que revivi com minha amante realmente eletrizou a minha vida. Foi tão intensa que abalou todas as áreas da vida, trabalho, relacionamentos com amigos, familiáres, pacientes, enfim, são aquelas pessoas que passam pela vida e exatamente porque não podem ficar te transformam tanto e em tão pouco tempo.
Podemos separar pelo menos 3 funções das relações sexuais. Veja bem, se você tem questões terapeuticas pra resolver com sua sexualidade, seu corpo e seu prazer, procure um terapeuta freudiano, reichiano sejam lá de que ordem forem as questões. Por exemplo, se vc tem dúvida se é amado ou não e precisa ouvir isso pra encontrar sentido na sua relação precisa de um terapeuta. E terapia é ótimo, mas não é arte e essa mistura pode ser positiva ou não.
Outra coisa diferente é você fazer da arte a sua relação e da vida arte. Assim, yoga e práticas sexuais e amorosas numa relação ganham uma outra dimensão, que foi o que vivi. Extremos teatrais (com suas funções transformadoras, mas não terapeuticas), porque não estávamos preocupados em cuidar e dar acolhimento sempre, mas fundamentalmente ir ao encontro da vida que flui em nós. E quando as demandas terapeuticas são muitas certamente uma coisa pode atrapalhar a outra.
O brilho, a alegria o amor nessas condições “artísticas” são extremos e muitas vezes insuportável para quem está ao redor. Assim como qualquer “extressão artística” não é pra todo mundo. Não é todo mundo que quer levar arte para sua vida sexual e assim para toda a sua vida. Mas como quem pinta um quadro, ou quem dança, as emoções, as paixões, as intensidades é que nos provoca. Menos que isso é perder o contato com a fonte de nossa criatividade.
Tenho aprendido, nas fogueiras da paixão, a cultivar o fogo interior. Não são as imagens dançantes fora de mim que me movem, mas o fogo que brilha e pode irradiar ao redor. Em suma, habitar ao mesmo tempo quem percebe e observa todo o manifesto (masculino) como brilhar no meu coração e perceber os movimentos e dinâmica desse fogo (feminino). Eis o caminho de integração que percorri nos últimos tempos, e talvez se ler os últimos artigos possa entender um pouco mais.
Eu encontrei uma deusa, não sabia se o encontro era com a minha alma ou com uma deidade, e realmente tudo mudou. Minha Anima, minha alma agora dança na fogueira no centro do mundo, na clareira do meu coração e já não se tem nada a perder, o fogo já não pode te queimar, se você já é luz e irradia tudo ao seu redor. O mais que ardeu e queimou é o que precisava convertido nas cinzas do shiva nataraja, o “destruidor de ilusões”.
Transforme sua vida em arte, assim como aprender a cantar ou tocar um violão, experimente graves e agudos, altos e baixos e componha uma sinfonia, cante, cante, cante… “quem sabe a sua canção acalme a fera que espera devorar o pássaro”.
Uma ode ao psicodrama da existência ou ao cosmodrama da vida.
Mas terapia é terapia, arte é arte, na vida há espaço para tudo.
Terapia acolhe, arte/yoga liberta e flui e as práticas espirituais te lembram que somos todos luz.
Então, brilhe, flua e acolha com compaixão tudo o tempo todo!
HA-(mo-re)amo a re
Mar Rio
25-dez-2009
23/11/09

“A divindade é uma esfera cujo centro está em toda parte e a circunferência em parte alguma.”
Upanishades
Vou tentar descrever minha percepção do nível turquesa de consciência. Embore em geral eu me sinta bem amarelo e integrado em vários aspéctos da vida e claro, outros não . Como em todas as mudanças de níveis de consciência a mudança do amarelo para o turquesa são muitas e vou tentar destacar algumas tal como as percebo.
Como todos os níveis da espiral as estruturas anteriores tem que ser TRANSCENDIDAS E INCLUÍDAS, assim sendo. os principais problemas do nível amarelo que é o excesso de estruturas inclusivas no pensamento precisam ser transcendidos.
O amarelo é o último nível que vai operar com conceitos de desigualdade. Parece uma grande conquista realmente rever níveis, linhas, quadrantes e tudo mais que o pensamento integral permite, mas como toda estrutura também vai ser transcendida pelo nível turquesa para um nível transracional intuitivo.
No nível turquesa, todo o espaço se torna perpectiva, tudo se torna ponto de vista equidistante de qualquer objeto e qualquer objeto se torna sujeito de todos os demais. A fusão entre sujeito e objeto, a não dualidade agora não se percebe apenas como experiência mental mas como experiência imediata no mundo.
