medicina e psicologia integral
ARTIGOS
Orientação da Saúde – o que os orientais nos ensinam quem os nossos avós já sabiam
15/06/10
No dia-a-dia da prática clínica, ao se deparar com desequilibrios e desarmonias ao redor somos convocados a nos harmonizar a todo o momento. Uma emoção mais forte, uma alimentação incorreta, uma postura de yoga mal feita, uma palavra mal dita, tudo nos afeta.
Somos um mistério nessa harmonia entre o céu e a terra e temos muitas dimensões a que cuidar. Cuidamos do corpo, não tomando shakes e outras coisas sem vitalidade, mas tomando sucos de sementes germinadas, tomando vitaminas e bucando comer seguindo regras básicas como manter o seu prato colorido e comer grãos no almoço e raízes no jantar.
De onde vem essas sabedorias simples? Hoje, atendi uma cliente que ao perceber um severo desequilibrio nas suas águas lhe perguintei: quanto de água você bebe? A resposta foi, “um copo por dia no máximo.”
Parace um absurdo, mas não é, é justamente essa medicina profilática, do dia-a-dia, essas noções de higiene e de cuidado de si que nos deram os 30 anos de longevidade que a saúde pública nos ofertou. Não são as pilulas cada vez mais caras e mais potentes não são nossas classificações cada vez mais restritas do que eu tenho ou deixo de ter, impressionante a capacidade das pessoas inventarem novas doenças. Haja criatividade!
Tudo no mundo tem cura, tudo no mundo tem cuidado, até morrer curado é possível, na verdade, é preciso.
O que nos orienta a tradição oriental?
Toda a medicina chinesa, na sua relação com a alquimia taoísta indagava colocava o homem em busca da longevidade. Su Si Miao, um médico que ensinou muito, viveu mais de 100 anos, isso há centenas de anos atrás.
Hoje em dia, cada vez mais, quando já temos as principais doenças infeciciosas controladas, quanto mais e mais doenças auto-imune, frutos de estresse e de estilos de vida desequilibrados aparecem, mais e mais pessoas se encontram, não doentes, mas sem saúde.
A medicina chinesa, infelizmente está sendo vista como mais uma atividade curadora e não profilática, cada vez mais é vista para combater doenças e não para ter saúde. Tem muita gente não-doente, mas eu conheço poucas pessoas que tem saúde. Eu mesmo estou buscando a cada dia, porque é isso que é a saúde, uma busca diária, ser são, ser saudável é um projeto infinito para o qual nascemos.
E de quem é a responsabilidade pela saúde? Do médico, do especialista? Absurdo!!!
A responsabilidade pela saúde é de cada um de nós. Somos dados uma terra, um pedaço de mundo pra cultivar flores. Esses dias, alguém me disse: Você é muito sedutor, fala muito bem. Eu respondi “ a boca só fala do que o coração está cheio”.
O que está no seu coração que não te traz felicidades. Os seus pensamento, seus atos e suas atitudes são as mais amorosas possíveis? É possível perceber seu corpo, suas dores e se auto-massagear, se auto-curar. É possível acompanhar seus pensamentos numa meditação, sentir sua energia numa prática de qi gong, perceber que comida não é só carboidratos, proteínas e açucares, que existe uma qualidade energética no sabor, nas cores e nos texturas.
Somos o nosso livro de estudos, vamos virando a página pra descobrir a autoria.
E a orientação que podemos buscar com os antigos, não é diferente do que nossos avós faziam é cuidar, cuidar, cuidar. Essa atitude básica que estamos condenados a experimentar como nossa principal virtude e nossa principal forma de amar. Quem ainda não percebeu que é só isso que podemos fazer, que nascemos do cuidado e cuidamos da casa, da caixa de email, dos arquivos virtutuais, das palavras e também, fundamentalmente, cuidamos de si e cuidamos do outro.
Recentemente evoquei o evangelho, uma dessas palavras esquecidas pelos profissionais da saúde, que se estendem a todos. “Médico, cura-te a ti mesmo!”
Melhor seria, ser humano, cuida do seu jardim, cuida do seu coração, cuida do seu templo, cuida dos seus pensamentos.
Assim, podemos falar de viver. Da arte de viver, da arte de sorrir, da arte de se alegrar. Nem todo mundo está preparado, nem todo mundo suporta muito amor, nem todo mundo aguenta o mundo novo que se abre ao nosso olhar a cada instante.
Mas nosso corpo, sua idade que chega, os anos que passam, os sonhos que se realizam e os que ficam guardados pra sempre, tudo, tudo nos convoca cultivar.
Por isso, na tradição oriental, o saber nunca ficou muito afastado da linguagem popular, perceber a palidez da lingua, a fraqueza do no pulso, deveria ser uma relação direta com nossa capacidade de sentir a si mesmo e ao outro.
Para resgatar essa tradição, pra resgatar esse saber, eu proponho me encontrar, abrir espaços de encontros pra falar de saúde. Porque eu adoro acupuntura e medicina chinesa, mas gosto mesmo de ver as pessoas aprendendo a se cuidar, aprendendo a se iluminar, aprendendo a seguir seu coração ao invés de uma palavra que já não tem sentido.
