MINHA PRÁTICA DE VIDA INTEGRAL

reflexões sobre a arte de fluir a vida

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A CURA PELO OLHAR – seu olhar melhora

14/05/12

Escrito por mariofialho em terapias e cursos online

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O olhar procura, move, ilumina, transmite, reconhece, nada em nós se movimenta tanto, é ao  mesmo tempo tão fora, e tão dentro, o olho, no olho, o olhar, no olhar o observador, no observar, quem vê.

Perspectivas entre perspectivas, olhamos como somos, vemos como nos tornamos. Não há realidade que não seja para uma perspectiva, há tantas perspectivas quanto mundos.

Não há centro no bigbang, dizem os cientistas, o universo se expande, se expande, em todas as direções, como nosso olhar.

O olhar cura se abre-se ao infinito, às vezes porém, nós, os míopes, precisamos ver de perto pra crer, outros de olhares mais distantes, gostam mais dos horizontes do que o mais perto. Longe ou perto, olhar aberto e vasto é o que cura.

O que adoece é sempre a visão tacanha, um óculos que ficou velho e não percebemos. Traz os lodo esverdeado em cores do tempo que não mais está em nós. Por isso, um outro olhar sinceramente direto, franco, aberto e verdadeiro para nós mesmo é muito mais do que um espelho nos oferece, é UMA OUTRA PERSPECTIVA.

E para que serve uma perspectiva? Eu me lembro das aulas de desenho e pintura, uma perspectiva na pintura é o que nos ajudar a ter profundidade, é o que nos situa diante do horizonte, o que nos coloca em nosso lugar num quadro, num sistema, num sentido.

Tal como para manter o equilíbrio interno, precisamos fixar um ponto no horizonte, para nos manter em movimento dinâmico na dança precisamos ver um ponto imaginário de tempo mais ou menos perto de nós, ampliamos o tempo, aceleramos ou atravessamos o tempo.

O tempo é uma percepção que moldamos, mais do que ontologia, mais do que epistemologia para os que gostam. Não se trata de um saber nem de Ser, mas de um vir-a-ser-junto.

Assim que, para uns, o tempo já passou, para outros está começando e isso nada tem que ver com idade cronológica ou biológica, pois podemos regenerar nossos corpos e “corpos calosos” muitas vezes na vida, fazer pontes que nunca imaginamos, falar de coisas que nunca sonhamos e isso é ver mais e além, isso é integrar.

O trabalho de integração é um trabalho de ampliar o olhar, saber que o que vemos ontem não cabe no frame mais vasto, que as imagens 3D moldam cérebros muito mais velozes e que o que consideramos e que a realidade quotidiana remodela neurônios, plásticos e práticos. Simples como passar o dedo sobre a tela, pra interagir com a informação, cria um mundo novo quando transforma o cérebro na relação com o mundo. Somos assim, nós-no-mundo-entre-vistos-de-visões, percebemos.

Entre desconhecidos somos às vezes mais nós mesmos, entre conhecidos somos às vezes desconhecidos. Entre-olhares somos às vezes temerosos, mas o olhar que enfrenta o temor, não teme ser olhado, julgado rejeitado.

Assim, o olhar CURA toda vez que apura a verdade, mas não se prende a ela, pois ela é só um ponto de vista que se compartilhado pode se verificar mais ou menos verdadeiro. Mais ou menos temporário. Olhemos adiante, além, audelá.

Ser um cientista é verificar o olhar.

Ser humano é se deixar olhar.

Despir-se de espelhos e ver o outro nos olhos seus, refletidos ao infinito de nós dois, como as íris e sentidos multicores com que colorimos o mundo.

A única coisa séria nisso é lembrar, que nós, tal como o universo, nos expandimos em todas as direções, decompomos, rompemos, quebramos amarras, tal como a luz quebra a água (fotólise) nos vegetais que nos alimenta, verdes,  tal como o que respiramos vira e revira de novo alimento, sangue.

Somos, nos olhos, fotos e luz de nós mesmos espalhados no universo. O que é um átomo que encontra com outro no universo, quem é o sujeito da colisão, quem é predicação? Quem começou o movimento? Que é o culpado pela dança, pelo choque? Quem faz acontecer o encontro, a crise a catálise de todos nossos encontros? Há que creia que são as estrelas. E acredito que é escolha mesmo. Assim como na peça de teatro da nossa vida, combinamos tantas vezes os scripts, fazemos ensaios mentais, vamos lá fazemos “a cena”. Somos aplaudidos pelos especta-dores invisíveis de nós mesmos. Atores como os átomos, como estrelas, de uma dança que se repete até que decidamos nos reunir numa fusão atômica, que explode em energias e permite novas e inimagináveis ligações diante do universo. A tudo isso, somos convocados a ver de posição e momento, lugar e tempo únicos. Somos por isso, radicalmente únicientes.

Quem é você o que vem e que vai? O que chega, une e cria uma nova molécula, novo sistema, nova unidade, vida de ligações de sopro com a Vida.

Tudo quebra, decompõe, vira partícula, pra se recompor em novos corpos, em novas formas em novas ideias de novo a luz.

Partícula e onda, yin e yang.

Hidrogênio e Oxigênio na fase escura e na fase clara do dia e da noite.

Quem reuniu? Quem quebrou? Quem voltou a reunir?

O seu olhar com o de quem te vê? Quem te vê? Quem te cuida? Quem te CURA?

Seja QUEM for – todos assistimos com olhares mais ou menos abertos – a dança dos átomos às estrelas e entre os dois, nós dois.

evolução, integral, masculino e feminino
diamante

OS SISTEMAS DO AMOR E O AMOR DOS SISTEMAS

02/05/12

Escrito por mariofialho em ARTIGOS

3 comentários

Uma visão integral nos ensinou Wilber compõe de pelo menos 3 grandes perspectivas.

Uma de PRIMEIRA PESSOA, na qual o “EU” se dá conta de “si-no-mundo”, dos fenômenos da emergência e co-emergência do mundo.  Outra de SEGUNDA PESSOA, “VOCÊ”, “o outro”, que na co-emergência anterior já se torna um “NÓS”, uma possibilidade de pontes, uma possibilidade de contato comunicação do interior para esse espaço de comunhão e trocas, de “vida a dois”.

Além, podemos, com certo esforço, tentar ver a nós mesmos e as nossas relações de forma mais objetiva, TERCEIRA PESSOA, tal como um mapa da vida num ecossistema, mais planificada, mais sistemática, até mesmo encontrar na fisiologia e neurociências das relações dos mamíferos que somos também, pistas para entender das maturidades possíveis e dos desenvolvimentos possíveis para além dos hormônios e condicionamentos.

Considerar o sistema como relações que se revelam “no sistema”, podemos entender a dimensão de toda relação a dois, ou numa família, como reflexo de uma relação que envolve todos no mundo.

