MINHA PRÁTICA DE VIDA INTEGRAL
reflexões sobre a arte de fluir a vida
reflexões sobre a arte de fluir a vida
21/01/12
Acupuntura e os estágios de compaixão e de sabedoria no desenvolvimento e evolução
‘Você troca de roupa em dois minutos; leva-se uma existência inteira para trocar de coração’ Jean Yves Leloup
Na última década, um grande avanço no campo da psicologia foi a retomada da pesquisa de níveis de desenvolvimento moral nas pesquisas universitárias, de Maslow a Beck , temos cada vez mais ferramentas a ajudar a ler a realidade e compreender os pontos de vista e posições políticas na esfera pública e como posições antagônicas podem, tal como dizia Freud, fazer amizades de conveniência contra um inimigo comum. Principalmente hoje, em que as redes sociais dão voz aos que muitas vezes não chegaram ao nível de consciência que foi necessário para desenvolver as tecnologias que hoje todos fazemos uso. A ética geral da internet é colaborativa, democrática, participativa, aberta a links e mesmo autopoiética. O simples princípio de compartilhar ideias e informações demanda uma certa posição de transbordamento e não de escasses de uma economia da gratuidade e da generosidade que apropriada por pessoas de níveis de consciência aquém dos necessários para essa tecnologia em si existir. Quero dizer com isso que a maioria das pessoas ainda não concebe um mundo livre, igualitário, democrático, participativo e mais radical, grátis
O que de melhor temos na vida é a gratuidade, ela veio pra ficar e justo com ela a qualidade que se sobrepõe aos papeis da burocracia. O mundo civilizado já reconhece tudo isso, nós aqui no Brasil ainda estamos muito distantes desse patamar, mas para compreender como esse problema se cristaliza na prática vou abordar o tema no campo da acupuntura e no desenvolvimento dos valores dos seus praticantes, mas que poderia ser qualquer outro recorte.
Assim, podemos aplicar essa reflexão para identificar em nível estamos e como podemos evoluir em nos tornando mais lúcidos e compassivos, mais generoso, amorosos e também inteligentes que é basicamente a mesma coisa.
O universo da acupuntura é usado apenas como campo temático do que na verdade se reflete em todas as áreas da nossa vida, pois essas estruturas alteram tanto a nossa cognição (o que podemos compreender) quanto nossas pretensões de ação políticas e valores que nos motivam e com isso a consequência da prática.
O primeiro grupo é o de pessoas egocêntricas e belicosas (meme vermelhor)
Reflete-se naqueles que acham que bastam a si mesmo, que podem fazer o que quiser, que desrespeitam os outros e normalmente atacam suas próprias sombras da qual são completamente inconscientes. Imaginam que a acupuntura pode ser exercida por eles da forma que quiser e pouco importa as consequências para ele ou para seu grupo, ele faz o que quer e dane-se todo mundo. Inclusive seus pacientes. Todo mundo é ruim, só ele sabe, fez é foda e todo mundo mais não sabe nada. Já viram esse tipo por aí?
Participação política – não participa a não ser pra insuflar conflitos e pode se tornar extremamente violento quando enquadrado em suas motivações infantis.
O segundo grupo conservador e legalista (meme azul)
Este grupo embora mais avançado do que o anterior, acredita na força da lei, embora ache que a lei é aquela que protege os seus interesses apenas. Costuma não ler ou estudar a legislação brasileira que como no resto do mundo já está seguindo níveis mais avançados, mas está certo que tem o Direito ao seu lado. São os que acusam o outro e cometem normalmente crimes de injúria de difamação pelos quais já deveriam estar condenados. Normalmente comete abusos e censura idéias contrárias e ainda assim acredita que está certo. Suas posições de direita e conservadoras transparecem nas suas atitudes repressoras em nome da ordem (fascismo). Há um fundamentalismo de que exista uma única acupuntura correta e que deve ser aceita por todas (leia-se a sua própria). Embora consiga se organizar em grupo, não consegue pensar além dos interesses do seu conselho profissional, por exemplo, o grupo de fisioterapeutas acupunturistas, e se consideram pessoas muito importantes, embora não consigam adesão de pessoas de níveis mais evoluídos dentro do seu próprio meio e se sentem pessoalmente ofendidos quando as lideranças da fisioterapia decidem trocar a regra do jogo para uma perspectiva mais evoluída de prova de títulos aberta a todos os fisioterapeutas, caminho natural para todos os profissionais que querem títulos de especialista. Infelizmente no Brasil ainda temos muitas pessoas assim, elas normalmente tem visões religiosas muito carolas e se sentem os portadores da “verdade”. Elas buscam o papel colado na parede e não se importam muito com a qualidade da sua formação uma vez que já dispões de um título de especialista presumem que já não há nada a saber.
Participação política – tal como grupo religiosos, se aliam pelo medo, são contra-fóbicos e extremamente reativos, só pensam algo depois que alguém faz alguma coisa original, por isso estão sempre correndo atrás. Também se arrogam lideranças que não possuem numa clara perda de perspectiva. Saca desses candidatos a vereador que nem a própria mãe do sujeito vota nele? Pois é, conhecem alguém assim, se vê em algum momento nessa posição? Se sim, vamos em frente, há esperança.
Prática – gostam de decorar e seguir protocolos e regras rígidas, algumas vezes fazem misturas religiosas com acupuntura.
Terceiro grupo racional e científico (meme laranja)
Este grupo representa um avanço, pois entende que no mundo moderno há uma disputa que se dá pela qualidade do seu produto ao invés de apenas a qualidade do seu papel. Conseguem ultrapassar os interesses coorporativos quando a conjuntura parece oferecer uma oportunidade lucrativa, jogam no time que está ganhando, desde que o cash-flow não diminua. Esse grupo, embora mais avançado, acaba suprimindo as tradições de sabedoria que vem aliadas ao contexto e pratica da acupuntura tradicional, raramente praticam meditação ou qi gong, i ching e consideram tudo isso superstição. Na sua prática, vale mais a construção do conhecimento científico que no caso da acupuntura gera uma posição muito paradoxal pela grande quantidade de evidência mas praticamente nenhuma base científica que explique seus resultados. Mesmo assim, pela base racional (neocórtex) com que operam suas ações é possível estabelecer um diálogo desde que seus interesses financeiros e comerciais sejam atendidos. A legalidade é secundária, pois o dinheiro compra tudo e todos.
Atuação política – vaselina, querem ficar bem com todo mundo para atender à sua agenda financeira e expansionista. A graduação de acupuntura é mais uma oportunidade financeira do que uma agenda política. Se estamos ganhando dinheiro, porque mudar as regras?
Prática - estão alinhados com o crescimento da acupuntura na china moderna e as bases racionais da sua prática materialista e expansionista.
