medicina e psicologia integral
ARTIGOS
Relacionamentos e evolução
17/08/09

ImagoDei – óleo sobre tela Mário Fialho
Relacionamentos, encontros foram na minha experiência sempre extremamente transformadores. Um analista junguiano certe vez, ao relatar a força de uma relação e a postura de uma parceira em terapia me afirmou: Que anima poderosa.
Ele se referia a função psíquica que Jung atribui como uma força integradora e transformadora em direação ao self no psiquismo feminino.
Realmente eu tive muitas experiências de amor a primeira vista, alguns duraram mais outros menos. Não quero entrar na discussão do que seria de fato esse amor a primeira vista. Se projeção da anima ou qualquer outro modelo neuroquímico que explique o amor.
O fato é que relacionamentos podem nos levar a suportar conteúdos inconscientes e transcendentes que não podemos ou não temos a coragem de suportar sozinho. E nesse sentido, a melhor coisa que pode nos acontecer é chegar ao fim de uma relação. E o motivo de celebrar o fim de uma relação ou um ciclo de crescimento é mesmo ter que lidar com o impacto dessa amplificação de consciência que uma relação nos deixa.
Claro, não são todas as relações que nos provocam isso, e falo principalmente da minha experiência, embora a própria vida de Jung seja um testemunho dessa questão.
Quando uma relação se desfaz, principalmente as que nos levam além de nós mesmos. Somos convocados a percorrer e integrar todos aqueles aspectos (projetado ou não) na relação que passou.
E muito comum hoje com tantos discursos feministas e machistas de um lado e de outro, encontrarmos uma possibilidade integral num relacionamento. Como em tantas outras áreas da vida estamos acelerando demais nosso crescimento e formas de contato para estabilizar algo por muito tempo.
Quando jovem estudante de direito, eu me imaginava correndo, estudando, passando num concurso e me estabilizando aos 30. Mas que desgraça é achar que a vida cresce para chegar a um platô aos 30 anos e fico feliz de ter vivido tantas intensidades afetivas que me movem sempre adiante e não me deixa parar. Que alegria poder reconhecer isso com a lucidez que me assalta agora.
Eu me sinto hoje em dia mais feliz e integrado do que em qualquer outro momento na minha vida e sou muito grato a todos os encontros e desencontros que tive, principalmente as despedidas abruptas que me convocaram ao encontro comigo mesmo ainda mais radical.
Claro, que como em qualquer crise podemos ter duas atitudes básicas: Ou nos tornarmos amargos e ressentidos, culpando narcisisticamente outros por tudo, ou podemos nos responsabilizar por todas as nossas escolhas. Eu prefiro a segunda opção, mas percebo que nem sempre se consegue.
Então, como um relacionamento evolutivo, o encontro clínico é assim também. Uma possibilidade de ir além de nós mesmos com ênfase, no caso da clínica que pratico, de assumir responsabilidade radical pela nossa existência.
Gaia e Evolução – Arrumando a Cama
14/08/09
Quando jovem, uma querida amiga, hoje, doutorada em história me disse a seguinte frase: Aquele que não arruma a própria cama não consegue arrumar o mundo. Essa frase foi como um dos estrondos pra os primeiros anos da adolescência. Primeiro porque a admirava muito na época, possivelmente quinta ou sexta série e até hoje é uma amiga muito querida. Segundo porque também não arrumava a minha cama, mas tinha um profundo sentido de que o mundo precisava de alguma arrumação. Eram nos dados temas de redação, desde que me entendo por alguém que escreve para “resolver os problemas do mundo”.
Até hoje vejo as crianças falando sobre aquecimento global e crise ambiental. Eu também era assim, escrevia sobre a paz e sobre como resolver os problemas do mundo. Que pena que não me ensinaram na juventude a sentar e meditar.
Eu segui na juventude envolvido com movimentos políticos e sociais, me formei em direito na UERJ e fiz parte de vários movimentos ecológicos, ONGs de toda a sorte. Estudei direito ambiental e fui filiado ao partido verde e ao partido dos trabalhadores. Era herdeiro da geração que trouxe para a política o palco da vida e acompanhava o final da história, muros, luta de classes, tudo aquilo que hoje não faz mais sentido na economia mundial e por isso se chamou o fim da história. Pelo menos essa história que tinha por “motiv” esse dialética.
Hoje, conversei com um amigo, desses que, como eu, esteve em cuba, militou nos movimentos estudantis e que continua militando na justiça do trabalho. Um outro amigo que acabou de ingressar na carreira de embaixador e com quem dividi muitas ótimas conversas nos bares ao redor da faculdade. Falavamos de Marcuse, Deleuse e Guatarri, Foulcaut, Habermas, todos os pós-estruturalistas sentavam-se no bar com Leonardo Boff e Francisco de Assis. Me lembro como num clarão dele me relatando que a vida estava mesmo pra ele clara entre o caminho da espiritualidade e o caminho do engajamento político. Isso o definia pra mim como irmão.
Mas embora minhas memórias, sonhos e reflexões não sejam bem o tema que quero tratar. Mas sim de ecologia, uso esses exemplos pra falar da dicotomia, da dissociação que vivemos entre Eros e Agape entre o engajamento ao múltiplo e ao uno, a não superação dos paradoxos da falta de entendimento mutuo no campo da noosfera que é o problema central, inclusive no que repercute na crise ecológica.
Recentemente assisti e fiz cópias d o filme Home, cujo torrent pode se baixado aqui e que está atualmente nos cinemas.
http://thepiratebay.org/torrent/4937894/HOME_-_O_Mundo_e_a_Nossa_Casa_TVRIP.XDROP
É um belíssimo filme que apena para a visão global que precisamos desenvolver. E nos dá vários dados sobre a crise ecológica.
Chegamos ao tema que foram o que me fizeram sair do direito para a psicologia clínica e para dar aulas como uma postura ética e livre que reforço aqui.
Os principais problemas que ameaçam Gaia não é a poluição, industrialização, cultivo excessivo, perda de qualidade do solo, superpopulação, buraco na camada de ozônio o maior problema é a incapacidade de nos entender. E isso não parece ser qualquer coisa simples de se resolver.
O problema não é como demonstrar em termos monologicos e com comprovações científicas que Gaia está em apuros. (radicalmente nós estamos). O problema não é a verdade ou que ela seja inconvenitente, mas ninguém parece perguntar o que faz com que seja inconveniente.
Enfim, o problema não é passar a arrumar a cama. Não é um problema exterior o problema real. Mas um problema interior. O problema nos termos apontados por Ken Wilber nos passos de desenvolvimento que passarmos de uma visão egocêntrica para sociocêntrica para uma consciência “mundocêntrica” a única forma para livremente nos engajarmos em soluções globais.
Mais uma vez, como fazer isso? Essa é a coisa mais difícil de todas, novamente o tema da evolução e de níveis de desenvolvimento, bem piagetianos em termos cognitivos ou mesmo axiológicos como na dinâmica da espiral. Como conseguir ver além de si, como ver o outro, como ver a coletividade, como ver a humanidade, como ver a vida em sua perspectiva.
Por mais que se ensine ecologia no ensino médio e nos falem que vivemos numa grande teia da vida com vários níveis de sucessões ecológicas. Por mais que o Green Peace nos tragam placas dizendo salve as baleias ou salve gaia. Essa visão exterior das coisas esse mundo de pesquisas não contribui em praticamente nada. Precisamos entender como internamente isso se processa nas complexas transformações psicológicas necessárias, o que não é uma coisa nada simples.
Assim como bem cedo na faculdade de direito percebi que não são as leis escritas que podem nos ajudar, mas compreender os sonhos, os desejos, o sentido e o desenvolvimento da vida que nos ultrapassa.
Outro dia caminhando na praia com uma outra amiga, conversávamos sobre algum desses dados, como uma crise de abastecimento de água nos próximos 10 anos e ela respondeu que nem pensa nisso. Claro que não, porque não saímos no nosso umbigo e isso não é uma questão qualquer, como fazer essa transição cognitiva?
Eu sigo então conspirando por níveis mais integrais de consciência a cada dia no consultório o nas salas de aula. Tenho ainda dificuldades de arrumar a cama como alertou a minha amiga. Mas aos poucos, sentando em silêncio e me dedicando a arte de escutar na clínica em psicologia vou percebendo a necessidade de permitir níveis mais amplos, generosos de manifestação do espírito-vida que nos atravessa.
Esse não foi um texto típico de um blog, uma mistura de impressões, confuso como anda nossa noosfera, mas deixo aí rastros para um leitor fazer o percurso em seu interior.
Dinamica da Espiral – Excertos
24/07/09
Spiral Dynamics, a dinâmica da espiral é uma teoria do desenvolvimento humano introduzida no livro Spiral Dynamics por Don Beck and Chris Cowan baseada nas pesquisas de Clare W. Graves.
1º nível – Bege – O Instintivo

Âmago do Bege
“Minha existência está centrada na sobrevivência e na satisfação das minhas necessidades físicas para que eu não tenha fome nem sede. Devo reproduzir a minha espécie, por isso reajo aos meus insintos sexuais à medida que eles ocorrem. Não percebo o que querem dizer com “futuro”, fazer planos, poupar dinheiro para uma emergência ou por “eu”. O meu corpo diz-me o que fazer e sou levado por sentidos dirigidos ao meu cérebro, não por uma mente consciente”.
(Fonte: Beck e Cowan in Dinâmica da Espiral. Ed.: Sociedade e Organizações. Portugal. Pg. 243)
Dados
0.1% da população – 0% do poder
Início de População Expressiva (coletivo): há 100 mil anos.
Fase da Vida (individual): 0 aos 18 meses
Características Gerais
>Hábitos instintivos.
>A distinção do Self é pequena.
>Necessidades biológicas (comida, água, calor, conforto, sexo, segurança).
>Vida focada na sobrevivência física.
>Impacto mínimo no ambiente natural (é como mais um animal do ecossistema).
>Impulsionado por instintos e genética.
>Emoções raras (o instinto/automatismo biológico predomina).
Exemplos
>Crianças recém nascidas.
>Velhos senis ou Alzhaimer.
>Doentes mentais.
>Massas famintas.
2º nível – Púrpura – O Tribal-Animista

