reflexões sobre a arte de fluir a vida
ARTIGOS
A vida e a arte do limite
02/02/12
A vida e a arte do limite
Quando soltar-se em sopro vento e ventania
Quando desbasta olhar pra sentir
Quando o sol arrebata em teu peito
Quanto da luz fala alto no fechar dos olhos
Quanto tudo é Ser presente
Vida que invade em vagas
Vasos de vazios transbordam
Vigas e vigor em fervor
Canta o corpo trêmulo das vestes de luz
Visto meu manto da calma e…
Revisito as bordas finas que ligam o céu e a terra
Amor, amor, amor
Em cada canto, canto encantos, enquanto conto que
Viver, vir ver, vim ver, vi versos pra dizer que
Pra tudo reverso há em ver se fica são
Pra te dizer que está tão certa quanto estou
Nem aí nem aqui o presente está entre tantos
Tantas
Tantras
Yoga Integral de Sri Aurobindo
18/01/12
A Yoga Integral de Sri Aurobindo
Todos os livros de yoga que encontrei no meu caminho, todas as práticas que experimentei nos rastros desses antigos mestres; todas as vidas que repeti o mesmo movimento de isolamento, afastamento do mundo só me fizeram ver os equívocos enraizados nessas tradições transcendentais
Então, encarna Sri Aurobindo, cuja prática mais universalista e viva do yoga ilumina milênios que passaram na evolução da cultura em realizar uma yoga integral.
Dizer da união com o Divino não basta se elevar os mundos celestiais das deidades, no panteão Hindu, sejam os paraísos de vishnu, shiva, kali ou na própria consciência repousando em bramam.
Elevar-se parcialmente, em corpos sutis aos mundos transcendentais, mergulhar em estase ou mesmo dedicar-se ao karma yoga da assistência não se comparam ao abrir-se à luz e deixar baixar pelo corpo a consciência e os estágios mentais que nos esperam no futuro da nossa humanidade.
Sri Aurobindo manifestou essa grande realização, mas não para termos mais um guru, swami, mestre ou iluminado, mas para nos convidar a encarnar, homens e mulheres, o divino no pensamento, estabelecendo uma relação amorosa que não busca, mas recebe, que não transcende mas também encarna que não eleva mas que baixa, incorpora e escorre pelas esferas luminosas através dos mundos e do tempo para que o brilho de cada gesto, seja uma manifestação mais ampla, conectada, genuína e verdadeira do deleite amoroso da relação com o divino.
Mas não se trata de atitude devocional, ao contrário, mais próximo da tradição pentecostal, Aurobindo propõe uma receptividade feminina ao amor da grande mãe na sua imagem. Assim, não vamos ao divino, convidamos o infinito a vir nos visitar nas nossas células, nas nossas moradas interiores, na nossas palavras e gestos de forma a só de agora em agora, sejamos mais próximos do chão onde o céu se encontra.
Sri Aurobindo tampouco ignora as consciências humanas do astral, em diálogos com seus mestres translúcidos, redescobre o sentido das escrituras védicas ao mesmo tempo que prepara sua atividade que baixar sabedoria de um saber que é próprio e nasce em diálogo com essas inteligências que se aproximam para ensinar como o próprio Vivekananda principal discípulo de Ramakrishna, que lhe transmitiu as práticas nos anos de cárcere.
Assim, Aurobindo encarna uma atitude integral, de cuidado e vigilância para se manter aberto à relação com o Divino, mas não faz isso sem despreocupar-se com o mundo, ao contrário. Cria-se em torno de sua obra e seu trabalho uma enorme ecovilla onde cidadãos do mundo atualizam seus ensinamentos em condições talvez mais inteiras.
Quando ensinamentos como esses encarnam, tanto na relação com os deuses, devas, quanto na relação com os seres recém desencarnados, uma integração ainda maior nos aparece.
Um homem e uma mulher receptivos ao divinho, ao infinito ao mistério e ao transformador influxo de luz e lucidez que desce e escorre até os corações e reanima toda palavra justa.
Quero deixar esse registro de yoga como uma gratidão e síntese do que aprendi com os registros de Aurobindo e dos seus discípulos.
A certeza que a humanidade um dia vai ver a mente, tal como hoje vê o corpo, objeto-sentido, aí podermos falar de um ponto supramental, onde repousa a nossa inteligência conciliadora e pacífica.
Enquanto isso nos resta conspirar para que mais e mais dessa luz possa chegar a todos os cantos escuros e desconformados de rastros que arrastamos sem precisão.
Reencontrando o meme verde
17/12/11
(Me me)u, eu…
Escrever uma poesia inspirada para falar de uma reintegração de tanto de si rejeitada para se diferenciar é um respiro sufocante. Assim exercitar uma via mais integral entre prosa e poesia. Pois é desses momentos em que o coração é maior do que a couraça que o envolve, maior do que as energias que o contornam. Dar-se conta de si mesmo reprimido ao longo do caminho de evolução é a comprovação de que a dinâmica da vida é mesmo uma espiral de re-tornos e con-tornos em torno da nossa capacidade de amar e compreender mais e mais.
Aliás evoluir é exatamente isso: nossa capacidade de amar. Esse amor que acolhe as diferenças e sustenta as contradições, que fica junto das perguntas sem respostas firme esperando de coração aberto, que já não só carrega certezas, mas igualmente sustenta as incertezas em busca e perceber que é preciso outras inteligências mais e mais amorosas para compreender antes de explicar e analisar.
Mas pra isso é preciso muito, muito amor mesmo. Desse que rasga o peito e se reinventa quantas vezes forem necessárias, que morre, reorganiza, organicamente em todos os níveis, em neo-sinapses e em novas formas de estar-no-mundo, que abre espaços novos entre vértebras e músculos, entre tendões e meridianos de luz.