Quarto grupo pós-modernos pluralistas igualitários (meme verde)
Depois da maturidade, depois de ler os autores do nosso tempo, depois de anos de estudo refletindo sobre as consequências do saber de a política. Depois da possibilidade de um mundo open-source de que falávamos no início. Há um grupo que entende que a verdade é aquela constituída no seu tempo e lugar. Que o enquadramento que damos para o mundo muda e a acupuntura no Brasil é única e está só nascendo. Que há um espaço social de construção do saber e que há várias medicinas chinesas, várias racionalidades médicas, várias posições possíveis para uma posição mais abrangente que coloque na ordem do dia, não apenas os interesses econômicos, mas também o futuro da constituição deste saber. Conseguem pensar não apenas no momento, mas antever os problemas sociais e políticos de um erro histórico na constituição das lutas de classes mas estão abertos a debater com todos e esse seja talvez um grande erro. Estudam e percebem que há diversas formas de conciliar esse saber e se orientam por diretrizes como a da UNESCO e da OMS. Entes jurídicos transnacionais que refletem os avanços desse tipo de mentalidade nos países mais desenvolvidos em que o saber e a prática são compartilhadas e construídas com o interesse público.
Atuação política – extremamente capazez intelectualmente e poderiam facilmente exercer a liderança desse processo, mas não se veem motivados a ter que lidar com os níveis anteriores considerados intoxicantes e ignorantes (sofrem de narcisismo). Valores como uma acupuntura para todos, formações heterodoxas e pouca ou nenhuma ênfase na necessidade de um papel, a não ser que se trate de uma graduação de acupuntura, que serviria ao interesse de todos. Muitos se envolvem com o movimento sem fins lucrativos como o ENAPEA.
Prática – se interessam pelos aspectos mais sutis da prática, há não muito tempo atrás, antes da acupuntura moderna, só essas pessoas consideradas alternativas é que se interessavam por essa medicina mais ecológica e simples e solidária. Estudam as relações mais sutis da sabedoria pela prática e ouso dizer que por conta da sua visão mais abrangente conseguem os melhores resultados clínicos embora não se interessem por comprová-los. Nutrem certo desprezo pelo nível anterior e pelo modelo cientificista materialista e desqualificam as produções científicas.
Quinto grupo integral
Entendendo toda essa dinâmica de desenvolvimento, uma visão integral concilia atuação política com qualidade do ensino atendendo aos diversos níveis e facilitando o desenvolvimento moral, cognitivo, espiritual dos níveis anteriores. Entendendo que estão todos certos dentro da sua capacidade atual de desenvolvimento e que não há razão, ou compaixão que possa fazer com que cada um siga crescendo aos níveis seguintes de crescimento, há uma contemplação ativa, uma compressão lúcida e uma atuação sincera e uma esperança generosa;
‘Você troca de roupa em dois minutos; leva-se uma existência inteira para trocar de coração’ Jean Yves Leloup
Atuação política – tenta informar os outros níveis dos seus pontos cegos e facilitar o processo de desenvolvimento sem atrapalhar sua agenda pessoal de valores éticos de gratuidade e transmissão tanto da sabedoria quanto do saber deixado pelas tradições. Ciência, arte e moral podem ser conciliados a uma prática clínica, política, pedagógica e uma vida integrada que exemplifique esses princípios.
Prática – valorizam tanto ciência quanto tradição, tanto eficiência quanto responsabilidade.
Sexto grupo holístico e emergente
Neste grupo, a relação com o universo e com as energias da consciência, tanto celestiais quanto terrestres se torna uma realidade tangível e refletida. Em estados de fluir (flow state), não desprezam nem o conhecimento antigo nem o novo, dando ênfase ao que chega em sincronicidade, entende o processo de chegada de luz nova ao mundo e é capaz de atualizar esse saber na sua prática clínica. São extremamente intuitivos e alinham em tratamentos tanto as energias do paciente as suas como as do universo. São extremamente compassivos e raramente dedicam seu tempo a ações que não tenham grande abrangência no sentido de espalhar mais consciência e luz em todas as direções e para o maior número possível de pessoas, antevendo e sabendo que poucos são os que podem compreender essa perspectiva de ação mas que o caminho evolutivo dirigido pelo espírito e anima todos os seres e põe em marcha o desenvolvimento da vida.
Atuação política – raramente dedicam tempo e energia em embates com os níveis anteriores de motivação, mas podem ser vistos raramente em ações política e em momentos que conduzem a força e a energia certa no momento certo e na hora certa, se colocando de pé para sustentar uma visão mais acolhedora.
Prática – atuação multidimensional, holística no sentido de restaurar a saúde de em si mesmo no universo ao seu redor.
Para ajudar a refletir precisamos considerar que:
Não estamos em um único nível, somos todos faixas de um espectro de consciência que está em contínua evolução. Aos que estão em níveis mais avançados e percebem a contradição do mundo e do sofrimento por toda a parte em níveis anteriores que já foram percorridos, que nossa ação como terapeutas e clínicos seja sempre e mais de cuidar e de nos inclinar diante da inteligência maior que nos atravessa a todos nos estágios de desenvolvimento pessoal e coletivo.
Vamos em frente? Não há outro caminho, só o caminhar.
Mário Fialho
Bacharel em direito UERJ – Psicólogo UFF – Professor de Acupuntura Integral na Multiversidade
Vive encantado com a possibilidade da compreensão sincera que nos prepara para uma atuação viva, verdadeira nos fluxos do sopro pela grande VIDA.
Texto dedicado ao camarada Pedro Ivo que nos ilumina sempre com seus textos de acupuntura independente.
18/01/12
A Yoga Integral de Sri Aurobindo
Todos os livros de yoga que encontrei no meu caminho, todas as práticas que experimentei nos rastros desses antigos mestres; todas as vidas que repeti o mesmo movimento de isolamento, afastamento do mundo só me fizeram ver os equívocos enraizados nessas tradições transcendentais
Então, encarna Sri Aurobindo, cuja prática mais universalista e viva do yoga ilumina milênios que passaram na evolução da cultura em realizar uma yoga integral.
Dizer da união com o Divino não basta se elevar os mundos celestiais das deidades, no panteão Hindu, sejam os paraísos de vishnu, shiva, kali ou na própria consciência repousando em bramam.
Elevar-se parcialmente, em corpos sutis aos mundos transcendentais, mergulhar em estase ou mesmo dedicar-se ao karma yoga da assistência não se comparam ao abrir-se à luz e deixar baixar pelo corpo a consciência e os estágios mentais que nos esperam no futuro da nossa humanidade.
Sri Aurobindo manifestou essa grande realização, mas não para termos mais um guru, swami, mestre ou iluminado, mas para nos convidar a encarnar, homens e mulheres, o divino no pensamento, estabelecendo uma relação amorosa que não busca, mas recebe, que não transcende mas também encarna que não eleva mas que baixa, incorpora e escorre pelas esferas luminosas através dos mundos e do tempo para que o brilho de cada gesto, seja uma manifestação mais ampla, conectada, genuína e verdadeira do deleite amoroso da relação com o divino.
Mas não se trata de atitude devocional, ao contrário, mais próximo da tradição pentecostal, Aurobindo propõe uma receptividade feminina ao amor da grande mãe na sua imagem. Assim, não vamos ao divino, convidamos o infinito a vir nos visitar nas nossas células, nas nossas moradas interiores, na nossas palavras e gestos de forma a só de agora em agora, sejamos mais próximos do chão onde o céu se encontra.
