Gaia e Evolṳ̣o РArrumando a Cama


Quando jovem, uma querida amiga, hoje, doutorada em história me disse a seguinte frase: Aquele que não arruma a própria cama não consegue arrumar o mundo. Essa frase foi como um dos estrondos pra os primeiros anos da adolescência. Primeiro porque a admirava muito na época, possivelmente quinta ou sexta série e até hoje é uma amiga muito querida. Segundo porque também não arrumava a minha cama, mas tinha um profundo sentido de que o mundo precisava de alguma arrumação. Eram nos dados temas de redação, desde que me entendo por alguém que escreve para “resolver os problemas do mundo”.

Até hoje vejo as crianças falando sobre aquecimento global e crise ambiental. Eu também era assim, escrevia sobre a paz e sobre como resolver os problemas do mundo. Que pena que não me ensinaram na juventude a sentar e meditar.

Eu segui na juventude envolvido com movimentos políticos e sociais, me formei em direito na UERJ e fiz parte de vários movimentos ecológicos, ONGs de toda a sorte. Estudei direito ambiental e fui filiado ao partido verde e ao partido dos trabalhadores. Era herdeiro da geração que trouxe para a política o palco da vida e acompanhava o final da história, muros, luta de classes, tudo aquilo que hoje não faz mais sentido na economia mundial e por isso se chamou o fim da história. Pelo menos essa história que tinha por “motiv” esse dialética.

Hoje, conversei com um amigo, desses que, como eu, esteve em cuba, militou nos movimentos estudantis e que continua militando na justiça do trabalho. Um outro amigo que acabou de ingressar na carreira de embaixador e com quem dividi muitas ótimas conversas nos bares ao redor da faculdade. Falavamos de Marcuse, Deleuse e Guatarri, Foulcaut, Habermas, todos os pós-estruturalistas sentavam-se no bar com Leonardo Boff e Francisco de Assis. Me lembro como num clarão dele me relatando que a vida estava mesmo pra ele clara entre o caminho da espiritualidade e o caminho do engajamento político. Isso o definia pra mim como irmão.

Mas embora minhas memórias, sonhos e reflexões não sejam bem o tema que quero tratar. Mas sim de ecologia, uso esses exemplos pra falar da dicotomia, da dissociação que vivemos entre Eros e Agape entre o engajamento ao múltiplo e ao uno, a não superação dos paradoxos da falta de entendimento mutuo no campo da noosfera que é o problema central, inclusive no que repercute na crise ecológica.

Recentemente assisti e fiz cópias d o filme Home, cujo torrent pode se baixado aqui e que está atualmente nos cinemas.

http://thepiratebay.org/torrent/4937894/HOME_-_O_Mundo_e_a_Nossa_Casa_TVRIP.XDROP

É um belíssimo filme que apena para a visão global que precisamos desenvolver. E nos dá vários dados sobre a crise ecológica.

Chegamos ao tema que foram o que me fizeram sair do direito para a psicologia clínica e para dar aulas como uma postura ética e livre que reforço aqui.

Os principais problemas que ameaçam Gaia não é a poluição, industrialização, cultivo excessivo, perda de qualidade do solo, superpopulação, buraco na camada de ozônio o maior problema é a incapacidade de nos entender. E isso não parece ser qualquer coisa simples de se resolver.

O problema não é como demonstrar em termos monologicos e com comprovações científicas que Gaia está em apuros. (radicalmente nós estamos). O problema não é a verdade ou que ela seja inconvenitente, mas ninguém parece perguntar o que faz com que seja inconveniente.

Enfim, o problema não é passar a arrumar a cama. Não é um problema exterior o problema real. Mas um problema interior. O problema nos termos apontados por Ken Wilber nos passos de desenvolvimento que passarmos de uma visão egocêntrica para sociocêntrica para uma consciência “mundocêntrica” a única forma para livremente nos engajarmos em soluções globais.

Mais uma vez, como fazer isso? Essa é a coisa mais difícil de todas, novamente o tema da evolução e de níveis de desenvolvimento, bem piagetianos em termos cognitivos ou mesmo axiológicos como na dinâmica da espiral. Como conseguir ver além de si, como ver o outro, como ver a coletividade, como ver a humanidade, como ver a vida em sua perspectiva.

Por mais que se ensine ecologia no ensino médio e nos falem que vivemos numa grande teia da vida com vários níveis de sucessões ecológicas. Por mais que o Green Peace nos tragam placas dizendo salve as baleias ou salve gaia. Essa visão exterior das coisas esse mundo de pesquisas não contribui em praticamente nada. Precisamos entender como internamente isso se processa nas complexas transformações psicológicas necessárias, o que não é uma coisa nada simples.

Assim como bem cedo na faculdade de direito percebi que não são as leis escritas que podem nos ajudar, mas compreender os sonhos, os desejos, o sentido e o desenvolvimento da vida que nos ultrapassa.

Outro dia caminhando na praia com uma outra amiga, conversávamos sobre algum desses dados, como uma crise de abastecimento de água nos próximos 10 anos e ela respondeu que nem pensa nisso. Claro que não, porque não saímos no nosso umbigo e isso não é uma questão qualquer, como fazer essa transição cognitiva?

Eu sigo então conspirando por níveis mais integrais de consciência a cada dia no consultório o nas salas de aula. Tenho ainda dificuldades de arrumar a cama como alertou a minha amiga. Mas aos poucos, sentando em silêncio e me dedicando a arte de escutar na clínica em psicologia vou percebendo a necessidade de permitir níveis mais amplos, generosos de manifestação do espírito-vida que nos atravessa.

Esse não foi um texto típico de um blog, uma mistura de impressões, confuso como anda nossa noosfera, mas deixo aí rastros para um leitor fazer o percurso em seu interior.

About The Author

Mario Fialho

Mário Fialho é pai do Miguel Luz, professor na multiversidade, clínica e escola em Niterói. Vive dedicado a escrever, ensinar e a cuidar de tudo que é bom, belo e verdadeiro com simplicidade. E agradece a sua visita.