Ainda não é meio dia e tanta morte já me chegou, assim. Nesse ano que passou, eu rejeitei, precisava, mas rejeitei em mim tudo que era certeza, tudo que já era conhecido, coloquei centenas de “amigos-irmãos” distantes, vendo de longe as contradições que eu mesmo encarnava nas entranhas.
Somos assim, nós os verdes:
Acreditamos que todos são iguais, o mesmo Deus habita no coração de todos os seres; acreditamos que todos tem a mesma capacidade de entender ,(como eu sofri com isso) logo, todos tem o mesmo potencial divino.
Todos podemos nos entender com um diálogo franco (como isso gera diálogos intermináveis de relacionamentos), logo, se somos todos iguais podemos decidir tudo por consenso ( e claro que nunca se decide nada em tempo de agir), queremos estar próximos dos amigos e aceitamos todas as verdades como igualmente relativas (cada um tem a sua e nada defendemos mais) buscamos a harmonia com a natureza e queremos que todos sejam vegetarianos, comam só comida viva, ou vão para o inferno quando o mundo acabar em 2012. (sério!!)
Não acreditamos em céu nem inferno, mas que quem mata bicho pra comer vai arder, ah, isso vai, queremos ser “adubo orgânico” quando morrer.
Parecemos ser muito gentis mas somos extremamente certos de como o mundo deveria ser, logo nos tornamos extremamente intolerantes na afirmação da tolerância.
Queremos ser livres e inaugurar uma “nova era de amor na humanidade”, reinventamos os relacionamentos livres, (nunca vi nenhum dar certo assim) mas insistimos mesmo assim.
Achamos que os irmãos do Irã tem os mesmos direitos do que qualquer outro povo oprimido de ter bombas nucleares e somos contra todo tipo de opressão, principalmente essas de não permitir fumar maconha…
Queremos a simplicidade voluntária, mas na primeira oportunidade carregamos nossos Ipads e Iphones por aí, pois afinal não podemos ficar fora das redes. Somos eco-hippies-chiques também e só consumimos camisas e produtos orgânicos, mesmo sendo eles bem mais caros e com modos de produção nem sempre mais solidários.
Queremos ecovillas para todos como solução para alguns e em nenhum momento nos passa pela cabeça que os problemas são mais complexos do que parecem e não, simplesmente não compreendemos ou sabemos tudo, mas nos basta conectar com a sabedoria ancestral, ler os textos clássicos seja de acupuntura, seja do vedanta que lá estarão todas as respostas do viver e do morrer.
Em caso de dúvidas, perguntamos aos índios o que fazer com a o petróleo ou com a energia elétrica… e isso não é piada.
O fato é que não sabemos o que queremos e vivemos sobre uma cultura moderna que nos deu tudo, inclusive a sensação de somos os agentes dessa nova onda, desse Nova Terra.
Assim, tomamos chás e fumamos plantas pra nos conectar com a criatividade universal, mas criamos pouco, pois ficamos todos meio desconectados do mundo porque cremos que já temos as respostas e não conseguimos ver todas esses contradições internas logo o “mundo” deve estar errado, a babilônia que está aí, enfim, paramos aí de evoluir e seguir adiante porque crescer basicamente implica em perceber que somos responsáveis e não não basta cada um “fazer a sua parte”, tipo fazer uma horta em casa ou reciclar o lixo que depois vai pro mesmo depósito que cai matando centenas. (caso do morro do bumba em Niterói).
Queremos fazer um retorno pra terra, resgatar as utopias, deixamos os cabelos e barbas crescer e realmente não entendemos que nosso futuro está na inclusão da tecnologia e em novas soluções para os problemas únicos do nosso tempo, sejam eles morais, espirituais, culturais e talvez principalmente porque não enxergamos nenhum desses problemas em nós. Queremos mudar o MUNDO, saca? Tá ligado?
Não conseguimos entender que embora existem estados alterados de consciência, meditando ou respirando, eles não significa que nos tornamos, no dia-a-dia das nossas relações, mais compreensivos e mais amorosos, pelo contrário, levamos os conflitos sem solução como se já tivéssemos as soluções quando continuam todos eles lá.
Mas em geral, vivemos de recursos de nossos familiares, somos super-educados, ou somos de uma contra-cultura ou alternativa que vive dura por aí, sem grana pra passagem, ou de carona pelo mundo. Lindo isso, mas é um dos extremos do narcisismo, pois isso é solução para quem ô cara pintada?
Ah sim, tem mais, somos CONTRA quase tudo: o capital, o homem moderno, as técnicas, as tecnologias, o conhecimento científico e consideramos todos os cientistas umas pessoas muito ignorantes pois não experimentaram o saber direto da natureza do espírito. E sequer imaginamos quanto esforço pra se produzir cada vírgula desse saber testado, como se tudo viesse no mundo de inspiração. É, não gostamos muito de transpiração.
Bem, tomar consciência disso há alguns anos atrás fez com que me afastasse centenas de amigos, que cortasse relações com todos os “verdes” pois ele me lembravam do quanto ingênuo e ególatra é cada uma dessas visões que me atravessava cada célula.
Rasguei a alma e me movi ao encontro de pessoas com coragem de abrir o coração para uma visão mais integradora do mundo. Uma visão que incluísse mais do que uma visão holística com seus paradigmas quânticos e pensamento positivo, mas uma visão onde ciência, arte e moral pudessem se encontrar, onde a verdade, o belo e bom pudesse novamente coabitar numa mesma ecologia em igualdade de perspectivas.
Onde a multimensionalidade da vida espiritual pudesse se somar a um estilo de vida integrados e uma prática em que o trabalho se tornasse congruente com todos os valores mas que pudesse crescer e prosperar para acessar milhares de pessoas.
Onde eu saísse do mato para o coração da cidade acessando mais e mais pessoas, não apenas em busca do dinheiro como faz-se aos montes e é relativamente simples, mas fazer com que o universo do negócio fosse integrado a valores de amor e serviço a todos os seres em todos os mundos o que é relativamente também mais difícil.