Qual a diferença entre medicina ocidental e oriental?
23/05/10
A primeira coisa que quero dizer é que o título desse artigo não faz o menor sentido. A melhor coisa ao tentar responder uma pergunta é entender o contexto, fazer uma análise de onde ele provém.
Nas últimas décadas, com os avanços cada vez maiores da ciência médica, a tentativa e muitas e muitas vezes ao conseguir encontrar procedimentos cada vez mais específicos para tratar sintomas, às vezes até doenças gerou uma prática médica que é simplesmente fruto de um pensamento linear.
Affe, parágrafo longo demais , que linear-mente resume-se em “para toda doença, existe uma causa”, conhecendo e eliminando a causa, acabamos com com o sintoma. Isso é medicina hoje em dia.
Matematicamente temos se x então y. (if statement). Ótimo, que seriam dos nossos bancos de dados e toda a programação se não fesse esse pensamento claro, direto, objetivo, materialista e mecanicista.
Aí então, como isso é a corrente principal, começaram a resurgir as chamadas alternativas. Tudo que não cabia e ainda não cabe dentro das práticas que obedecem a esse racioncinio linear, ficavam de fora. Entre elas, as que eu uso estão: psicoterapia, massagens, homeopatia, florais, acupuntura e fitoterpia chinesa.
O que aconteceu em seguida é que essas alternativas, como representavam uma boa fatia do mercado foram sendo incorporadas por profissionais que estariam, em tese, ligados às práticas futos de pensamentos lineares, ou seja, que procedimentos médicos fossem, testados, duplo-cegados, comparados, estatisticamente validados e tal e qual. Não passando por esse crivo, deveriam ser descartados, sem comprovação ou evidência não há ciência logo, não há medicina. Parece correto?
Mas as alternativas continuaram aí, apesar de toda a FALTA DE EVIDÊNCIA. Todos os dias pessoas de todas as culturas entrem em contato com práticas de saúde sem evidência científica e comprovam suas curas fenomenologicamente, na sua experiência.
Bem, o que eu quero dizer é muito simples.
O que difere uma medicina ortodoxa de uma medicina alternativa. Uma prática convencional de uma complementar/alternativa não é exatamente o procedimento. Mas a perspetiva.
Assim, podemos ter um acupunturista que simplesmente descartou exames de lingua e pulso porque considera que isso é muito difícil e que basta saber a doença pra saber que pontos usar. Ou seja, o racioncinio causal permanece, para doença x usa-se pontos y.
O que então diferencial uma perspectiva da outra?
A diferença é que as práticas alternativas normalmente não fazem esse racioncinio. Para uma doença tal vamos indagar sua história pessoal, seus aspéctos emocional, sua relação com a doença e a relação dos sintomas com tudo isso. Não é x causa y, mas x está em RELAÇÃO COM Y. E tratamento, neste caso é colocar as relações em harmonia.
Claro que podemos fazer um quadro comparativo de um lado colocar um médico de formação ocidental com pensamento linear, tratamentos unifomimente validados estatisticamente e materialista “contra” um médico oriental com processo de mecânica quâtica, tratamento individualizados e vitalista.
Isso sim, caro visitante, é que é a grande BURRICE.
Primeiro que não existe uma categoria oriente ocidente que se sustente, nem holístico e quantico contra mecanicista causalista. Essas categorias não servem nem ao terapeuta, nem ao cliente, nem a ninguém. Criando falsas diferenças pois conheço vários homeopatas, cuja prática tem por princípio modelos vitalistas que medica como se estivesse recomendando um remédio qualquer. Trata os sintomas e a doença sem incluir o sujeito como um todo.
Não a acupuntura, homeopatia, florais ou o que for que é em si a garantia de que vamos encontrar uma abordagem, uma perspectiva mais inclusiva.
Como tem gente que quer somente a fórmula pra tratar, o “doril” o alívio rápido pra sua dor ou do seu cliente. Sem ter o tempo, a calma de entender o sentido daquele que chega até sua clínica.
Qual a diferença entre medicina oriental e ocidental?
Nenhuma, precisamos saber as duas se quisermos ser terapeutas mais integrados e não é o instrumento certo que faz a ação correta, mas o instrumento certo nas mãos corretas que determinam uma ação correta. Acupuntura pode ser reduzida uma ciência, pra outros é uma arte, para nós deveria ser sempre uma ciencia-arte de nos colocar em harmonia com tudo e tratar nossas dores.
Assim, na hora de escolher um terapeuta e ele começar a falar mal do outro. Contra os alternativos, contra “eles” os médicos. Contra os remédios, contra isso e aquilo. Siga adiante na sua procura…
Precisamos de terapeutas que tenham consciliados seus hemisférios cerebrais, que fiquem em paz com a lógica de nossa programação existencial e com a arte do instante que nunca mais voltará.
Como esse…
Um texto assim, em busca de equilíbrio distante.
Entre o artista, a plateia, o espelho e narciso.
21/05/10
Jung já apontava pra uma dimensão linda da da vida. O mundo, a alma do mundo, a anima mundi é reflexo do nosso interior. O mundo que vemos, os atores que escolhemos, o sol, a lua as estrelas, o estranho que nos fala o amigo que começa a falar sem saber o porque e por fim. as sincronicidades, os sonhos. Todas as imagens são imagens de nós mesmos.
