Orientação da Saúde – o que os orientais nos ensinam que os nossos avós já sabiam

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No dia-a-dia da prática clínica, ao me deparar com desequilíbrios e desarmonias ao redor e em nós mesmos, somos convocados a nos harmonizar a todo o momento. Uma emoção mais forte, uma alimentação incorreta, uma postura de yoga mal feita, uma palavra mal dita, tudo nos afeta e nos adoece. Somos um sistema vital, dinâmico e homeostático.

Somos um mistério nessa harmonia entre o Céu e a Terra e temos muitas dimensões a que cuidar. Cuidamos do corpo, em alimentos cheios de vitalidade, mas principalmente da vitalidade e energia que colocamos ao prepara-lo, tomando sucos de sementes germinadas, tomando vitaminas, buscando comer seguindo regras básicas como manter o seu prato colorido e comer grãos no almoço e raízes no jantar.

Mas de onde vem esse saber que a ciência não comprova, essa sabedoria simples e de bom senso da arte de viver? Hoje atendi uma cliente que ao perceber um severo desequilibrio nas suas águas lhe perguntei:  Quanto de água você bebe? A resposta foi, “um copo por dia no máximo!”

Parece um absurdo, mas não é, é justamente essa medicina da harmonia nos faz buscar o bom senso do beber líquidos suficientes, do escutar o corpo quando dói, a emoção quando transborda, o mal estar quando chega e o bem estar quando transborda. Porque somos um ser em busca de equilíbrio e todo excesso é um desequilíbrio.

Foram essas as grandes revoluções de medicina do século, o sanitarismo, as práticas de cuidado de si como escovar os dentes, lavar as mãos, cuidar do alimento saudável.  Não foram os remédios de última geração, cada vez mais caras e cada vez mais fortes na sua capacidade de entorpecer a vida. Tudo que entramos em contato nos cura e nos adoece, o que nos cura é sempre o que é mais semelhante em nós mesmos, o mais parecido conosco, o que no outro encarna a virtude que somos, mas também o que nos lembra das nossas dificuldades.

Tudo no mundo tem cura, não pela medicina ocidental, mas em geral, toda vida encontra uma cura, uma mudança, uma transformação. Somos a onda dessa transformação, desse movimento desse ir além. E quando encontramos nossos limites, eles que merecem ser bem conhecidos, são limites de quem? São os nossos mesmo? São os limites da cultura, do outro, do olhar dos outros, os limites dos nossos medos, já tentamos transpor esses limites algumas vez ou acreditamos na solidez desses limites ou ficamos adestrados como o cão que na coleira, quando se solta não sabe mais ir além da distância da coleira que carregava. Qual a realidade das nossas prisões, são nossos limites para nos proteger, mas o que serviu ontem a nos proteger ainda é hoje o que nos protege?

E para onde nos orientam os antigos sábios da china?

Eles nos falam de muitos pontos centrais, mas que há uma dinâmica serena e possível encontrada no caminho da vida, no caminhar, no próximo passo, se olharmos demais para trás não avançamos, se ficarmos a espera da companhia perfeita tampouco sairemos do lugar. Assim, vamos caminhando se chega junto uma companhia na viagem, acolhe e segue junto, pois partilhar dos olhares das estrelas e contar histórias é o que nos faz humanos.

Mas o que é uma pessoa saudável? Uma pessoa saudável na medicina chinesa é que está em movimento, em crescimento em evolução, é aquela em que o espírito encontra no movimento da energia e nas bases das suas essências uma expressão harmoniosa.

Quem é responsável pela sua saúde. O seu especialista, o seu médico, é justo pedir que outro assuma para si os desvios e as desarmonias, é justo se sentir injustiçado se sabe que os hábitos da sua vida conspiram pela suas desarmonias? Entender que somos a expressão das nossas escolhas e somente nós. Toda raiva, toda tristeza, toda ansiedade que surge, surge em nós e esse movimento embora natural e possível, se cristaliza, mata.

O que está no seu coração que não te traz felicidades. Seus pensamento, seus atos e suas atitudes são as mais amorosas possíveis? É possível perceber seu corpo, suas dores,  se automassagear,, se auto-curar e também se deixar cuidar, se deixar curar no encontro com o outro? É possível acompanhar seus pensamentos numa meditação, sentir sua energia numa prática de qi gong, perceber que comida viva e brilhante? Existe uma qualidade energética no sabor, nas cores e nos texturas, tudo é energia, tudo é brilho e luminosidade.

Somos o nosso livro de estudos, vamos virando a página pra descobrir a autoria, nos ensinou o sábio.

E a orientação que podemos buscar com os antigos, não é diferente das tradições de todos os povos. Saber dar e receber cuidados. Essa atitude básica a que estamos condenados na nossa condição humana, experimentar como nossa principal virtude e nossa principal forma de amar.

Quem ainda não percebeu que é só isso que podemos fazer, que nascemos do cuidado e cuidamos da casa, da caixa de email, dos arquivos virtuais, das palavras e também, fundamentalmente, cuidamos de si e cuidamos do outro.

Recentemente evoquei o evangelho, uma dessas palavras esquecidas pelos profissionais da saúde, que se estendem a todos. “Médico, cura-te a ti mesmo!”

Melhor seria, ser humano, cuida do seu jardim, cuida do seu coração, cuida do seu templo, cuida dos seus pensamentos.

Assim, podemos falar de viver. Da arte de viver, da arte de sorrir, da arte de se alegrar. Nem todo mundo está preparado, nem todo mundo suporta muito amor, nem todo mundo aguenta o mundo novo que se abre ao nosso olhar a cada instante.

Mas nosso corpo, a idade que chega, os anos que passam, os sonhos que se realizam e os que ficam guardados pra sempre, tudo, tudo nos convoca cultivar.

Por isso, na tradição oriental, o saber nunca ficou muito afastado da linguagem popular, perceber a palidez da língua, a fraqueza do no pulso, deveria ser uma relação direta com nossa capacidade de sentir a si mesmo e ao outro.

Para resgatar essa tradição, pra resgatar esse saber, eu proponho me encontrar, abrir espaços de encontros pra falar de saúde. Porque eu adoro acupuntura e medicina chinesa, mas gosto mesmo de ver as pessoas aprendendo a se cuidar, aprendendo a se iluminar, aprendendo a seguir seu coração ao invés de uma palavra que já não tem sentido.

About The Author

Mario Fialho

Mário Fialho é pai do Miguel Luz, professor na multiversidade, clínica e escola em Niterói. Vive dedicado a escrever, ensinar e a cuidar de tudo que é bom, belo e verdadeiro com simplicidade. E agradece a sua visita.

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