Sri Aurobindo tampouco ignora as consciências humanas do astral, em diálogos com seus mestres translúcidos, redescobre o sentido das escrituras védicas ao mesmo tempo que prepara sua atividade que baixar sabedoria de um saber que é próprio e nasce em diálogo com essas inteligências que se aproximam para ensinar como o próprio Vivekananda principal discípulo de Ramakrishna, que lhe transmitiu as práticas nos anos de cárcere.
Assim, Aurobindo encarna uma atitude integral, de cuidado e vigilância para se manter aberto à relação com o Divino, mas não faz isso sem despreocupar-se com o mundo, ao contrário. Cria-se em torno de sua obra e seu trabalho uma enorme ecovilla onde cidadãos do mundo atualizam seus ensinamentos em condições talvez mais inteiras.
Quando ensinamentos como esses encarnam, tanto na relação com os deuses, devas, quanto na relação com os seres recém desencarnados, uma integração ainda maior nos aparece.
Um homem e uma mulher receptivos ao divinho, ao infinito ao mistério e ao transformador influxo de luz e lucidez que desce e escorre até os corações e reanima toda palavra justa.
Quero deixar esse registro de yoga como uma gratidão e síntese do que aprendi com os registros de Aurobindo e dos seus discípulos.
A certeza que a humanidade um dia vai ver a mente, tal como hoje vê o corpo, objeto-sentido, aí podermos falar de um ponto supramental, onde repousa a nossa inteligência conciliadora e pacífica.
Enquanto isso nos resta conspirar para que mais e mais dessa luz possa chegar a todos os cantos escuros e desconformados de rastros que arrastamos sem precisão.
17/12/11
(Me me)u, eu…
Escrever uma poesia inspirada para falar de uma reintegração de tanto de si rejeitada para se diferenciar é um respiro sufocante. Assim exercitar uma via mais integral entre prosa e poesia. Pois é desses momentos em que o coração é maior do que a couraça que o envolve, maior do que as energias que o contornam. Dar-se conta de si mesmo reprimido ao longo do caminho de evolução é a comprovação de que a dinâmica da vida é mesmo uma espiral de re-tornos e con-tornos em torno da nossa capacidade de amar e compreender mais e mais.
Aliás evoluir é exatamente isso: nossa capacidade de amar. Esse amor que acolhe as diferenças e sustenta as contradições, que fica junto das perguntas sem respostas firme esperando de coração aberto, que já não só carrega certezas, mas igualmente sustenta as incertezas em busca e perceber que é preciso outras inteligências mais e mais amorosas para compreender antes de explicar e analisar.
Mas pra isso é preciso muito, muito amor mesmo. Desse que rasga o peito e se reinventa quantas vezes forem necessárias, que morre, reorganiza, organicamente em todos os níveis, em neo-sinapses e em novas formas de estar-no-mundo, que abre espaços novos entre vértebras e músculos, entre tendões e meridianos de luz.
Ainda não é meio dia e tanta morte já me chegou, assim. Nesse ano que passou, eu rejeitei, precisava, mas rejeitei em mim tudo que era certeza, tudo que já era conhecido, coloquei centenas de “amigos-irmãos” distantes, vendo de longe as contradições que eu mesmo encarnava nas entranhas.
Somos assim, nós os verdes:
Acreditamos que todos são iguais, o mesmo Deus habita no coração de todos os seres; acreditamos que todos tem a mesma capacidade de entender ,(como eu sofri com isso) logo, todos tem o mesmo potencial divino.
Todos podemos nos entender com um diálogo franco (como isso gera diálogos intermináveis de relacionamentos), logo, se somos todos iguais podemos decidir tudo por consenso ( e claro que nunca se decide nada em tempo de agir), queremos estar próximos dos amigos e aceitamos todas as verdades como igualmente relativas (cada um tem a sua e nada defendemos mais) buscamos a harmonia com a natureza e queremos que todos sejam vegetarianos, comam só comida viva, ou vão para o inferno quando o mundo acabar em 2012. (sério!!)
Não acreditamos em céu nem inferno, mas que quem mata bicho pra comer vai arder, ah, isso vai, queremos ser “adubo orgânico” quando morrer.
Parecemos ser muito gentis mas somos extremamente certos de como o mundo deveria ser, logo nos tornamos extremamente intolerantes na afirmação da tolerância.
Queremos ser livres e inaugurar uma “nova era de amor na humanidade”, reinventamos os relacionamentos livres, (nunca vi nenhum dar certo assim) mas insistimos mesmo assim.
Achamos que os irmãos do Irã tem os mesmos direitos do que qualquer outro povo oprimido de ter bombas nucleares e somos contra todo tipo de opressão, principalmente essas de não permitir fumar maconha…
Queremos a simplicidade voluntária, mas na primeira oportunidade carregamos nossos Ipads e Iphones por aí, pois afinal não podemos ficar fora das redes. Somos eco-hippies-chiques também e só consumimos camisas e produtos orgânicos, mesmo sendo eles bem mais caros e com modos de produção nem sempre mais solidários.
Queremos ecovillas para todos como solução para alguns e em nenhum momento nos passa pela cabeça que os problemas são mais complexos do que parecem e não, simplesmente não compreendemos ou sabemos tudo, mas nos basta conectar com a sabedoria ancestral, ler os textos clássicos seja de acupuntura, seja do vedanta que lá estarão todas as respostas do viver e do morrer.
Em caso de dúvidas, perguntamos aos índios o que fazer com a o petróleo ou com a energia elétrica… e isso não é piada.
O fato é que não sabemos o que queremos e vivemos sobre uma cultura moderna que nos deu tudo, inclusive a sensação de somos os agentes dessa nova onda, desse Nova Terra.
Assim, tomamos chás e fumamos plantas pra nos conectar com a criatividade universal, mas criamos pouco, pois ficamos todos meio desconectados do mundo porque cremos que já temos as respostas e não conseguimos ver todas esses contradições internas logo o “mundo” deve estar errado, a babilônia que está aí, enfim, paramos aí de evoluir e seguir adiante porque crescer basicamente implica em perceber que somos responsáveis e não não basta cada um “fazer a sua parte”, tipo fazer uma horta em casa ou reciclar o lixo que depois vai pro mesmo depósito que cai matando centenas. (caso do morro do bumba em Niterói).
Queremos fazer um retorno pra terra, resgatar as utopias, deixamos os cabelos e barbas crescer e realmente não entendemos que nosso futuro está na inclusão da tecnologia e em novas soluções para os problemas únicos do nosso tempo, sejam eles morais, espirituais, culturais e talvez principalmente porque não enxergamos nenhum desses problemas em nós. Queremos mudar o MUNDO, saca? Tá ligado?
Não conseguimos entender que embora existem estados alterados de consciência, meditando ou respirando, eles não significa que nos tornamos, no dia-a-dia das nossas relações, mais compreensivos e mais amorosos, pelo contrário, levamos os conflitos sem solução como se já tivéssemos as soluções quando continuam todos eles lá.
Mas em geral, vivemos de recursos de nossos familiares, somos super-educados, ou somos de uma contra-cultura ou alternativa que vive dura por aí, sem grana pra passagem, ou de carona pelo mundo. Lindo isso, mas é um dos extremos do narcisismo, pois isso é solução para quem ô cara pintada?