Redes e teias de energias-pensamentos-karma, nexos de sentimentos, ondas, qi, forças, campos, teias, redes, links entre todas as coisas começam a se tornar realidades sensíveis e um uma nova experiência para nomear essas novas realidades que emergem e se difereciam precisam ser construídas.
Novas pelavras e conceitos precisam ser construídos para que possamos falar de todos esses níveis seguintes e não temos ainda uma realidade consensual desses níveis para que possam ser assim facilmente comunicados.
Então, para as relações afetivas, para as ligações entre as pessoas essa experiência no campo sutil se torna uma percepção sensorial muito mais ampla, podemos tocar, ver e sentir esses níveis energéticos, assim chamados por falta de um nome melhor.
O mais impressionamente mesmo e por isso um nível inferior sempre resiste ao nível superior é que toda a estrutura mental que sustenta o nível amarelo tem que ruir para que o nível turquesa possa se manifestar.
Ai, ai, boa sorte pra nós. Eu apavoro de pensar em tanto tempo lendo e tentando entender tudo e ainda restam entender as questões básicas da vida. Quem somos nós? Quem nos criou, quem criou o criador (se é que existe um), quem deu início a esse grande jogo cósmico e porque? É tudo lindo demais, tudo maravilhoso demais, mas ainda estamos apenas navegando no grande oceano de sentidos celestiais e terrestres.
Viva o grande globo azul turquesa, viva as teias de luz que envolvem toda a vida na terra, viva todos os pensamentos harmoniosos, viva o amor, viva a dança e viva as crianças.
Mais sobre o nível turquesa e a dinâmica da espiral.
06/10/09
Tenho aprofundado cada vez mais minha prática de meditação e tenho também me colocado em situações que realmente testam essa condição contemplativa da vida em especial relacionamentos de toda sorte, amizades, amores, mesmo amores platônicos podem ser uma benção na vida.
Dois aspectos básicos da relação entre o masculino e o feminino são: A capacidade do homem de permanecer firme e a capacidade da mulher de lhe retirar dessa posição. (hehehe)

Claro que cabem muitas interpretações pra essa frase, mas num certo sentido, estou falando da capacidade de não se alterar perante o oceano de emoções que são as mulheres.
O feminino não sabe o que quer, precisa de direção, o masculino sabe o que quer e precisa ser retirado de si mesmo e essa dinâmica pode ser muito positiva, ou ser o drama que vemos por aí.
Mas além dessa dinâmica onde o feminino testa a todo esforço a capacidade do homem permanecer ao seu lado, apesar de todas as barbaridades que é capaz de cometer de todas ondas, as tsunamis emocionais e essa capacidade de viver num mundo instantâneo de emoções. Basicamente diante do oceano, o que um homem precisa fazer é permanecer na mesma posição, firme e inabalavelmente ao lado do feminino. Parece simples? Ela vai te testar sempre, dizer o que não quer, pedir o que não suporta e se você fizer o que ela está pedindo ainda vai ficar frustrada com você.
Para além dessas polaridades clássicas e reconhecer essa polaridade como algo extremamente positivo e que anima a relação. existe uma dimensão boa na relação com o feminino que aterroriza homens, mulheres, crianças e adultos em todos os cantos. Qual seja a dimensão morte do encontro com o feminino, claro, se algo merece morrer é mesmo nosso eu separado, nosso eu contraído o que chamamos de ego. Não que um ego saudável não seja bom pra um monte de coisas, mas se ainda resta algum sofrimento e ele emerge na relação com o outro, uma boa mulher vai te matar. Vai te colocar em contato com suas contradições até o limite da sanidade e por incrível que pareça, isso também é amor.

Poucas mulheres tiveram capacidade de me matar, mas são elas as mulheres que eu mais amo, que mais me marcaram, que mais me transformaram fisicamente, afetivamente, cognitivamente e espiritualmente.
Assim o sagrado e o profano estão intimamente ligados o amor mais profundo e a traição o íntimo e o publico, o carnal e o transcendental. Isso é tantra, isso é o engajamento com o real na lama e no lótus, no céu e no inferno, no terror e no amor, na vida e na morte.

Claro que pode não ser uma coisa fácil de se entender, ver uma mulher, uma mãe, uma presença feminina destruir a criação do seu amor, das suas fantasias, dos seus desejos. Mas se conseguir ver, além disso, perceber o divino dessa dimensão pode-se acordar para um amor, uma abertura, uma alegria, um êxtase, uma luz tão acolhedora que é difícil compreender sem lágrimas correndo e sem correntes de energia percorrendo todo o corpo.

Se sua mulher consegue te matar, talvez ela seja mesmo uma mulher para você, se não, vai ser mais uma amiga que nunca vai ter a coragem pra cortar a sua cabeça como nas iconografias tradicionais da índia e do tibet.