Âmago do Púrpura
“Procuramos a segurança para nossa raça através da confiança nas relações de sangue, nos extensos laços familiares e nos poderes mágicos que alcançam o mundo espiritual. Veneramos como sagradas as tradições de nossos antepassados, pois eles são iguais a nós. A nossa tribo está repleta de rituais sazonais, ritos de passagens, músicas e danças tradicionais. Procuramos viver em harmonia com a natureza e os seus modos, através das nossas cerimônias.”
(idem. Pg. 251)
Dados
10% população – 1% Poder
Início: Há 50 mil anos.
Fase da Vida: 1º ao 3º ano.
Características Gerais
>Crença em espíritos mágicos
>Pensamento Animista
>Organizam-se em tribos étnicas
>Procuram harmonia com poderes da natureza (naturalismo animista: muito diferente de pensamento ecológico!!)
>Respeito aos mais velhos
>Veneração aos ancestrais
>Ritos de passagem
>Sentido mistificado de causa e efeito (superstições)
>Talismãs, objetos de sorte ou sagrados (Pingentes, figas, buquês de casamento, dentes de leite, cordão umbilical, álbum de família)
>Preservação de lugares, objetos e rituais sagrados
>Obediência aos desejos dos seres espirituais
>Crianças percebem que as pessoas (e animais) são seres sensíveis em vez de meros objetos
>Real e fantasia estão muito próximos.
>Histórias e canções transmitidos oralmente
>Desenhos, danças, trabalhos manuais passados de geração em geração
>”Um por todos, todos por um”
>Bruxaria é respeitada e temida
>Narcisismo indiferenciado freudiano
>Apego a pessoas e objetos
>Sentimento de “pertencer”
>“Somos ‘O POVO’, os outros são forasteiros, não-pessoas, demônios estranhos”
Exemplos
>Índios americanos
>Gangs
>Tribos Corporativas
>Kamikazes, Homens-bomba
>Nazismo de Hitler
>Socialismo/humanismo africano (Ubuntu)
>“Harry Potter”
3º Nível – Vermelho – O Egocêntrico-Impulsivo
Âmago do Vermelho

”A vida é uma selva. É a sobrevivência do mais apto. Sou duro, e espero dos que me rodeiam que também o sejam. Comando pessoas e posso vencer a Natureza, submetendo-a à minha vontade. O respeito e a reputação têm mais importância do que a própria vida, por isso faço o que for necessário para evitar ser envergonhado e humilhado. Se tivermos algum valor, não precisamos de tirar nada de ninguém. As coisas vêm ter conosco. Seja lá o que for que precisarmos fazer, fazemo-lo sem culpas. Nada nem ninguém vai interferir na nossa vida. O agora é tudo o que existe, por isso, farei apenas o que me faz sentir bem. Não nos podemos preocupar com o que ainda não aconteceu. Sou tudo o que tenho, e alcançarei meus objetivos, ou morrerei a tentar”.
(idem. Pg.265)
Dados
20% da População – 5% de poder
Início: Há 10 mil anos
Fase da Vida: 3 aos 6 anos
Características Gerais
>Egocêntrico
>Defesa da honra
>Corajoso
>Libertador
>Criativo
>Inconseqüente, sem culpa.
>Forma-se um Ego definido.
>Crianças dizem “eu”,”meu”.
>As coisas e pessoas pertencem às crianças nessa fase
>“Senhores da Guerra”
>Rompem as tradições Púrpuras.
>“Natureza existe para ser conquistada” (explorações)
>Raiva, ódio, fúria.
>Manipulação com crueldade
>Impõe a vontade pela força
>Satisfação imediata dos desejos.
>Sobrevivência do mais forte. (A vida é uma selva).
>Dificuldades e fracassos são colocados fora do ‘eu’ (“A culpa não é minha!”).
>Não consegue poupar recursos ou manter compromissos diários.
>Organizações Vermelhas trabalham naturalmente com subornos e “coices”.
>Não há altruísmo, só troca de favores.
Exemplos
>Guerreiros medievais
>Bolsões de violência nas grandes cidades
>Idi Amin Dadá
>Estrelas do Rock
>William Wallace
>Líderes de Gangs
4º Nível – Azul – O Mítico-Conformista

Âmago do Azul
”Uma simples força dirige e controla o mundo e determina o nosso destino. A verdade permanente estrutura e ordena todos os aspectos da vida na terra, para além governar também os Céus. A minha vida tem sentido porque o fogo da redenção arde no meu coração. Sigo o caminho que está traçado, que me liga a algo superior (uma causa, crença, tradição, organização ou movimento). Defendo o que é correto, decente e bom, sujeitando-me sempre às diretivas da devida autoridade. Sacrifico de boa vontade os meus desejos no presente, na certeza de encontrar algo maravilhoso no futuro”.
Dados
40% da População – 30% do Poder
Início: Há 5 mil anos
Período da Vida: 7 a 8 anos
Características Gerais
>Existe um “certo” e um “errado” absolutos (mandamentos: “farás” ou “não farás”)
>Julgamento constante
>Se estou certo, serei recompensado por alguém (autoridade)
>Se estou errado, a punição é justa (culpa)
>Pessoas divididas em “certas, justas e boas” ou “erradas, cruéis e más”
>Existe um poder superior que controla e regula a existência humana
>Expurgação dos pensamentos impuros
>Conversão (ou eliminação) dos que pensam “errado”
>As regras são inflexíveis e devem ser seguidas rigorosamente
>Surgimento do Monoteísmo
>“O Livro” traz toda a verdade
>Sacramentos
>Fé cega
>Mentalidade de Rebanho (As “ovelhas” e um “pastor”)
>Moral rígida (estoicismo)
>Os dogmas são inquestionáveis
>Impor a Justiça e a Ordem
>”Lei, direito e Justiça”
>Disciplina
>Regras e horários
>Leis de um país
>Cordialidade
>Burocracia
>Sistema de castas
>Sofrimento físico é inspiracional
>Geralmente, o sexo é visto como sujo (deve ser estritamente reprodutivo)
>O mundo é categórico e hierárquico
>A autoridade deve ser respeitada (conformismo)
>”Foi porque Deus quis assim”, “Está ruim, mas Deus ajuda”
>Capacidade do pensamento abstrato e linear (alfabetização infantil)
>A vida tem um propósito que deve ser seguido
>Sacrificar o ‘eu’ para posterior recolha de prêmios – “Sacrifícios inspiracionais”
>Impulsividade controlada pela culpa
>“Culpa, culpa, minha máxima culpa”
>Luta da luz contra as trevas (interna e externamente)
Exemplos
>Hierarquias clericais
>Organizações militares
>Extremistas religiosos
>Beatos
>Maioria dos sistemas Absolutistas
>Monarquias Hereditárias
>Organizações Teocêntricas
>Sistema de Castas Indiano
>Pirâmide Social na Europa Medieval
>Monismo
>Religiões que lutam contra os “demônios” ou o “diabo”
>Empresas com regras e hierarquias rígidas
>Estoicismo (Zenão de Cício)
>China Confucionista
>Puritanismo americano
>Singapura
>Fundamentalismo Islâmico
>Escoteiros
5º Nível – Laranja – O Ousado-Estratégico

Âmago do Laranja
“Eu quero realizar, e ganhar, e chegar a algum lado na minha vida. O mundo está cheio de oportunidades para aqueles que agarrem-nas e que corram alguns riscos calculados. Nada é certo, mas se formos bons, jogamos com as probabilidades e encontramos as melhores escolhas entre muitas. Temos de acreditar em nós mesmos em primeiro lugar, e tudo o mais se encaixará nos devidos lugares. Não nos podemos atolar em estruturas ou regras se elas atrasarem o processo. Em vez disso, por aplicações práticas de experiências já testadas, podemos melhorar as coisas e torná-las melhores para nós. Tenho confiança nas minhas capacidades e pretendo fazer diferença neste mundo. Reunir dados, construir um plano estratégico, e depois avançar para a excelência.”
(idem. Pg. 299)
Dados
>Na Europa emerge com: a) Economia de mercado; b)Filosofia política unitária (Estado-nação); c) Ciência; d)Tecnologia (teares, imprensa); e)Emergência do Indivíduo.
>O Laranja herda do Vermelho: Poder pessoal e satisfazer os desejos do ‘eu’
>Herda do Azul: Existência determinada e reconhecimento das regras
> Esforço pela autonomia e independência
> “A boa vida” e a abundância material
>Procura das melhores soluções
>Melhorar a vida pela ciência e tecnologia
>Competição
>Um ‘eu’ ilimitado e de possibilidades sem limites
>Jogar para ganhar
>Aprender pela experiência testada
>Atuação segundo o interesse pessoal
>Maximização de lucros
>Bens de consumo e prazer materiais
>Definir metas
>Quantificação de processo
>Consumismo
>Materialismo
>Estresse
>Tecnologia
>Realização pessoal
>Manipulação (dados, pessoas, sentimentos)
>Pessoas começar a ler e ficam com fome de informação
>“Arrogante” e “salafrário”
>Subalternos vistos como incompetentes, desmotivados e estúpidos
>O elitismo cria distância interpessoal
>“É com a mudança, e não com a permanência, que a natureza funciona”
>Acredita deter o domínio sobre todas as coisas (principalmente através da tecnologia e informação)
>Há muitos caminhos possíveis, mas um é melhor
>Fé e dogma Azuis, substituídos por dados experimentais
>Oportunidades
>Autonomia
>Autoconfiança é normal
>Ganância
>Pragmático
>Dinheiro e status são provas de “sucesso na vida”
>A vitória e a realização são as verdadeiras recompensas
>Competitividade
>“A vida é um jogo; o segundo lugar é o primeiro entre os perdedores”
>Capacidade analítica na otimização de soluções
>Materialismo sobre espiritualismo
>Pragmatismo sobre o princípio ou a tradição
>Vitórias a curto prazo sobre garantias a longo prazo
>Estar diretamente envolvido (e ser creditado) pelo progresso
>Imagem contra, freqüentemente, mais que substância
>Calculistas
>“Espionagem, ligações e aliados”
>Viver está baseado na relação custo/benefícios
>Criticismo tem sangue frio e é insensível, mas honesto
>Luta-se para ganhar e ficar no topo
>Calor superficial para aqueles que são úteis, enquanto são úteis
>Dificuldade de concentração em alguém que não ele próprio
>Podem ser inescrupulosos
>O Laranja nunca é apenas cruel, já que não compensa a longo prazo
>Novidades e melhoramentos
>Avanço econômico
>Dados e inúmeros gráficos para aumentar possibilidade de boas decisões
>“Cada um é responsável por si próprio”
>Investe-se nas pessoas: não lhes dá caridade
>Ocorrem pancadas de solidão trazidas pela competição constante
>Diante do fracasso, “levanta-te, tira-te o pó e começa tudo de novo”
Exemplos
>Adam Smith
>Galileu
>Bill Gates
>O Iluminismo
>Mecanicismo
>O Método Científico
>Era Industrial
>A vida “moderna”
>Moda
>Indústria de Cosméticos
>Liberalismo e Neoliberalismo
>Colonialismo
>Iniciativa privada
>A Guerra Fria
>Classe média emergente em todo o mundo
>Despertar da China
30% da População – 50% do Poder
Início: 300 anos atrás
Fase da Vida: 9 aos 14 anos
6º Nível – Verde – O Comunitário-Relativista