É incluindo essas perspectivas que podemos então, refletir e expandir nossas possibilidades de olhar de todos os lados, como faces de um diamantes, para as ordens do amor, das amizades, de nossos familiares, clientes, a com nossos grupos de trabalho. O que queremos incluir e o que precisamos ou o sistemas precisam excluir para transcender e incluir novamente em outro momento mais maduro.

A perspectiva integral inclui tudo, mas não acha que estamos todos absolutamente certos. Reconhecer que todas em nossas perspectivas são, ao mesmo tempo, certas e parciais. Inclusive a sua, a minha e a nossa.

Mas como isso interfere nas nossas relações? Como escrevemos em um blog, em tempos de leituras rápidas na internet, vou tentar sintetizar como melhor puder:

  1. A relação é uma relação sempre consigo mesmo – vemos o mundo como somos – a consequência disso é um narcisismo básico e fundamental, mas que se torna patológico quando não conseguimos ver a nós mesmos, quando o nosso espelho nos devolve uma visão distorcida e quando não conseguimos ver nossas sombras para seguir fazendo um trabalho para manter o Eu saudável. O Eu, como já sabemos, não é a única instância de realidade que estamos inseridos, mas como todas as outras, demanda trabalho.
    Exemplos de “trabalho” são: psicoterapia, meditação, registros pessoais em diários, práticas de integração de sombra, cuidados de si, um estilo de vida compatível com seus sistemas de crenças e uma boa dose de felicidade, sim, felicidade, uma medida razoável entre o que você sonha e o que você vive. Simples assim!
  2. O outro ou “o mistério” – uma relação com o outro é uma relação com o desconhecido, com os nossos medos, com nossos sonhos, com nossas projeções, conosco mesmo no outro e com o outro em nós, mas esse espaço infinito de abertura que chamamos amor… Não é possível crescer sozinho, não é possível evoluir sozinho, não é possível aprender sozinho, a gente faz isso no encontro. Sempre. Fazemos isso com a ajuda do outro tem, na minha experiência clínica e afetiva, duas condições fundamentais que é sustentar uma escuta acolhedora como exercício permanente de compaixão e se manter disposto a seguir aprendendo e transformando, disposto a crescer.Tudo em contrário é esclerose, perda de movimento, estagnação e adoecimento. Também parece simples? Quero incluir mais um elemento fundamental nessa balança, que é o equilíbrio do dar e receber, numa relação, aliás, não só com o outro, mas com qualquer sistema, (à exceção da relação entre pais e filhos e professores-alunos) é fundamental um equilíbrio saudável ao mesmo tempo homeostático e estimulante da relação. Qualquer relação em que um desequilíbrio se estabelece é uma relação que gera ressentimento, que mata e faz morrer. Exemplos de cuidados com a relação é manter ela abeta à novas idéias, às trocas  e compartilhar idéias, aprender juntos e com outros grupos e pessoas, trocar talentos, estabelecer na relação um espaço de cuidado e devoluções, de feedback sincero e compassivo com a intenção de libertar e clarear com o outro todo sofrimento, mesmo que esse sofrimento esteja, como muitas e tantas vezes está, na própria relação.
  3. A terceira dimensão, a dimensão objetiva das relações considera a relação, superior aos indivíduos, pois transcende e inclui os indivíduos. Como os benefícios de estar juntos são muito maiores do que estar só (autoevidente, mas você pode chegar os níveis de serotonina também!). Isto porque as nossas relações são nosso principal espaço de prática e crescimento, que faz com que a atitude ética possível seja a de preservar a relação, cuidar da relação, para o presente e o futuro, mais importante do que suprir as carências e infantilidades emergentes. Sujar uma relação seja amorosa ou de amizade é sempre uma perda para todos. Desenvolver essa visão em conjunto parece ser uma capacidade rara, pois raramente conseguimos entender essa saúde de nós-dois, como sendo mais importante, e ainda assim, considerando o sistema em que nos inserimos, a saúde de cada um e de TODOS os implicados. Isso se dá não apenas nas relações amorosas do casal, célula básica dos sistemas, mas em todas as nossas amizades. Assim, uma amizade sincera, coisa rara nesse mundo, deve ser sempre protegida dos desatinos momentâneos.

Exemplificando, na prática, saber onde é nosso lugar, onde estamos para que todos sintam-se mais livres e mais à vontade, sentir e intuir o movimento mais saudável para todos é um exercício muito poderoso e urgente para compreender que sofremos as dores de TODOS, é assim que é.  E quando nos curamos, quando cuidamos dos mais próximos, curamos também os mais distantes. Quando acolhemos o nosso sofrimento em nosso coração, curamos todos ao redor, na rede. Assim, tal como uma onda que repercute nas infinitas redes e direções, curamos o MUNDO que somos.


Se começamos afirmando que vemos tal como somos, terminamos por dizer que somos tal como vemos, que o mundo que experimentando e todas as suas sombras, são as sombras das nossas contradições. Isso nos dá uma implicação ética enorme que é:

Quer cuidar do mundo? Cuida do teu coração.

Quer cuidar das florestas do mundo? Cuida de libertar seu pulmão de toda tristeza guardada pra dar valor ao ar que respiramos. Quer cuidar das crianças do mundo? Cuida para que criança que te habita seja ainda sorridente e disposta a levantar depois dos tombos naturais das escadarias da evolução.

E principalmente, quer cuidar para que a ordem do amor flua em sua família e em suas relações, cuida das relações e veja como tudo está ligado a tudo e somos todo “nós” uma linha tênue e fina no espaço e na rede do kosmos, onde cada “curtir” é uma semente que plantamos, cada link que fazemos tece uma rede de luz ou sombra.

E você, já cuidou do seu coração hoje? Eu-tu, nós, o mundo e os seus e meus, agradecemos em uníssono.

Mário Fialho é também psicoterapeuta e co-ordena a constelação familiar sistêmica na multiversidade.com

integral, masculino e feminino, memórias e reflexões
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HOMEOPATIA – A MEDICINA DOCE

26/04/12

Escrito por mariofialho em ARTIGOS

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Minhas primeiras memórias da homeopatia são da mais tenra infância. Entre respiradores e nebulizadores que traziam alívio para o infante em crises de asma, às bolinhas doces que levava pra escolinha e tinha que tomar várias vezes ao dia. A gratidão aos meus pais por terem curado minha bronquite com Baryta Carbônica. em uma dose diluída em uma garrava de refrigerante que era então dada em colheradas.