Ontem eu caminhava com uma amiga que me trouxe um grande presente, o passado presente. Explico. Nos conhecemos há 15 anos atrás. Ela falava enquanto caminhávamos que queria gravar aquela lembrança, a bela imagem na praia e levar sempre consigo. Eu lhe disse, que esse lugar é que a via passar, quem está de passagem somos nós, que passamos pela vida dos outros, como dizia Exupery: “deixado um pouco de nós e levando o outro consigo”. Embora sejamos também um pouco raposas e um pouco pequenos principes com suas rosas em redomas de vidro.
Assim também, a paisagem, eu falava, é que deveria nos ver crescer e alcançar, pouco a pouco a maturidade de nós mesmos.
E as borboletas?
Bem, borboletas no estômago…
Será mesmo nescessário borboletas no estômago?
O artista na infância, pinta, dança, canta pra atender aos pais, nossa plateia por excelência. Na adolescencia, se faz objeto para o outro, se torna artista, ou mesmo diretores teatrais para que outros incorporem seus sonhos e suas dores, talvez por excesso de sensibilidade, talvez por covardia mesmo, talvez os dois.
Na maturidade, creio eu, o artista é criativo porque isso lhe é o viver. É assim, canto porque o pássaro canta. Se faço uma pintura é porque sonho, se traço uma mandala é porque o mundo ao meu redor precisa de ordem, como a ordem interna.
Assim é com narciso. Você conhece a história, não é?
Se não, vou resumir como me aprece (apraise), vou só recontar como me encanta.
- Narciso era muito bonito e todos o invejavam-amavam.
- Um dia ele caminhava por um bosque e encontrou uma ninfa, chamada Eco.
- Eco não suportou que narciso não a quisesse e lhe atraiu para um lago.
- Lá, narciso olhou sua imagem se apaixonou. E alí morreu.
Onde narciso morreu nasceu uma flor, que conhecemos. O que poucos sabem é que de narciso, narké, vem também a palavra narcótico. Tudo que vicia em nós mesmos, sejam nossas imagens, nossas fotos, nossos perfis virtuais, nosso estilo de vida. Tudo que não morre, mata.
Assim, cada flor que morre, é a lembrança da nossa finitude beleza, da nossa imagem que não se suporta, da nossa fragilidade infinita.
Tenho convivido com tantos artistas iluminados. De verdade, gente que brilha ao se reparar, ao se olhar atentamente. E de tanto brilho pra fora, tanta, tanta escuridão pra dentro.
Não parece óbvio isso, na vida das pessoas imagem, das “personalidades”, alguém de verdade queira uma vida como a do outro ao invés da sua própria, seu prórprio gosto, seu próprio sal, seu próprio saber, seu próprio sabor.
Imagem e semelhança. Ator e plateia, imagem e objeto, sujeito e por fim o mundo, não dual.
Me lembrei de Alice através do espelho. Quando vamos atravessar o espelho de nós mesmos, perceber que estamos num grande salão de espelhos e ver além da matrix?
Qual o custo disso, de atravessar o espelho? Saber que agora e sempre, você vai querer mais do que qualquer outra coisa, ajudar tantos e tantos outros a atraversar seus espelhos.
O narcisimos do outro se torna um narcismo de si que é o narcismo do outro que o reflexo que é a morte que é a imortalidade florescente!
Sem torpor, sem temor, sem espetáculo, se expectativa, sem espera, não um, não dois.
“Um lindo jardim…
Para deus em nós vir pousar…
Para deus conosco brincar.”
Game is over.
Quando o cuidar é uma arte e o amor um arte-fício
12/05/10
Quando o cuidar é uma arte e o amor um arte-fício
Uma das coisas mais complexas na vida do terapeuta é conseguir separar as funções terapeuticas da outras funções do viver. Considerando, claro que a vida tem funções bem estabelecidas e que podemos discernir ou mesmo atuar, no palco na nossa existência nesses papeis. Mas tudo indica que sim.
E o papel de um terapeuta, ou melhor de um psicoterapeuta é refletir junto ao paciente a ciência de si. Do self. Nem que pra isso o amor ser apenas um arte-fício.
Hoje eu acordei às três da manhã sentindo as usuais correntes de energia pelo meu corpo depois de muito elaborar sentimentos e sofrimentos meus e os que estão ao “aredor” e registro aqui pra fazer uma sintese desse tema tão raro.
Porque o pepel de psicoterapeuta é raro. Porque o terapeuta é um anti-papel. Ele é o papel que reflete o ator, que o escuta, o escuta atentamento para além de todas as máscaras, de todas a aparências, é alguém que vê profundamente o outro. Quando isso não acontece e escutamos com uma escuta, contaminada de preconceitos, de opiniões de si, não podemos encontrar espaço suficiente, abrir espaço suficente para o outro poder se rever.
Assim, carregar o título de um psicólogo é realmente uma tarefa árdua. O psicólogo não é filho, não é pai, não é amigo, não é médico, não é amante, não é irmão, não é…, não é… não é… pra poder ser no teatro da vida, todas essas coisas para o sujeito da terapia, o cliente.