Ah sim, tem mais, somos CONTRA quase tudo: o capital, o homem moderno, as técnicas, as tecnologias, o conhecimento científico e consideramos todos os cientistas umas pessoas muito ignorantes pois não experimentaram o saber direto da natureza do espírito. E sequer imaginamos quanto esforço pra se produzir cada vírgula desse saber testado, como se tudo viesse no mundo de inspiração. É, não gostamos muito de transpiração.
Bem, tomar consciência disso há alguns anos atrás fez com que me afastasse centenas de amigos, que cortasse relações com todos os “verdes” pois ele me lembravam do quanto ingênuo e ególatra é cada uma dessas visões que me atravessava cada célula.
Rasguei a alma e me movi ao encontro de pessoas com coragem de abrir o coração para uma visão mais integradora do mundo. Uma visão que incluísse mais do que uma visão holística com seus paradigmas quânticos e pensamento positivo, mas uma visão onde ciência, arte e moral pudessem se encontrar, onde a verdade, o belo e bom pudesse novamente coabitar numa mesma ecologia em igualdade de perspectivas.
Onde a multimensionalidade da vida espiritual pudesse se somar a um estilo de vida integrados e uma prática em que o trabalho se tornasse congruente com todos os valores mas que pudesse crescer e prosperar para acessar milhares de pessoas.
Onde eu saísse do mato para o coração da cidade acessando mais e mais pessoas, não apenas em busca do dinheiro como faz-se aos montes e é relativamente simples, mas fazer com que o universo do negócio fosse integrado a valores de amor e serviço a todos os seres em todos os mundos o que é relativamente também mais difícil.
Assim, fez-se sombra no meu lado verde, trabalhei o ano todo em busca de mais disciplina e de resultados. Foi quase bom se não tivesse deixado tanto de mim reprimido, tanto do “meme verde”, tanto de coração e certeza que tudo está certo e que há tantos mundos entre os mundos que cada um há de encontrar seu lugar na criatividade infinita do cosmos.
Assim, eu junto aqui um pouco mais minhas faces, encontro mais comigo mesmo.
Reconhecendo que embora me diferenciando, me reconheço e me conheço melhor.
Gratidão aos meus amigos também “verdes” que me fizeram como espelho, ver tanta e tanta contradição que me ajudaram com suas dores a compreender as minhas dores.
Assim, seguimos em frente a não mais nos envergonharmos das nossas contradições (diferenciações), mas em curando os padrões, nos tornamos mais abertos ao caminho diante de nós.
Luz, amor, verdade e compaixão não faz mal a ninguém, mas há que ter cuidado com a dose.
Mais sobre memes neste artigo sobre a dinâmica da espiral.
14/12/11
Quando não há mais alegria em amar sem impressionar
Quando basta a companhia e o carinho
No tempo em já não há mais projetos ou sonhos de eternidades junto
No instante em que basta um olhar pra se eternizar na vida um do outro
Quando não há mais vazios a preencher
Quando a saudade não arde mais do que a certeza de que todo amor é eterno
Quando as formas de amar são mais preciosas do que os desejos e quereres
Quando estar em companhia é se alimentar de esperança que possamos todos um dia nos encontrar nas estrelas
Quando saturno corta o céu em libra
O amor romântico morre
Morreu o amor
Nasce a vida junto
Nasce a partilha
Nasce a irmanação de todas as coisas
Nasce o novo estar junto
Nasce a liberdade de amar
Nasce a vontade de querer restar
Junto
Não até que um novo amor nos separe
Mas até que a vida nos faça encontrar
Em cada um que passa, ou fica, um pedaço descoberto de universo
Tamanho amor perfeito amor
Sereno amor
De oceano de paz
Pra crer e ser
05/12/11

É bonito ver os movimentos se desenrolando, vendo a nova geração buscando os espaços os encontros e uma revolução movida por evolução.
Evolução é uma palavra que quer dizer exatamente isso, um desdobramento, um desenrolar da vida, da consciência, da cultura, das estruturas e dos saberes.
Vivemos nessa época que não há espaço para pessimismos, pois tudo é “plano” e monovisão, vivemos num mundo sem profundidade, talvez com as TVs 3ds isso mude
, mas o monitor que escrevo e percebo o mundo é plano, é de um único plano precisamos e podemos passar a modelos mais complexos, modelos holográficos e holísticos para compreender os problemas emergentes.
Isso demanda uma nova inteligência-intuição-compreensão-compaixão. Uma nova capacidade de tecer, trançar, enredar em redes vivas de sentidos capazes de despertar a paixão, o sonho, o movimento e a evolução a um só tempo, mesmo que claro, seja mesmo tudo temporarário, pois a evolução sempre nos leva além, mais e mais integrado, e talvez essa intuição que não há um ideal a chegar, não existe um modelo perfeito que faça com que esses movimentos não tenham uma “política clara” ou uma “pauta de reivindicações”.
Fico assistindo os movimentos os esforços desencontrados, caóticos e bonitos com que temos gritado pelo mundo afora nas praças.
Mas é muito importante perceber que há nas praças, pessoas muito diferentes, embora uma minoria ocupe os espaços realmente refletindo e encarnando as contradições do modelo econômico-jurídico-político-social que está aí. Boa parte está apenas está em busca de um voluntarismo pessoal, no sentido que ainda não compreendeu se tratar de uma crise planetária e complexa uma crise de sentidos-princípios e desenvolvimento também no campo espiritual e principalmente ético.
Assim, a grande maioria dos que ocupam as praças não sabem bem porque estão lá, mas sentem e encarnam a contradição, boa parte é verdade também apenas querem poder fumar maconha livremente, dizer não à polícia nos campi universitários, e não querem passar da infância mimada das gerações X e Y que tem tudo à mão e não aprenderam a se frustrar. Mas ainda assim, incorporam as crises da sua geração embora acreditem que são os atores da “revolução” e não compreendem a dimensão coletiva que nos atravessa. Por isso, é bom observarmos de perto, participar, ir até as praças, porque embora não exista uma agenda um projeto uma proposta, “não sabem o que queremos, sabem o que não querem” já é importante. Embora esse movimento pós-moderno ainda seja extremamente reativo: são contra o “sistema” são contra o “eles” esse “outro sempre responsável”, mas é um fato de que quando a potência evolutiva e criativa fizer entender que SOMOS, cada um de nós a revolução, ou melhor SOMOS UMA EVOLUÇÃO POSSÍVEL e assumirmos a NOSSA RESPONSABILIDADE por toda a miséria e sofrimento que vemos no mundo entenderemos a responsabilidade que temos perante o universo e fazer nascer daí uma COSMOÉTICA.
Essa ética que emerge dos que realmente mergulharam dentro de si, do mundo, da ciência, da política e sentem a angustia de que um mundo melhor não é só possível, mas necessário e urgente.
Esses que fizeram a experiência de compaixão, de estar com o sofrimento do outro e com seu próprio e partilhar e estar-com, de ver que seu sofrimento é sofrimento-no-mundo, de uma geração, e realmente se perguntam por um caminho adiante, esses que ainda não tem os modelos, não tem os exemplos, as ideologias ou os teóricos da revolução, mas querem mudanças, mas querem distribuição de renda a renda que existe para todos mais do que suficientes, mas que permanece concentradas e ameaçam a sustentabilidade de toda a vida humana.