Meu pai conta essa história ainda incrédulo, pois haviam tentando de tudo para que o sono da criança fosse tranquilo e aquele remédio que parecia água, diluído em mais uma garrava d´agua não poderia ser a resposta. Mas foi.  Recontou orgulhosa essa história, que se repete em todos os lares, de quem tentou tudo e mesmo o que parecia improvável para o pai de primeira viagem se tornou remédio bom, doce e gentil. Muitos anos depois tive a oportunidade de lembra-lo algumas vezes que a sua gastrite poderia ser curada ao invés de tomar os tais remédios que eu chamava de “pastilhas de alumínio”. Não foi nenhum mistério, umas bolinhas de Nux Vômica – as dores de cabeça e a úlcera nunca mais voltaram. Hoje, quem precisa lembrar-me da homeopatia sou eu mesmo.

Homeopatia me curou pela vida afora, me lembro de uma tosse grave que foi resolvida com uma dose única de Ignatia Amara, parecia mágica, uma semana de tosse sumiu imediatamente,  me lembro de como fiquei mais inteligente  e produtivo com as doses de Sulphur, remédio que tomo até hoje pra ver se consigo apaziguar o fogo do espírito, o enxofre dos alquimistas dentro de mim.

Tantos remédios me acompanharam, conheço-os pelos sonhos, pelos reflexos no corpo, pelas experimentações em doses altíssimas que fazia comigo mesmo e logo conduziam a mudanças intensas demais, de mente, corpo e espírito. Mas homeopatia, por mais que transforme, não adoece, e seu aparente agravamento é convocação da energia vital a encontrar seu caminho mais possível, suas crises, são crises de evolução, “crises da crisálida” pra borboleta nascer.

Nas palavras do Organon da Arte de Curar, de S. Hahnemann que redescobriu a homeopatia, gravei de cor sua definição de SAÚDE e ainda me lembro-me da primeira cópia que li em Francês da sua obra prima, que no seu parágrafo 9º diz assim:

A saúde é a condição do homem, a força vital espiritual (autocrática), a força que anima o corpo material (organismo), rege-se com poder ilimitado e mantém todas as partes do organismo em admirável  harmonia, tanto em relação às funções quanto sensações, para que em nosso íntimo, nosso sentido e razão possam livremente dispor desse instrumento vivo para os mais ELEVADOS FINS DA EXISTÊNCIA.

Não consigo ler sem chorar. Foram anos muito lindos, eu estudava direito na UERJ e lia sem parar as transcrições do curso do IHB os livros do GERSH e os livros que tinha trazido da França sobre a medicina doce. As matérias médicas eram todas amigas, me admirava dos símbolos dos nomes das plantas, das formas, das correlações das tradições, valorizava tanto o animismo presente no texto quanto suas aplicações práticas com a clínica. Tal como meu primeiro contato com os Florais a Homeopatia vinha também no mesmo contexto da emergência de do fenômeno que o Centro Espírita que frequentava na época interpretam como mediunidade.

Foram anos na mesa de psicografia, fico a pensar como eu era apenas uma criança, mas lá estava sentado junto das senhoras e senhores que na penumbra da luz azul passávamos horas respondendo cartas e recebendo mensagens de outras dimensões.  Nesse contexto veio o primeiro curso de florais que oferecei em 1996 e também os primeiros contatos com a homeopatia. Tudo me parecia muito natural na época, tinha um grupo e um contexto que davam sentido para os fenômenos e simplesmente eu perguntava e o nome do remédio vinha na mente, embora eu nem sequer soubesse o que queriam dizer o para que serviriam, fui em seguida me educando sobre isso.

Mas me lembro com saudades desse tempo que me levou da militância política no Direito para me tornar terapeuta, pra me fazer sensível ao sofrimento, para a prática clínica, para estudar o sofrimento de perto, quantas vezes, de muito mais perto do que poderia imaginar.

A homeopatia foi sempre uma aliada, sempre preferi os glóbulos gentis à moda dos unicistas, capaz de uma cura profunda e permanente. Um purgar que deixa sair os excessos, os miasmas e provoca um movimento da vida em direção aos MAIS ELEVADOS FINS DA EXISTÊNCIA. Acho graça quando penso que é a mesma definição dos chineses quando afirmavam que o sentido da acupuntura é viver segundo o Dao, seguir o seu Ming, seu destino.

Não podia nem imaginar na época que me tornaria psicólogo, que dedicaria tanto tempo a entender da alma humana, a minha e das gentes que chegam. Das intervenções que às vezes me surpreendem, mas cujo efeito retorna em surpresa, pois estão embasadas na mesma compaixão e desejo de liberdade existencial. Do meu sofrimento de não poder fazer mais, de não poder ajudar a borboleta a voar, de ter que ficar junto às vezes silente, esperando que com seu próprio esforço, ganhe forças para os voos seguintes. Ficar ao lado de alguém mesmo apesar de e quando ela mesma não está ao seu lado.

Recentemente, depois de anos de recesso, a homeopatia voltou. Fiz cursos lá da UFV há mais de uma década atrás, nesse tempo a homeopatia como as terapias alternativas eram bem mais livres do que hoje. Tão simples e gentis e por isso mesmo,  tem se tornado cada vez mais vigiadas. A Anvisa com validade para remédios homeopáticos,  todos em defesa da indústria farmacêutica tem difamado Florais, Homeopatia, Fitoterapia e outros cuidados mais do que evidenciado nas práticas do mundo todo. Homeopatia não é nada menos que o segundo sistema médico mais utilizado no mundo. Sem evidência científica, então deixe que os não cientistas fiquem com elas, não parece lógico?

Tentei anos atrás fazer novamente o curso, mas fiquei decepcionado, por isso vou montar um curso online de homeopatia, nos moldes do curso online de florais da multiversidade.

A minha lembrança dos homeopatas da infância, aqueles que ficavam horas estudando as pessoas como um todo, aprendendo a conhecer a alma das gentes bem como seus sintomas mais raros, aqueles KEYNOTES que ajuda a reconhecer a cara, a energia, a vibração daquele remédio, aquela aura que acompanha a enfermidade. Lembro bem de uma médica que pediu para estudar e que me daria o remédio em outra ocasião, você imagina alguém formado numa faculdade de medicina dizendo isso para um paciente de plano de saúde? Eu tive muita sorte, foi essa a mesma que me curou com uma dose única.

Mas apesar dos tempos de disputas de mercado, a homeopatia está aí, viva, mais clara e transparentes, com mais pesquisas apoiada por nobelistas de medicina para embaraço da comunidade científica.

Pra mim, homeopatia se mistura com todo alívio de respirar, com todo alívio de abrir a energia dos corpos sutis, de toda transformação gentil e doce, mistura de água e céu, mistura de espírito na forma humana. Resquícios do tempo que espírito e mundo se completavam e saudavam o dia-a-dia. Tal como os elementos da química, eram lidos como símbolos que uniam os planetas com os órgãos, as plantas e suas formas falavam de um mesmo símbolo, uniam, reuniam, destilavam e condensavam formas de luz.