Tudo bem, não se pode ter tudo e uma boa amiga ainda é um presente raro da vida.
06/10/09

Na prática o que é saúde? Saúde é uma ausência de sintomas gerado pela ingestão de antibióticos? Saúde é o que se consegue quando se luta contra o fator patológico, mesmo que ele seja um “vento perverso” ou qualquer manifestação de “xie qi”. (qi do mal)
Na prática, acupuntura pertence a um domínio difícil de praticar por que com toda razão ele contém muitas variáveis e quero apenas considerar duas que aparecem com freqüência nos textos chineses. A questão do cultivo da saúde e do destino.
“Um médico de excelência cuida dos sintomas antes dele aparecerem”
Ou seja, um terapeuta investe na saúde, na sua e das pessoas ao redor. A medicina chinesa é vasta e seu campo de atuação está entre duas dimensões importantes, o corpo grosseiro e o sutil, eles se interpenetram, mas não são a mesma coisa.
Assim, no caso a atuação sobre o campo sutil não podemos esquecer que faz toda a diferença a atitude mental, a capacidade de concentração, o Yi ou intenção do praticante na hora de inserir as agulhas. ( eu disse TODA A DIFERENÇA)
Um encontro clínico verdadeiro tem uma dimensão sagrada, pois se um encontro acontece, todos se curam, aprendem e seguem viagens mais confiantes. Eu gosto bastante de ler, mas meus professores na arte de curar são sempre os que me curaram: remédios, alimentos, amigos, agulhas, plantas, homeopatia e florais.
Funcionam pra mim e me colocam de volta no caminho. Essa noção de que as coisas têm um sentido, de que a vida tem alegria e de que o tratamento pode te ajudar a conquistar isso não é o mesmo que tratar um sintoma. E às vezes eu tenho a sensação de que essa dimensão da prática terapêutica com agulha e moxa é negligenciada em função de uma enormidade de técnicas, pontos e procedimentos analíticos.
Como psicólogo eu sei o quanto uma palavra pode curar, como acupunturista que observa as sincronicidades ao redor eu sei o quanto tudo está ligado a tudo e que minha atitude na hora de inserir os pontos tem que ser trans-racional , para além da razão. Isso é infelizmente confundido como pré-racional, para aquém da razão, como se tudo que não é racional ou melhor, analítico, não é método confiável.
Com toda certeza criticar os reflexos Nova Era na prática da acupuntura como em todas as outras áreas é muito importante, mas não dá pra jogar fora no mesmo balde os tesouros preciosos dos grandes sábios iluminados do passado que abriram um campo de eficácia clínica muito além das possibilidades de sistematização mental da prática clínica.
Claro que consolidar uma base analítica é fundamental, é preciso estudar muito, isso é importantíssimo, bases sólidas para analisar os casos clínicos é fundamental. Mas no campo sutil, bem como no campo físico, o terreno continua sendo tudo o veneno não é nada, tratar os fatores de adoecimento sem considerar o paciente, o terreno onde o “mal” se instala é um extremo estúpido quanto achar que não existem doenças, só pessoas doentes. Doenças existem, bem como pessoas doentes.
Pasteur morreu reconhecendo que não eram as bactérias e vírus a questão central na saúde, mas o terreno. Assim como sabemos que na prática da acupuntura e da saúde pública, cada vez mais se sabe sim da importância de prevenir e cuidar e nesse caso, as variáveis são realmente muitas.
Se pudermos descobrir novos marcadores somáticos ligados às síndromes energéticas chinesas vai ser ótimo, mas considerando o campo da nutrição, por exemplo, não conseguimos descobrir nada sobre o que faz bem ou faz mal e em geral nos alimentamos sem ter consciência do que fazemos.
O mesmo se dá com a prática da acupuntura orientada para o destino, Ming, cuidar não é apenas tratar sintomas, mas permitir que o sujeito encontre uma forma de viver mais saudável com o livre fluxo de qi de yin e yang. Essa posição em busca dessa condição essencial deve sempre orientar a prática clínica, por mais simples que possa parecer, não é.
Aí, entra uma questão fundamental. Se o terapeuta não faz nenhuma prática de cultivo. Se não cuida da sua saúde, se não percebe os seus desequilíbrios se não vive esse estilo de vida, como poderá perceber as desarmonias no outro. Apenas com análise racional de sinais e sintomas? Pra isso tem excelentes programas de computador, cada vez melhores!
Precisamos convocar então uma outra inteligência, que por falta de nome melhor, vou chamar de inteligência do destino ou do Dao, ou do caminho. A inteligência de quem se coloca num caminho de prática e pode sim transmitir aquela expressão do conhecimento tradicional que está para além dos livros, além da letra.