Assim, palmas para os revolucionários que são a mudança e das praças, para os que não sabem o caminho, mas estão se reunindo para aprender fora das telas dos computadores, para os que não tem certezas, mas partem do princípio que somos iguais e que o outro seja quem for tem a nos ensinar. Para os jovens que começam a sair das redes sociais para ocupar os espaços das praças independente dos movimentos sociais tradicionais de trabalhadores, de partidos políticos, além das posturas de esquerda e direita, além do que está aí.
Assim, a frase é sempre a mesma que tenho repetido como um mantra para mim mesmo: seja a mudança que você quer ver no mundo. E vamos juntos, encarnando, transcendendo e incluindo todas as nossas contradições, mantendo-nos abertos, compassivos para o novo.
Aos meus amigos desta geração, 10 anos mais novos, que brilham e sofrem muito com o mundo que lhe é apresentado, tão frio, distante, virtual e sem sentido, que possam sim serem atores da sua revolução, uma revolução verde, de igualitarismo, pluralismo e relativismo, mas também de compaixão e moral incorruptíveis e seguimos em frente, em busca de uma visão mais integradora, mas por hora, é o que vemos emergir e saudamos e reconhecemos.
Esse texto é dedicado ao Filipi, que editou o vídeo abaixo, primo do meu primo e penso no quanto nossas raízes da infância no interior deixaram as sementes que nos convoca a um mundo mais compassivo e amoroso.
E a Ken Wilber, que embora tenha me levado a compreender muito mais do que consigo encarnar, me reafirmou a certeza que estamos todos certos e no inexorável processo de evolução que testemunhamos todos os dias sob as forças do espírito de éros e de ágape.
20/11/11
Eu mal sei como começar a escrever sobre essa dimensão da acupuntura e arte. Mas como professor, meu papel é facilitar o aprendizado e vou contar a seguinte situação.

Imagine alguém que vai buscar uma aula de Tai Ji Chuan, ou Aikido, ou mesmo Yoga e pergunta:
- De quanto tempo é o curso?
Aí o professor responde, não tem tempo.
O aluno perplexo pergunta:
- Como não tem tempo, mas não tem certificado?
- O professor pacientemente diz tem, tem sim, se você estudar comigo aqui um tempo eu te dou um papel dizendo que você estudou.
- Mas é reconhecido pelo MEC?
- O professor responde, não, mas aqui temos faixas, reconhecemos quando você está pronto. Mas tem gente que dá cursos de professores de Yoga em dois anos, e tem também os que dão cursos de acupuntura e no final você, pós-graduado pode ensinar.
O aluno vai buscar o seu certificado o professor fica sinceramente feliz, pois certamente não é este tipo de aluno que ele pretende conviver pelos próximos anos.
Aqui na multiversidade essa certeza de que na arte da acupuntura temos diversos níveis “faixas” de compreensão e que quase todos só podem ser compreendidos através da prática não nos deixa iludir achando que podemos aprender acupuntura com pós graduados de cursos de dois anos com aulas de final de semana. Nada contra qualquer curso, achamos que todas as formas de propagar esse saber são válidas, mas algumas, pelo próprio molde pedagógico não consegue seu intento.
A cena é mais ou menos assim, a pessoa faz um curso e ganha uma faixa branca e lá está ela dando aulas.
Tal como nas artes marciais, a acupuntura tem diversas graduações, e você só é reconhecido quando reconhecido pelos seus pares que detém o conhecimento, por isso, e fundamentalmente por isso chamamos esse saber de TRADICIONAL.
Respeitar seu professor, reconhecer as linhagens e ser reconhecido dentro dessa linhagem é fundamental. Embora hoje a gente tenha cursos de yoga de final de semana e não tema, os cursos na china que as pessoas vão fazer em uma semana são assim também. O dinheiro compra quase tudo não é mesmo? Mas cada um é bom saber o que está comprando.
Então, se você fez um curso de acupuntura e mesmo que só pra você, tenha a dignidade de reconhecer que ainda não sabe nada, procure passar de faixa branca que é o seu certificado, comprado na china ou na escola mais próxima de você.
As pessoas que realmente detêm esse conhecimento, passam por muitos sacrifícios para obtê-los, dedicar-se a cuidar das pessoas com seriedade não permite fazer atendimentos em série e é uma vida dedicada a uma arte.
E porque acupuntura é uma arte? Porque ela demanda uma atitude de cultivo que é a raiz da medicina chinesa. Além disso, para quem ainda não compreendeu, saiba que conhecer a relação dos canais, saber que pontos inserir, saber inserir, saber a profundidade, direção e mais difícil de tudo ter a intenção correta capaz de mover o qi leva muitos e muitos anos.
Mas o mercado não pode esperar tantos anos assim não é? Precisamos “cair no mercado de trabalho”. Aí, acupuntura que é uma prática refletida, ou contemplada se torna uma teoria aplicada, uma técnica a mais e seu saber se torna conhecimento.
Vamos precisar de todo mundo, de todos os acupunturistas, mas nossa arte embora muito antiga, ainda é apenas uma criança no Brasil e vamos ter que criar uma massa crítica para chegar a nossa meta de uma graduação de acupuntura. Mas sempre haverá outros cursos destinados a outras transmissões de saber e sempre haverá os que compram certificados e os que realmente aprendem, é a vida. Isso não é bom, nem ruim.
Eu, pessoalmente, fico feliz de estar estudando há anos e ter a certeza de que sei muito pouco, assim, mantenho meu potinho vazio e receptivo para aprende sempre.
Gratidão a todos que participaram ontem do ENAPEA-Niterói aos meus amigos e mestres que estiveram presentes e aos alunos e companheiros de caminhada.
Gratidão a minha primeira professora Maria Eugênia que me mostrou os primeiros passos do caminho.
09/11/11
Quando paramos para ler os clássicos da acupuntura, boa parte do que se faz difícil de compreender é a sua relação com a temporalidade. O que é o tempo afinal? Ou melhor, o que é o tempo de afinar-se perguntaria o chinês?
Bem, no curso de psicologia e acupuntura ontem tivemos uma longa conversa sobre isso e certamente um dia estará tudo num livro, mas enquanto isso, peço sua gentileza para refletir comigo por algumas linhas sobre essas intuições tão poderosas do pensamento chinês.
“Do vazio original surgiu o tempo e o espaço”
Os textos taoístas podem trazer referências que traduzimos como se fossem evidente para nós ou seu significado simplesmente dado sobre o que seja a temporalidade. Assim, nas linhas seguintes, vou fazer algumas reflexões sobre o tempo na nossa própria tradição ocidental.
Os gregos por exemplo, tinham três temporalidades diferentes: uma se chamava kronos, isso mesmo, o Deus, saturno dos romanos, esse derivou o nosso tempo do cronômero, do crônico, do pesar e do decrepitude, mas os gregos sabiam bem que o tempo que marcamos está longe de ser o único tempo que… muito bem, talvez você já tenha intuído, o tempo que experimentamos, vivemos e sentimos.
Outro tempo, muito mais importante para nossa conversa é Kairós, o tempo oportuno, o tempo do acontecimento, o momento certo, o tempo favorável, o tempo eternizado no instante, tempo de presença tão raro nos dias de hoje.