Fica o desejo e o voto que você procure um bom homeopata, procure mesmo, com mais tempo de prática melhor, porque “homeopatia é uma arte de curar”(1) um que tenha vivido as diversas etapas da vida, um que seja íntimo dos elementos e transmita a paz e a cura na presença. Saudades e gratidão por todos os que me curaram. Não sei onde estão, mas sei que estão por aí e são esses, que vale a pena chamar de homeopatas, os que curam pelo semelhante, os que cuidam do semelhante, os que te dão o único e melhor remédio para você que é justamente VOCÊ MESMO.

Texto dedicado aos meus pais, aos que me cuidaram e ao Dr. Jones Alberto, que me mostrou os primeiros caminhos no estudo da homeopatia.

(1) Referência ao Organon da Arte de Curar – livro do Hahnemann na época em que não se perdia de vista a dimensão artística que envolve o cuidado.

medicina, relatos da terapia
25-04-2012 14-24-00

Por que fazer da vida é uma prática de vida integral?

25/04/12

Escrito por mariofialho em terapias e cursos online

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Amar se aprende amando.

C.Drummond

Viver se aprende vivendo. O que as tradições de todos os povos nos convidam é mais do que simplesmente “deixar a vida nos levar”, é a uma conversão de nossas vidas num espaço de prática, mas o que é uma prática?

Uma prática é um exercício perene, um esforço de transcender e incluir os limites atuais, um movimento consciente, uma intenção de abertura, de refinamento; tal como os escultores que formavam da pedra bruta sua arte, de talhar a vida em formas mais e mais harmoniosas.

Através de exercício de limites, de resistências, de disciplinas, tanto quanto de soltar-se, relaxar, chutar o balde, a “prática” ajuda e revela-se quando nos tornamos aliados de nós mesmos e dos que estão junto de nós.

Curtindo cada pequeno novo passo do caminhar; o saborear de cada alimento preparado; cada sentido novo incorporado; cada palavra nova pra descrever o mundo e falar do espírito e deixar falar o mundo. Cada vez, que de forma mais ampla, o amor nos visita e amplifica nossos horizontes. Praticar é fundamentalmente uma prática de amar, pois o amor é o que tudo reúne, tudo acolhe, tudo transcende, é a dinâmica da Vida na vida, o movimento que conspira pela saúde de todo o sistema o paradoxo de estar-se preso por vontade.

Aprendemos tal como ensinavam os antigos chineses que mais importante do que o ponto de chegada o caminho é que importa. Pouco sabemos do amanhã, por isso, observar o movimento dos fluxos e correntes da vida são tão importantes, afinal estamos todos juntos na dança.

Evolução nesse sentido é duplo movimento: É ao mesmo tempo um impulso de baixo pra cima, de nos colocar de pé firmes sobre o chão, sobre cada osso que nos sustenta, que nos permitem sustentar o olhar para o Mundo mais amplo e de corações mais abertos. Em outro sentido, igualmente importante, evolução é um impulso de cima pra baixo, dos nossos sonhos aos nossos pés-no-chão, da nossa visão de futuro às mãos-operosas do dia-a-dia. Desde as formas e brilho das estrelas aos brilhos dos nossos olhos e ao mistério do Cosmos ao mistério do Outro.

A Vida como uma Prática nos faz gostar de todos os aspectos do viver e convertê-la numa arte de viver integral. Assim, dormir bem é uma arte, sonhar é uma arte, se alimentar de forma consciente, abençoar saudando o dia que começa, respirar, silenciar, falar, mover-se, amar, deixar-se amar. São pequenos hábitos, às vezes pequenos movimentos internos, uma frase justa, uma ideia nova, um movimento pode revolucionar tudo, pois tudo se relaciona com tudo.

A PRATICA NOS LEMBRA AS TRADIÇÕES TEM PELO MENOS QUATRO DIMENTÕES FUNDAMENTAIS: CORPO, MENTE, ESPÍRITO E INCONSCIENTE

Corpo correndo a sentir suor e pulsar do coração, sentir a firmeza dos músculos e o relaxamento que se segue também depois do movimento, a dança da sístole e diástole, a dança do dia e da noite, do feminino e do masculino. Mente em contemplação dos universos interiores, ligado na fonte de todo saber, intuindo o movimento, encontrando as palavras mais próprias para que traduzir o belo em verdadeiro, o bom em justo, o verdadeiro em belo, o bom em belo, o verdadeiro em bom. Espírito animado, entusiasmado, brilhando e harmonizando todo intelecto, todo corpo, fonte de toda a vida que nos chega, ordenador de todos os ritmos. Sombra na disposição de saber que não sabemos, reconhecer que já conhecemos, esquecer, lembrar, trazer pra luz, acolher o sofrimento com a mesma dedicação com que abraçamos nossos momentos luminosos e fundamentalmente, reconhecer que não precisamos ser menos que somos, encontrar nosso tamanho e viver em acordo. Nossas ações se tornam mais integradas e nessa integração mais força, que encarna um movimento total das possibilidades dos sistemas, mais cores, mais graças, mais formas, mais VIDA.

Não se trata de uma perspectiva metafísica da vida, de seguir uma doutrina, um guru, um caminho traçado que serve pra todos; muito pelo contrário, trata-se de uma incorporação de si mesmo, do que é mais próprio, mais íntimo. Reconhecer nossos sonhos e desejos, reconhecer que nossas fragilidades, limites, força e fortaleza são parte de uma mesma dinâmica orgânica.

Sermos a congruência de nossos gestos, de nossas palavras e de nossos afetos e de nossas energias, de nossos pensamentos. A tal ponto não há mais um mundo do além, outra dimensão, mas todas as dimensões são incluídas como companhias do quotidiano, apaziguados que estamos com nossos pensamentos e energias e acolhedores que somos de todas as experiências. Somos nossos laboratórios quotidianos e cuidamos para o que caldo das nossas alquimias não seja desperdiçado.

O que quero dizer afinal? Digo que não há crença que sustente uma mudança, mas há uma mudança que transforma nossas crenças em certezas encarnadas a partir do momento que SOMOS E FAZEMOS, tal qual queremos VER NO MUNDO – “VEMOS TAL COMO SOMOS.”

Digo também que transformar nossa vida em uma prática acolhendo todas as dimensões da vida é a verdadeira vida religiosa, a que religa todas as coisas, a verdadeira yoga, a união de todas as coisas, o desvelamento permanente de mundo, pois não há fórmulas prontas. A abertura ao mistério é permanente, uma certeza confortável, ampla e segura de que não há certezas além das nossas experiências.

Reforço então com o mesmo convite: colocar projetos de vida em primeiro plano, pra saber o que quer e fazer força pra ir nesta direção, para não deixar para amanhã, se tornar amigo íntimo do tempo. A essa atitude de agir de forma integral os antigos chamava de Dharma, de Tao, de Logos, de Anima Mundi, eu gosto de chamar de prática, esse exercício quotidiano, anônimo, crescente e vivo que transforma o universo.