Assim, fez-se sombra no meu lado verde, trabalhei o ano todo em busca de mais disciplina e de resultados. Foi quase bom se não tivesse deixado tanto de mim reprimido, tanto do “meme verde”, tanto de coração e certeza que tudo está certo e que há tantos mundos entre os mundos que cada um há de encontrar seu lugar na criatividade infinita do cosmos.
Assim, eu junto aqui um pouco mais minhas faces, encontro mais comigo mesmo.
Reconhecendo que embora me diferenciando, me reconheço e me conheço melhor.
Gratidão aos meus amigos também “verdes” que me fizeram como espelho, ver tanta e tanta contradição que me ajudaram com suas dores a compreender as minhas dores.
Assim, seguimos em frente a não mais nos envergonharmos das nossas contradições (diferenciações), mas em curando os padrões, nos tornamos mais abertos ao caminho diante de nós.
Luz, amor, verdade e compaixão não faz mal a ninguém, mas há que ter cuidado com a dose.
Mais sobre memes neste artigo sobre a dinâmica da espiral.
Muito além do amor romântico
14/12/11
Quando não há mais alegria em amar sem impressionar
Quando basta a companhia e o carinho
No tempo em já não há mais projetos ou sonhos de eternidades junto
No instante em que basta um olhar pra se eternizar na vida um do outro
Quando não há mais vazios a preencher
Quando a saudade não arde mais do que a certeza de que todo amor é eterno
Quando as formas de amar são mais preciosas do que os desejos e quereres
Quando estar em companhia é se alimentar de esperança que possamos todos um dia nos encontrar nas estrelas
Quando saturno corta o céu em libra
O amor romântico morre
Morreu o amor
Nasce a vida junto
Nasce a partilha
Nasce a irmanação de todas as coisas
Nasce o novo estar junto
Nasce a liberdade de amar
Nasce a vontade de querer restar
Junto
Não até que um novo amor nos separe
Mas até que a vida nos faça encontrar
Em cada um que passa, ou fica, um pedaço descoberto de universo
Tamanho amor perfeito amor
Sereno amor
De oceano de paz
Pra crer e ser
ocupação #integral
05/12/11

É bonito ver os movimentos se desenrolando, vendo a nova geração buscando os espaços os encontros e uma revolução movida por evolução.
Evolução é uma palavra que quer dizer exatamente isso, um desdobramento, um desenrolar da vida, da consciência, da cultura, das estruturas e dos saberes.
Vivemos nessa época que não há espaço para pessimismos, pois tudo é “plano” e monovisão, vivemos num mundo sem profundidade, talvez com as TVs 3ds isso mude
, mas o monitor que escrevo e percebo o mundo é plano, é de um único plano precisamos e podemos passar a modelos mais complexos, modelos holográficos e holísticos para compreender os problemas emergentes.
Isso demanda uma nova inteligência-intuição-compreensão-compaixão. Uma nova capacidade de tecer, trançar, enredar em redes vivas de sentidos capazes de despertar a paixão, o sonho, o movimento e a evolução a um só tempo, mesmo que claro, seja mesmo tudo temporarário, pois a evolução sempre nos leva além, mais e mais integrado, e talvez essa intuição que não há um ideal a chegar, não existe um modelo perfeito que faça com que esses movimentos não tenham uma “política clara” ou uma “pauta de reivindicações”.
Fico assistindo os movimentos os esforços desencontrados, caóticos e bonitos com que temos gritado pelo mundo afora nas praças.
Mas é muito importante perceber que há nas praças, pessoas muito diferentes, embora uma minoria ocupe os espaços realmente refletindo e encarnando as contradições do modelo econômico-jurídico-político-social que está aí. Boa parte está apenas está em busca de um voluntarismo pessoal, no sentido que ainda não compreendeu se tratar de uma crise planetária e complexa uma crise de sentidos-princípios e desenvolvimento também no campo espiritual e principalmente ético.
Assim, a grande maioria dos que ocupam as praças não sabem bem porque estão lá, mas sentem e encarnam a contradição, boa parte é verdade também apenas querem poder fumar maconha livremente, dizer não à polícia nos campi universitários, e não querem passar da infância mimada das gerações X e Y que tem tudo à mão e não aprenderam a se frustrar. Mas ainda assim, incorporam as crises da sua geração embora acreditem que são os atores da “revolução” e não compreendem a dimensão coletiva que nos atravessa. Por isso, é bom observarmos de perto, participar, ir até as praças, porque embora não exista uma agenda um projeto uma proposta, “não sabem o que queremos, sabem o que não querem” já é importante. Embora esse movimento pós-moderno ainda seja extremamente reativo: são contra o “sistema” são contra o “eles” esse “outro sempre responsável”, mas é um fato de que quando a potência evolutiva e criativa fizer entender que SOMOS, cada um de nós a revolução, ou melhor SOMOS UMA EVOLUÇÃO POSSÍVEL e assumirmos a NOSSA RESPONSABILIDADE por toda a miséria e sofrimento que vemos no mundo entenderemos a responsabilidade que temos perante o universo e fazer nascer daí uma COSMOÉTICA.
Essa ética que emerge dos que realmente mergulharam dentro de si, do mundo, da ciência, da política e sentem a angustia de que um mundo melhor não é só possível, mas necessário e urgente.
Esses que fizeram a experiência de compaixão, de estar com o sofrimento do outro e com seu próprio e partilhar e estar-com, de ver que seu sofrimento é sofrimento-no-mundo, de uma geração, e realmente se perguntam por um caminho adiante, esses que ainda não tem os modelos, não tem os exemplos, as ideologias ou os teóricos da revolução, mas querem mudanças, mas querem distribuição de renda a renda que existe para todos mais do que suficientes, mas que permanece concentradas e ameaçam a sustentabilidade de toda a vida humana.