Aliás, se tempo hoje é dinheiro, penso no quanto tempo perdemos na frente dos monitores, nos facebook ao invés de nos darmos conta do tempo de viver.
Mas o que isso tem a ver com acupuntura me perguntam alguns leitores furiosos que às vezes que vem aqui no blog buscar fórmulas de tratamentos e só encontram reflexões de uma pessoa sobre a vida no tempo. Calma, calma, a quem sabe espera as pérolas da sabedoria chinesa sempre chegam, os que tem pressa, que querem logo receber seu diploma, os que buscam cursos de final de semana, esses são como as sementes boas em terra ruim, não vingam, não florescem, porque não sabem esperar o tempo.
Em sua obra prima, Ser e Tempo, Heidegger, maior filósofo do século XX, nos ensinou que com o advento do cristianismo acabamos por impulsionar o temporalidade ao inverso, ou seja, esperamos o futuro melhor, as soluções que não temos, as tecnologias, as novas descobertas e também e principalmente uma vida melhor de redenção do mundo. Desde a idéia da chegada da “nova Jerusalém” a releitura new age do “calendário maia”, vivemos essa temporalidade pervertida que não honra suas raízes e tradições, que não aprende com a terra que nos cerca, que já não sabe em quais raízes buscar a cura para seus males, enfim, que não conhece o chão que pisa.
Se na tradição oriental e mesmo nas mais modernas teorias evolutivas nós somos o que existe entre o Céu e a Terra, poeira de estrelas, nascemos desta relação fundamental de duas forças, de dois Deuses (urano-céu e gaia-terra), de duas energias (yin-yang) e isso não é pouca coisa. Pare e contemplem as ordens celestes, os ciclos da lua, do sol, das estações, do dia e da noite, das horas, do tempo da batida do seu coração, do ritmo da vida e da circulação do qi pelos seu corpo. Aliás, não “pense”, no sentido metafísico do pensamento, viva, experiência, sinta, intua, conecte-se e perceba que há um relógio onde gravamos nossas experiência, onde consumimos nossos tesouros (shen, qi, jing) e com eles consumimos a vida na Vida.
Precisamos de tanto? Precisamos vender nossas horas de vida pelo dinheiro, precisamos ter mais do que precisamos, onde está o descompasso, onde estão as virtudes principais do taoísmo de compaixão, simplicidade e humildade? Eu que procuro e me pergunto, sinceramente todos os dias encontro difícil pois não somos muitos interessados em tudo isso.
Nos clássico de acupuntura, o tempo que está registrado no Nei Jing é o tempo circular, dos dias e noites, das estações e da lua. Tempo do femino e do masculino, num casamento raro de calendário solar com lunar.
Assim, o ritmo que se estabelece não é um ritmo qualquer os dias não tem nomes de generais (julho-agosto) mas refletem suas qualidades fundamentais que chegam até nós nos 6 meridianos unitários e nos 10 canais, ou 8 vasos. (12 veio depois)
E o que isso tem a ver com acupuntura? Bem, se víssemos ao lado de nossos pacientes quotidianamente e convivêssemos numa vida comunitária ia ser fácil perceber quando alguém está saído do ritmo da vida, quando está enfim adoecendo.
Tudo na acupuntura é tempo, tempo de permanência da agulha e inclusive o tempo mais “auspicioso” de agulhar. Hoje, em tempo em que ninguém mais tem tempo, não temos nenhum outro tempo senão o da nossa agenda, a do google e do celular onde ficam marcados os atendimentos e compromissos, exaustos depois de uma dia de trabalho e noites insones chegam à nossa porta em busca de reajustar o tempo. Difícil tarefa essa nossa hein? Isso senhores, sabemos, é causa de grande adoecimento.
Diz o clássico das perguntas simples
“Sedação se dá nos momentos em que a energia está em abundância, no momento em que a lua fica cheia, o momento em que o dia se torna quente, o momento em que o paciente se acalma a agulha deve ser inserida. No momento do paciente inala, se vira a agulha e quando o paciente inala uma segunda vez, a agulha é retirada lentamente no momento em que o
paciente expira.” (Su Wen)
Esses textos devem parecer estranhos, mas com o tempo percebemos os melhores tratamentos em acupuntura são paradoxais ao nossa forma causal de pensar o mundo. Aqui tratamos de relações e as correspondências e “co-emergências” e não de causas. Então fica simples ver como o extremo de um se encontra o com o outro, se transforma e converte. E que é a alquimia da acupuntura senão essa transformação de opostos.
Eu sei que essas ideias são muito simples, mas acupuntura é simples mesmo, mas demanda uma mente simples para apreciar e isso, caros amigos, é muito raro de cultivar.
Por isso tanta confusão por aí, não estranhe, a maior parte das gentes não vai mesmo aprender porque acha que já sabe, e eu só conheço bons acupunturistas quando são apaixonados por essa arte e dispõe de horas e horas e livros e livros além de uma vida dedicada a cuidar e viver em harmonia com esses princípios, por isso não há que se preocupar com a acupuntura no ritmo dos planos de saúde. Não é esse o tempo da vida, não é o tempo atento e disposto a escutar o momento oportuno. Sempre haverá boas receitas a seguir, na tradição dos mestres, e eu vou já ensinar uns truques, (para que esses não pensem que perderam seu tempo, rss, jamais) mas como toda boa arte, ela mesmo esconde seus tesouros de quem não pode entender, por isso não temo em ensinar, pois aprender não depende de mim, depende do coração aprendiz.
Apesar disso, me entristece quanta gente doente comparece querendo ganhar dinheiro com a acupuntura estética ao invés de tratar o sintoma evidente que isso representa: o medo do tempo e de uma vida mal vivida em que a essência madura não consegue colher seus frutos.
Depois do desabafo, voltemos ao Nei Jing
“Os dez troncos celestiais geram os 5 elementos,
que por sua vez geram três energias yin e três
energias yang. As três energias yin e os três
energias yang se combinam para gerar as seis energias de Céu,
seis energias da Terra, e seis energias do Homem.” (Su Wen)
Bom, não vou explicar tudo isso, vou apenas dizer que temos uma origem e uma conexão celestial, e isso na prática da acupuntura é absolutamente central (todo o sistema de meridianos deriva dessas idéias cosmológicas). Que temos ramificações no céu e nas estrelas que estamos enfim, estamos conectados com o tempo e com o movimento e do universo. Pode parecer filosofia, mas se trata de sabedoria que é outra história e toda a medicina chinesa e os modelos da vasos maravilhosos e canais unitários decorre dessa visão integradora que com o tempo foi aterrando e se modificando na história até os nossos dias, na busca dos neurotransmissores e ate de uma comprovação para os modelos tradicionais.
Quero então fazer um convite para que experimentem um tratamento baseado no tempo celeste, no tempo com o qual deveríamos todos estar conectados, no tempo em que cada um de nós deveria respirar, abrir-se e fechar, mudar, crescer e morrer com saúde.