A letra não só é morta, mas também mata.
O espírito não só vivifica, mas também cuida da vida em geral.
Dedicado a todos os amigos da comunidade de acupuntura com quem sempre aprendo muito!
06/10/09

Comecei a praticar acupuntura em 2003 e quero partilhar um pouco do que aprendi com acupuntura na prática clínica e na vida.
Na minha vida pessoal aprendi que:
Todos os sinais e sintomas do seu organismo, mesmo afetivos e emocionais guardam uma correspondência com níveis sutis de energia que circulam pelo corpo.
Então se você está dormindo demais ou de menos, se está feliz demais ou de menos, tudo pode ter uma contraparte energética.
Aprendi que alimento é remédio e que fitoterápicos tem que ser administrados com MUITO CUIDADO, porque são muito fortes.
Aprendi que puncionar o F3 Tai Chong e IG 4 He Gu, de vez em quando não faz mal a ninguém e em geral te deixa mais feliz e mais “solto”.
Aprendi a ficar olhando minha língua todos os dias quando encontro um espelho na minha frente para acompanhar minha saúde interna.
Aprendi que existem sim harmonia e possibilidade de viver uma vida com alegria serenidade.
Aprendi que as técnicas de cultivo interna, meditação não são coisas simples e que provocam fortes alterações na fisiologia energética.
Que as energias sutis são bem reais e que podemos movê-las para cuidar de si e das pessoas.
Que é importante procurar um acupunturista competente para te tratar. Agulhar a si mesmo não tem o mesmo efeito do que o agulhamento por outra pessoa.
Na minha prática clínica com acupuntura
Aprendi que agulhas devem ser sempre levadas consigo, nunca se sabe quando alguém vai ter uma distensão, um enjôo ou uma dor de cabeça.
Que diagnóstico médico contrário ao tratamento não deve e não pode te impedir de tratar com as bases da medicina chinesa, ou seja, milagres acontecem.
Existem várias acupunturas e todas as escolas estão certas em algum ponto.
Que acupuntura algumas vezes não faz sentido. Ponto X resolve doença Y e “ponto”.
Agulhas pequenas e finas não fazem mal a ninguém e deixam em geral o paciente mais “receptivo” ao tratamento.
Que a intenção na hora do agulhamento é tão importante quanto a localização dos pontos.
Acupuntura não é tão difícil, mas como toda arte, demanda prática, estudo e dedicação, por mais talentoso que você seja.
Quanto melhor a sua saúde e qualidade energética, melhor a sua capacidade terapêutica.
Antes de aprender centenas de pontos é preciso realmente aprender os básicos de verdade, localização, agulhamento e deqi (perceber o qi).
Acupuntura chinesa” dói” muito mais que a japonesa, mas eu ainda acho que tratamentos de “choque” são mais eficazes.
Que a teoria dos cinco elementos não é tão importante, mas ao mesmo tempo pode ser o que te salva numa hora de sufoco. Estudar os clássicos é importante, mas mais importante é um bom estudo de cada paciente.
Que basta uma agulha no ponto certo para harmonizar todo um quadro clínico, mas que outras vezes 10 agulhas é pouco.
Ter uma prática de meditação, tai qi chuan e qi gong são fundamentais.
26/09/09
Estou há alguns dias tentando escrever algo sobre relacionamentos. De todas as linhas de desenvolvimento, as relações íntimas parecem ser as principais fontes de crise de desenvolvimento, e claro, se tornam a forma de crescimento mais acessível e talvez mais importante de todas. É assim pelo menos na minha experiência. Claro que crescimento não precisa ser apenas em tempo de crise, mas comumente é assim.
Há tantos aspectos a serem considerados, mas sendo um artigo para uma leitura breve, vou apenas citar alguns pontos tentando ser o mais abrangente num mapa que seja pelo menos útil.
Com milagre do encontro quero dizer a possibilidade do que penso e escrevo possa ser entendido por você que lê, que o que sinto possa ser transmitido e compreendido através desses fótons de idéias para teclado, para tela, para internet, para seus olhos até sua mente e mais além. Isso é um dos mistérios radicais do universo, tão misterioso é enfim o relacionamento.

Eis alguns itens que quero citar. Quem sabe um dia eu possa escrever mais sobre cada um deles, mas a idéia é uma visão geral de uma visão integral que considero importantes especificamente sobre relacionamentos interpessoais. Embora uma leitura própria as idéias básicas são retiradas do modelo integral proposto por Ken Wiber.
1- Desenvolver um amor grande.
2- Encarar o relacionamento como um espaço de prática.
3- Abrir o coração.