Âmago do Verde
“A vida é para experimentar cada momento. Todos nós podemos compreender quem somos e o extraordinário que é ser-se humano, se aceitarmos que toda a gente é igual e importante. Todos podemos partilhar a alegria da proximidade e da realização. Cada espírito está ligado a todos os outros na nossa comunidade; todas as almas viajam juntas. Nós somos seres interdependentes à procura de amor e envolvimento. A comunidade cresce através da sinergia de forças da vida; as dimensões artificiais tiradas de toda a gente. Há uma ordem permanente no universo para aqueles que lhe estão receptivos. Atitudes más e crenças negativas dissolvem-se assim que olhamos para dentro de cada pessoa e revelamos a sua riqueza interior. Paz e amor a todos.”
(Idem. Pg. 319)
Dados
10% da População – 15% do Poder
Início: 150 anos atrás
Período da Vida: 15 aos 21 anos
Características Gerais
>Comunitário
>Igualitário
>Consensual
>Relacionamentos afetivos
>Aceitação
>Empatia
>Diálogo
>Consenso
>Proximidade
>Pluralismo
>Harmonia
>Compaixão
>Ecologia
>Espiritualidade
>Inclusão
>Filiação
>Ética situacional
>Relativismo cultural
>Relações humanas
>Anti-hierárquico
>Democracia Social
>Competitividade dá lugar à partilha, entendimento, apreciação e tolerância
>Pode ser rígido em sua exigência por “mente aberta”
>Metafísica e sentimentos começam a substituir velhas análises científicas
>A necessidade de ser aceito pode sufocar sua vontade individual
>Partilha tanto emoções como bens materiais
>Prefere o simples, e não o luxo
>Sacrificar o ‘eu’ por amor
>Inaltenticidade
>Ser amado e aceito é mais importante que vencer, ou ter ganhos materiais
>Da arrogância individualista Laranja (Sou superior a vocês), vai para a arrogância coletiva (Cada um de nós pode ser o que quiser. Todos nós temos potencial ilimitado. Nós somos o número 1!).
>Soluções homogeneizantes (Toda a educação será resolvida com mais amor).
>Análise igualitária. “Todas as pessoas são boas”. Pode se tornar bastante ingênuo.
>Todos podem falar e contribuir na troca de emoções e idéias na equipe de trabalho (a busca por resultado pode esperar).
>Pode ser bastante dissolúvel (ou cego) para o resto da espiral, na crença de que sua forma é a forma.(Não existe uma melhor forma de pensar que a outra, a não ser a idéia de que todas as formas são boas)
Exemplos
>Greenpeace
>Feminismo
>Hippies
>Patch Adams
>Carl Rogers
>Psicologia Humanista
>ONG’s
>Revolução New Age
>Direitos Humanos
>Bob Marley
>Martin Luther King
7º Nível – Amarelo – O Flexível-Sistêmico

Âmago do Amarelo
“A viabilidade deve ser devolvida a um mundo em desordem posto em perigo pelos efeitos cumulativos dos primeiros seis sistemas no ambiente e nas populações da terra. O propósito de viver é ser independente de forma razoável; acumular tanto conhecimento quanto possível; e ter preocupação com os outros, tanto quanto seja realista. E contudo, eu sou meu próprio dono, responsável por mim próprio, uma ilha num arquipélago de outras ilhas. Continuarmo-nos a desenvolver ao longo do caminho natural é mais valorizado do que lutar para ter ou fazer. Estou preocupado com as condições do mundo por causa do impacto que elas têm em mim como partes desse sistema vivo”.
(Idem. pg. 336)
Dados
1% da população – 5% de poder
Início: 50 anos atrás
Características Gerais
• Aceitar a inevitabilidade dos fluxo e formas da natureza
• Concentrar na funcionalidade, competência, flexibilidade e espontaneidade
• Descobrir misturas naturais de “verdades” e “incertezas” conflitantes
• Descobrir a liberdade pessoal sem prejudicar os outros ou os excessos do interesse pessoal
• Experienciar a plenitude de viver numa Terra com tanta diversidade em dimensões múltiplas
• Exigir sistemas integrativos e abertos
8º NÍVEL: TURQUESA (HOLÍSTICO)

Sistema holístico universal, hólons/ondas de energias integrativas; une sentimento e conhecimento; múltiplos níveis interconectados num sistema consciente. Ordem universal, mas num modo vivo e consciente, não baseado em regras externas (azul) ou ligações de grupo (verde).
Dados
0,1% no nível turquesa, 0% no poder
Características Gerais
É possível uma “grande unificação” em teoria e na prática. Algumas vezes envolve a emergência de uma nova espiritualidade como uma teia de toda a existência. O pensamento turquesa usa a espiral completa; vê múltiplos níveis de interação; detecta harmônicos, as forças místicas e os estados de fluxos que permeiam todas as organizações
A diretriz fundamental é a saúde da espiral completa e não o tratamento preferencial para algum nível específico.
Onde é encontrado: com apenas 1% da população no pensamento de segunda-camada (e somente 0,1% no nível turquesa), a consciência de segunda-camada é relativamente rara, sendo, atualmente, a “ponta de lança” da evolução coletiva da humanidade.
Como exemplos, Beck e Cowan mencionam itens como a noosfera de Teilhard de Chardin e o crescimento da psicologia transpessoal, com aumentos na freqüência definitivamente a caminho – e mesmo níveis mais elevados em futuro próximo.
(Excertos do livro Integral Psychology de Ken Wilber)
Self holístico
Pensamento meditativo
misticismo natural
auto-transcendência
visão psíquica
alma do mundo
individualismo coletivo
hyper-lógica mente iluminada
percepção transpessoal autêntica
estruturas globais
reconciliação global
todos os seres vivente sem exceção
Além do turquesa, haveria níveis corais e formais ainda mais elevadas de consciência.
Reflexões sobre o livro A Dimensão Espiritual do Eneagrama
22/07/09
Peço perdão aos meus visitantes, pois não consta aqui nenhum outro texto sobre o eneagrama e vou fazer referências em “eneagramês”, mas acho que para os que já leram o livro, poderá servir de reflexão. Vou assumir uma postura crítica com relação ao livro, já que os pontos fortes do estudo do eneagrama são muitos, vou me ater aos pontos que considero fracos ou perigosos, uma atitude tipicamente 1 e 6.
Comecei a ler o livro A Dimensão Espiritual do Eneagrama de Sandra Maitri com uma grande expectativa. Uma década atrás o eneagrama tinha sido uma das ferramentas mais poderosas que entrei em contato, junto com homeopatia, florais, budismo e um monte de coisas que aos poucos foram me convertendo de estudante de direito em terapeuta.
A introdução do livro começa com uma idéia de que não é a experiência familiar de cada tipo que vai definir sua tipologia, mas que esse é um problema mais complexo segundo a autora, por exemplo, isso não explica quando irmãos têm experiências parentais completamente diferentes. Ou sejam são filhos dos mesmos pais, mas são tipos diferentes. Vale a célebre frase de Sartre: “não importa o que nos acontece, mas como reagimos a ela.” Ela levanta uma hipótese genética da tipologia que me parece ser possível dentro das pesquisas de psicologia evolutiva e da moderna neurociência. Complicado isso, mas diferente da proposta por Naranjo e me pareceu bem origina. Infelizmente não durou a minha animação, logo depois ela vai e afirma que a personalidade vem na “idéia da mãe sobre o filho” e vem no “leite manterno”, uma pena.
Ela introduz rapidamente, ainda no ínício do livro, a noção de idéia divina, que parece nova, e diz ter vindo do Almaas, pra Idéia divina do Ser parece ainda está dentro do sistema do eneagrama, sendo uma extrapolação das “virtudes do tipo”, é uma visão muito ainda dentro do eneagrama, não é uma superação apenas uma dimensão literalmente idealista do tipo.

Mesmo superando o sofrimento original do tipo, ainda é preciso superar o nível de progamação do eneagrama, partindo para sistemas de leis mais amplas do que as leis que regem o eneagrama. No exemplo do quarto caminho, caminha-se entre os mundos e leis de complexidade, sendo o eneagrama expressão dessas leis numéricas. Quando mais leis, mais restrita a experiência de mundo, ou seja, menos ação livre.
Não vejo nada demais no conteúdo em si, ela simplesmente pegou o que Naranjo ensinou e não publicou, mas a sua experiência no grupo de trabalho do eneagrama com Naranjo e explorou com idéias meio “nova era” do tipo, essência, alma, Ser, idéia, natureza da alma, sem definir o que vem a ser essas coisas. Mas a intenção pareceu-me ser muito boa, embora supeficial.
Uma idéia apresentada no livro que eu não gosto é essa de identificar com a infância os estados transpessoais da experiência. A idéia de paraíso perdido, de queda do ser, que o Naranjo chama de obscurecimento ôntico, ou esquecimento do ser, embora ache que são noções com nuances bem diferentes eu passei a compreender que são bem problemáticas. Eu durante muito tempo cultivei essa idéia de paraíso perdido, (sobre o tema recomendo um livro do Pierre Weil chamado a neurose do paraíso perdido) de perda da essência. Em Freud, por exemplo, a idéia de viver essa experiência do Ser, está ligada a noção de regressão infância, ao narcisismo primário, facilmente confundido com o que a autora apresenta, mas pra Freud, e eu concordo com ele em parte, isso é uma experiência narcisista, ou seja volta-se sobre si mesmo e retorna a experiências pré-egoicas descritas como oceânicas ou uterinas, de indiferenciação. Jung vai pro extremo oposto, considera que todas as imagens emergentes são transpessoais, ou seja, arquetípicas. Enquanto Freud leva todas as experiências para o nível pré-egoico, infantil, Jung as considera trans-egoicas, acho que os dois extremos são precisam ser diferenciados e podem ocorrer durante o estudo do eneagrama ou seu uso na prática clínica.
A idéia do texto, de retorno ao ser perdido, reencontro da criança anímica, do eu verdadeiro perdido em algum momento é muito ingênua. É claro que os níveis transpessoais da experiência são níveis de organização mais complexos e profundos, ou altos se preferir, e não se tratam de regressões narcisistas a estados de indiferenciação. Ao contrário, são processos de diferenciação e integração com o corpo, com emoções com pensamentos e depois com a emergência de um pensamento transverbal e não-dual. Eu reafirmo essa crítica porque anos atrás, eu confundia muito esse tema e não percebia essas nuances.
Outra questão séria, que pra mim é um erro perigoso e “nova era” é querer desintegrar o Ego, essa abordagem é extremamente perigosa e pode gerar graves estados de desequilíbrios psicológico. É praticamente uma proposta e convite a pessoa entrar num estado psicótico, a idéia de destruir o ego, ver o ego como inimigo, como falso eu. Não há porque “desintegrar” o ego, mas colocá-lo a “ser-viço do Ser”, capaz de refletir a dimensão noética, transpessoal, cósmica, ir além do ego. Cuidado com isso de desintegrar o ego, o que pode acontecer de verdade é isso acarretar uma cisão da personalidade, enquanto o caminho da ampliação da consciência é um caminho de reintegração e integração, ou até “entregação”,
Concordo muito com idéia de que o 9 é a porta de entrada e de saída do eneagrama. Embora ela não chegue a afirmar isso, dá pistas nesse sentido. Em geral a apresentação e a importância dada dos tipos triangulares na gênese das fixações é bem interessante, mas fica faltando descrever o caminho pra fora disso que na minha opinião passa também pelo triangulo também.