Mas, cuidando do mundo, e já sabemos que nascemos e somos essencialmente seres de cuidado, como não cuidar de quem amamos e queremos bem? Impossível.
Assim, preservar a posição da transferência é muito importante, é talvez a mais difícil e a mais necessária posição que precisamos, os terapeutas, aprender a cultivar porque á mais necessária posição no mundo, exatamente porque é tão difícil e tão rara.
Eu nunca fiquei com uma paciente minha, mas já fiquei com uma terapeuta certa vez. Claro que a terapia que ia muito bem acabou. E embora eu ache que na prática de acupunra isso é perfeitamente normal, cultivar a amizade, afetos e ainda assim ajudar o qi a circular livemte, na prática de psicoterapia isso não acontece.
Como eu disso, terapeuta não é amigo e não tem que ser. Se você imagina isso, ou se isso acontece, pronto, não temos mais terapia, temos conversa com amigo que também é muito bom, mas não tem o potencial a nos ajudar tanto.
Assim, escrevo pra marcar algumas coisas importante na prática clínica.
Se alguém precisa de terapia, não lhe ofereça amizade, mesmo que isso seja o que você quer.
Se um amigo precisa de terapia, lhe indique sempre alguém que você confia, se é que você conhece uma dessas pessoas raras capaz de ajudar os outros
Encaminhar um paciente pra outra pessoa é tão ou mais responsabilidade do que cuidar da pessoa em si. Eu já errei nesse caminho e não quero errar mais.
Por fim, meu último mandamento aos terapeutas.
O maior e mais verdadeira forma de amar é sempre a que se orienta ao outro e a maior forma de se orientar com o outro é na terapia. Então, amar verdadeiramente não é se encantar pelas paixões de eros, amar é não=estar lá para amizade, não estar lá para o amor, não estar lá….
Para que o outro possa vir ver verdadeiradamente a vida.
Hoje eu escutei assim:
E eu?
Dessas pessoas que amam e cuidam demais que não precisa de mais um amigo, precisa de terapeuta que infelizmente estava lá quando não precisava.
Escrito pra mim,
que te
amaria.
Abundância e escassez e o sentido da falta
14/02/10
Outro dia eu disse num curso desses que deveria ser gravado, pois tem momentos que você fala coisas que realmente deveriam ser registradas. Há quem chame de inspiração, há quem chame de solidão.
Bem, o que eu disse nesse curso, que desde então me parece cada vez mais fazer sentido é que: SÓ HÁ CONFLITO ONDE HÁ ESCASSEZ. Tá, tudo bem, qualquer um com uma mínima noção de economia sabe disso.
Mas aí, vemos duas crianças discutindo, como eu vi ontem. Ela entrava no quarto chorando porque não deram o biscoito pra ela. Havia outras tantas caixas de biscoitos disponíveis, havia bastante, só que perceber isso, acabaria com a graça da escacess. Porque é na escassez que podemos viver a nossa dimensão especial, pois aquilo que é raro, mais raro ainda faz de nós.
Anos atrás, eu tinha um professor de pintura, ele ganhara muito dinheiro com a genialidade dos seus quadros, mas depois de se decepcionar com os seus então aliados, ele decidiu ir morar num “barraco” como ele mesmo definia. Foi ali, que depois de mais de uma década eu o reencontrei. Ele pintava os quadros mais lindos, como esse:

E também pintava as portas, pintava as paredes como se fossem mármores, e as portas como se fossem colunas de um templo dourado e celestial. Ali vinham os colibris se alimentar nos grãos despejados sobre seu chapeu.

Passei ali muitas e muitas tardes, como tinha sido aluno dele na infância e sempre partilhavamos conversas sobre as práticas espirituais, sempre me animava sua disposição pra superar as dificuldades. De transformar com a arte tudo ao seu redor.
Eu compreendia profundamente o que ele estava escolhendo passar, e via isso como um processo muito natural. Claro, num natal, não aguentei e levei lhe uma cesta de natal cheia de coisas boas, ele ficou também com minha máquina de lavar e as flores do jardim da minha casa na cinco de julho onde funcionou minha primeira clínica.
Saudades desse tempo de profunda abundância e de felicidade, minhas tintas todas se foram, pitávamos com o que tinhamos, paredes.

Ouvíamos músicas envagélicas pois eram as únicas que sintonizavam bem, bebiamos água com luzes do sol. Pois era preciso colorir as águas com a imaginação pra receber os seus sabores aparenetemente insípidos.
Esse amigo teve dois grandes impactos na minha vida. Na juventude me ensinou a brincar com luzes e sombras. Até hoje eu me lembro da minha primeira aula de pintura, na quinta série. Eu tinha que desenhar uma esfera de isopor e fazer ela parecer uma esfera espacial. E não é que eu tinha jeito para o negócio. Passei aulas e aulas praticando perspectiva, acho que foi o que mais aprendi naqueles anos que alto demais sentava no fundo das salas de aulas com 50 alunos.

Saudades desse tempo.
O que ficou, sei lá, meu gosto pelas imagens, não tenho muito tempo pra pintar pq hoje é tudo tão instantâneo, que acompanhar as semanas, as vezes meses que me levam a pintar um quadro não dá mais tempo. Vamos como podemos com photoshop mesmo.