Assim, palmas para os revolucionários que são a mudança e das praças, para os que não sabem o caminho, mas estão se reunindo para aprender fora das telas dos computadores, para os que não tem certezas, mas partem do princípio que somos iguais e que o outro seja quem for tem a nos ensinar. Para os jovens que começam a sair das redes sociais para ocupar os espaços das praças independente dos movimentos sociais tradicionais de trabalhadores, de partidos políticos, além das posturas de esquerda e direita, além do que está aí.
Assim, a frase é sempre a mesma que tenho repetido como um mantra para mim mesmo: seja a mudança que você quer ver no mundo. E vamos juntos, encarnando, transcendendo e incluindo todas as nossas contradições, mantendo-nos abertos, compassivos para o novo.
Aos meus amigos desta geração, 10 anos mais novos, que brilham e sofrem muito com o mundo que lhe é apresentado, tão frio, distante, virtual e sem sentido, que possam sim serem atores da sua revolução, uma revolução verde, de igualitarismo, pluralismo e relativismo, mas também de compaixão e moral incorruptíveis e seguimos em frente, em busca de uma visão mais integradora, mas por hora, é o que vemos emergir e saudamos e reconhecemos.
Esse texto é dedicado ao Filipi, que editou o vídeo abaixo, primo do meu primo e penso no quanto nossas raízes da infância no interior deixaram as sementes que nos convoca a um mundo mais compassivo e amoroso.
E a Ken Wilber, que embora tenha me levado a compreender muito mais do que consigo encarnar, me reafirmou a certeza que estamos todos certos e no inexorável processo de evolução que testemunhamos todos os dias sob as forças do espírito de éros e de ágape.
Por que precisamos do ENAPEA – ENCONTRO NACIONAL DE PROFISSIONAIS E ESTUDANTES DE ACUPUNTURA
10/10/11
ninguém ensina ninguém e ninguém aprende sozinho.
Paulo Freire
O encontro é o sentido da minha prática clínica, aqui, todos os dias, cuidamos para que a vitalidade e encontre seu livre fluxo que chamamos vida. É sempre e mais diante do mistério, do não-saber, da falta de sentido que nos movimentamos na vida, que seguimos em frente e buscamos o encontro e o cuidado com o outro. Essa a minha prática e coerente com ela se faz acreditar na possibilidade do diálogo sincero de uma busca de compreensão da “multiversidade” de pontos de vista.
Encontros como ENAPEA, raros e preciosos, nos permitem encontros reais, olho no olho, respirar junto com o outro em busca de um alento e um sopro que nos seja comum, um texto, uma voz, uma palavra de conciliação e de acordo que apazigue o medo e a desconfiança que a internet provoca, sabemos bem.
Dizem que a internet é a “forma mais fácil de fazer inimigos sem sair de casa”. Mas não é só isso, ela pode facilitar o encontro e como facilitadora, como meio, como rede ela é muito poderosa e revolucionária. Como então vencer essa barreira das telas facilitando um encontro real e espontâneo, em que as respostas encontram o coração de todos os presentes e podem assim mandar um recado online para todo o país?
Você que lê esse meu texto pode não concordar, mas se ouvisse a música suave que toca e meus olhos transbodando de esperança de que possamos calar as nossas discordâncias e nos abrir para o encontro, ao menos mais sincero, você encontraria com mais facilidade todos os pontos que temos em comum, que convergem no mesmo caminho.
Então porque precisamos do ENAPEA?
Começo dizendo que eu preciso do ENAPEA porque quero encontra meus amigos profissionais e estudantes dessa nossa arte tão simples antiga e ao mesmo tempo tão nova, nascente e pueriu aqui no Brasil.
Também preciso do ENAPEA para aprender com quem pensa diferente de mim, para procurar não tanto convencer mas compreender, não tanto ter certezas mas formular novas questões, mais inteligentes e inclusivas de outras perspetictivas. Relembrar que sei pouco, mas que infelizmente tem muita gente que sabe bem menos que acha que sabe tudo e isso é ruim para todos.
E você, você precisa do ENAPEA? Talvez precise porque os ambientes virtuais são muitas vezes muito áridos e pouco acolhedores e a acupuntura que tem tudo para se afirmar como um campo novo de pesquisas e avanços e que tem tanto a oferecer a esfera pública de serviços de saúde acaba sendo subestimada por grupos profissionais que defendem seus interesses particulares e isso mais cedo ou mais tarde vai prejudicar a todos.
Talvez você também precise, talvez porque somos um grupos com muito em comum, muito mais em comum do que diferenças e podemos sentar pra consciliar nossos saberes juntos buscando o interesses coletivos e individuais em harmonia possível.
Acredito que precisamos todos do ENAPEA para nos lembrar que a nossa arte é infinita e a vida é muito breve e que se formos verdedeiros poderemos orientar nosso coração para aprender sempre.
Fico feliz de depois de mais de uma década de prática, centenas de livros e alunos poder afirmar que sei que sei quase nada sobre o tema, mas fico feliz de saber que minha disposição de estudar e aprender aumenta a cada ano que passa. Uma das principais ameaças que vivemos são os os que já estão satisfeitos com o “estado da arte” em que nos “desencontramos”, que acham que não precisamos de uma graduação ou de mestrados e doutorados para aperfeiçoar e levar adiante esse legado das diversas tradições.
Por fim, precisamos do ENAPEA porque somos apaixonados por essa ato essencial de cuidar e precisamos cuidar desse saber não apenas para nós, mas para as para as futuras gerações.
No ENAPEA fazemos, construimos e conspiramos pela Acupuntura – patrimônio da humanidade, direito de todos.
Infelizmente as inscrições presenciais para o ENAPEA – Niterói estão encerradas pois temos um espaço limitado, mas preferimos limitar o espaço e abrir para a sua incrição online através de teleconferência e assim fazer desse encontro um encontro nacional. Participe, envie suas perguntas ao vivo e contribua para o debate. Sua opinião é igualmente importante.