Outra percepção equivocada se dá na noção que a “queda” do tipo, se dá por uma perda da idéia divina, no caso do 9 do amor divino. Isso não faz sentido, nós só reconhecemos esses estágios mais complexos e ampliados depois, não há que se perder uma idéia de divina se ainda nem temos algo chamado idéia. No caso do budismo, um mestre reconhecido, não sai ensinando tudo quando é criança (por mais sensibilidade e brilho que ele possa demonstrar), ele precisa educar a mente para se tornar o veículo de manifestação de uma sabedoria transcendental.
Na minha auto-análise, o que define e organiza o tipo 9 na sua percepção equivocada da realidade, sua “queda”, é a idéia de “mudança do mundo” que se opõe a inércia do tipo. A compaixão (no sentido budista do termo) como abertura de sentido radical perante a realidade, ou mesmo o voto do Bodisatva, de que se recusa a sair de Sansara enquanto todos não estiverem libertos e por isso mesmo, abre mão da iluminação, como condição para conquistá-la, é o passo mais nobre do caminho 9 e também o passo para fora do eneagrama em direção a estados mais elevados de consciência que podemos chamar de nirvana, embora não ache que nenhum nome possa descrever essa etapa, pois seja o que for, é apenas mais uma etapa, a evolução da consciência é infinita, não tem essa de dizer, cheguei, estou no topo da montanha, daqui não tenho mais nada o que vivenciar, encontrei a verdade ultima do universo, mesmo os mais iluminados, estão todos em evolução.
Aqui o tipo 9 tem uma outra coisa muito importante pra ensinar, é um equivoco achar que em estados elevados de consciência você sofre menos. É a promessa de todos os profetas, mas o fato é, que quanto mais consciente, mais sensível, mais você sofre, a diferença, que faz toda a diferença é só que não se identifica mais com esse sofrimento.
Acho totalmente desnecessário pegar pessoas com as quais não se convive para fazer uma leitura eneagramática. Claro que existem ícones estereotipados, mas só mesmo a pessoa pode descobrir seu tipo investigando ou se colocando em análise. Essa coisa de dizer fulano é isso ou aquilo é uma bobagem e serve pra que? Eneagrama só funciona olhando pra dentro, não pra fora.
No texto, aparece um mix total de níveis. É minha principal dúvida com relação aos avanços do eneagrama nos últimos tempos é se foi possível organizar por níveis de consciência. Se ficou claro os níveis em que os tipos podem estar, um tema que pra mim ainda está faltando, não encontrei.
O problema desses livros que li, de alunos do Naranjo, é que falta a descrição estrutural do tipo e o insight profundo e detalhado do professor chileno, isto é, se você entende o mecanismo básico de condicionamento do comportamento, não é a exterioridade objetiva desses comportamentos que determina o tipo. Em tese, todos os tipos podem ter todos os comportamentos – em tese – mas a motivação de deficiência que origina esse comportamento é aparece para o agente, seu equivoco, sua fixação, seu tipo, sua estrutura que fica com uma ferida original, para onde sempre volta.
Vale fazer então, para que isso não vire uma monte de comentários desarticulados, uma reflexão sobre estados e estágios. Os “estados” são efêmeros, todos podem experimentar a fé, amor, sobriedade, visão intuitiva, perfeição, coragem, desapego ou mesmo experiências não duais de estar mergulhado no instante e sentir-se um com o universo; pode acontecer com qualquer um.
A questão é, a meu ver, mudarmos o nível ou “estagio” de consciência que se torna então referência para sua visão de mundo mesmo dentro de qualquer tipo. Gosto pessoalmente da dinâmica da espiral para pensar essa questão, principalmente por propor níveis emergentes de consciência e por ofertar pesquisas estatísticas sobre seus estágios.
Sigo minhas críticas com a afirmação da autora de que iluminação é só se desidentificar com o ego, alcançar a idéia divina do tipo, me parece uma noção ainda muito restrita. Infelizmente, com o eneagrama fora da tradição, sufi, budista ou do quarto caminho, não temos como saber o que fazer, na prática, porque não temos um grupo pra nos dizer que o que estamos percebendo não é nada de muito importante, pois no caminho, cada nova emergência que surge é mais um ponto de identificação. Essas idéias “divinas” são um ESTADO superior vividos principalmente pelos próprios tipos dessas idéias, não parece em nenhum momento caracterizar um ESTAGIO superior.

Outra problemática com relação a idéia divina, muito comum e perigosamente sedutora é a descrição dos estados “superiores” de consciência dentro do que a autora chamou de idéia divina. O problema com a ênfase nesses estados é uma contradição com noção fundamental apresentada inclusive no início do texto, de que o Ser está pronto que basta retirar o condicionamento que ele emerge.

Ora, se isso é verdade, não faz sentido ficar descrevendo essas “idéias divinas”. Pra mim, isso parece uma concepção de influencia religiosa cristã que permeia o estudo do eneagrama. Assim, acabamos por querer esses estágios ou ficar orgulhosos do nosso potencial superior, ou “querer” esses estados superiores, se identificar com eles o que seduz.
Principalmente nesse contexto de que nós devemos todos nos aprimorar, nos tornar melhores, nos aperfeiçoar, essa cultura do “investir em si mesmo é o grande negócio” que permeia o estudo do eneagrama. Pode-se facilmente, principalmente para os tipos 1, ficar achando que dentro do próprio tipo, é possível encontrar a PERFEIÇÃO DIVINA. Parece mesmo um platonismo e o mundo das idéias divinas.
No caso do Naranjo, seu livro cita os pecados capitais, que considero muito preciso a forma como ele faz isso, mesmo porque ele situa dentro de uma tradição que encara o trabalho sobre si, o trabalho de autoconhecimento dentro da tradição ocidental cristã.

Tal como na divina comédia, o capítulo sobre o purgatório é muito maior do que as descrições celestiais. Assim também no eneagrama devemos passar mesmo mais tempo encarando o tipo e sua prisão existencial do que querer fugir para paraísos ou estados de narcotização tipicamente 9, mas que se aplicam a todos os tipos. Jung falava que não é olhando para o ouro que se transforma chumbo em ouro, mas olhando para o chumbo e vendo que o chumbo é chumbo. Eis a chave a da alquimia, da transformação interna da energia psíquica.

