O que é acupuntura integral?

acupuntura integral

O que é acupuntura integral?

Acupuntura Integral é uma prática de acupuntura segundo uma visão integral. Por isso, precisamos apresentar o que é uma visão integral.

Visão integral é uma orientação que pode ser sintetizada em uma frase: “Está todo mundo certo.”. Só que as pessoas estão certas nos seus níveis de consciência e na sua capacidade de, em alcançando níveis de consciência mais elevados, assumir uma postura mais inclusiva na sua visão.

O que são níveis de consciência mais elevados?

Desde Piaget, sabemos bem que as crianças e adultos tem níveis de maturação do seu aparato psíquicos e cognitivo. Uma grande transformação de sua inteligência ocorre quando num determinado momento ela consegue ver a “perspectiva do outro”. Ou seja, apresentamos a ela um papel de um lado azul e do outro rosa, e ao perguntar que cor ela está vendo, ela, percebendo o azul, responde azul, e ao perguntar que cor está do outro lado – sendo vista apenas pelo entrevistador – ela responde rosa. Ou seja, ela conseguiu responder não sobre a cor que ela via, mas conseguiu incluir uma nova perspectiva. Essa capacidade de perceber novos pontos de vista, que se manifesta normalmente aos 4 anos de idade.

E como esse teste de Piaget nos ajuda a compreender a acupuntura integral?

Quando percebemos que todos os entendimentos parciais da acupuntura, seja a acupuntura médica ou científica, a acupuntura chinesa moderna MTC, a acupuntura taoísta, a acupuntura japonesa não são melhores ou piores que a outra. Na verdade cada uma privilegia uma forma de se aproximar do tema. Aliás, para compreender a acupuntura, precisamos de pronto, vê-la muito além de uma simples técnica de aplicação de agulhas em pontos.

Esse olhar que compreende a visão objetiva da ciência, a visão sociológica da acupuntura entre as racionalidades médicas, a acupuntura comunitária, os temas de ordem pública e legais no entendimento cooperativo das práticas e saberes, as visões fenomenológicas das práticas clínicas em geral, as leituras antropológicas e etnobotânicas, entender além que como tema de milhares de anos de história, a acupuntura sempre foi influenciada por budistas, taoístas e confuncionistas; curandeiros, médiuns e sacerdotes e hoje podemos dizer, com uma leitura cristã de como traduzimos a acupuntura moderna. Tudo isso, e muito mais, precisa ser considerado para uma visão mais ampla capaz de nos tornar menos duros nas nossas certezas e menos convictos dos nossos saberes reduzidos pela ciência.

Assim, a visão integral e uma acupuntura integral não é exatamente uma técnica mas uma atitude clínica de humildade e inclusão de todas as visõesm de todos os paradoxos. Uma visão integral nos faz ser capazes de reler os clássicos de acupuntura e sem os reducionismos que encontramos na literatura que busca comprovações empíricas e ceifa a acupuntura dos seus horizontes de sentido que lhes deram terreno fértil para crescer e se diversificar por dezenas de nações e centenas de diferentes e tantos e tantos mestres e suas linhagens.

A visão integral nos convoca a conciliar os paradoxos e com isso nos torna mais inteligentes por um lado, mas também mais compassivos na nossa capacidade incluir mais e mais entendimentos. Em chinês dizemos vem, vem, vem, acrescente! Lai, lai, lai!

Nesse campo, não há disputas por espaços entre especialismos, mas uma capacidade sistêmica de incluir todos os saberes parciais dos especialismos numa legítima visão integrada que o terreno fértil da tradição terapêutica que herdamos da dinastia Han onde a astronomia, a fitoterapia, o governo, a religião, as artes e a medicina compartilharam uma visão unificadora. Assim, muitos dos conceitos de uma área de saber eram transportados para outra numa busca de integração política e cultural.

Mas uma acupuntura integral depende fundamentalmente de um acupunturista com essa visão, que é um estado de desenvolvimento da consciência. De evolução, assim, as práticas integrativas de saúde que emergem da intuição desses indivíduos com essa visão integral são difíceis de serem entendidas por quem ainda pensa com um pensamento moderno e padece, como quase todos, de um olhar cartesiano e metafísico, tanto na compreensão como na linguagem. Apesar disso, precisamos estender nossas pontes de sentidos, abrir nossa mente para a compreensão mais do que a explicação.

E qual a expressão dessa compreensão? A partir de uma visão mais integrada, começamos a perceber que nossa filosofia, nossas teorias, nossas ideias precisam se converter não apenas em palavras mas em práticas congruentes. Que o que pensamos se torna o que fazemos e o que fazemos o que somos-no-mundo.

Assim, como diziam os antigos, os que sabem apenas a arte da medicina, não sabem medicina.

Uma acupuntura integral te convida e entrar no coração do “caminho”. A cultivar e a pratica qi gong, não para “curar” melhor seu paciente, mas para se “tornar a cura” para nossos pacientes, relembrando a célebre frase, “torne-se mudança que você quer ver no mundo” . Assim, nós transmitimos aos pacientes e lhes lembramos que não precisamos estar doentes, que não precisamos de um acupunturista pra sempre, que podem eles também, encontrar um espaço amplo de saúde sentando e meditando. (e não se preocupem, a tarefa é grande, não vão ficar sem pacientes os mais incautos 🙂

Por fim, uma acupuntura integral considera o homem nos seus aspecto biopsicossocial, mas também somático psíquico e noético, porque se os gregos nos deram tanto a dividir e classificar e catalogar e filosofar, os orientais nos lembram que tudo é um, tai yi, que os céus e as estrelas se refletem em pontos de luz nos corpos, que vales e rios correm em nossas veias, que as estrelas brilham em cantos do corpo e que tudo ressoa em busca de harmonia e evolução.

Wu wei, uma não-ação é a melhor ação, o bom combate e desviar-se e abrir-se para o claro e o escuro, para integração da luz e da sombra, do fogo e da água, céu e da terra.

Tudo muito antigo, tudo muito novo, assim é a acupuntura integral, que fundamentalmente informa uma prática integral de vida, uma atitude compassiva por todos os saberes parciais e principalmente por valorizar as perguntas e as incertezas mais do que as respostas que já temos.

Pra compartilhar e lembrar-me de tudo isso e muito mais que nascerá do encontro é que eu ofereço mais um curso em 2011 de acupuntura integral começando em 12 de março na multiversidade.

Maiores informações no site de em cursos de acupuntura da multiversidade

Diz o poeta em síntese

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.

Fernando Pessoa

About The Author

Mario Fialho

Mário Fialho é pai do Miguel Luz, professor na multiversidade, clínica e escola em Niterói. Vive dedicado a escrever, ensinar e a cuidar de tudo que é bom, belo e verdadeiro com simplicidade. E agradece a sua visita.

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