4- Meditação.
5- Ligação entre almas.
6- Definir o que você quer.
7- Níveis de desenvolvimento nos relacionamentos.
8- Sexo integral e tantra.
9- Lila os passatempos amorosos.
10- Estágios na Dinâmica da espiral
11- Estados
12- Linhas
13- Tipos
14- Polaridade, gênero e a relação entre o masculino e feminino.
15- A sombra do relacionamento.
16- Paradoxos existenciais
17- Sexo no toque e na cura.
18- “Re-creação” “co-criação” e “procriação”
19- Tocando a face de Deus
Desenvolver um amor grande e não um grande amor.
Em geral um grande amor se relaciona com a capacidade de transcender que o amor nos coloca. Mesmo reduzindo ao nível do objeto da condição humana, amor é no mínimo uma descarga de neurotransmissores que altera totalmente nossa percepção da realidade. Ainda assim é importante distinguir o que vou chamar de amor grande do amor apaixonado. Por amor grande é o que consegue incluir a perspectiva do outro quando avalia a realidade, consegue considerar o outro e suas necessidades, valores e expectativa.
Amor grande não diz vem, amor grande diz vai em direção ao seu destino. Amor grande sabe que ninguém é de ninguém, amor grande ilumina e reforça o lado luminoso do outro, reconhece, acolhe e fortalece seu brilho.
Quando cultivamos amor, o amor se espalha para todas a áreas da vida, cuidamos com amor, cozinhamos com amor, trabalhamos com amor, fazemos yoga com amor!
Grandes amores é o contrário, fazer do amor em si o objeto da relação. Amamos o nosso estado de enamoramento, como dependentes químicos. Amar o amor, o que nasce entre dois é importante, mas só amar o amor esquecendo-se de si e do outro é uma idolatria.
Encarar o relacionamento como um espaço de prática.
Em resumo, precisamos ser sinceros, quando dizer “eu te amo”, dizer também “eu não sei amar”. Quando danço forró eu gosto de dançar com quem já sabe dançar, claro, mas aprendi com alguém que teve paciência pra me ensinar os primeiros passos e como em tudo na vida estou sempre aprendendo novos passos, novos movimentos, cada par que se forma se harmoniza em um ritmo próprio.
Outra questão importante é que se envolver com uma pessoa mais experiente afetivamente quanto sexualmente é um ponto importante.
Abrir o coração
Às vezes o amor bate a nossa porta, mas estamos fechados. “Fechados para balanço”, isso é ótimo, mas manter o anahata chacra, manter os meridiamos em equilíbrio, principalmente os do coração e do mestre do coração (xin bao) também é importante. Às vezes precisamos de um inverno na vida afetiva, mas não deixar de perceber as flores quando a primavera chegar.
Meditação
Meditação na relação tem pelo menos 4 aspectos.
Desidentificar das paixões e das imagens que o outro nos provoca e se manter centrado observando o que emerge como manifestação do espírito.
Praticar tonglen como prática de compaixão infinita.
Perceber e ampliar a consciência dos níveis sutis da relação.
Dar uma gargalhada boa dessa tentativa de organizar um “relacionamento integral.”
Ligação entre almas
Mesmo para quem não acredita ou tem uma experiência relacionada a outras vidas e outras existências, em geral as pessoas não conseguem explicar os nexos estabelecidos entre as pessoas como apenas causais. Não temos razão para o amor. Com dizia Pascal, o amor está além da razão, mas não está contra.
Psicologicamente, por outro mistério da vida, tendemos a atrair pessoas que precisamos de alguma. Se esse sentido aparece, antes ou depois, se ele é um sentido em si ou se nós mesmos que damos o sentido. Fato é que, numa relação transformadora as coisas parecem ter um sentido, uma ligação, uma dimensão espiritual. Aliás, pra muitos, o mais próximo de espiritual que se pode chegar é na relação amorosa.
Definir o que você quer
Uma das coisas mais difíceis numa relação é estabelecer limites para as projeções. Definir as coisas. Mesmo quando percebemos que está “rolando alguma coisa”, se não definimos os limites e as possibilidades da relação isso em geral dá problemas. A frase clássica de qualquer novela é “você não pode me dar o que eu quero ou o que você me dá é muito pouco”. Em geral isso tem muito pouco a ver com o outro e fala mais de nós mesmos. Embora os pluralistas relativistas achem que esse tipo de definição e regras são convencionais e que uma relação não é um contrato, que basta amar que tudo vai dar certo. Da perspectiva integral é importante deixar isso claro, mesmo que o limite, as definições e as expectativas mudem, elas precisam ser compactuadas, normalmente quebras de contrato acarretam sanções.