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Por que médicos não poderiam (enquanto médicos) praticar acupuntura?

07/04/12

Escrito por mariofialho em Acupuntura

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Caros leitores, esse blog tem se mantido congruente com os princípios de acupuntura no Brasil é livre e deveria continuar livre. Assim, embora defendamos uma graduação de medicina chinesa, nos moldes recomendados pela OMS, não acreditamos com isso que deveriam ficar, quaisquer outros cidadãos restritos no seu direito de usar acupuntura em praticas familiares ou terapêuticas.

Dois motivos para isso – acupuntura é simples e tem risco insignificativo para a saúde das pessoas. Você pode saber mais sobre risco da acupuntura neste artigo, ou saber sobre porque achamos que acupuntura deveria permanecer livre.

trilha sonora

O que é acupuntura?

Acupuntura e moxaterapia, que são, em verdade, uma única prática clínica nascida na china e espalhada por todo o oriente à partida da unificação cultural da dinastia han é uma racionalidade médica autônoma, milhares de anos anterior ao modelo de medicina de base biomédico (aqui incluídos a medicina e suas especialidades, mas também a fisioterapia, odontologia e veterinária, biomedicina, educação-física). A psicologia tá de fora, porque sua prática clínica, exceto a terapias cognitivo-comportamentais não tem evidência científica, tem bases filosóficas e existenciais, fenomenológicas, podemos dizer.

O que é uma racionalidade médica?

Uma racionalidade médica é um conceito que nos chega da sociologia, que designa um sistema médico complexo quando contém as seguintes características. Uma cosmologia, uma dinâmica vital, um sistema de diagnóstico e uma terapêutica próprios desse sistema. Outros sistemas médicos complexos anteriores ao modelo científico e biomédico são por exemplo a medicina ayurvédica, a homeopatia, a medicina antroposófica e tantas outras.

Para saber mais sobre racionalidades médicas você acessar esse vídeo da  palestra da professora Madel Luz.

O que precisa ficar claro é que estamos tratando de dois conjuntos absolutamente independentes. Lembra das aulinhas de teoria dos conjuntos? Nesse caso não há elementos que pertencem aos dois conjuntos sendo, por isso, considerados sistemas autônomos.

Com a clareza de que esses sistemas são autônomos não havendo nada que informe na formação de medicina, até o presente momento, e possivelmente até as próximas décadas, nada que faça com que um médico seja melhor acupunturista do que qualquer outro mortal, e que não cabe a afirmação de acupuntura possa ser, portanto, uma especialidade médica.

Mas também é verdade que não há nada na formação de fisioterapeutas, ou de odontólogos, ou de educadores físicos, psicólogos ou farmacêuticos e nutricionistas que os façam mais aptos que qualquer outra pessoa, com disposição e capacidade cognitiva de aprender acupuntura. Eis o verdadeiro problema, pois também a fisioterapia, e essas demais profissões, à exceção talvez da psicologia, que se aproxima da área de humanas nos seus fundamentos, estão sob a égide de uma forma de construção e validação de saber que é o saber objetivo, empírico, materialista, “flatland”, monovisão, reducionista.

Por isso, para um médico, ou qualquer outro praticar acupuntura ele precisa sair dos termos e fundamentos que se preparou e se abrir a um mundo novo. Tivemos e temos aqui estudantes médicos e é assim, uma surpresa boa, uma abertura de sentidos de possibilidade um novo corpo, uma nova fisiologia, um novo mundo de sentidos que se abre. E por isso mesmo, em sendo tudo novo, não há que se falar em especialização, pois, como sistema autônomo acupuntura só pode ser mesmo uma nova formação. O mais ridículos é que os médicos entre si, começam a dizer que acupuntura só pode ser especialidade de algumas especialidade médicas!!! Juro que isso é verdade pois passamos por isso com um aluno recentemente, pois só o clínico, homeopata ou pediatra poderia se também acupunturista na unimed local. Os demais alunos da turma brincaram dizendo que nem os médicos agora podem fazer acupuntura, só  mesmo no Brasil mesmo. Preciso explicar que é a velha fatia de mercado das especialidade médicas?

Não acho que médicos, os que praticam acupuntura e são tão avessos aos demais acupunturistas, são bichos esquisitos já no seu próprio meio,  no meio dos cirurgiões e de profissionais que estão sempre lendo o pubmed, ele se pegam lendo livros de milhares de anos, isso se realmente praticam acupuntura, coisa estranha, mas é verdade. Mas a visão de mundo que a prática da acupuntura convoca, ao fluir da energia, que faz da vida mais leve e possível; o alívio de sofrimento que acontece como mágica, antes de tudo, nos faz mais humildes com nossos saberes. Mas há quem pratique acupuntura e se forme sem nunca ter sido agulhado, e é o que há minha gente!!! E é típico do médico receitar o remédio que ele mesmo não tomou, tratar a ferida que ainda não se fechou em si, propagar o que não pratica e recomendar o que nunca faria em um familiar seu ou em si mesmo. A triste realidade é que médico nem sequer vai em médico, já ouviram isso? Pode ser um cacoete de psicólogo, mas aqui na multiversidade a gente pratica, sente, passa pelo processo, saca? Tamos afim de uma prática de vida integral, queremos viver essas práticas todas, realmente testá-las antes de passar adiante, pra ajudar outros e seguir junto no caminho.

VITA BREVIS, ARS LONGA

Um ditado antigo que gosto de repetir, atribuído a hipócrates que diz: A vida é breve e a arte é longa. Querer saber só medicina não é saber medicina alertavam os médicos mais lúcidos. Então o que está em jogo não é, como querem nos iludir, uma disputa de nós, acupunturistas contra eles, o inimigo lá fora, mas ao contrário, o problema tem muitas faces e se esconde em geral, entre nós mesmos.

O INIMIGO ESTÁ AO LADO.

Para então entender o problema vou fazer ao modo da minha aula de acupuntura, traçar um perfil cosmológico do que acontece, uma leitura grande de conjuntura e ir baixando do céu, pro homem e pra terra.

A SOMBRA - FREUD NOS ENSINA QUE A AMIZADE É A UNIÃO PARANÓICA CONTRA UM INIMIGO COMUM

Assim fazemos, centenas daqueles que antes não queriam uma graduação de acupuntura conseguem ver que esse é a única oportunidade e que talvez percamos, pois a grande maioria ainda não consegue ver além do seu umbigo. Esses que ainda não conseguem, estão no mesmo nível dos médicos que patrocinaram essa campanha difamatória e gananciosa. Provavelmente empresários da saúde, é claro, pois profissionais engajados na clínica,  tem muito mais o que fazer com seu tempo do que bancar na mídia um desfavor desse tamanho à população e aos praticantes sinceros dessa arte.

