muta̵̤es Рou a abertura ao aberto


A impermanência é uma das lições mais importantes presente tanto na tradição grega, onde Heráclito nos ensina que nunca entramos no mesmo rio duas vezes, bem como no oriente, quanto tanto shiva, mantém o universo em permanente dança e transformações ou no budismo a fonte do sofrimento é o apego ao impermanente que permeia tudo. Os taoístas, por sua vez, também sequer percebem algo que não seja constante mutação, eis o grande tratado do yi jing, o livro das mutações, tudo é processo, devir e transformação de um estado ao outro, do yin ao yang.

Espirais, evolução darwiniana, cognitiva, histórica, dialética, ser e tempo, então o nome mais comum seja mesmo VIDA.

“Em busca da infinita fonte da transformação” estamos todos no caminho. Lindo que tanto na tradição cristã como no taoísmo é no caminho, no processo, na viagem dos homens sobre a terra e das estrelas ao redor do sol que caminham em luminares arrebatando os passos das almas sobre a terra.

escrevo sem saber aonde chegar ao fim…

escrevo sem saber ao certo o que registrar…se tivesse um papel seriam uns riscos, o risco de dizer uma palavra inacabada…

assim, registro o caminho do pensamento, que é sempre assim, nunca principia nem acaba...

… o pensamento já vem, e segue sem fim, ao infinito devir que as vezes chamamos-te tempo…

O Tao, em chinês, traz uma cabeça e um caminho, traduzindo por sentido, por caminho, mas fundamentalmente pelo que não pode ser traduzido, que não pode ser dito, que não pode ser escrito, pois segue sempre adiante, um passo atrás, suspenso, per-seguimos…

“A paisagem não espera” na viagem que colhemos, amigos, amores, memórias, sonhos, reflexões, pensamentos nossos e alheios, do além ou do aquém.

“Tic, tic, tac, piuí….” o trem da vida nos leva de vida em vida, de presença em presença na eterna dança dos en-c´ontros.

Por isso eu gosto do forró, porque até dançarmos com todos os átomos do universo não cessará o movimento perfeito de todo desejo.

E a memória de tanto sofrimento, será dolorido a morte de uma estrela, ou será uma super-nova um nome justo para a morte de um sol?

Sol, Mercúrio, Júpiter, Plutão, Vênus, Saturno… “sou eu quem fiz este universo acontecer”

“E nasce e leve de-vagar em uma canção de ninar, que nos acolhe pra dizer… o amor jamais deixou você.”

Texto pra registrar esse amanecer na clareira luminosa e emanescente do meu pensamento, cheio de boa nova, cheio de menos de mim e mais de luz, amor, paz.

Quem habita em mim é o mundo, o Ser,  o mundo que se colhe em cada olhar e se rec-olhe em cada piscar.

*as citações são do maravilhoso album da Flávia Wenseslaw – Quase primavera –  que me atravessou enquanto escrevia o texto, foi com ela que compus estes versos.



About The Author

Mario Fialho

Mário Fialho é pai do Miguel Luz, professor na multiversidade, clínica e escola em Niterói. Vive dedicado a escrever, ensinar e a cuidar de tudo que é bom, belo e verdadeiro com simplicidade. E agradece a sua visita.