Autenticidade e a humilde capacidade de reconhecer os passos diante dos próprios pés

autenticidade

Caminhei por todos os cantos

Por todas as luzes

Por todos os cheiros de altares e templos

Pela fumaça do tempo

Pelos guetos lamacentos dos mendigos febris

Me joguei nos mares nos hospitais, asilos e hospícios

Li todos os tratados, ouvi de todos os profetas

Cantei todos os hinos, repeti todos os mantras, terços em orações

Beijei mais bocas do que consigo me lembrar

E segui mais pensamentos do que sentei pra meditar

Ainda assim, meu deus, seu mistério só me leva ao coração

De todas as práticas, de todas as técnicas, de todos os métodos e caminhos

Só o sopro da verdade nos meus sonhos, nos meus olhos e no meu corpo se inscrevem com teu nome

Sou do tamanho do universo e o universo é do tamanho dos meus braços, a medida do mundo é minha polegada e a medida do meu amor é o próprio mundo.

Se canto uma canção nova não é para assustar os espíritos, mas pra alegrar-me com os passarinhos.

Se um beija-flor vem me visitar é porque ele quis e não eu pedi.

Se um anjo me anucia o novo dia é porque desisti de tudo, de todo pensamento, de toda idéia.

Só desarrazoadamente posso ser quem sou

Só no coração-mente-coração-cabeça numa só palavra… (sorriso)

Tentar entender o mundo com o que nos convidam outros é não nascer pro mundo

Nascer pro mundo é não pensar

Nascer pro mundo é voltar a escutar longe…

Muito além do pensamento

Há tempos que nasci pro mundo, mas morri tantas vezes que chego a pensar que vivo morto.

Mas, ainda assim, a cada natal, um anjo vem me beijar e dizer:

– Vá, os passos do caminho estão aí, diante de ti, nada se perdeu, a morte é não viver.

About The Author

Mario Fialho

Mário Fialho é pai do Miguel Luz, professor na multiversidade, clínica e escola em Niterói. Vive dedicado a escrever, ensinar e a cuidar de tudo que é bom, belo e verdadeiro com simplicidade. E agradece a sua visita.

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