Mas quem sabe um dia eu redescubro o prazer pelas texturas na tela e pela mistura das tintas. Das lições fundamentais sobre a luz e a sombra a profundidade e a perspetiva.
Outra lição importante que ele me ensinou recentemente é jamais vender sua arte, jamais vender seu espírito. Eu sei, nem todo artista precisa ser santo, e confesso que minha vocação ascética não é assim tão grande.
De qualquer forma, a escassez é muito melhor que a abundância, muito mais produtiva, muito mais criativa, multipla. Embora existam e as mais nobres motivações humanas são mesmo motivações de transbordamento, como o amor, a amizade e o bem-quere. O que nos move no dia-a-dia com muito mais força é mesmo a escassez. Astrologicamente é saturno, enforcando e nos deixando esperimentar nossos limites que se contrapões a força de Jupiter.
Eu e saturno somos velhos amigos, meu ascendente em capricórnio fez dele o regente do meu mapa. E sinto cada transito dele com muita força e com profundas transformações e esse é um momento assim, mesmo sendo carnaval.
O que eu queria dizer afinal é simples assim: Viva a plenitude e viva a escasses, viva o yin e viva o yang, viva o belo e o feio, viva o homem e a mulher, viva toda a manifestação e sua multiplicidade todos os tons, todas as cores, todas as nuances, todo o espéctro da alma e das emoções.
Então, se você só tem um chocolate, guarde-o, para que no momento mais precioso, você possa saber o seu verdadeiro sabor.
Assim também, se você tem um amor, guarde-o, para que num momento de bem-aventurança ele possa se abrir, como uma flor na sua alma.
Uma elegia aos transitos de saturno pela vênus e pelo meio do céu. Triste, moral e lamentoso, mas pare inspirar guerreiros na batalha a contemplar a finitude e a falta.
Hahahah, risos!
ps. que título mais psicanalítico e retrô!
E essa pintada na parede era minha companheira na época, saudades também e bençãos sempre!
Arte e Relacionamento – no palco da existência e o teatro do(s ex)tremos
27/12/09
O que te faz tremer? Perguntava Campbell, o autor do herói de mil faces. O que te faz tremer? Recentemente, depois de alguns meses de profunda meditação vivi e sigo vivendo um relacionamento incrível. Talvez seja saturno passando e e “revoando” pela minha vênus, uma consideração astrológica.
Não foi algo público, foi secreto, como um acontecimento interno, como algo que não se partilhe e mesmo que vê de fora não entende. Isso Freud nunca conseguiu entender entender, porque o ego em busca de estrutura não suporta a arte, não suporta os extremos da alma humana e não percebe que a menos que seja você um ator se na sua vida afetiva não tiver arte, não tiver expressão e fluxo de vida, rompantes de extremos que te fazem querer largar tudo, que te colocam de joelhos como indicam os chineses.
Vou fazer uma pausa, pra explicar 爱 o ideograma chinês de amor. Ele tem um teto de um templo, sobre um 心 coração e um homem de joelhos. Assim, o amor é uma força que desce sobre o templo do coração e coloca os homens de joelhos. Poético não? Sintese dessa dimensão artística da relação amorosa, seja com o divino, seja com o outro que no fundo são a mesma coisa, luz.
A história que revivi com minha amante realmente eletrizou a minha vida. Foi tão intensa que abalou todas as áreas da vida, trabalho, relacionamentos com amigos, familiáres, pacientes, enfim, são aquelas pessoas que passam pela vida e exatamente porque não podem ficar te transformam tanto e em tão pouco tempo.
Podemos separar pelo menos 3 funções das relações sexuais. Veja bem, se você tem questões terapeuticas pra resolver com sua sexualidade, seu corpo e seu prazer, procure um terapeuta freudiano, reichiano sejam lá de que ordem forem as questões. Por exemplo, se vc tem dúvida se é amado ou não e precisa ouvir isso pra encontrar sentido na sua relação precisa de um terapeuta. E terapia é ótimo, mas não é arte e essa mistura pode ser positiva ou não.
Outra coisa diferente é você fazer da arte a sua relação e da vida arte. Assim, yoga e práticas sexuais e amorosas numa relação ganham uma outra dimensão, que foi o que vivi. Extremos teatrais (com suas funções transformadoras, mas não terapeuticas), porque não estávamos preocupados em cuidar e dar acolhimento sempre, mas fundamentalmente ir ao encontro da vida que flui em nós. E quando as demandas terapeuticas são muitas certamente uma coisa pode atrapalhar a outra.
O brilho, a alegria o amor nessas condições “artísticas” são extremos e muitas vezes insuportável para quem está ao redor. Assim como qualquer “extressão artística” não é pra todo mundo. Não é todo mundo que quer levar arte para sua vida sexual e assim para toda a sua vida. Mas como quem pinta um quadro, ou quem dança, as emoções, as paixões, as intensidades é que nos provoca. Menos que isso é perder o contato com a fonte de nossa criatividade.