Uma das coisas que me provocou risos, dentro dessa crença de que podemos exteriormente classificar qualquer pessoa. Esse uso do eneagrama em empresas na área de recursos humanos, do marketing, foi a afimação de que Krishnamurti seria um tipo 6. Imagine que uma figura que se apresentava para além de um pensamento dual, uma radicalidade absoluta da observação de si, poderia estar qualificado como um tipo.
Quero, entretanto, abrir um parêntesis, numa meta-discussão, séria para falar uma coisa sobre o eneagrama. Se me perguntam, você é um tipo 1? Eu digo sim, sou muito perfeccionista e detalhista. Se me dizem, eu te saquei, você é um tipo 7, eu digo, com certeza eu me vejo no 7. Se me acusam de autoritário afirmando que sou um tipo 8 eu também afirmo que sim e se por fim reclamam de mim porque sou nerd e não vou pras farras com os amigos, eu digo, é porque sou um tipo 5, se trato muito bem as pessoas e me perguntam se sou um tipo 2 que ando carente eu digo claro que sim e aproveito todo carinho do mundo.
Se não me perguntam, não digo meu tipo, e nem recomendo que digam fora de um contexto terapêutico, porque a visão que as pessoas tem sobre o eneatipo normalmente é centrado numa posição egoica que não suporta se confrontar com sua condição de prisionairo, isso contamina as relações, estreita o olhar e levanta todos os preconceitos. Pois é muito mais fácil ver o pecado alheio e atirar pedras. Assim, mesmo aqueles que têm pecados, todos atiram pedras nos seus próprios pecados.
O eneagrama se torna uma ferramenta de tortura de si e do outro, uma forma não de facilitar com que o outro se liberte, mas profundamente, uma forma de reforçar os condicionamentos e causar alienação existencial. Por isso, o eneagrama não era ensinado ou transmitido fora de uma tradição oral, nas correntes mais profundas do misticismo pré-islámico. Por isso eu parei há anos de ensinar o eneagrama ou mesmo a pensar com ele sobre as pessoas.
Voltando ao livro, ele só se justifica no contexto onde o eneagrama chega e se populariza. Na hora que o Naranjo decidiu, sob juramento dos membros de não divulgar as idéias, formar o grupo SAT nos Estados Unidos. Daí, em seguida, Helen Palmer e seus outros alunos começaram a publicar seus estudos e livros sobre o eneagrama baseadas no ensinamento do Naranjo e Oscar Ichazo. Na tradição, isso não tem nenhum problema, porque você transmite tal como aprendeu, com seu mestre, e pronto, não tem que ser original, principalmente num símbolo e situado na tradição perene do sufismo, embora nem todos os sufis concordem com isso.
Enfim, quando Naranjo publica seu livro. Os autores que vieram depois e foram seus alunos, tiveram que “inventar” algo novo. O que na tradição seria um absurdo completo! Claro que os discípulos transmitem o seu entendimento e a profundidade que alcançaram dentro da tradição e muitas vezes trazem novos dados, mais atualizados, dentro dos seus “estilos”. Mas no campo do comércio e dos direitos autorais, isso muda muito. Veja um link sobre essa questão escrito por Ichazo que foi o criador dessa leitura toda do eneagrama da personalidade discutindo argumentando direitos autorais com Helen Palmer.
Em termos de psicanálise, a autora claramente não está familiarizada profundamente com nenhum dos pressupostos psicanalíticos no campo da constituição do ego nem mesmo da personalidade. Tudo vira uma coisa só, uma confusão teórica típica. As principais idéias, embora diluídas, são TODAS, trazidas de Naranjo e da escola de Arica. Até mesmo os autores citados como Karen Horney são apresentados como se fossem uma relação feita por ela.
Gosto tanto do eneagrama, é uma ferramenta tão preciosa, que fico triste ao ver que o que eu achava há 10 anos atrás continua valendo para o estudo do eneagrama, mas eu vou continuar buscando. Na época, havia pesquisas bem interessantes no campo da inteligência artificial e outros temas que parecem muito promissores. Mas pelo que andei percorrendo nos sites que consultava nos primórdios da internet, todo mundo criou seu grupinho, escreveu seu livro e vendeu como se fosse algo novo, fiz um passeio pelos sites e realmente, várias novas organizações dizendo ser as fontes do verdadeiro eneagrama.
Bem, outra coisa que me incomoda profundamente é o uso dos anéis e dos buracos. Isso é uma clara referência aos anéis das couraças musculares de Reich que Naranjo mais uma vez já apontava a relação. Aqui eles aparecem como um ente metafísico associado aos tipos. Sério mesmo, o nome disso é “tipo 3”, marketing, maquiagem, roupagem nova pro mercado mais fácil de engolir, tudo bem, tem gente que gosta de andar na moda, eu mesmo quando comecei a ler o livro queria me atualizare ficar “in”.
Eu tentei uma vez apresentar o eneagrama pra ser estudado no mestrado em psicologia. Meu projeto não passou apesar de eu ter o orientador certo e tudo mais e por quê? Por causa dessa roupagem de auto-ajuda que os livros sobre o eneagrama ganharam depois de Naranjo. O argumento era exatamente o de não poder legitimar uma coisa “new age pop” na universidade. Claro que não é o melhor agumento, mas pra um ramo da psicologia que já desconstruiu a noção de sujeito e subjetividade, falar de personalidade é uma coisa do século passado. Que só serve mesmo pra esse uso discriminatório que vem sendo feito com eneagrama no ambiente de trabalho. Anos atrás, muitos anos atrás, eu dei cursos em grandes empresas como a Ponte S/A, ensinando o eneagrama, era um esforço tremendo. Alguém vinha me dizer, eu sou um tipo 8, eu virava sério, olhava nos olhos e dizia: Eu não acredito,você não me engana, você é um ser humano!
Aliás, pra mim, foi o capitulo mais interessante o do tipo 3. Termina bem escrito e com um certo grau de inspiração. Talvez porque a sociedade americana esteja tão identificada com o tipo que foi mais fácil para a autora abordar o tema. Essa identificação é tão forte, a ponto de não aparecer como um desequilíbrio, segundo Naranjo, nos manuais psicométricos americanos, enfim, não se consegue enxergar seu próprio estilo como destoante. Nossa percepção parcial da realidade parece sempre ser a mais correta.
O capítulo sobre o tipo 1 tem um equivoco enorme de considerar a virtude do tipo uma noção de perfeição. Isso é péssimo, a idéia que libera o tipo 1 pra mim é a aceitação e não a percepção de que está tudo perfeito que geraria uma enorme inércia perante o mundo. Enfim, eu acho que vou era pra ser um simples resenha e eu vou acabar reescrevendo o livro. [Xiii, tô no tipo 1.:-)]
Entre vários, um exemplo do caos conceitual descrevendo a “idéia divina do tipo 4”:
“Neste caso, não nos vemos como produtos que nascem do Ser, mas como o Ser Mesmo. Não estamos ligados ao Ser — somos o Ser. Somos a Origem. Nesse nível, pois, identificamo-nos com o próprio Ser, e não com a encarnação isolada que o manifesta. Assim como a compreensão da Origem Divina alcança níveis cada vez mais universais, assim também a compreensão que temos do Ser torna-se progressivamente mais profunda. Nossa experiência do Ser começa com a experiência da Essência, da natureza íntima de cada um de nós, e culmina com a experiência do Absoluto, de um estado que está além de todas as possibilidades de concepção e até mesmo da consciência.”
Uma total falta de precisão conceitual. O uso da noção de ser, ser mesmo, origem, próprio ser, encarnação isolada, personalidade, ego, fixação é usada uma pela outra com a mesma imprecisão.
Há referências constantes no texto ao “Caminho do Diamante”, o nome é bom, parece ser algo precioso, mas eu vou ter que ler a fonte. Pois a exposição no texto dos conceitos ficam totalmente sem sentido o que não significa que a fonte dos ensinamentos não possa ser muito boa.
Em síntese.
O livro vale a pena ser lido embora as principais idéias não sejam novas e as áreas que tenta ampliar pra mim faltam profundidade, porém achei a leitura proveitosas e não foi cansativa.
A parte que mais gostei do livro é o epílogo que transcrevo em parte, e acho que deve ser a coisa mais importante pra quem se dispõe a estudar o eneagrama como ferramenta de autoconhecimento.
Para concluir, gostaria de voltar à idéia de Gurdjieff, discutida no começo do livro, de que o eneagrama é um símbolo multidimensional que engloba “tantos significados quantos são os níveis dos homens”. Parece-me importante reiterar esse ponto, para que ninguém fique com a impressão de que as coisas que eu disse no livro são a última palavra sobre as diversas nuances desse símbolo. Muito pelo contrário: meu objetivo terá sido atingido se eu tiver dado aos leitores temas de reflexão e indicado certas vias de investigação pelas quais possam eles mesmos aprofundar a sua compreensão do eneagrama e de si próprios. O eneagrama assemelha-se a um código; precisamos conhecer algumas das chaves para podermos penetrá-lo e decifrá-lo de modo que sua sabedoria possa revelar-se a nós, e foi com esse objetivo que escrevi o livro. Em segundo lugar, como Gurdjieff também dizia, o eneagrama nos dá um grande poder. As informações nele comidas podem nos afetar e até nos abalar profundamente, e por isso quero repetir o que já disse na Introdução: não o use descuidadamente, nem consigo mesmo nem com os outros. Já vi muitas pessoas sentir-se tratadas como objetos enquanto outras discutiam em alta voz as características delas na tentativa de determinar-lhes o tipo. A outra pessoa pode sentir-se ferida se você começar a analisá-la sem que ela lhe peça, ou pode sentir-se atacada se você, sem consideração alguma pelas vontades dela, procurar conscientizá-la de algo que é, por enquanto, subconsciente. Acima de tudo, é absolutamente errado usar o eneagrama como munição para criticar ou julgar outra pessoa. Ao usá-lo consigo mesmo, lembre-se que o objetivo dele não é dar mais força ao superego. É, isto sim, ajudar você a compreender-se de maneira mais profunda e, mediante essa compreensão, abrir o seu coração à compaixão por você mesmo e por todos os outros seres. Em terceiro lugar, o eneagrama não passa de um mapa. Tanto ele quanto as informações que ele nos dá acerca da alma humana e do seu progresso não são fins em si mesmos. Por mais fascinante que se afigure a tarefa de extrair e decifrar mais conhecimentos do eneagrama, essas informações não nos farão bem nenhum se não forem colocadas em segundo plano, atrás da experiência direta, e se não servirem à função de colaborar para o nosso desenvolvimento pessoal. Por si sós, as informações contidas no eneagrama e neste livro não são uma panacéia — não podem, de modo algum, dar respostas a nossas perguntas, solucionar nossos problemas ou fazer-nos entrar de novo em contato íntimo com as profundezas da alma. Não passam de informações cuja função é a de nos orientar no trabalho interior; e, a menos que esse conhecimento seja posto a serviço da prática, de nada nos beneficiará. Se permanecer somente intelectual, poderá até nos estimular a mente e transformar-se num gostoso tema de conversas e diversões, mas nada disso pode ser confundido com a verdadeira obra de transformação. Essa empreitada não é rápida nem é fácil. Não tive dificuldade para resumir em poucas páginas as diretrizes que cada tipo precisa seguir em seu trabalho interior a fim de lograr uma verdadeira transformação pessoal. Porém, a obra concreta de trabalhar e retrabalhar a personalidade, de modo a tornar cada vez menos turva e cada vez mais transparente a nossa alma, leva muitos anos, por maiores que sejam a nossa dedicação e o nosso empenho. Além disso, não é trabalho que se faça sozinho. Como a transformação verdadeira exige a superação da força inercial de identificação com a personalidade, em geral é necessário o apoio de uma fraternidade espiritual ou de um Grupo de Trabalho. E na maioria das vezes a orientação de um mestre é imprescindível para o bom sucesso da Jornada, uma vez que tornar-se consciente significa passar a ver as coisas para as quais somos cegos. Nessa Jornada, cada qual precisa encarar certos aspectos dolorosos de si mesmo, às vezes até aspectos profundamente assustadores, que permanecem escondidos nos recessos da alma. Em definitivo, as coisas parecem piorar antes de melhorar, na mesma medida em que nos aproximamos de algumas faixas mais profundas da personalidade, com seus abismos e energias primitivas que às vezes nos dão a impressão de que vão nos engolir e arrastar. Não é uma caminhada fácil, e exige um grau de franqueza e sinceridade que só é possível para quem se sente pessoalmente motivado a conhecer o seu verdadeiro ser, para quem a revelação da verdade — por mais dolorosa que seja — dá alegria ao coração. Para os que optam por empreendê-la, traz ela recompensas infinitas. Um universo inteiro nos espera dentro de nós, infinitamente vasto, cheio de paradoxos, de requintes e de surpresas.