Níveis de desenvolvimento
Segundo Kohlberg , muito citado por Wilber em Sexo Ecologia e Espiritualidade, nós nos movemos entre três níveis de desenvolvimentos morais básicos: pré-convencional, convencional e pós-convencional.
No primeiro nível, (pré-convencional) os relacionamentos são marcados pelo desejo sexual perverso com múltiplos parceiros e um jogo de poder com fetiches e sado-masoquismo, valorizando a não-monogamia, principalmente com dominação masculina sobre o feminino.
O segundo nível (convencional) o relacionamento sexual é caracterizado pelo desejo de relação com um parceiro principal, normalmente um casamento convencional e convivência doméstica. Monogamia é considerada uma virtude e não-monogamia e outras relação consideradas adultério e traição.
O terceiro nível (pós-convencional) o relacionamento traduz um desejo de intimidade profunda e sexualidade bem vivenciada que pode ser encontrada com um ou mais parceiros em casamentos convencionais ou não convencionais. Monogamia e não-monogamia são consideradas e tem um papel importante no desenvolvimento sexual.
Sexo integral e tantra
Você pode ler mais sobre o que escrevi sobre tantra e arte do encontro e alquimia com o outro.
Em resumo, sexualidade envolve todo um movimento de energias ascendentes e descendentes pelo corpo físico e sutil, ascendendo pelos nadis e merididanos e despertando estados de consciência expandidos.
Lila o passatempo amoroso
O amor divino. Diferente do panteão grego em que os deuses são extremamente ciumentos e cheios de tramas e desafetos. A relação amorosa entre Krishna e Radha implica numa prática devocional e profundamente amorosa. Tanto homens como mulheres ao se colocarem nessa relação devocional com o divino podem trazer isso para sua vida, no contato com essas grandes imagens perceber que os jogos e brincadeiras do amor, tanto no relacionamento como no relacionamento com a vida, com o espírito é tudo uma grande Lila, uma grande brincadeira do viver.
Achar, perder, buscar, encontrar, perder novamente faz parte dessa dimensão lúdica do amor.
O amor é não só uma prática, mas também uma brincadeira na grande brincadeira ou passatempo da vida.
Dinâmica da espiral
Considerando os níveis na dinâmica da espiral, níveis de desenvolvimento de valores e cognitivo vertical.
Púrpura: valoriza o clã, a família, os ancestrais, casamentos arranjados, baseado na tradição da tribo, nos tabus.
Vermelhos: o macho busca satisfação enquanto a fêmea busca o status de acordo com o macho que escolheu. Egocêntrico, permite quebra de tabus e outras ordens familiares, atende apenas às suas necessidades.
Azul: permite o surgimento do amor, a relação se dá em nome de uma causa maior, “crescer a frutificar”, casamentos convencionais com regras de conduta bem estabelecidas. Reaparecem os tabus sexuais, sexo tem a função de procriação e a responsabilidade e o dever perante a família emergem.
Laranja: o individuo rompe com a tradição em busca do que faz com que se sinta bem. Certo e errado agora estão dentro de si e não mais impostos pela lei e ordem da religião ou do grupo. Relacionamentos nesse nível valorizam a expressão pessoal, o relacionamento dura e se atende às necessidades dos indivíduos. Relacionamentos homosexuais, grupais, fetiches e fantasias são aceitos como algo que possa estimular a relação.
Verde: Homens e mulheres e outras formas de parceria tem ênfase no igualitarismo e na sensibilidade para com os afetos e necessidades. Necessidade de uma conexão profunda entre os parceiros. O relacionamento tem ênfase no compartilhar de papéis, nas trocas entre masculino e feminino. Reprodução, satisfação sexual e status não são suficientes. Criatividade, espiritualidade, compartilhar emoções e construir a relação são partes centrais da vida.
Amarelo: Percebe e integra toda a espiral entendendo os vários níveis de desenvolvimento e incluindo o relacionamento em todos os seus aspectos. Grande capacidade de lidar com os paradoxos dos relacionamentos e também capacidade de se distanciar deles conectando com a dimensão observadora e contemplativa. A percepção das energias sutis e jogos de puxar e empurrar de agarrar e soltar e manipulações mesmo através das energias sutis também passam a ser harmonizadas. Impulsos de kundalini passam a ser uma experiência mais e mais freqüente e precisam também ser harmonizados em si e ao redor.
Turquesa: Sexo, amor, desejo, libido se expandem para todos os seres, consciência cósmica de que todas as relações são emanações do espírito. Relacionamento a partir de todos os chacras e corpos físico, sutil e causal. Sensível, aberto a todos os fluxos de energia interno e externo, sem identificação mais com os jogos verbais do ego. Se orienta pela posição no fluxo de energia do momento.