Quero deixar claro, que há dessa mesma laia entre nós não-médicos, mas que se fossem médicos fariam a mesma coisa, só não tem a oportunidade e competência. São comumente fisioterapeutas que querendo ser médicos, avocam pra si o uso de fitoterapia e de acupuntura como sua especialidade e buscam da mesma forma restringir outros profissionais cerceando seus direitos, ou os nutricionistas, ou psicólogos, ou farmacêuticos contra os raizeiros tradicionais, patrocinam campanha contra os técnicos e fazem uso, com muito menos perícia é claro, que os médicos das mídias por aí. São faces da mesma moeda egocentrada. São as faces do mesma ignorância, ignoram o tiro que dão no próprio pé, mas são como os que se movem por medo, agora chegam para falar em UNIÃO, o medo une temporariamente  eu recuso esses aliados. Busco meus aliados nos que se aliam pelo amor a essa arte, por preservar a sua essência e sutilezas que não cabem em nenhum livro, senão o livro da vida que cada um de nós encarna.

Saia de perto desses Zé Ninguém, como dizia Reich, essa gente que vive a apontar os dedos aos outros e não percebem que só atiram pedra nos seus própria sombra. Temos aqui na multiversidade outros propósitos sim, nos consideramos acima desse tipo de motivação e sim, somos melhores por isso em qualquer escala de desenvolvimento moral e não nos escusamos de vir tentar esclarecer, porque pra esclarecer é preciso outra coisa, estudo e dedicação.

Porque embora não se fale nisso, de ética e desenvolvimento moral, nem nos cursos de pós-graduação de acupuntura, onde se ensinam as técnicas, nem nos cursos de medicina científica, onde não se toca o paciente mais. Ainda mais difícil seria entendermos que assim como as capacidades cognitivas se desenvolvem com o estudo, e as capacidades cinestésicas também com a prática consciente, a capacidade ética de incluir outros também. Somos assim radicalmente à favor de TODOS E POR ISSO QUEREMOS UMA FACULDADE AUTÔNOMA. Acupuntura sem sentir o qi, sem perceber as curvas do corpo, sem conseguir tocar de nada serve. Vale lembrar da genialidade dos mestres japoneses que cegos levaram a arte de palpar o corpo a um outro nível.

Como não falamos de desenvolvimento moral nos cursos, como vamos querer um mundo mais saudável 0para todos? Que serviços de saúde queremos para nós mesmos e para nossa família, se não nos envolvemos na política, apoiando os ENAPEAS e por isso, os parasitas prosperam.

Não é um privilégio da acupuntura, é um certo nível de desenvolvimento e evolução sim, que ainda não alcançamos, vamos do egocêntrico, ao etnocêntrico à visão mais ampla. Esse saber sequer é seu, ou meu, ele é tradicional, transmitido e da forma que te chegou, por isso passe adiante de forma integra e integral, se puder.

Assim, cuidado com esses que atacam demais os médicos, todos os bons médicos que eu conheço, que praticam uma medicina fora do sistema biomédico, aprenderam a desenvolver uma outra sensibilidade, e reconhecem os limites do que herdaram na sua formação, que absolutamente incrível, embora ainda uma monovisão, transformou e transforma a cada dia as possibilidades humanas nesse planeta através da ciência. Pontuamos que nada temos contra médicos, o que temos contra os maus acupunturistas médicos, temos também contra os maus acupunturistas de qualquer formação superior que defendem essas especialidades.

LEGISLAÇÃO

Outro tema relevante, ainda de ordem geral é a legislação. Eu sei, eu estudei direito na UERJ e me formei, por isso não me afeta nenhuma dessas picuinhas jurídicas e por isso enquanto não tivermos regulamentação, ensinamos acupuntura para todos, pois TODOS PODEM PRATICÁ-LA LIVREMENTE. Pra quem não sabe, a UERJ é a mais respeitada faculdade aqui do Rio. Pois bem, vou te contar do primeiro período de Direito Constitucional onde aprendemos o PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Esse princípio está enunciado no artigo 5º da constituição federal:

“ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”

Talvez você não saiba o que isso quer dizer, tudo bem, nem todo mundo teve a infelicidade fritar o baço estudando direito por 5 anos. Mesmo assim, eu explico:

Isso quer dizer que a menos que tenha uma lei específica proibindo o cidadão comum de praticar acupuntura, qualquer cidadão poderá praticar acupuntura. Entendeu? Se não, leia de novo até entender.

Mas e as decisões dos conselhos?

Tentando explicar da forma mais simples, decisão do conselho de medicina só se aplica a médico, do de fisioterapia só se aplica a fisioterapia e assim por diante. Eu sou psicólogo, mas não pratica acupuntura como psicólogo, pratico acupuntura como acupunturista.

Mas e a decisão da liminar?

Decisão de liminar não é “sentença”, em direito, decisão se chama sentença e quando essa não cabe mais recurso, chamado de trânsito em julgado, faz lei entre as partes do processo, neste caso, os conselhos que brigam entre si pelas suas extrapolações de competência.

Os conselhos extrapolam sua competência, como?

Quando fazem de um saber muito mais vasto, antigo e amplo de uma racionalidade médica outra, sua “especialidade”.

Voltando à teoria dos conjuntos, se você tem o conjunto Biomedicina com (medicina, fisioterapia, biomedicina, odontologia, veterinária, nutrição) num conjunto, e outro conjunto com (qi gong, tui na, fitoterapia energética chinesa, acupuntura, moxabustão, dietoterapia energética chinesa, etc…) em outro conjunto, como pode um conjunto talvez mais abrangente, pois consideram outras dimensões e implicações da vitalidade ser “especialidade” desses aí de base biomédica? Saca, ou quer que eu desenhe?

Esse é o problema! Digo, o verdadeiro e único problema em jogo.

Bom, porque então a mídia brasileira fez essa campanha contra os acupunturistas não médicos?

Bom, eu preciso dizer que se você não sabe que uma revista e um jornal vivem de matérias pagas, ou você acredita em coelhinho da páscoa, se você acredita que a mídia brasileira é independente, que ela não está comprometida com as elites, neste caso com as máfias que vivem da doença dos brasileiros, que vivem desses processos superfaturados de saúde. Vamos ver: se acupuntura é barato e a consulta é cara, você pode ficar um ano fazendo e não ter melhora nenhuma e ainda ganha dinheiro do sus e dos planos de saúde. Puxa vida! Mário, esse negócio de acupuntura dá dinheiro mesmo, hein? É, facilmente na mão de pessoas sem escrúpulos, como as que já citamos, ela vira mesmo um bom negócio. Assim, se você faz acupuntura ou fisioterapia ou qualquer outro tratamento que não tem efeito, procure outro profissional, porque mesmo que a ciência diga o contrário, acupuntura funciona, e muito bem.