Eis abaixo um pouco de Krishnamurti, pra mim, a personificação do pensamento integral.
Tratamento com Acupuntura e Níveis da Doença
13/07/09
Inspirado nas idéias de Ken Wilber gostaria de deixar algumas reflexões sobre o tratamento baseado na medicina oriental e tantas falácias que as acompanham.
Recentemente fui banido temporariamente de uma comunidade de acupuntura por dar ênfase à idéia de que a teoria dos cinco elementos na acupuntura tinha pouca aplicação prática, isso despertou muitos comportamentos pré-racionais porque muitos praticantes de acupuntura estão ainda situados dentro do movimento da nova era. Para eles os cinco elementos são doutrinas fundamentais para a prática da acupuntura, sem ela não se pode praticar acupuntura. Discordo disso, mas vou deixar o assunto para outra reflexão e os que quiserem saber mais sobre os cinco elementos podem assistir meu DVD sobre os cinco elementos.
Eu mesmo fui muito influenciado pela cultura da “nova era” nas úttimas décadas, mas no estudo da psicologia e da filosofia perene pude perceber que não há nada de novo no conhecimento trans-racional, intuitivo e holístico. Há uma diferença da crença no pensamento mágico que resolve tudo com uma agulha mágica e milagrosa e na intuição pós-racional que percebe a sincronicidade e intepreta símbolos e sentidos nas manifestações e sintomas patológicos.
Assim, acupuntura, sendo baseada em uma abordagem holística do céu, do homem e da terra, é na relação entre essas três dimensões que ocorre a desarmonia, o adoecimentos isso implica em muitas questões relevantes.
Primeira crença comum: Adoecemos pelo nosso estilo de vida, pela nossa atitude mental e pela nossa crença no mundo ou pelo estado do nosso espírito, ainda na acupuntura clássica pelo efeito de demônios e outras influências metafísicas.
Em resumo há quem diga que “você está doente porque escolheu estar doente.” Essa afirmação gera uma enorme culpa e não ajuda em nada.
Mudar atitude perante uma doença, encontrar o caminho que a doença aponta, reorientar o sentido, o desejo que as doenças nos provocam, os desvios, a busca pelo sentido, tudo isso é importante para o sujeito, mas para o terapeuta é preciso estar atento às armadilhas desses pressupostos.
Ok, esses elementos contribuem e podemos dividir as causas das doenças em físicas, emocionais, mentais e espirituais. Mas o grande problema neste tema é que há os que dão ênfase aos temas espirituais e estão sempre querendo curar o espírito ou colocá-lo em harmonia com a natureza, as estações do ano e as estrelas ou mesmo o Yi Jing.
Acredito que esses elementos podem causar doenças, mas diferente do pensamento da Nova Era e certo espiritualismo brasileiro essas não são as únicas causas das nossas doenças e talvez nem mesmo as mais importantes. Dar ênfase ao espírito em detrimento do corpo é uma atitude tão narcisista como ficar horas numa academia cuidando do corpo sem interioridade, sem cuidar da alma.
Adoecemos não apenas por nosso karma, mas por ações dos outros, de acidentes, das relações interpessoais, temos doenças bio-psico-sociais como quer a OMS.
A medicina materialista e racionalista dá ênfase a natureza material da doença e é muito importante considerarmos começar de baixo para cima. Cuidar do corpo e examinar todas as possibildades, cuidar do emocional, do mental e do espiritual. Se ficamos apenas em um desses níveis, perdemos a visão do todo.
Ao invés de pressupor que as doenças começam no nível mais alto, celestial, causal, kármico para se manifestar no mundo. Há no mínimo uma interação entre esses níveis de baixo pra cima e de cima pra baixo e a atitude mais inteligente é acertar no diagnóstico desse nível.
Assim, uma perna quebrada pode alterar psiquicamente, bem como, psiquicamente podemos adoecer o corpo abaixando nosso sistema imunológico, comendo demais, estressados. A neuroimunologia já comprova os efeitos psíquicos sobre o corpo e há milênios os mestres orientais nos falam dessa condição do Shen, espírito-vitalidade sobre o corpo e o prognóstico das doenças.
Assim, ficamos mais seguros indo do corpo para as emoções, para a mente, para o espírito. Começar do espírito e cuidar apenas do espírito é uma atitude terapêutica tão parcial quanto procurar doenças apenas nos exames laboratoriais.
Do contrário, podemos gerar, segundo Wilber e sua esposa que morreu de câncer, duas emoções muito negativas. De um lado, ao adoecemos nos culpamos por estarmos doentes ou então, quando estamos psiquicamente ou espiritualmente doentes e somos tratados num nível errado como apenas no corpo, criamos desespero e desordem total.
Como psicólogo praticante de medicina chinesa, reconheço a materialidade da abordagem chinesa bem como as sutilezas de conceitos como Qi, sopro, ou mesmo como hun, alma etérea e tantos outros aspectos imateriais na relação com as patologias.
Mas há uma enorme diferença entre considerar a psicossomática, a relação mente corpo como a psicogênese das doenças. Achar que está resfriado porque você está muito triste ou melancólico é uma visão muitíssimo estreita e que comumente acontece numa interpretação reducionista do sistema de correspondências oriental baseada nos cinco elementos. Neste sistema o pulmão se relaciona com a tristeza e melancolia.
Assim na abordagem holística ou integral da terapia devemos estar atento ao nível da demanda de cada paciente e de manifestação e causa de cada enfermidade.
Como psicólogo, fico mais atento à dimensão emocional e mental das enfermidades, mas como praticante de acupuntura preciso entender que o paciente tem apenas uma torcicolo ou dor de cabeça e que aquilo não necessariamente se traduz numa atitude equivocada perante o mundo ou em uma somatização.
Já recebi muitos pacientes se sentindo enormemente culpados por apresentarem um sintoma complexo em busca de psicoterapia e ao final, migraram para uma terapia energética com ênfase em acupuntura onde os resultados, mesmo que lentos, chegaram para ficar.
Por mais que visualização criativa e tantas outras técnicas que operam com símbolos possam ter enorme efeito, é preciso estar atento ao nível do adoecimento. Dar a cada um o que precisa na medida da sua necessidade nos ensinava Aristóteles sobre a justiça. Uma terapia justa deve estar atenta a essa dimensão.
Mário
para mais informações sobre acupuntura:
Reflexão crítica sobre o uso religioso do daime (ayuhasca, oasca)
22/12/08
Sinonímia: planta de poder, daime, oasca, enteógena, psicoativa, alucinógena.
Motivação: Escrevo este artigo para relatar minha experiência com o uso dessa substância por mais de 15 anos e fazer uma auto-avaliação.
Pontos fortes do uso da substância: O daime amplia artificialmente a consciência, podendo conduzir e estados alterados de consciência com experiências de clarividência, transcomunicação, telepatia e retrogocnições. Embora nem todos relatem essas experiências.
Pontos fracos: Embora as visões provocadas pelo chá possam ser muito transformadoras, seu conteúdo, tal como conteúdos oníricos, se perdem e não são facilmente integrados pela consciência lúcida.
Uso medicinal: O chá é usado em processos para auxiliar o parto e tem efeitos anti-depressivos comprovados.
Bioquímica: Processada no fígado, a substância DMT dimetil-triptamida bloqueia a recaptação da serotonina levando o neo-córtex a uma hiperativação.
Dogmas: O uso religioso do daime reforça dogmas e mitologias, afastando a racionalidade e submetendo os usuários a linhas espirituais de pouco esclarecimento.
Planta professora: Conhecida como uma planta ensinadora, os insights pessoais transmitidos pelas entidades extrafísicas são, muitas vezes, processos de fascinação.
Parapsiquismo: Embora indutora de estados alterados de consciência, o uso da substância não leva ao desenvolvimento de capacidades mediúnicas, sendo seu uso acompanhada de processos anímicos como na maioria dos fenômenos mediúnicos.
Música: Embalados por hinos, alguns lindíssimos, os trabalhos espirituais com daime conduzem a estimulação do psicossoma em detrimento do mentalssoma, ou seja, são emocionalidades com pouco esclarecimento. Mesmo assim, o raport da música com os estados emocionais podem facilitar desbloqueios emocionais.
Canto e musicoterapia: O fato de se cantar e se deixar envolver pelas músicas em ritmos sincronizados durante horas já conduz a uma “musicoterapia”.
Drogas: É comum entre seguidores do Sebastião Mota o uso de maconha nos rituais de Santo Daime, chamada por santa maria e também de cocaína, chamada também de santa clara. Outros grupos são fortemente contra essa prática ilegal.
Tráfico: Os grupos religiosos cobram pela bebida que é produzida muita vezes em monoculturas no norte do país e distribuídas pelo sul com lucros exorbitantes, a venda para a Europa também ajuda a financiar as chamadas igrejas.
Curas: Embora eu nunca tenha presenciado, parece que existem relatos de curas obtidas através do uso da substância, acho que são possíveis, tal como qualquer outra cura espiritual.
Espiritualidade: Existem muitas linhas e trabalhos com daime no Brasil, mas nenhuma que eu conheci faz um estudo recional dos processos extra-físicos, levando ao fanatismo religioso e a crenças irracionais.
Criatividade: Pelos seus efeitos cerebrais, muitos artistas usam da substância para promover lampejos de criatividade, mas como outros processos tóxicos, esses lampejos não duram.
Surtos: O uso da substância pode, raramente, levar a surtos tanto maníacos quanto esquizofrênicos naturalmente relacionados a problemas de assédio.
Emoções: O chá, por sua forte atuação sobre fígado leva a liberação de conteúdos emocionais reprimidos, podendo ser utilizado no tratamento de problemas emocionais e psicológicos.
Medicina chinesa: o fígado controla o livro fluxo das emoções e as visões oníricas, tanto uma quanto a outra função do fígado são fortemente afetadas pelo chá.
Veneno: É comum o vômito, sudoreses e diarréia com o uso da substância que pode ser explicada como uma tentativa do organismo se livrar do chá, com o tempo, se acostuma com o chá e as “limpezas”, como são entendidos esses processos, tendem a diminuir.