Tenho aprendido, nas fogueiras da paixão, a cultivar o fogo interior. Não são as imagens dançantes fora de mim que me movem, mas o fogo que brilha e pode irradiar ao redor. Em suma, habitar ao mesmo tempo quem percebe e observa todo o manifesto (masculino) como brilhar no meu coração e perceber os movimentos e dinâmica desse fogo (feminino). Eis o caminho de integração que percorri nos últimos tempos, e talvez se ler os últimos artigos possa entender um pouco mais.
Eu encontrei uma deusa, não sabia se o encontro era com a minha alma ou com uma deidade, e realmente tudo mudou. Minha Anima, minha alma agora dança na fogueira no centro do mundo, na clareira do meu coração e já não se tem nada a perder, o fogo já não pode te queimar, se você já é luz e irradia tudo ao seu redor. O mais que ardeu e queimou é o que precisava convertido nas cinzas do shiva nataraja, o “destruidor de ilusões”.
Transforme sua vida em arte, assim como aprender a cantar ou tocar um violão, experimente graves e agudos, altos e baixos e componha uma sinfonia, cante, cante, cante… “quem sabe a sua canção acalme a fera que espera devorar o pássaro”.
Uma ode ao psicodrama da existência ou ao cosmodrama da vida.
Mas terapia é terapia, arte é arte, na vida há espaço para tudo.
Terapia acolhe, arte/yoga liberta e flui e as práticas espirituais te lembram que somos todos luz.
Então, brilhe, flua e acolha com compaixão tudo o tempo todo!
HA-(mo-re)amo a re
Mar Rio
25-dez-2009
O nível turquesa
23/11/09

“A divindade é uma esfera cujo centro está em toda parte e a circunferência em parte alguma.”
Upanishades
Vou tentar descrever minha percepção do nível turquesa de consciência. Embore em geral eu me sinta bem amarelo e integrado em vários aspéctos da vida e claro, outros não . Como em todas as mudanças de níveis de consciência a mudança do amarelo para o turquesa são muitas e vou tentar destacar algumas tal como as percebo.
Como todos os níveis da espiral as estruturas anteriores tem que ser TRANSCENDIDAS E INCLUÍDAS, assim sendo. os principais problemas do nível amarelo que é o excesso de estruturas inclusivas no pensamento precisam ser transcendidos.
O amarelo é o último nível que vai operar com conceitos de desigualdade. Parece uma grande conquista realmente rever níveis, linhas, quadrantes e tudo mais que o pensamento integral permite, mas como toda estrutura também vai ser transcendida pelo nível turquesa para um nível transracional intuitivo.
No nível turquesa, todo o espaço se torna perpectiva, tudo se torna ponto de vista equidistante de qualquer objeto e qualquer objeto se torna sujeito de todos os demais. A fusão entre sujeito e objeto, a não dualidade agora não se percebe apenas como experiência mental mas como experiência imediata no mundo.
Redes e teias de energias-pensamentos-karma, nexos de sentimentos, ondas, qi, forças, campos, teias, redes, links entre todas as coisas começam a se tornar realidades sensíveis e um uma nova experiência para nomear essas novas realidades que emergem e se difereciam precisam ser construídas.
Novas pelavras e conceitos precisam ser construídos para que possamos falar de todos esses níveis seguintes e não temos ainda uma realidade consensual desses níveis para que possam ser assim facilmente comunicados.
Então, para as relações afetivas, para as ligações entre as pessoas essa experiência no campo sutil se torna uma percepção sensorial muito mais ampla, podemos tocar, ver e sentir esses níveis energéticos, assim chamados por falta de um nome melhor.
O mais impressionamente mesmo e por isso um nível inferior sempre resiste ao nível superior é que toda a estrutura mental que sustenta o nível amarelo tem que ruir para que o nível turquesa possa se manifestar.
Ai, ai, boa sorte pra nós. Eu apavoro de pensar em tanto tempo lendo e tentando entender tudo e ainda restam entender as questões básicas da vida. Quem somos nós? Quem nos criou, quem criou o criador (se é que existe um), quem deu início a esse grande jogo cósmico e porque? É tudo lindo demais, tudo maravilhoso demais, mas ainda estamos apenas navegando no grande oceano de sentidos celestiais e terrestres.
Viva o grande globo azul turquesa, viva as teias de luz que envolvem toda a vida na terra, viva todos os pensamentos harmoniosos, viva o amor, viva a dança e viva as crianças.
Mais sobre o nível turquesa e a dinâmica da espiral.
Tantra – quando a morte é uma benção
06/10/09
Tenho aprofundado cada vez mais minha prática de meditação e tenho também me colocado em situações que realmente testam essa condição contemplativa da vida em especial relacionamentos de toda sorte, amizades, amores, mesmo amores platônicos podem ser uma benção na vida.
Dois aspectos básicos da relação entre o masculino e o feminino são: A capacidade do homem de permanecer firme e a capacidade da mulher de lhe retirar dessa posição. (hehehe)

Claro que cabem muitas interpretações pra essa frase, mas num certo sentido, estou falando da capacidade de não se alterar perante o oceano de emoções que são as mulheres.
O feminino não sabe o que quer, precisa de direção, o masculino sabe o que quer e precisa ser retirado de si mesmo e essa dinâmica pode ser muito positiva, ou ser o drama que vemos por aí.