PARTICIPE TAMBÉM SE INSCREVA NO SITE ENAPEA NITERÓI
Gratidão à companheira Roberta Blanco e ao companheiro Ephraim Medeiros que mesmo da China colabora tanto e de forma tão solidária com o avanço da acupuntura no Brasil.
“Aos 15 anos, orientei meu coração para aprender.
Aos 30, eu plantei meus pés firmemente no chão.
Aos 40, não mais sofria de perplexidades.
Aos 50, eu sabia quais eram os preceitos do céu.
Aos 60, eu os ouvia com o ouvido dócil.
Aos 70, eu podia seguir as indicações do meu próprio coração, porque o que eu desejava não mais excedia as fronteiras da Justiça”.
(Confúcio, fisósofo chinês)
Acupuntura: ciência, saber, sabedoria e arte.
04/08/11
A intenção desse texto é tentar elucidar tantas aparentes contradições naturalmente decorrentes de visões parciais e pouco acolhedoras de uma dimensão mais ampla das possibilidades do conhecimento da acupuntura.
Aqui indico uma visão integral, que tenta tomar e conciliar os paradoxos e os vazios entre as teias discursivas, as redes de sentidos e as produções científicas, esta última, pela sua própria natureza, incompleta.
Para tanto, acolher diferentes visões em uma cartografia que nos prepare a um discurso novo, pois, a minha primeira proposição é que estamos em transição. A acupuntura que conhecemos hoje, hegemonicamente MTC, sintetizada no rastro da revolução chinesa e hoje expandida no rastro do capitalismo de Estado que se pretende e se torna realmente centro do mundo. (Zhong Guo)
A acupuntura, entretanto não chegou a modernidade. Não há comprovação científica que sustente uma publicação científica relevante (1), enquanto isso o campo da fitoterapia, este sim, cresce em níveis industriais que acompanham o crescimento da gigante economia. E é preciso entender que embora esses produtos de exportação cultural tenham sido associados numa venda casada, eles não foram sempre assim. Ao contrário, as terapias orientais encontram tantos ramos, raízes e frutos que jamais conseguiríamos dar conta de aprender tudo. Diz o adágio: – A vida é breve, a arte é longa. A arte é muito mais vasta do que alcança a nossa vã filosofia, porque na China não temos filósofos, temos sábios. E a diferença entre filosofia e sabedoria é radical, tão radical quanto o oceano que divide o campo das pesquisas científicas da prática clínica e sua base fenomenológica de saber aparente e manifesto.
Para entender melhor o tamanho do que nos separa basta se perguntar, se você é acupunturista pela fonte da sua prática clínica. Qual a fonte desse seu saber? Ele vem da ciência? Existe 1% do que você pratica que tenha vindo de um conhecimento produzido cientificamente? Se for sincero e leva a sua prática a sério, no sentido de trazer resultados, ou seja, conforto e alívio em todos os níveis para seus pacientes você não se baseia em ciência (2) para fazer seus tratamentos. Você pode se basear em autores como Deadman que relaciona centenas de tratamentos clássicos, do Macioccia (que pouco funciona) porque se baseia em uma leitura da MTC orientada para fitoterapia, ou pode utilizar recursos baseados nos ensinamentos dos “laoshi”, dos anciãos, dos mestres mais velhos. E essa tradição, ou essa forma tradicional de produzir saber que nasce do encontro clínico que corresponde 99,99% do que sabemos sobre acupuntura, nasce da experiência no atendimento de milhares de pacientes ao longo dos milênios, e isso chamamos de tradição.
Os que têm muitas dúvidas são os que precisam ter muitas certezas e as evidências fenomenológicas vastas não bastarão, vão gritar aos quatro ventos: Acupuntura é científica! Estão como todos os que gritam errados. Acupuntura que você vai praticar pelas próximas décadas se você tiver sorte, terá aprendido de um mestre. Que aprendeu de outro mestre. Existem hoje livros escritos no rastro das sínteses de mestres. Temos Padilla na Espanha, temos Kiiko Matsumoto, temos os registros de Tung, Nagano, Worseley e tantos outros que fazem novas sínteses vivas, mesmo no Brasil temos o trabalho original do professor Marcelo Pereira e cito até mesmo Raul Breves pelas suas inovações. Todos centrados na prática clínica, na experiência viva da escuta da vitalidade (qi).
Acupuntura busca escutar a vitalidade, não tratar doenças (embora possa ser também encarada dessa forma), mas, ela está em ressonância com outras terapêuticas vitalistas, no sentido de promover a saúde ao promover a vitalidade (qi).
O campo da acupuntura não é idêntico ao da MTC (medicina tradicional chinesa) que se refere a síntese materialista recente. A acupuntura que cada vez mais ganha terreno próprio nas chamadas terapias de meridianos que quanto mais praticamos sabemos que guarda tantas correspondências holográficas. Seja nas mãos, nos pés, na orelha, no abdome, na face, encontramos correspondências, encontramos ressonâncias que atuam sobre o todo.
Por isso, me assombra ver a forma aguerrida como os que se proclamam profissionais da saúde, que são em geral, não por sua falta, mas consequência do modelo que estamos vivendo, profissionais da doença. Pois sabemos a saúde não dá dinheiro, não dá lucro, não movimenta a pesquisa. O que dá lucro é a doença, esse é o “negócio” dos “profissionais da saúde”.
Por isso fico feliz quando uma orientação maior das Nações Unidas declara a acupuntura e sua intuição original do sistema de meridianos de um patrimônio da humanidade. O Brasil é membro da ONU e suas resoluções embora precisem ser homologadas, são comumente citadas nas jurisprudências como fontes de direito.