Evolução: Nos anos que bebi regularmente o chá, eu observei poucos processos de transformação pessoal evolutivas, principalmente no sentido da autoorganização, disciplina e efetividade.
Linhas: As linhas que entrei em contato foram Cefluris, Ceflulc, UDV, Barquinha e Xamânicas e de Unificação do Daime com a UDV. Cada qual são bem diferentes tanto na sua organização quanto no seu holopensene, ou seja, nas entidades que acompanham os trabalhos.
Assediadores: De todas as linhas a que mais me parece uma organização extrafísica com mega-assediadores é o Cefluris.
Guias-cegos: Não posso afirmar que todas as consciências extrafísicas que se aproximaram de mim nesses anos todos foram guias-cegos, mas hoje, avaliando melhor, considero que a maioria deles foram guias-cegos por melhores que fossem suas intenções.
Poder: Muitos hinos chamam por poder e por batalhar um processo energético altamente assediador e insuflador do ego.
Descrença: Sugiro que não acredite no que está aqui, foi a minha experiência, e se quiser conhecer o daime ou vegetal, visitem a UDV ou o Ceflulc que foi onde tive minhas melhores experiências.
Acupuntura tratando obesidade
19/04/08
A questão de que acupuntura emagrece é antiga. Ficaríamos ricos se apenas isso fosse verdade, mas acupuntura envolve um outro entendimento do corpo para além do acumulo de gortuda. Assim, os tratamento estéticos atuais cada vez mais invasivos e caros não costuma considerar as opções energéticas que nos coloca a medicina chinesa.
Decidi escrever mais artigos no blog como este, um simples tema e um tratamento. Quem sabe com o tempo, e a colaboração de vocês leitores, não conseguimos reunir material interessante. Assim, estou disposto a responder questões sobre temas de medicina chinesa, basta deixar um comentário.
Obesidade ( FEI PANG)
Obesidade se caracterisa pelo excesso de gordura no corpo, tonturas, falta de força pra falar, deficiência de qi e dificuldade de se movimentar.
Fleuma e humindade interiores
Ocorrem por motivos consitucionais ou habitos alimentares ruins que geram excesso de fluidos. Esses fluidos não coletados se transformam em humidade e então em fleuma.
Vazio de Baço com humidade
Ocorre quando o baço está debilitado por excesso de trabalho, doces. O trabalho consome o qi e o baço é a raiz do qi pós celestial bem como do sangue. Ficar sentado demais também causa danos ao baço. Doces que normalmente estimulam o baço em quantidades excessivas também causam danos. Assim como os processos digestivos envolvem calor, os alimentos frios e não cozidos também vão lesar o baço.
PADRÕES MAIS COMUNS
FLEUMA E HUMIDADE ACUMULADOS INTERNAMENTE
SINTOMAS: Obesidade, tendência a comer alimentos gordurosos, laticínios, alcool, opressão no peito e no estômago, palpitação, nausea, membros fatigados, sonolência, lingua aumentada com cobertura pegajosa, pulso escorregadio.
PRINCIPIO DO TRATAMENTO: Drenar a fleuma e secar a humidade.
ACUPUNTURA:
Yin Ling Guan (bp9), San Yin Jiao (bp6), Zu San Li (E36)
- juntos tonificam o baço e o estômago devem ser usados com método de tonificação
Feng Long (E40), Xia Wan (VC10), Shui Feng (VC9)
- juntos drenam a fleuma e devem ser usados com método de drenagem
Com sudorese excessiva e fadiga usar He Gu (IG4) Fu Liu (R7)
VACUIDADE DO BAÇO
História crônica, sudorese com esforço, medo de frio, barriga inflada depois de comer, fadiga de shen(espírito), fezes soltas, diarréia, lingua pálida com marca de dentes, pulso fraco.
PRINCIPIO DE TRATAMENTO: Aumentar o qi, tonificar o baço, drenar a humidade.
Pi Shu (BP20), Shen Shu (B23), Qi Hai (VC6), Zu San Li (E36) juntos fortalecem o baço e o qi puncionando com tonificação.
San Yin Jiao (BP6) – Remove a humidade quando drenado e tonificado em seguida.
Outros padrões podem acarretar humidade, mas as linhas gerais de tratamento com acupuntura estão aí.
meus livros de acupuntura medicina chinesa mtc
13/12/07
Eis os meus livros de acupuntura e medicina chinesa, o pessoal que estiver por perto e quiser ter acesso a alguns desses títulos. Ainda faltam muitos a entrar na lista, sem falar do material digitalizado, revistas e apostilas.
Clássicos:
· Procedimentos Secretos da Jóia Mágica – Procédés Secrets Du Joyau Magique – Lês Deux Océans
· Arte e Prática da Acupuntura e da Moxabustão – Nhuyen Van Nghi
· Mai Jing – Clássico dos Pulsos em Francês – Nhuyen Van Nghi
· Princípios de Medicina Interna do Imperador Amarelo – Editora Ícone
· Nan-Ching – Paul U. Unshuld – Ed. Roca
· Tratado de Baço e Estômago – Treatise on the Speen and Stomach – Bob Flaws
· Huan Di Nei Jing Su Wen – Paul U. Unshuld – University of California Press
· O Clássico do Pulso – Tradução para o Inglês de Yang Shou-zhong – Ed Roca
Giovanni Maciocia
· Fundamentos da Medicina Chinesa – Roca
· Prática da Medicina Chinesa – Roca
· Obstetrícia e Ginecologia em Medicina Chinesa – Roca
· Diagnóstico na Medicina Chinesa – Roca
Atlas de Pontos
· zhenjiu jingluo xuewei suji shouce – atlas chinês de pontos
· Pontos de Acupuntura – Ernesto Garcia
· Anatomia topográfica dos pontos de acupuntura – Eachou Chen – Roca
Tratamentos
· La acupuntura em la senda de la salud – José Luis Padilla Corral – Miraguano Ediciones
· Diagnóstico na Medicina Chinesa – Auteroche – Ed. Andrei
· Golden Needle Wang Le- Ting – Blue Poppy Press
· Combinação de Pontos – Jeremy Ross – Roca
· Scalp Acupuncture and Clinical Cases – Foreign Languages Press Beijing
· Acupuntura na Pratica Clínica – Ted j. Kaptchuk
Cursos
· Curso de Acupuntura – José Luiz Padilla Corral
· Acupuntura – Um texto compreensível – Roca
· Tratado de Medicina Chinesa – Roca
· Acupuntura Fundamentos da Bioenergética – A Carlos Nogueira Perez
· Acupuntura Fisiopatologia e o Tratamento em Bioenergética – A Carlos Nogueira Perez
· Acupuntura Los Microsistemas, Los puntos extramerdianos e Los colaterales – A. Carlos Nogueira Perez
SEIS ESTÁGIOS QUATRO NÍVEIS ACUPUNTURA MEDICINA CHINESA
23/11/07
Estágios das Doenças
O pensamento chinês sofreu variações e evolução ao longo de sua longa história no que tange a tradição médica. Um dos exemplos dessa revitalização é o tratamento de doenças febris. Entre as mais comuns manifestações observadas no oriente e no ocidente está a febre que pode ser observada como uma seqüencia de instalação, pico e recuperação. Até recentemente essas enfermidades eram provavelmente as principais causas de mortalidade. No ocidente chamamos de doenças infecto contagiosas. Os médicos chineses as descrevem como uma série de padrões de desarmonia.
Esta seqüência de padrões em progresso mostra a flexibilidade do pensamento oriental. Inicialmente as doenças febris foram consideradas em uma seqüência de 6 estágios. Mais tarde, uma possibilidade de 4 estágios também foi desenvolvida para complementar a prática inicial e fornecer outras formas de tratamento. Este conceito de doenças febris são consideradas também como padrões de Exterior dos Ba Gang, 8 princípios, bem como as influências perniciosas, mas dão mais ênfase no tempo e na evolução da doença.
Padrões dos Seis Estágios
A idéia de um padrão de seis estágios foi desenvolvida por Zhang Zhong-jing, no seu clássico das doenças do frio (Shang-han Lun). Baseado numa citação do NeiJing que cita doenças de 6 estágios de onde ele parte e cria um elaborado sistema de evolução das enfermidades.
O clássico das doenças do frio é o segundo mais importante trabalho na literatura médica e gerou tantos comentários quanto o NeiJing, mesmo se baseando em tratamentos ao invés de teoria.
Os seis estágios apresentados no clássico compreendem uma séria de padrões que mapeiam o curso das doenças causadas por influências perversas entrando no corpo e causando febre. Normalmente, segundo Dr. Zhang sugere, tais enfermidades começam no primeiro estágios e prosseguem até o sexto, entretanto uma doença pode ir direto para qualquer estágio, pular estágio ou mesmo se mover no sentido inverso.
São eles:
- TAI YANG
- Vento-frio com prevalência do frio
- Vento-calor com prevalência do calor
- Vento-frio com prevalência do frio
- YANG MING
- PADRÃO DO CANAL (CALOR NO ESTÓMAGO)
- PADRÃO DO ORGÇAO (CALOR NO ESTÔMAGO)
- PADRÃO DO CANAL (CALOR NO ESTÓMAGO)
- SHAO YANG
- TAY YIN
- SHAO YIN
- JUE YIN
O primeiro estágio é chamado TAI YANG (GRANDE YANG) caracterizado como medo do Frio ou Vento, febre, dores de cabeça e pulso superficial. Nos 8 princípios trata-se de FRIO-EXTERIOR. Uma diferenciação neste estágio seria no caso de transpiração, quando há falta de sudorese, considera-se excesso e quando há, sudorese considera-se deficiência. Também com dor occipital e torcicolo devido a obstrução do canal pode aparecer por afetar o canal unitário TAI YANG – bexiga e intestino delgado.
Apenas a parte do qi defensivo do pulmão é afetada não a parte do interior, a força dispersante do pulmão e impedida pelo frio exterior e o vento se aloja nos espaços entre a pele e os músculos.
YANG MING (YANG BRILHANTE) caracterizado por febre, transpiração, sem medo do frio, mas medo do calor, irritabilidade, sede, pulso cheio e rápido são sinais mais importantes. Este estágio marca o início do desenvolvimento interno da doença de acordo com os 8 princípios.
SHAO YANG (PEQUENO YANG) Logicamente esta categoria deveria vir antes do Yang Ming. Mas a ordem da apresentação, entretanto é baseada no NeiJing original e não foi modificada. Os sinais de designam Shao Yang incluem calafrios, febre oscilante, distensão no peito, gosto amargo na boca, sem apetite, irritabilidade e urgência para vomitar. A febre e os calafrios parecem aqueles da malária aparecendo separadamente. Shao Yang aparece como um padrão dos 8 princípios conhecido como meio exterior/meio interior. Esse padrão é relacionado com os meridianos do triplo aquecedor e da vesícula e assim é associado com dor nas laterais do corpo, amargo na boca, visão borrada e pulso em corda.
Os três primeiros estágios são padrões de excesso. Os quarto e quinto estágios são padrões de deficiência e interioridade e não consideram influências perversas ou fatores patogênicos externos. As influências perversas podem atravessar os três estágios e ir direto ao interior ou percorrer os três.
TAI YIN (GRANDE YIN) É caracterizado por uma distensão abdominal, falta de sede com vômito, falta de apetite e dor ocasional. Os comentaristas consideram esse padrão uma deficiência do Yang do Baço.
SHAO YIN (PEQUENO YIN) Trata-se de um nível mais profundo. Considerado o estágio mais perigoso. Seu sinal mais salientes é um pulso “minute” pequeno com grande desejo de dormir. Outros sinais são aversão ao frio, frio nos membros, e falta de febre. Comentários consideram este estágio uma falta de Yang dos Rins.
JUE YIN (YIN ABSOLUTO) Logicamente deveria ser o mais profundo e mais sério. Mas o clássico revela que esse é um padrão misto de Yin e Yang no agindo no corpo de uma maneiro complexa em que algumas áreas são quentes e outras são frias.
Esses seis estágios com suas múltiplas subcategorias e um grande número de prescrições foram por centenas de anos a base para o tratamento das doenças febris de origem externa. Mas com o tempo passou a ser criticado por não considerar as doenças causadas por calor, esqueceu de tratar as doenças causadas por calor afetando o yang e tratou do yang ignorando a deficiência de yin. Uma das causas disso é que o padrão das enfermidades talvez tenha mudado ao longo dos anos com esgoto, melhores condições sanitárias, estabilidade social e melhoria na alimentação.