Estados
Podemos dizer que o amor é em si um estado alterado de consciência. E com certeza pode impulsionar o nosso crescimento, aprendemos muito mais fácil e nos abrimos muito mais quando experimentamos amor.
Aqui, vale lembrar a distinção básica de Eros e Ágape, um amor que sobe e nos eleva e outro que nos faz baixar e nos aproxima da diversidade. São expressões amorosas complementares e correspondem a estados de consciência também complementares.
Linhas
10 anos atrás quando surgiu o termo inteligência emocional, ficou claro que por mais inteligente e brilhante cognitivamente que alguém pudesse ser, não necessariamente, ele seria moralmente ou emocionalmente desenvolvido.
A idéia de uma linha de desenvolvimento no relacionamento é que de fato, relacionar-se é algo que se aprende e como tudo que se aprende fica melhor se existir um ambiente que facilite o aprendizado ou bons professores.
Assim, capacidades interpessoais também precisam ser desenvolvidas que incluem capacidades de empatia, comunicação, escuta, diálogo, flexibilidade, tolerância, tudo que se aprender para facilitar o contato, capacidades de consciência corporal, corporais, sensoriais também podem ser incluídas aqui.
Goleman destaca alguns aspectos importantes da inteligência emocional
1- Habilidade de identificar seus próprios estados emocionais e entender a ligação entre emoções, pensamentos e ações.
2- Capacidade de administrar os próprios estados emocionais – controlar emoções ou mudar estados de emoções destrutivas para estados mais adequados.
3- Habilidade de ativar estados emocionais à vontade associados com o desejo e a capacidade de realização, ou seja, usar as emoções a seu favor.
4- Capacidade de perceber e ser sensível à influência das emoções dos outros.
5- Capacidade de entrar e sustentar relacionamentos interpessoais.
Tipos
Os tipos básicos são o masculino e feminino e entender essa dinâmica é fundamental num relacionamento. Leia o meu artigo sobre yin-yang masculino-femino.
Além disso, existem tipologias mais complexas com o eneagrama. Basicamente, temos estilos ou personalidades, independente do estado ou estágio que estivermos de desenvolvimento. Essa personalidade ou esse caráter pode estar mais ou menos encaixado na sua relação, mais ou menos fixado.
Uma boa forma de estudar tipos também são símbolos astrológicos.
De qualquer forma, tipologia é um estudo horizontal importante que afeta as relações.
Polaridade, gênero, masculino e feminino
Cada nível ou corpo, do grosseiro ao mais sutil, pode apresentar polaridades diferentes, assim a fluidez entre identificações masculino e feminino também. Em níveis mais profundos, podemos realizar um casamento interior descrito nas tradições alquímicas de todo o mundo. Essa hiero gamos, essa união de opostos psíquica aparece também na leitura de Jung relacionada aos estados transpessoais de consciência.
Sombra e relacionamento
Relacionamento é espaço privilegiado para emergência de conteúdo reprimido e sombrio. Quase sempre culpamos o outro por nossas misérias e a tarefa básica da terapia de qualquer tipo é o lembrar que só você é responsável por seu estado psíquico.
Mesmo assim, relacionamentos anteriores, outras relações simultâneas, relações familiares e os diversos papéis desenvolvidos numa relação podem ser expressão de conteúdos reprimidos.
O trabalho sobre a sombra, seja em auto-análise bem como com um terapeuta, é fundamental.
Paradoxos existenciais
Vida e morte
- sexo e relacionamentos aumentam minha alegria e vitalidade num corpo que vai inevitavelmente envelhecer e morrer
- assim no meu coração eu digo silenciosamente sim para a morte
- enquanto eu afirmo com alegria a vida com todo meu ser
Dedicação ao outro
- radicalmente não existe “outro”
- não existe ser separado do espírito que eu possa servir ou libertar
- assim eu me dedico a libertar e servir todos os seres
Compromisso e desapego
- eu me comprometo profundamente com o outro na relação e na prática
- eu me desapego profundamente de todos os resultados e expectativas
Sexo no toque e na cura.
Sexo, geralmente, faz bem à saúde!
Mais que isso, o espaço de intimidade absoluta é normalmente um espaço de cura tremenda, de confissões totais, de abertura infinita. Reich nos lembrou dessa integração da vida que pulsa em nós e da atividade sexual. Corpo, mente e espírito se curam numa aliança amorosa profunda, não há muito mais o que dizer.
“Re-creação” “co-criação” e “procriação”
Acho que essas palavras falam por si só.
Tocando a face de Deus.