Assim como monges budistas já comprovaram e descrevem a cada dia os benefícios da meditação, as máquinas, exames e testes não nos ensinam a meditar ou não nos mostram como é a experiência dos diversos níveis de consciência vivenciados pelo praticante. Assim também, mesmo que os testes venham a comprovar as hipóteses de modulação de dor, hormonais, neuronais, o que seja, ainda assim, não vão nos ensinar como praticar acupuntura, ou qual a experiência do qi, ou a surpresa que fica o paciente ao ver que sua dor no punho pode ser muito bem tratada pelo tornozelo. Para isso, basta ver, sentir e perceber, mas as nossas inteligências múltiplas talvez um dia se some a inteligência do qi, a capacidade e competência para mover o sopro, que não estará nunca na tela de um monitor ou nas páginas dos “papers” que virão. A isso, chamamos espírito da transmissão da nossa arte.
Sintetizo de forma simples. Acupuntura ainda não é ciência, pois não é a ciência que orienta a sua terapêutica, sua prática e as expectativas das milhares de pessoas no mundo inteiro que descobriram que podem ter também economia buscando uma terapia simples e efetiva como a acupuntura, deixando para trás as indústrias farmacêuticas e seus revendedores. Talvez um dia, ela possa ser científica, mas aí não precisaremos de acupunturistas, teremos roupas, como escreveu anos atrás o companheiro Ephraim no fórum, que irão automaticamente regular os meridianos do corpo. Aí, talvez possamos viver mais de 120 anos e teremos tempo de aprender tudo que deixamos para trás em nome da ciência.
Mário Fialho
Acupunturista, Pratica e Ensina acupuntura na www.multiversidade.com
Você pode ler outros de seus artigos em seu www.blog.mariofialho.com
Referências
Filme: O violino vermelho – ilustra o impacto da revolução cultural
Ephrain in Comunidade do Orkut: Discutindo Acupuntura
Um sábio não tem ideas – François Jullien
Martin Heidegger – A era da técnica
SOUZA, Eduardo Frederico Alexander Amaral de; LUZ, Madel Therezinha. Análise crítica das diretrizes de pesquisa em medicina Chinesa. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro,v.18, n.1, jan.-mar. 2011, p.155-174.
Notas:
(1) Claro que existem comprovações científicas para a acupuntura mas ela não orienta a prática, porque a ciência busca um mínimo possível. Não é baseado numa publicação científica que um praticante elege seus pontos, ele continua fazendo, e por isso acupuntura é uma arte e tradição que decorre da experiência clínica do ensinamento dos mestres.
(2) Nos referimos aqui a ciência no sentido da metodologia aplicada para testes e verificações de resultados típicos da farmacologia e da biomedicina como testes clínicos controlados e laboratoriais que pela sua natureza de “controle” nos dá uma visão muito estreita da realidade múltipla da clínica em acupuntura.
O que é integral?
28/07/11
O primeiro fundamento para uma fala integral é não mentir. No sentido de que mentimos quando não sabemos do que estamos falando, quando o pensamento metafísico e operações conceituais se sobrepõe ao sabor próprio das coisas. Então, falar de uma perspectiva integral é começar pelo meu caminho pelo meu devir.
Integral é integração, já que não há nada integral, há o movimento de integração, a dança, a vida. Corpo-mente-espírito-inconsciente, eu-sociedade-natureza, todas partes de um mesmo todo. Integral é sustentar os paradoxos e transcende-los sem superá-los, é juntar, unir, reunir, sintetizar, amar, enlaçar, translaçar, transladar, circum-navegar, perinadar, puerperar, com-estar, comungar do gosto do sal dos oceanos que emergem agora na boca.
Integrando, mais do que integral, sendo sempre dinâmica, fractal-mandala, luz e forma, função e movimento, ação.
São as duas faces da montanha, o claro-escurecendo-claro-escurecendo-claro, clara luz dos entre mundos.
Integral é a geometria das formas, a beleza do abstrato adiante.
Integral é…..
Silêncio
Irradiando saudade de tudo, como a presença de ti no outro.
Reconhecer que todas as linguagens cantam os mesmos sabores e dar nomes novos a cada etapa do caminho sem nome.
Integrando é corpo-célula-mundo-gente na dança.
Integrando é receber tudo, viver tudo, saborear tudo e seguir saboreando o saber que se sabe que não sabe.
Integrando anjos e demônios, no fogo do coração do coração.
Atraversar paredes, há traves em versar.
…
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Ayahuasca e as desinformações do sagrado
14/05/11
“meu próprio e verdadeiro ser interior realmente existe em toda criatura viva…(e) é o fundamento dessa compaixão (Mitleid) sobre a qual repousa toda virtude autêntica, isto é, altruísta, e cuja expressão se acha em toda ação benéfica.”
Schopenhauer
Antes de mais nada é preciso definir alguns pressupostos para falar de espiritualidade. Existem muitos usos dessa palavra mas vou defini-la como a sua forma de experimentar a verdade última do universo, o sentido fundamental.
Assim, os pressupostos dessa definição implicam em ser uma vivência dessa verdade, uma experiência última, que dá sentido e orienta sua ação no mundo e os decorrentes resultados.
Não confundindo então com qualquer visão religiosa, de credo, de crença ou de qualquer panteão místico ou de santos de qualquer tradição. Radicalmente assim, somos todos espirituais, todos temos uma intuição direta sobre o mundo, mesmo que encoberta de repetições de gestos, rituais, palavras e símbolos que não correspondem a essa visão originaria.
Intenção: a minha intenção a escrever esse texto é compartilhar o desenvolvimento cognitivo e mais compassivo que tive para que possa comunicar de forma gentil e ao mesmo tempo precisa o resultado de pesquisas pessoais que começaram em 1994.
Pesquisa: a pesquisa que relato foi bebendo ayahuasca desde a juventude em mais de 7 linhas diferentes de rituais e embora eles guardem muitas diferenças, quero falar das generalidades, e que assim, possa talvez, ajudar ao maior número de pessoas da melhor forma possível.
Esse texto é dirigido à rede de amigos e pessoas ligadas ao meu “grupo-karma”, aos familiares espirituais, aos amigos evolutivos, tentando amplificar com a razão, uma compreensão espiritual e parapsíquica que aumente o discernimento, a visão global e integral.