Mas além dessa dinâmica onde o feminino testa a todo esforço a capacidade do homem permanecer ao seu lado, apesar de todas as barbaridades que é capaz de cometer de todas ondas, as tsunamis emocionais e essa capacidade de viver num mundo instantâneo de emoções. Basicamente diante do oceano, o que um homem precisa fazer é permanecer na mesma posição, firme e inabalavelmente ao lado do feminino. Parece simples? Ela vai te testar sempre, dizer o que não quer, pedir o que não suporta e se você fizer o que ela está pedindo ainda vai ficar frustrada com você.
Para além dessas polaridades clássicas e reconhecer essa polaridade como algo extremamente positivo e que anima a relação. existe uma dimensão boa na relação com o feminino que aterroriza homens, mulheres, crianças e adultos em todos os cantos. Qual seja a dimensão morte do encontro com o feminino, claro, se algo merece morrer é mesmo nosso eu separado, nosso eu contraído o que chamamos de ego. Não que um ego saudável não seja bom pra um monte de coisas, mas se ainda resta algum sofrimento e ele emerge na relação com o outro, uma boa mulher vai te matar. Vai te colocar em contato com suas contradições até o limite da sanidade e por incrível que pareça, isso também é amor.

Poucas mulheres tiveram capacidade de me matar, mas são elas as mulheres que eu mais amo, que mais me marcaram, que mais me transformaram fisicamente, afetivamente, cognitivamente e espiritualmente.
Assim o sagrado e o profano estão intimamente ligados o amor mais profundo e a traição o íntimo e o publico, o carnal e o transcendental. Isso é tantra, isso é o engajamento com o real na lama e no lótus, no céu e no inferno, no terror e no amor, na vida e na morte.

Claro que pode não ser uma coisa fácil de se entender, ver uma mulher, uma mãe, uma presença feminina destruir a criação do seu amor, das suas fantasias, dos seus desejos. Mas se conseguir ver, além disso, perceber o divino dessa dimensão pode-se acordar para um amor, uma abertura, uma alegria, um êxtase, uma luz tão acolhedora que é difícil compreender sem lágrimas correndo e sem correntes de energia percorrendo todo o corpo.

Se sua mulher consegue te matar, talvez ela seja mesmo uma mulher para você, se não, vai ser mais uma amiga que nunca vai ter a coragem pra cortar a sua cabeça como nas iconografias tradicionais da índia e do tibet.
Tudo bem, não se pode ter tudo e uma boa amiga ainda é um presente raro da vida.
Como incluir na prática clínica as noções chinesas de destino e de cultivo
06/10/09

Na prática o que é saúde? Saúde é uma ausência de sintomas gerado pela ingestão de antibióticos? Saúde é o que se consegue quando se luta contra o fator patológico, mesmo que ele seja um “vento perverso” ou qualquer manifestação de “xie qi”. (qi do mal)
Na prática, acupuntura pertence a um domínio difícil de praticar por que com toda razão ele contém muitas variáveis e quero apenas considerar duas que aparecem com freqüência nos textos chineses. A questão do cultivo da saúde e do destino.
“Um médico de excelência cuida dos sintomas antes dele aparecerem”
Ou seja, um terapeuta investe na saúde, na sua e das pessoas ao redor. A medicina chinesa é vasta e seu campo de atuação está entre duas dimensões importantes, o corpo grosseiro e o sutil, eles se interpenetram, mas não são a mesma coisa.
Assim, no caso a atuação sobre o campo sutil não podemos esquecer que faz toda a diferença a atitude mental, a capacidade de concentração, o Yi ou intenção do praticante na hora de inserir as agulhas. ( eu disse TODA A DIFERENÇA)
Um encontro clínico verdadeiro tem uma dimensão sagrada, pois se um encontro acontece, todos se curam, aprendem e seguem viagens mais confiantes. Eu gosto bastante de ler, mas meus professores na arte de curar são sempre os que me curaram: remédios, alimentos, amigos, agulhas, plantas, homeopatia e florais.
Funcionam pra mim e me colocam de volta no caminho. Essa noção de que as coisas têm um sentido, de que a vida tem alegria e de que o tratamento pode te ajudar a conquistar isso não é o mesmo que tratar um sintoma. E às vezes eu tenho a sensação de que essa dimensão da prática terapêutica com agulha e moxa é negligenciada em função de uma enormidade de técnicas, pontos e procedimentos analíticos.
Como psicólogo eu sei o quanto uma palavra pode curar, como acupunturista que observa as sincronicidades ao redor eu sei o quanto tudo está ligado a tudo e que minha atitude na hora de inserir os pontos tem que ser trans-racional , para além da razão. Isso é infelizmente confundido como pré-racional, para aquém da razão, como se tudo que não é racional ou melhor, analítico, não é método confiável.
Com toda certeza criticar os reflexos Nova Era na prática da acupuntura como em todas as outras áreas é muito importante, mas não dá pra jogar fora no mesmo balde os tesouros preciosos dos grandes sábios iluminados do passado que abriram um campo de eficácia clínica muito além das possibilidades de sistematização mental da prática clínica.