Recentemente na tradição cristã, Maria Madalena foi trazida a cena. Felizmente! Embora ainda vivamos essa dicotomia entre religiões pagãs que celebram a vida e religiões transcendentais que celebram o espírito, eu confio no “enlaçador de mundos”, no pontífice, naquela que consegue fazer uma ponte entre o céu e a terra, nessa condição humana de desfrutar de todo o espectro da consciência. De estar ao mesmo tempo na terra e no céu. De ser invejado pelos anjos, de poder se libertar. Só num corpo humano nós temos todas essas possibilidades. E ser completamente humano é mergulhar nas profundidades e nas altitudes e todo o espectro da vida em todas as cores da espiral e todo o arco-íris dos chacras em todos os vasos maravilhosos.
Somos um nó de relações, somos o cuidado em forma humana, somos nascidos do outro para o completamente outro. O mundo já estava aqui quando eu me percebi aos dois ou três anos de idade, mas eu talvez estivesse antes do mundo existir e continuarei além dele. Somos assim, puro espírito, mergulhados nesse caldo de sensações bioquímicas, energéticas, espirituais.
Somos o mistério profundo e tremendo de nós mesmos. Quem sou Eu? Quem sou Eu? Quem sou Eu?
Assim, vemos em parte, mas um dia veremos face a face.
Que seja cada um que chega ao seu caminho, uma face do divino. E cada sorriso ou lágrima uma brincadeira de Deus.
No mais, boa viagem! Você chegou aqui sozinho e vai sair sozinho, mas pode aproveitar a caminhada em boas companhias.
ps. Em tempo, eu sei que fiquei devendo aprofundar esses tópicos, mas é só um blog, quero mesmo ouvir as opinões de vocês sobre o tema.
25/09/09
A primeira vez que ouvi falar da alimentação viva foi com uma das pessoas hoje facilitadoras do processo lá do Terrapia, já são aproximadamente 10 anos, ela é uma das pioneiras e eu na época era vegetariano. No tempo que convivi com o pessoal do Sitio do Bicho Solto, um projeto de agroecologia em Teresópolis onde bebia suco verde todos os dias. Uma delícia!

Hoje em dia, em busca de uma alimentação integral, incluo vitaminas e suplementos protéicos na minha dieta, mas percebo os grandes benefícios de todos os dias, beber um suco verde em jejum pela manha, brotos e outros germinados também são maravilhosos. Em geral, o dia começa muito melhor!
Pela medicina chinesa, comer raízes e grãos é fundamental. Eu mesmo voltei a consumir carne anos atrás por perceber que só me alimentando de alimentos crus e “vivos” acabava acentuando meu vazio no meridiano do baço que na medicina chinesa tem a função de distribuir o qi (energia) dos alimentos pelo corpo. Mas apesar disso, nas pessoas que seguem a alimentação viva eu não percebo qualquer sinal de humidade ou de deficiência de baço, isso me impressiona muito.
Mesmo assim tanto a medicina chinesa como hoje em dia a maior parte das pessoas orientadas para alimentação percebem que consumir derivados de leite pode ser tornar um problema, bem como o consumo de açúcar, farinha branca e tantos outros elementos que certamente não nos fazem bem.
Mas, começando devagar, quero propor aos que lêem meu blog que experimentem fazer um suco verde. Vejam por exemplo uma matéria sobre alimentação que mostra as oficinas do Terrapia na Fiocruz aqui no Rio.
Para fazer o suco verde, é muito simples:
Lave duas ou três maçãs por pessoa, pique e bata no liquidificador com casca mas sem as sementes.
Você pode bater aos poucos e usar um pepino para ajudar a empurrar os pedaços de maçã.
Depois num voal você côa o suco de maçã separando o bagaço.
O suco de maçã é então batido com folhas de todo gênero: couve, rúcula, hortelã, salsinha, folha de brócolis e outros.
Bata em seguida com um punhado de grãos germinados que podem ser: trigo, lentilha, girassol , e outros.
A idéia de germinar é simples, deixe na água 24h e depois lave algumas vezes até aparecer um “nariz” branco na semente.
O suco é uma delícia e dá onda! Beber suco verde todos os dias muda a sua vida, sua relação com o alimento e causa uma enorme alegria intestinal. Limpa e fortalece o sangue e libera os desequilíbrios do fígado.
Eu tenho feito o suco verde, aliás, vou fazer um agora mesmo. Se você é de Niterói, entre em contato, pois indico uma nutricionista que pode te ajudar a incluir pratos da alimentação viva na sua dieta.
O suco pra quem entende, feito assim tem toda a combinação certa para enquilibrar seu intestino deixando as bactérias boas em ótimo estado e ajudando a trazer saúde e plenitude pra sua vida!
VIVA A ALIMENTAÇÃO VIVA!
últimas discussões