E isso, meu desabafo e desintoxicação necessária do fígado, espero ter ajudado alguns que ainda não entenderam com quem estamos lidando.

Numa frase para os acupunturistas:

ACUPUNTURA INDEPENDENTE, OU MORTE

Outros pontos em síntese são:

- procure seu representante político e apoie o projeto de lei que está buscando regulamentar a acupuntura, ou monte uma igreja para praticar acupuntura taoísta.

- procure o grupo acupuntura independente que tenta discutir esse tema de forma mais lúcida e fuja de grupos de pessoas que só tem uma agenda pessoal por traz do barulho todo, as que falam mal dos outros, as que atiram pedras demais.

- acupuntura é livre, é de todos, é patrimônio da humanidade e é fundamentalmente uma arte, isso que dizer que não se aprende em livros, ou em aulas teóricas, se aprende em anos de prática, desenvolvendo uma visão outra, uma outra tridimensionalidade do corpo, da vida, do universo do cosmos.

Sobre o futuro

- claro que médicos estudam mais, são 6 anos de formação e ainda tem pelo menos 2 de residência, por isso, o caminho de integração vai naturalmente acontecer, mas pra isso acontecer de fato, é preciso que todo um campo de energias sutis seja incorporado ao sistema biomédico, e isso está longe de acontecer, especialmente no Brasil que vemos a ortomolecular por exemplo ser proibida como especialidade. Por enquanto é bom saber, acupuntura não tem comprovação científica, nem florais, nem homeopatia, nem ortomolecular, nem diversos usos fitoterápicos. Você vai deixar de usar por conta disso? Eu não, pois existem muitas outras evidências que a ciência não alcança, mesmo assim, se medicina é ciência… complete a frase.

Claro que a briga é muito maior do que parece, porque uma vez que acupuntura seja regulamentada, os grandes laboratórios chineses de ervas vão querer entrar no país e aí, a briga vai começar mesmo.

- então, não vejo o futuro com olhos muito promissores, mas temos uma janela de oportunidade e perdemos muito por não termos lideranças comprometidas antes de tudo com a qualidade do ensino ou mesmo com o impacto dessa nossa arte da vida e na qualidade de vida das pessoas em todas, de todas as classes e formações.

- quero mais acupunturistas de pés-descalços, simplicidade, para todos, em todas as classes sociais, ensinadas como cuidados básicos numa cultura de promoção da saúde e não mais de pessoas doentes.

Gratidão pela leitura e indico outros temas sobre acupuntura no meu blog, pois não vejo muito sentido em ficar me repetindo.

Mário Fialho é também acupunturista, escreve aqui de vez em quando pra clarear e mente e tentar aliviar o coração e ensina acupuntura integral e japonesa na multiversidade.com

acupuntura, arte
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Sobre Karma e nosso lugar nos sistemas

30/03/12

Escrito por mariofialho em ARTIGOS

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Sistema é uma palavra que indica uma relação entre objetos. Assim, objetivamente podemos nos distanciar para uma visão mais ampla, uma observação da trama, um olhar sobre a rede, mesmo estando nós mesmos enredados nela.

Assim são os sistemas orgânicos em íntima relação com os sistemas da fisioesfera e em intima relação com os sistemas da noosfera. Pra quem não entendeu a frase anterior, basta lembrar que estamos todos relacionados, o céu no momento do seu nascimento segue contigo atravessado de trânsitos numa dança aparentemente caótica e sem sentido, mas que quanto mais ampla se torna nossa visão, mais ampla também se torna a nossa capacidade de tecer.

E o que é tecer, pra quem já viu um tear e já passou as cordinhas entre as matrizes de cordas sabemos que tecer é uma arte delicada, um traço em falso e damos nós. Tal como podemos interpretar esses passos em falso, esses atos falhos, podemos também considera-los destinos.

E aqui queremos convocar a uma visão sistêmica presente e intuída a partir dos estudos e observações da grande rede da vida que chamamos Gaia.

Somos um nó de relações, dizia o mestre Leonado Boff, somos esse feixe de sentidos que se abre em todas as direções e que faz então com que mesmo sem ver toda a trama, sem ver os tapetes onde construímos nossos padrões possamos antever ou intuir ou prefer os movimentos seguintes.

Para essa percepção originária os antigos da tradição védica chamou Karma, a raiz da palavra Kr- nos remete ao ato de tecer, de fiar, de “com-fiar” porque se tecemos juntos todos uma grande dança da criação, se movemos em falso, desmanchamos o desenho para novamente ele ganhar outra forma.

Assim, o karma é o traçado que já fizemos no sentido que escolhemos que mantém o padrão e convoca os nós para serem reorganizados. Quem sabe os truques das costureiras que sabem aproveitar o aparente nó para desatar um nó ainda maior, sabe que essa é uma habilidade rara que só se aprende errando.

Ainda assim, caros amigos da “rede” como compreender que destino é uma co-emergência não uma causa. Mesmo sabendo e prevendo os eventos, não há muito o que fazer se a dança não acontece. É como no forró, tem momentos que os corpos se entendem e isso segue o ritmo da música que anda no salão, os ritmos dos outros no salão e o ritmo interno de cada um, por isso dançar ou tocar um instrumento para trazer harmonia é uma arte difícil que se faz de corpo inteiro com energia, dedicação, compaixão e compreensão juntos no fluxo do momentum entendendo os níveis de cada um, como um elétron nas suas diversas camadas em saltos de luz e consciência, avançamos e retornamos, várias vezes até revirarmos luz.

Mas tal como na física o momentum nos carrega longe demais, se a dança é bom e a música para, dama e cavalheiro podem perder o equilíbrio aparentemente, mas foi só uma mudança de ritmo. Às vezes, a música vem das estrelas, as tais sinfonias celestes nos induzem, mas não determinam, uma certa dança, se você está consciente desse movimento, pode se apoiar nele e estar à favor dos astros. Quando os astros convocam a uma mudança brusca numa mudança de cor e ritmo celeste também sentimos aqui da Terra.

Mas para além das estrelas precisamos de uma compreensão mais ampla para falar de Karma, pelo menos admitindo a possibilidades de múltiplas existências, porque a vida, sabemos, é eterna.

Considerando pelo menos uma vida, sabemos o quanto, às vezes, precisamos reencontrar algumas pessoas para fechar algumas histórias, outras vezes isso acontece dentro de nós ou no trabalho de terapia. E as repercussões na vida, são como uma Gestalt que fecham sentidos e abrem novos mundos com a energia que estava presa alí. “bum”

Karma então é Gestalt, uma abertura de nexos que se consolida e colapsa na realidade e ao mesmo tempo deixa ir e perdoa para o novo chegar em olhos capazes de ver de novo.