resumo da relação frio/calor
OS PADRÕES DOS QUATRO ESTÁGIOS
Mais tarde, médicos da dinastia Ming e Qing desenvolveram o que ficou conhecido como padrão dos quatro estágios que visava corrigir as inadequações dos padrões dos seis estágios. O padrão dos quatro estágios ficou conhecida como Escola das Doenças de Calor (wen-re-xue). Assim as doenças febris são capazes de entrar em quatro níveis distintos de profundidade.
-
- VENTO CALOR
- HUMIDADE CALOR
- VALOR VERÃO
- VENTO SECO CALOR
- PULMÃO CALOR
- ESTÔMAGO CALOR
- SECURA QUENTE NO ESTÔMAGO E NOS INTESTINOS
- CALOR NA VESÍCULA BILIAR
- CALOR HUMIDADE NO ESTÔMAGO E NO BAÇO
- CALOR NO PERICÁRDIO
- CALOR NO QI NUTRITIVO
- CALOR AGITANDO O SANGUE
- CALOR AGITANDO O VENTO
- VENTO VAZIO AGITANDO O EXTERIOR
- COLAPSO DO YIN
- COLAPSO DO YANG
- VENTO CALOR
- Wei
- Qi
- YIN NUTRITIVO
- XUE
WEI FENG ZHENG – PADRÃO DA INVASÃO DA PORÇÃO DA ENERGIA DEFENSIVA – Desarmonias neste padrão são caracterizadas por febre, medo leve de frio, cefaléia, tosse, poucas sede com ou sem transpiração, com o corpo ou a ponta da língua levemente vermelha. Nos 8 princípios descreve um padrão de calor exterior.
QI FEN ZHENG – PADRÃO DE INVASÃO DA PORÇÃO QI – O segundo nível do corpo. Caracterizada por febre sem aversão ao frio, similar ao estágio YANG MING ou calor interior dos 8 princípios. Vários padrões vão depender do órgão afetado, por exemplo no pulmão, o calor vai causar febre alta, tosse, língua amarelada e sede. Calor no estômago causa febre alta, sudorese, urina escura e pouca, constipação dor abdominal e epigástrica e pulso superficial.
YING FEN ZHEN – PADRÃO DE INVASÃO DA PARTE YIN. O YIN descreve o aspecto nutritivo do QI associado com o sangue. Os principais sinais são língua vermelha escarlate, irritabilidade, falta de sono, delírio, ou coma, febre alta a noite, sede (mas não tanta quanto na porção QI) erupsões vermelhas na pele, pulso fino e rápido. Por causa da invasão tão profunda do calor, a língua fica escarlate e o Shen é perturbado enquanto a sede reduz porque os fluidos evaporam e vão para a boca. O calor invade o sangue, assim o nariz pode sangrar, bem como haver sangue nas fezes e na urina.
O calor também pode afetar o pericárdio, o que ocorre freqüentemente no nível do sangue e do Ying. Quando o pericárdio é afetado o Shen abrigado no coração e no sangue também é afetado gerando delírio, coma. Irritabilidade e língua tremendo são os sinais deste tipo de padrão.
Características gerais das Wen Bing
1) Eles se manifestam como sintomas gerais de vento-calor nos estágios iniciais, mas (podem também se manifestar como umidade calor, calor verão, inverno-calor, primavera-calor, e calor-seco)
2) Sempre há febre;
3) São infecciosas;
4) O vento calor penetra pela boca e pelo nariz;
5) O fator patogênico é geralmente forte.
6) O vento calor tem uma grande tendência a se tornar calor.
7) No interior o calor tem uma forte tendência a secar os líquidos orgânicos.
QUADRO COMPARATIVO DO VENTO FRIO E VENTO CALOR
| VENTO FRIO | VENTO CALOR | |
| PATOLOGIA | VENTO CALOR OBSTRUINDO O WEI QI | VENTO CALOR AFETANDO WEI QI E INPEDINDO PULMÃO DE DISPERSAR |
| PENETRAÇÃO DE FATOR PATOGÊNICO | PELA PELE | PELO NARIZ E BOCA |
| FEBRE | LEVE | ALTO |
| AVERSÃO AO FRIO | ALTA | LEVE |
| DOR NO CORPO | SEVERA | LEVE |
| SEDE | SEM | LEVE |
| URINA | PÁLIDA | LEVE ESCURO |
| DOR DE CABEÇA | Occipital | TODA A CABEÇA |
| SUOR | SEM SUOR OU SUOR NA CABELA | LEVE SUOR |
| LINGUA | NÃO MUDA | LEVE E VERMELHO DOS LADOS E NA FRENTE |
| PULSO | SUPERFICIAL APERTADO | RÁPIDO E SUPERFICIAL |
MELHORES LIVROS DE ACUPUNTURA E MEDICINA CHINESA
19/11/07
*NÃO INCLUEM LIVROS SOBRE FITOTERAPIA PORQUE AINDA NÃO ME DEDICO SERIAMENTE A ESTUDAR O TEMA
OS TOP 10 NA MINHA OPINIÃO SÃO:
01 – The Web That Has No Weaver : Understanding Chinese Medicine, Ted J. Kaptchuk – livro e enxuto, não tem tratamentos nem nada, mas trouxe muita clareza sobre a dimensão da medicina chinesa atualmente. Enfim, me ajudou a rever várias noções sobre 5 elementos e considero um presente.
02 – Peter Deadman – Manual de Acupuntura: Ele está em segundo lugar porque não é um livro introdutório, é simplesmente o melhor livro que discute acupuntura na prática com uma maravilhosa explicação sobre cada ponto.
03 – Huang Di Nei Jing Su Wen: Nature, Knowledge, Imagery in an Ancient Chinese Medical Text, Paul U. Unschuld – simplesmente a melhor tradução do clássico dos clássicos que eu pude ler.
04 – ZangFu do Jeremy Ross – sim precisamos de algo melhor, mas ainda não vi, o web tem uma analise simples e profunda dos zang fu com relação aos psiquismo, mas é um livro bem completo.
05 – mai jing – clássico dos pulsos em francês, ainda estou tentando decifrar pulsologia se tiverem algo melhor pra indicar por favor, realmente é um livro de referência de uma escola mais moderna de pulsologia, mas não é a escola adotada atualmente na china, então, estou esperando coisa melhor mesmo!
06 – diagnóstico da medicina chinesa do auteroche – a tradução é muito ruim mas ainda não vi nada melhor, embora o “web” deixe tudo tão mais claro.
07 – maciocia fundamentos e diagnóstico – eu sei que todo mundo tem muitas críticas, mas é um livro ótimo pra se ler criticamente
08 – auriculoterapia do ernesto garcia – ainda não vi nada melhor de auriculo, tem gente que gosta do marcelo garcia, tenho mas não uso.
09 – combinação de pontos – jeremy ross – tenho certeza que tem coisas mais interessante no mundo, mas foi o que parou nas minhas mãos até agora para tratamentos que tendem a funcionar
10 – os livros do Nguyen Van Nghi 2 volumes do Nogueira Peres 4 volumes ficam no final.
Lista geral de material sobre MTC para trocas.
Bem, antes de seguir conheçam o meus DVDS: Curso Cinco Elementos
Transforming Emotions with Chinese Medicine – Livro sobre aspéctos emocionais na medicina chinesa, não tem tratamentos é um livro de pesquisa de atropologia médica escrito por um chinês com formação no Estado Unidos.
Curso completo de acupuntura dos cinco dragões – inglês, material antigo mas bastante completo sobre medicina chinesa, é um antigo curso por correspondência.
Manual Oficial de Pontos – publicado algumas décadas atrás, é a compilação internacional de pontos, um simples atlás referência de estudos.
Acupuntura clássica chinesa – livrinho simpático muita gente gosta de começar a estudar por ele, pretende ser um manual completo, tem até tratamentos interessantes, mas tudo muito simples. Quase um acupuntura em 3h, enfim, vale a pena ler.
Fundamentos de Bioenergetica – Nogueira Peres – esse livro quando caiu na minha mão, me fez bem, gostei dos tomos, mas vejo hoje que é muito antigo e desatualizado com as pesquisas modernas na china. Estes livros são 4 volumes, que tratam alguns temas muito bem, são afiliados às escolas que seguem o Van Nghi, pra quem gosta, considero um resumo dos livros do Van Nghi e outros.
Tratado del Soplo – Padilla – Foi o primeiro livro de acupuntura que li quando conheci acupuntura através da escola Neijing, é um livro já publicado em português mas pra mim acrescenta muito pouco. Se quiser se aproximar da acupuntura pela via mística, esotérica e romântica ou poética é um livro muito bom, mas na prática ajuda muito pouco, baseado nas escolas de 5 elementos, um texto poético, mas em desacordo com, digamos, as correntes majoritárias da acupuntura mundial.
Fundamentos da Medicina Chinesa – Giovanni Maciocia – Enfim, é o livro pra se começar, parece que a nova edição está muito melhor mas não tenho. Muita gente fala mal, mas todo mundo leu, livro básico da maior parte das pós do país. Enfim, dizem que os tratamentos que ele propõe não funcionam porque ele seria um cara da escola de fitoterapia e tal. Eu acho que isso é em pater verdade. É muito “genérico” os tratamentos e pontos por ele proposto.
The Treatise on the Spleen and Stomach: Ainda não li.
Treatment of Modern Western Diseases With Chinese Medicine – Flaws & Sionneau – Ainda não li, é um livro de consultas com muita enfase em fitoterapia então, não usei ainda.
vou continuar depois essa lista, mas enfim, estou disposto a trocar material
VIDEO
100 TÉCNICAS DE MANIPULAÇÃO DE AGULHAS – vídeo bem interessante com técnicas de manipulação de agulhas
Série de 30 VCDS Zhenjiuology – Curso de acupuntura em 30 vídeos.



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