O método da tartaruga mística, tartaruga sagrada, técnica como querem eu vou traduzir por arte dos oito métodos da tartaruga encantada, pois ela nos convida a isso, a um reencantamento do mundo, a uma visão de sincronicidade infinita com o universo e sim, como há evidências científicas para isso, e porque não? Cito também suas fontes científicas para os que acreditam que só que está no pubmed está no mundo. Já os que sabem que acupuntura científica é ficção científica, não precisam se dar ao trabalho.
O TRABALHO
Para perceber o ponto que está ativo você vai precisar só da longitude de onde mora, basta uma cidade próxima, ou se tiver um GPS.

1- Consiga a longitude (só a longitude) neste link
2- Insira a longitude e cheque a hora (por aqui estamos no horário de basília-buenos aires) neste site de calculos (tá em inglês, mas gente são os pontos de abertura dos 8 canais, se você não sabe isso, não tente fazer em casa sozinho).
3- Clique e gere um mapa de aberturas horárias (dê descontos de horário de verão)
4- Se você não sabe ou intui ou sente o que são ramos e troncos celestiais, use a sua intenção (yi) e faça o melhor possível, use em você primeiro o tratamento e abra-se para o mistério e reencantamento das energias do alto.
5- Ainda não convencido, leia o artigo do pubmed que mostra como essa técnica celestial é melhor que antidepressivos.
Os pontos da tartaruga mística ou encantada como prefiro, LingGuiBaFa estão na coluna da direita.
9 – 11 – 2011 – Pra quem está achando que vai se preparar para o novo tempo em 2012, aviso que a mudança só chega pra quem já mudou, seja a mudança que você quer ver no mundo e pare de espalhar miséria ao redor com esperanças de fim dos tempos. Os tempos terminam no instante do acontecimento, da cura e do encontro aí viveremos no agora.
Pra os que também oram ao tempo mais um presente.
10/10/11
ninguém ensina ninguém e ninguém aprende sozinho.
Paulo Freire
O encontro é o sentido da minha prática clínica, aqui, todos os dias, cuidamos para que a vitalidade e encontre seu livre fluxo que chamamos vida. É sempre e mais diante do mistério, do não-saber, da falta de sentido que nos movimentamos na vida, que seguimos em frente e buscamos o encontro e o cuidado com o outro. Essa a minha prática e coerente com ela se faz acreditar na possibilidade do diálogo sincero de uma busca de compreensão da “multiversidade” de pontos de vista.
Encontros como ENAPEA, raros e preciosos, nos permitem encontros reais, olho no olho, respirar junto com o outro em busca de um alento e um sopro que nos seja comum, um texto, uma voz, uma palavra de conciliação e de acordo que apazigue o medo e a desconfiança que a internet provoca, sabemos bem.
Dizem que a internet é a “forma mais fácil de fazer inimigos sem sair de casa”. Mas não é só isso, ela pode facilitar o encontro e como facilitadora, como meio, como rede ela é muito poderosa e revolucionária. Como então vencer essa barreira das telas facilitando um encontro real e espontâneo, em que as respostas encontram o coração de todos os presentes e podem assim mandar um recado online para todo o país?
Você que lê esse meu texto pode não concordar, mas se ouvisse a música suave que toca e meus olhos transbodando de esperança de que possamos calar as nossas discordâncias e nos abrir para o encontro, ao menos mais sincero, você encontraria com mais facilidade todos os pontos que temos em comum, que convergem no mesmo caminho.
Então porque precisamos do ENAPEA?
Começo dizendo que eu preciso do ENAPEA porque quero encontra meus amigos profissionais e estudantes dessa nossa arte tão simples antiga e ao mesmo tempo tão nova, nascente e pueriu aqui no Brasil.
Também preciso do ENAPEA para aprender com quem pensa diferente de mim, para procurar não tanto convencer mas compreender, não tanto ter certezas mas formular novas questões, mais inteligentes e inclusivas de outras perspetictivas. Relembrar que sei pouco, mas que infelizmente tem muita gente que sabe bem menos que acha que sabe tudo e isso é ruim para todos.
E você, você precisa do ENAPEA? Talvez precise porque os ambientes virtuais são muitas vezes muito áridos e pouco acolhedores e a acupuntura que tem tudo para se afirmar como um campo novo de pesquisas e avanços e que tem tanto a oferecer a esfera pública de serviços de saúde acaba sendo subestimada por grupos profissionais que defendem seus interesses particulares e isso mais cedo ou mais tarde vai prejudicar a todos.
Talvez você também precise, talvez porque somos um grupos com muito em comum, muito mais em comum do que diferenças e podemos sentar pra consciliar nossos saberes juntos buscando o interesses coletivos e individuais em harmonia possível.
Acredito que precisamos todos do ENAPEA para nos lembrar que a nossa arte é infinita e a vida é muito breve e que se formos verdedeiros poderemos orientar nosso coração para aprender sempre.
Fico feliz de depois de mais de uma década de prática, centenas de livros e alunos poder afirmar que sei que sei quase nada sobre o tema, mas fico feliz de saber que minha disposição de estudar e aprender aumenta a cada ano que passa. Uma das principais ameaças que vivemos são os os que já estão satisfeitos com o “estado da arte” em que nos “desencontramos”, que acham que não precisamos de uma graduação ou de mestrados e doutorados para aperfeiçoar e levar adiante esse legado das diversas tradições.
Por fim, precisamos do ENAPEA porque somos apaixonados por essa ato essencial de cuidar e precisamos cuidar desse saber não apenas para nós, mas para as para as futuras gerações.
No ENAPEA fazemos, construimos e conspiramos pela Acupuntura – patrimônio da humanidade, direito de todos.
Infelizmente as inscrições presenciais para o ENAPEA – Niterói estão encerradas pois temos um espaço limitado, mas preferimos limitar o espaço e abrir para a sua incrição online através de teleconferência e assim fazer desse encontro um encontro nacional. Participe, envie suas perguntas ao vivo e contribua para o debate. Sua opinião é igualmente importante.
PARTICIPE TAMBÉM SE INSCREVA NO SITE ENAPEA NITERÓI
Gratidão à companheira Roberta Blanco e ao companheiro Ephraim Medeiros que mesmo da China colabora tanto e de forma tão solidária com o avanço da acupuntura no Brasil.
“Aos 15 anos, orientei meu coração para aprender.
Aos 30, eu plantei meus pés firmemente no chão.
Aos 40, não mais sofria de perplexidades.
Aos 50, eu sabia quais eram os preceitos do céu.
Aos 60, eu os ouvia com o ouvido dócil.
Aos 70, eu podia seguir as indicações do meu próprio coração, porque o que eu desejava não mais excedia as fronteiras da Justiça”.
(Confúcio, fisósofo chinês)
19/09/11
Palestra do mestre Juracy realizada na multiversidade.com.
Originalmente publicada em http://www.multiversidade.com/palestras.html
04/08/11
A intenção desse texto é tentar elucidar tantas aparentes contradições naturalmente decorrentes de visões parciais e pouco acolhedoras de uma dimensão mais ampla das possibilidades do conhecimento da acupuntura.
Aqui indico uma visão integral, que tenta tomar e conciliar os paradoxos e os vazios entre as teias discursivas, as redes de sentidos e as produções científicas, esta última, pela sua própria natureza, incompleta.