Na tradição cristã, o perdão tem um papel central, pois é o afeto de conexão com a liberdade, com o deixar ir com o Gelassenheit, a entrega o let it be. E o perdão só é possível nesse contato com nossa sombras, acolhendo a responsabilidade pelas nossas escolhas.

Em constelações familiares, por exemplo, quando há um aborto, que é perfeitamente reconhecível, é fundamental reconhecer aquela escolha e aquele ser que se sacrificou pela mãe, do contrário isso se torna um peso e um culpa que afeta todo o sistema e todos os envolvidos. Assim, em constelações familiares temos uma exemplo fenomenológico do karma, desses campos e padrões dos quais somos prisioneiros, mas somos prisioneiros sempre de nós mesmos, “nós” mesmos.

Como então buscar a libertação desses condicionamentos, desses padrões inconscientes, dessas histórias e sofrimentos não resolvidos, mesmo que aparentemente positivos, mesmo que muitas vezes agradáveis, mesmo que tão sedutores e neuroticamente repetitivos?

O caminho percebido por Bert Hellinger nas constelações familiares é um só, restaurar a simetria do amor e liberar o livre fluxo do amor no sistema.

Tal como na medicina chinesa compreende o corpo como um sistema em correspondências sistemáticas. Somos nós os nós de sentidos da nossa rede.

E nessa rede, há o momento de cada um e o melhor que podemos fazer, por nós e por todos nós é se tornar mais e mais aberto ao livre fluxo do amor.

Seja a mudança, seja o amor, seja.

Em gratidão a todos da minha rede de amor que me sustentam e me levam adiante, que a luz, o brilho e o perdão possam libertar todos os seres em todos os mundos.

E você, o que você vê na figura ao lado? Deixe sua resposta e partilha seus olhares…

arte, evolução, masculino e feminino, psicologia transpessoal, relatos da terapia
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FENOMENOLOGIA DO ESPIRITO NA MEDICINA CHINESA E OS DOIS PEIXES

10/03/12

Escrito por mariofialho em ARTIGOS

1 comentário

Qual o gosto do teu gosto, como te parece a tua saliva, qual o sabor das suas lágrimas, qual o som da sua própria voz, qual a fonte do teu pensamento, de onde emergem suas visões, onde repousa sua segurança, de que fala suas entranhas quando silencia todo silencio?

Pra saber é preciso sabor e ar…

Pra saber o que sente a dor – sente a dor; pra saber o que sente o outro, contrai e inflige movimento de abertura de mais…

Pra saber que a dança do yin e do yang, como um peixes na lua que abre o céu como um sol, sussurrando docemente o amor.

Há quem sente o espírito do espírito das trans-missões…

O que te transmite teu mestre senão direto ao coração, saber, sabor, de coração, de cor e colores.

Assim, a medicina chinesa é uma mediação da inteireza e da integridade, para falar dela precisamos escutar nosso próprio mistério e silenciar profundamente.

Consciência lúcida iluminada pela clareza das palavras e autenticidades de quem ousa dar nomes ao que sente como criança, mas também como o filosofo meta-meta-físico e poeta.

Pensar livremente é sentir.

Sentir livremente é pensar – certeiro como uma agulha no ponto sem mesuras.

Ser a cura que queremos ver no mundo nos faz tornarmos transparentes a nós mesmos.

Transparencio e principio a cada instante a dar-me o mundo de presente, dar-me darma.

Vida, vida, vida em divididas divindades advindas…

Luz do amor divino – vejo o que vejo porque há luz.

Precisamos da luz pra ver, da luz do outro, da dança das histórias dos nossos amores, dos nossos amigos, dos que chegam e que passam, dos que trazem dores e os que negam amores.

Chega! Chega junto dos teus, reúne em sentimentos intimamente em silêncio estrondoso.

Medicina chinesa nasce daí, do Dao, do caminho sem fim, do caminho com o coração onde repousa a consciência e o amor.

Integrar amor com-ciência, eis com simplicidade lógica, o impulso irracional de todo vivente que tal como uma piracema contracorrente e contra-canal, nada contra a aMar-é pra num caminho em direção oposta, da esquerda, se endireita.

acupuntura, arte, integral, masculino e feminino, poesias, sonhos
12-02-2012 03-59-13

Oração da montanha e das ondas do mar

12/02/12

Escrito por mariofialho em terapias e cursos online

1 comentário

Ilumina os sentidos

Do tempo e da razão

Ilumina meu rosto, olhos em direção

Canto silencioso do amigo do irmão da amiga da irmã

Canto o sol, o céu, a luz e o mar

Abre, abre irrompe, oh coração

Oração ao coração amado

Alumia a cada canto

Permanece na quietude do profundo

Reconhece a sombra que vem junto com a luz e sorria

E canta o gemido doce do gosto de mar de amar

Ilumina, santifica, sana com o sopro do vivente

Amor

Coração

Amor

Oração

poesias, sonhos
03-02-2012 01-15-39

podcast discutindo acupuntura#1 – acupunturistas de pés descalços

03/02/12

Escrito por mariofialho em podcast

1 comentário

episódio 01

Nesta primeira entrevista do podcast discutindo acupuntura você vai ouvir o debate entre dois profissionais apaixonados pela acupuntura.

Nesta primeira entrevista:

Alberto Cantídio Ferreira

Trabalhou no programa de acupunturistas de pés descalços nas favelas de Mumbai.
Atualmente está na estudando na China aprofundando seus estudos.

Saiba mais sobre seu trabalho do Alberto no site: http://www.acupunturachinesa.com.br/

Links citados:

Grupo do facebook acupuntura independente

Comuna histórica no orkut discutindo acupuntura

Palestra do Professor Juracy Cançado

Documentário 9000 agulhas

Discutindo acupuntura podcast [ 50:38 ] Play Now | Play in Popup | Download
discutindo acupuntura, podcast
imagem

A vida e a arte do limite

02/02/12

Escrito por mariofialho em ARTIGOS

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A vida e a arte do limite

Quando soltar-se em sopro vento e ventania

Quando desbasta olhar pra sentir

Quando o sol arrebata em teu peito

Quanto da luz fala alto no fechar dos olhos

Quanto tudo é Ser presente

Vida que invade em vagas

Vasos de vazios transbordam

Vigas e vigor em fervor

Canta o corpo trêmulo das vestes de luz

Visto meu manto da calma e…

Revisito as bordas finas que ligam o céu e a terra

Amor, amor, amor

Em cada canto, canto encantos, enquanto conto que

Viver, vir ver, vim ver, vi versos pra dizer que

Pra tudo reverso há em ver se fica são

Pra te dizer que está tão certa quanto estou

Nem aí nem aqui o presente está entre tantos

Tantas

Tantras

poesias
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