Claro que consolidar uma base analítica é fundamental, é preciso estudar muito, isso é importantíssimo, bases sólidas para analisar os casos clínicos é fundamental. Mas no campo sutil, bem como no campo físico, o terreno continua sendo tudo o veneno não é nada, tratar os fatores de adoecimento sem considerar o paciente, o terreno onde o “mal” se instala é um extremo estúpido quanto achar que não existem doenças, só pessoas doentes. Doenças existem, bem como pessoas doentes.
Pasteur morreu reconhecendo que não eram as bactérias e vírus a questão central na saúde, mas o terreno. Assim como sabemos que na prática da acupuntura e da saúde pública, cada vez mais se sabe sim da importância de prevenir e cuidar e nesse caso, as variáveis são realmente muitas.
Se pudermos descobrir novos marcadores somáticos ligados às síndromes energéticas chinesas vai ser ótimo, mas considerando o campo da nutrição, por exemplo, não conseguimos descobrir nada sobre o que faz bem ou faz mal e em geral nos alimentamos sem ter consciência do que fazemos.
O mesmo se dá com a prática da acupuntura orientada para o destino, Ming, cuidar não é apenas tratar sintomas, mas permitir que o sujeito encontre uma forma de viver mais saudável com o livre fluxo de qi de yin e yang. Essa posição em busca dessa condição essencial deve sempre orientar a prática clínica, por mais simples que possa parecer, não é.
Aí, entra uma questão fundamental. Se o terapeuta não faz nenhuma prática de cultivo. Se não cuida da sua saúde, se não percebe os seus desequilíbrios se não vive esse estilo de vida, como poderá perceber as desarmonias no outro. Apenas com análise racional de sinais e sintomas? Pra isso tem excelentes programas de computador, cada vez melhores!
Precisamos convocar então uma outra inteligência, que por falta de nome melhor, vou chamar de inteligência do destino ou do Dao, ou do caminho. A inteligência de quem se coloca num caminho de prática e pode sim transmitir aquela expressão do conhecimento tradicional que está para além dos livros, além da letra.
A letra não só é morta, mas também mata.
O espírito não só vivifica, mas também cuida da vida em geral.
Dedicado a todos os amigos da comunidade de acupuntura com quem sempre aprendo muito!
Aprender acupuntura e a integração das energias sutis
06/10/09

Comecei a praticar acupuntura em 2003 e quero partilhar um pouco do que aprendi com acupuntura na prática clínica e na vida.
Na minha vida pessoal aprendi que:
Todos os sinais e sintomas do seu organismo, mesmo afetivos e emocionais guardam uma correspondência com níveis sutis de energia que circulam pelo corpo.
Então se você está dormindo demais ou de menos, se está feliz demais ou de menos, tudo pode ter uma contraparte energética.
Aprendi que alimento é remédio e que fitoterápicos tem que ser administrados com MUITO CUIDADO, porque são muito fortes.
Aprendi que puncionar o F3 Tai Chong e IG 4 He Gu, de vez em quando não faz mal a ninguém e em geral te deixa mais feliz e mais “solto”.
Aprendi a ficar olhando minha língua todos os dias quando encontro um espelho na minha frente para acompanhar minha saúde interna.
Aprendi que existem sim harmonia e possibilidade de viver uma vida com alegria serenidade.
Aprendi que as técnicas de cultivo interna, meditação não são coisas simples e que provocam fortes alterações na fisiologia energética.
Que as energias sutis são bem reais e que podemos movê-las para cuidar de si e das pessoas.
Que é importante procurar um acupunturista competente para te tratar. Agulhar a si mesmo não tem o mesmo efeito do que o agulhamento por outra pessoa.
Na minha prática clínica com acupuntura
Aprendi que agulhas devem ser sempre levadas consigo, nunca se sabe quando alguém vai ter uma distensão, um enjôo ou uma dor de cabeça.
Que diagnóstico médico contrário ao tratamento não deve e não pode te impedir de tratar com as bases da medicina chinesa, ou seja, milagres acontecem.
Existem várias acupunturas e todas as escolas estão certas em algum ponto.
Que acupuntura algumas vezes não faz sentido. Ponto X resolve doença Y e “ponto”.
Agulhas pequenas e finas não fazem mal a ninguém e deixam em geral o paciente mais “receptivo” ao tratamento.
Que a intenção na hora do agulhamento é tão importante quanto a localização dos pontos.
Acupuntura não é tão difícil, mas como toda arte, demanda prática, estudo e dedicação, por mais talentoso que você seja.
Quanto melhor a sua saúde e qualidade energética, melhor a sua capacidade terapêutica.
Antes de aprender centenas de pontos é preciso realmente aprender os básicos de verdade, localização, agulhamento e deqi (perceber o qi).
Acupuntura chinesa” dói” muito mais que a japonesa, mas eu ainda acho que tratamentos de “choque” são mais eficazes.
Que a teoria dos cinco elementos não é tão importante, mas ao mesmo tempo pode ser o que te salva numa hora de sufoco. Estudar os clássicos é importante, mas mais importante é um bom estudo de cada paciente.
Que basta uma agulha no ponto certo para harmonizar todo um quadro clínico, mas que outras vezes 10 agulhas é pouco.
Ter uma prática de meditação, tai qi chuan e qi gong são fundamentais.










últimas discussões