Para tanto, acolher diferentes visões em uma cartografia que nos prepare a um discurso novo, pois, a minha primeira proposição é que estamos em transição. A acupuntura que conhecemos hoje, hegemonicamente MTC, sintetizada no rastro da revolução chinesa e hoje expandida no rastro do capitalismo de Estado que se pretende e se torna realmente centro do mundo. (Zhong Guo)
A acupuntura, entretanto não chegou a modernidade. Não há comprovação científica que sustente uma publicação científica relevante (1), enquanto isso o campo da fitoterapia, este sim, cresce em níveis industriais que acompanham o crescimento da gigante economia. E é preciso entender que embora esses produtos de exportação cultural tenham sido associados numa venda casada, eles não foram sempre assim. Ao contrário, as terapias orientais encontram tantos ramos, raízes e frutos que jamais conseguiríamos dar conta de aprender tudo. Diz o adágio: – A vida é breve, a arte é longa. A arte é muito mais vasta do que alcança a nossa vã filosofia, porque na China não temos filósofos, temos sábios. E a diferença entre filosofia e sabedoria é radical, tão radical quanto o oceano que divide o campo das pesquisas científicas da prática clínica e sua base fenomenológica de saber aparente e manifesto.
Para entender melhor o tamanho do que nos separa basta se perguntar, se você é acupunturista pela fonte da sua prática clínica. Qual a fonte desse seu saber? Ele vem da ciência? Existe 1% do que você pratica que tenha vindo de um conhecimento produzido cientificamente? Se for sincero e leva a sua prática a sério, no sentido de trazer resultados, ou seja, conforto e alívio em todos os níveis para seus pacientes você não se baseia em ciência (2) para fazer seus tratamentos. Você pode se basear em autores como Deadman que relaciona centenas de tratamentos clássicos, do Macioccia (que pouco funciona) porque se baseia em uma leitura da MTC orientada para fitoterapia, ou pode utilizar recursos baseados nos ensinamentos dos “laoshi”, dos anciãos, dos mestres mais velhos. E essa tradição, ou essa forma tradicional de produzir saber que nasce do encontro clínico que corresponde 99,99% do que sabemos sobre acupuntura, nasce da experiência no atendimento de milhares de pacientes ao longo dos milênios, e isso chamamos de tradição.
Os que têm muitas dúvidas são os que precisam ter muitas certezas e as evidências fenomenológicas vastas não bastarão, vão gritar aos quatro ventos: Acupuntura é científica! Estão como todos os que gritam errados. Acupuntura que você vai praticar pelas próximas décadas se você tiver sorte, terá aprendido de um mestre. Que aprendeu de outro mestre. Existem hoje livros escritos no rastro das sínteses de mestres. Temos Padilla na Espanha, temos Kiiko Matsumoto, temos os registros de Tung, Nagano, Worseley e tantos outros que fazem novas sínteses vivas, mesmo no Brasil temos o trabalho original do professor Marcelo Pereira e cito até mesmo Raul Breves pelas suas inovações. Todos centrados na prática clínica, na experiência viva da escuta da vitalidade (qi).
Acupuntura busca escutar a vitalidade, não tratar doenças (embora possa ser também encarada dessa forma), mas, ela está em ressonância com outras terapêuticas vitalistas, no sentido de promover a saúde ao promover a vitalidade (qi).
O campo da acupuntura não é idêntico ao da MTC (medicina tradicional chinesa) que se refere a síntese materialista recente. A acupuntura que cada vez mais ganha terreno próprio nas chamadas terapias de meridianos que quanto mais praticamos sabemos que guarda tantas correspondências holográficas. Seja nas mãos, nos pés, na orelha, no abdome, na face, encontramos correspondências, encontramos ressonâncias que atuam sobre o todo.
Por isso, me assombra ver a forma aguerrida como os que se proclamam profissionais da saúde, que são em geral, não por sua falta, mas consequência do modelo que estamos vivendo, profissionais da doença. Pois sabemos a saúde não dá dinheiro, não dá lucro, não movimenta a pesquisa. O que dá lucro é a doença, esse é o “negócio” dos “profissionais da saúde”.
Por isso fico feliz quando uma orientação maior das Nações Unidas declara a acupuntura e sua intuição original do sistema de meridianos de um patrimônio da humanidade. O Brasil é membro da ONU e suas resoluções embora precisem ser homologadas, são comumente citadas nas jurisprudências como fontes de direito.
Assim como monges budistas já comprovaram e descrevem a cada dia os benefícios da meditação, as máquinas, exames e testes não nos ensinam a meditar ou não nos mostram como é a experiência dos diversos níveis de consciência vivenciados pelo praticante. Assim também, mesmo que os testes venham a comprovar as hipóteses de modulação de dor, hormonais, neuronais, o que seja, ainda assim, não vão nos ensinar como praticar acupuntura, ou qual a experiência do qi, ou a surpresa que fica o paciente ao ver que sua dor no punho pode ser muito bem tratada pelo tornozelo. Para isso, basta ver, sentir e perceber, mas as nossas inteligências múltiplas talvez um dia se some a inteligência do qi, a capacidade e competência para mover o sopro, que não estará nunca na tela de um monitor ou nas páginas dos “papers” que virão. A isso, chamamos espírito da transmissão da nossa arte.
Sintetizo de forma simples. Acupuntura ainda não é ciência, pois não é a ciência que orienta a sua terapêutica, sua prática e as expectativas das milhares de pessoas no mundo inteiro que descobriram que podem ter também economia buscando uma terapia simples e efetiva como a acupuntura, deixando para trás as indústrias farmacêuticas e seus revendedores. Talvez um dia, ela possa ser científica, mas aí não precisaremos de acupunturistas, teremos roupas, como escreveu anos atrás o companheiro Ephraim no fórum, que irão automaticamente regular os meridianos do corpo. Aí, talvez possamos viver mais de 120 anos e teremos tempo de aprender tudo que deixamos para trás em nome da ciência.
Mário Fialho
Acupunturista, Pratica e Ensina acupuntura na www.multiversidade.com
Você pode ler outros de seus artigos em seu www.blog.mariofialho.com
Referências
Filme: O violino vermelho – ilustra o impacto da revolução cultural
Ephrain in Comunidade do Orkut: Discutindo Acupuntura
Um sábio não tem ideas – François Jullien
Martin Heidegger – A era da técnica
SOUZA, Eduardo Frederico Alexander Amaral de; LUZ, Madel Therezinha. Análise crítica das diretrizes de pesquisa em medicina Chinesa. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro,v.18, n.1, jan.-mar. 2011, p.155-174.
Notas:
(1) Claro que existem comprovações científicas para a acupuntura mas ela não orienta a prática, porque a ciência busca um mínimo possível. Não é baseado numa publicação científica que um praticante elege seus pontos, ele continua fazendo, e por isso acupuntura é uma arte e tradição que decorre da experiência clínica do ensinamento dos mestres.
(2) Nos referimos aqui a ciência no sentido da metodologia aplicada para testes e verificações de resultados típicos da farmacologia e da biomedicina como testes clínicos controlados e laboratoriais que pela sua natureza de “controle” nos dá uma visão muito estreita da realidade múltipla da clínica em acupuntura.
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