A maior e mais profunda contradição que vejo, sendo direto, é que nos grupos ayahuasqueiros as pessoas sofrem de alguns males profundos, entre eles:
- dificuldades de lidar com o mundo, estar no mundo, ter realizações pessoais em todos os níveis: estudo, produção escrita e intelectual, trabalho, sustentabilidade emocional e financeira, falta de pé no chão.
- formação de seitas, grupos dentro de outros grupos, “panelinhas” que excluem os que pensam diferente, o que é típico de todas as seitas e presente nos grupos religiosos minoritários em geral. Verdade aqui é a verdade de estar no grupo, quem está fora está “perdido”, dizem as doutrinas.
- milenarismo, ou 2012zismo, a crença de que o mundo vai acabar, que tudo vai mal e que tendem a piorar com o tempo, uma visão narcisista de que faz com que apenas os “escolhidos” serão salvos, não muito distante da crença dos cristãos dos primeiros séculos de que o mundo acabar.
- narcisismo, se sentir superior por experimentar estados não-comuns de consciência, mas que não se dá no dia-a-dia, somente enquanto bebe a substância exógena, sem qualquer preocupação com a transformação pessoal e auto-superação.
- e por fim, a estagnação, não há transformação real, embora muitas catarses emocionais, existe pouco avanço em termos de desenvolvimento de um pensamento mais inclusivo, mais acolhedor das diferenças e da compreensão dos processos evolutivos da vida.
Mas muitos grupos religiosos tem isso mesmo em comum, o que então é o mais sério?
O mais grave é a falta de um trabalho assistencial, de esclarecimento, estudo e transformação pessoal, desenvolvimento e evolução a níveis e patamares de consciência mais elevados, ou seja, mais compassivos e inclusivos.
PONTOS POSITIVOS
Iniciação: O chá pode ter um caráter iniciático em experiências multidimensionais, mas se o sujeito já tem algum tipo de parapsiquismo, a ingestão de DMT, uma substância produzida naturalmente no cérebro em estados de meditação profunda, serve apenas como um “dopping parapsiquico” que o sujeito tem a impressão de viver uma experiência “profunda” mas ele não corresponde ao trabalho “muscular”, o esforço para chegar a ter essas experiências de forma integrada.
Esquecimento e onirismo: tal como um sonho, que acontece numa frequência de onda diferente, não são fáceis de lembrar e serem elaborados e integrados no dia-a-dia, assim, em geral há um grande descompasso entre o efeito do chá e depois que o efeito passou. Assim, tal como um sonho não registrado, é esquecido, e todo o esforço se perde.
Pesquisas: as pesquisas científicas com DMT poderão chegar a uma dose ideal, com indicadores somáticos que podem levar a um uso positivo da substância para diversos efeitos no futuro, antidepressivo e até mesmo potencializador do parapsiquismo, hoje, no seu uso religioso e místico, acaba atrapalhando mais do ajudando.
PROBLEMAS GRAVÍSSIMOS
Tráfico de Drogas: a bebida é vendida para diversos paises do mundo, diversos “turistas espirituais”, cobram e vem beber o chá no Brasil e os lucros são mais do exorbitantes.
Trabalho escravo: produtores no norte do país trabalham sob influência religiosa e o ciclo de produção o chá foi considerado por antropóloga pesquisadora como um ciclo de produção escravo. Outros tem verdadeiras produções industriais da bebida.
Brigas entre as linhas: a disputa pelo mercado religioso do chá acontece de todos os lados, com acusações graves de todos os lados, mostrando a desunião e a falta de compaixão e compreensão que as seitas geralmente guardam entre si.
Mistura com drogas: não raro, o uso de cocaína, crack e maconha dentro de alguns grupos é totalmente tolerado e até incentivado em hinos e cerimônias.
Fanatismo: o fanatismo é a cegueira opcional, é a auto-prisão, a incapacidade de olhar para os próprias ideas e perceber que são relativas, que são transitórias, que seguimos aprendendo e evoluindo infinitamente, transcendendo e incluindo o que aprendemos no nível anterior. Andam junto com o fanatismo: a gurulatria, a idolatria de lideranças e a idealização de pessoas, ignorando os aspectos negativos com perda de visão crítica e de bom senso.
Se alguém que bebe e freqüenta as religiões ayahuasqueiras discorda ou tem algo a acrescentar a essa reflexão, se conseguir de maneira a contribuir com o esclarecimento, autonomia, discernimento, lucidez, prática pessoal e vivência espiritual legítima (autogênica), sem “dopping “, por favor, deixe um comentário.
Em geral muita gente jovem, sensível e em busca de desenvolvimento pessoal, perde tempo e energia em busca de uma ilusão. Ilusão por não ser uma conquista dos próprios esforços de desenvolver compaixão e contribuir para uma visão mais acolhedora de todas as verdades parciais de si e do mundo.
Note que acredito que as pesquisas podem um dia permitir a utilização positiva da DMT, até agora, o que vemos são “viagens”, uma visão alienante de um estado de consciência que não é sustentável, por não facilitar subir degrau por degrau os caminhos do desenvolvimento cognitivo, parapsíquico, espiritual e emocional e interpessoal das nossas múltiplas inteligências.
Por fim, a síntese é a distinção importante entre o estado alterado de consciência, que o chá, a respiração, o jejum, ou outras práticas permitem, mas que não corresponde a um estágio mais elevado de consciência, ou seja, uma conquista permanente que enfrente a questão da assistência ao maior número de pessoas com o maior grau de lucidez e consciência.
Bibliografia:
Wilber, Ken – o espectro da consciência
Strassmen, Rick – DMT: The Spirit Molecule: A Doctor’s Revolutionary Research into the Biology of Near-Death and Mystical Experiences
Walsh, Roger – Higher Wisdom: Eminent Elders Explore the Continuing Impact of Psychedelics
Acupuntura em risco e o risco da acupuntura!
