A CURA PELO OLHAR – seu olhar melhora

psicologia da mudança e do amor

O olhar procura, move, ilumina, transmite, reconhece, nada em nós se movimenta tanto, é ao  mesmo tempo tão fora, e tão dentro, o olho, no olho, o olhar, no olhar o observador, no observar, quem vê.

Perspectivas entre perspectivas, olhamos como somos, vemos como nos tornamos. Não há realidade que não seja para uma perspectiva, há tantas perspectivas quanto mundos.

Não há centro no bigbang, dizem os cientistas, o universo se expande, se expande, em todas as direções, como nosso olhar.

O olhar cura se abre-se ao infinito, às vezes porém, nós, os míopes, precisamos ver de perto pra crer, outros de olhares mais distantes, gostam mais dos horizontes do que o mais perto. Longe ou perto, olhar aberto e vasto é o que cura.

O que adoece é sempre a visão tacanha, um óculos que ficou velho e não percebemos. Traz os lodo esverdeado em cores do tempo que não mais está em nós. Por isso, um outro olhar sinceramente direto, franco, aberto e verdadeiro para nós mesmo é muito mais do que um espelho nos oferece, é UMA OUTRA PERSPECTIVA.

E para que serve uma perspectiva? Eu me lembro das aulas de desenho e pintura, uma perspectiva na pintura é o que nos ajudar a ter profundidade, é o que nos situa diante do horizonte, o que nos coloca em nosso lugar num quadro, num sistema, num sentido.

Tal como para manter o equilíbrio interno, precisamos fixar um ponto no horizonte, para nos manter em movimento dinâmico na dança precisamos ver um ponto imaginário de tempo mais ou menos perto de nós, ampliamos o tempo, aceleramos ou atravessamos o tempo.

O tempo é uma percepção que moldamos, mais do que ontologia, mais do que epistemologia para os que gostam. Não se trata de um saber nem de Ser, mas de um vir-a-ser-junto.

Assim que, para uns, o tempo já passou, para outros está começando e isso nada tem que ver com idade cronológica ou biológica, pois podemos regenerar nossos corpos e “corpos calosos” muitas vezes na vida, fazer pontes que nunca imaginamos, falar de coisas que nunca sonhamos e isso é ver mais e além, isso é integrar.

O trabalho de integração é um trabalho de ampliar o olhar, saber que o que vemos ontem não cabe no frame mais vasto, que as imagens 3D moldam cérebros muito mais velozes e que o que consideramos e que a realidade quotidiana remodela neurônios, plásticos e práticos. Simples como passar o dedo sobre a tela, pra interagir com a informação, cria um mundo novo quando transforma o cérebro na relação com o mundo. Somos assim, nós-no-mundo-entre-vistos-de-visões, percebemos.

Entre desconhecidos somos às vezes mais nós mesmos, entre conhecidos somos às vezes desconhecidos. Entre-olhares somos às vezes temerosos, mas o olhar que enfrenta o temor, não teme ser olhado, julgado rejeitado.

Assim, o olhar CURA toda vez que apura a verdade, mas não se prende a ela, pois ela é só um ponto de vista que se compartilhado pode se verificar mais ou menos verdadeiro. Mais ou menos temporário. Olhemos adiante, além, audelá.

Ser um cientista é verificar o olhar.

Ser humano é se deixar olhar.

Despir-se de espelhos e ver o outro nos olhos seus, refletidos ao infinito de nós dois, como as íris e sentidos multicores com que colorimos o mundo.

A única coisa séria nisso é lembrar, que nós, tal como o universo, nos expandimos em todas as direções, decompomos, rompemos, quebramos amarras, tal como a luz quebra a água (fotólise) nos vegetais que nos alimenta, verdes,  tal como o que respiramos vira e revira de novo alimento, sangue.

Somos, nos olhos, fotos e luz de nós mesmos espalhados no universo. O que é um átomo que encontra com outro no universo, quem é o sujeito da colisão, quem é predicação? Quem começou o movimento? Que é o culpado pela dança, pelo choque? Quem faz acontecer o encontro, a crise a catálise de todos nossos encontros? Há que creia que são as estrelas. E acredito que é escolha mesmo. Assim como na peça de teatro da nossa vida, combinamos tantas vezes os scripts, fazemos ensaios mentais, vamos lá fazemos “a cena”. Somos aplaudidos pelos especta-dores invisíveis de nós mesmos. Atores como os átomos, como estrelas, de uma dança que se repete até que decidamos nos reunir numa fusão atômica, que explode em energias e permite novas e inimagináveis ligações diante do universo. A tudo isso, somos convocados a ver de posição e momento, lugar e tempo únicos. Somos por isso, radicalmente únicientes.

Quem é você o que vem e que vai? O que chega, une e cria uma nova molécula, novo sistema, nova unidade, vida de ligações de sopro com a Vida.

Tudo quebra, decompõe, vira partícula, pra se recompor em novos corpos, em novas formas em novas ideias de novo a luz.

Partícula e onda, yin e yang.

Hidrogênio e Oxigênio na fase escura e na fase clara do dia e da noite.

Quem reuniu? Quem quebrou? Quem voltou a reunir?

O seu olhar com o de quem te vê? Quem te vê? Quem te cuida? Quem te CURA?

Seja QUEM for – todos assistimos com olhares mais ou menos abertos – a dança dos átomos às estrelas e entre os dois, nós dois.

About The Author

Mario Fialho

Mário Fialho é pai do Miguel Luz, professor na multiversidade, clínica e escola em Niterói. Vive dedicado a escrever, ensinar e a cuidar de tudo que é bom, belo e verdadeiro com simplicidade. E agradece a sua visita.

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