01/03/11
Mário Fialho é acupunturista, professor do instituto multiversidade.com, psicólogo – universidade federal fluminense (uff) e bacharel em direito – universidade do estado do rio de janeiro (uerj)
Acupuntura recentemente foi reconhecida como patrimônio da humanidade. O que isso quer dizer? Na minha intuição, isso aponta para a importância que ela tem para todos os seres humanos, a humanidade, uma riqueza, um patrimônio de todos, pertencente portanto a todos, é internacionalmente reconhecida como um DIREITO DE TODOS.
A acupuntura se baseia em princípios simples e intuitivos partilhados por muitos povos antigos e presentes em todas as artes médicas, a uma noção fundamentalmente e sustentável dos recursos da vida, a capacidade da viva de regenerar. São os próprios recursos do corpo que convocados a encontrar “os caminhos” da cura pelos pontos de acupuntura resgatam sua informação “original” de saúde.
Na medicina ocidental esta ideia está presente no seu mito de fundação. As filhas de Esculápio, Panaceia e Higeia cada uma trazia uma cura diferente, uma nos afirmava que o remédio é a cura (panaceia), e a outra de que o próprio corpo tem os recursos de regenerar (higiene). A história da medicina no ocidente sempre foi uma relação dialética entre essas duas visões.
Mas por que acupuntura está em risco se ela é preventiva e quando trata usa os próprios recursos do corpo?
Acupuntura é tão simples e barata, utiliza apenas agulhas de metal (aço reciclável) e moxa (artemísia) que você pode até plantar, recursos plenamente renováveis como a própria energia humana.
Mas temos um problema sério, a verdadeira patologia, o capitalismo. Sim é preciso lembrar que vivemos num sistema de exclusão que classes hegemônicas se apropriam até dos saberes considerados patrimônio da humanidade!
Quando a saúde se torna cara, com procedimentos que não investem na promoção da saúde mas no tratamento de doenças, que se baseia em meios e produtos fruto de recursos finitos, que não podem ser garantidos para as próximas gerações; quando cada vez mais vamos na direção de uma saúde-consumo, educação-consumo, quando lógica da saúde virou uma ilógica estatística de seguro. Teremos um futuro para a simplicidade e a facilidade de acesso da acupuntura para todos?
Assim, a acupuntura está em risco porque um dos procedimentos mais seguros e amplos de saúde que já surgiu neste planeta mas que começa a ser apontado como perigoso.
É preciso nos perguntar:
Por que um procedimento tão simples e eficaz não é disseminado como uma prática popular?
Por que chegam aos consultórios de acupuntura apenas a mesma elite que sempre teve acesso aos melhores recursos médicos e informação?
Por que insistimos em modelos de especialização e técnico-ciência nas áreas da saúde quando sabemos que o que elevou em 30 anos a expectativa de vida das pessoas foram as práticas sanitárias e preventivas de higiene?
E porque o procedimento de saúde que está entre os mais seguros entre todas as práticas é apontado como perigoso?
Efeitos colaterais da acupuntura:
Na “bula” da acupuntura diz assim, em 00,2% de chance de ocorrer qualquer incidentes.
Esses incidentes, ou efeitos colaterais são: agulha difícil de tirar, pequenos hematomas, tonteira, alteração da pressão e por fim, o mais grave, um pneumotórax.
Fica fácil assim, quando comparado com outros procedimentos, ver que são estatisticamente nulos os riscos da acupuntura e na equação risco x benefício, fica fácil entender porque tanta gente, cada vez mais, em todos os países do mundo tem buscado acupuntura.
O verdadeiro perigo:
Cuidado então com os verdadeiros riscos da má informação, dos interesses econômicos por trás desses falsos alertas, daqueles que dizem que acupuntura praticada por leigos é perigosa, que acupuntura só deve ser praticada por médicos ou por profissionais de saúde. Do ponto de vista da informação, há milhares de anos que acupuntura é praticada por leigos, pois mesmo, o mais sábio da antiguidade não se compara com o nível de informação que um estudante de ensino médio recebe sobre saúde. E no que tange ao conhecimento da medicina tradicional oriental, somos todos leigos, sejamos médicos, psicólogos ou fisioterapeutas.
Roubo
Não seria novidade, mas é preciso denunciar, que isso seria mais um ROUBO do patrimônio que pertence a todos.
Visão
Por isso repetimos que precisamos de uma acupuntura popular, comunitária, acessível a todos e que todos possam aprender.
Algumas referências e dados:
O Instituto Nacional de Consenso sobre Saúde e Acupuntura (EUA).
Em 1997, o Instituto Nacional de Saúde emitiu uma declaração de consenso sobre a acupuntura, que disse, entre outras coisas:
“Uma das vantagens da acupuntura é que a incidência de efeitos adversos é substancialmente menor do que a de muitas drogas ou outros procedimentos médicos aceitos utilizados para as mesmas condições.”
“Essas condições dolorosas são frequentemente tratados com, entre outras coisas, os medicamentos anti-inflamatórios (aspirina, ibuprofeno, etc) ou com injeções de esteróides. Ambas as intervenções médicas têm um potencial para efeitos colaterais deletérios, mas ainda são largamente utilizados e são considerados aceitáveis tratamentos . As evidências que apóiam essas terapias não é melhor do que para a acupuntura.
99,8% da acupuntura é realizada sem significativos efeitos adversos; “Durante esses cinco anos, um total de 76 acupunturistas participaram do estudo, o número total de 55.291 tratamentos de acupuntura foi 64. O evento adverso mais freqüente foi a dificuldade em remover as agulhas após o tratamento, todos sem sequelas. O segundo evento adverso mais comum foi o desconforto, tontura, ou. transpiração, provavelmente devido à hipotensão transitória (diminuição da pressão arterial) associados com o tratamento de acupuntura.
Quando utilizando agulhas descartáveis e praticado por alunos que tiveram aulas sobre esses cuidados. Os resultados são de zero casos em 55.291.









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